quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Os salvos e os não-salvos (parte 01 de 06)

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Tendo postado sobre a misericórdia divina ter sido direcionada tanto a judeus quanto a gentios com base em Romanos 11:32, ainda ficaria "no ar" a hipótese de que essa menção estaria se referindo não a cada nação mas sim a todos os indivíduos da raça humana, então pretendo agora demonstrar através de alguns textos do livro de João como há uma clara distinção entre os salvos (ovelhas, filhos de Deus) e os que não são salvos (ímpios).

Essa distinção baseada na eleição pode ser notada desde o início da bíblia, logo no capítulo 4 de Gênesis quando temos lemos sobre Caim e Abel, depois no capítulo 6 vemos Noé e sua parentela sendo eleitos para serem salvos da destruição diluviana, tempos depois vemos Abraão (até então Abrão) sendo chamado por Deus para abençoar muitas nações e ser o grande patriarca destas; e assim por diante podemos ver que dentre todos os indivíduos Deus sempre teve propósitos específicos para alguns deles, tanto em termos de funções, cargos ou ministérios quanto em graciosamente salvá-los.

São muitos os exemplos, mas como mencionei, pretendo dar alguns exemplos do livro de João (pelo menos inicialmente) que revelam claramente que, mesmo que todos os indivíduos sejam naturalmente pecadores e dignos de condenação, alguns deles são eleitos previamente para serem resgatados por Cristo e receberam NEle a herança que o Pai lhes reservou.

É importante ressaltar que a fé é o fator determinante e justificador do eleito.  É mediante a fé que somos salvos, sendo esta a prova que somos parte do corpo de Cristo.

No capítulo 3 de João, Jesus conversava com Nicodemus, autoridade entre os judeus. Jesus lhe ensinou que a pessoa precisa nascer de novo para que conheça o Reino de Deus (vs 3), ou seja, é necessário que a pessoa seja regenerada, receba uma nova natureza da parte de Deus (2 Coríntios 5:17Gálatas 6:15).

Nesse diálogo é explicado que Cristo não veio ao mundo para aplicar o juízo divino, mas ser a própria base para esse julgamento. Ou seja, Ele não veio para imediatamente punir e condenar os perdidos, mas sim para que aquele que cresse ou crer NEle fosse ou seja salvo mediante essa fé (vs 17-19)

Ou seja, já sabemos que há 2 grupos em relação ao destino final de suas almas: os salvos e os condenados (não-salvos) - aqueles que são resgatados por Cristo mediante a fé que os justifica perante o Pai e aqueles que se mantém escravos do pecado.

Sobre esses que não creem, o versículo 36 mostra claramente que permanecem sob a ira de Deus:
Quem crê no Filho tem a vida eterna; já quem rejeita o Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele.




No capítulo 4 temos a narrativa da conversa de Cristo com a mulher samaritana, e mais uma vez Cristo se apresenta como a fonte da vida eterna (vs 13-14). No versículo 20 a mulher fala a Jesus sobre essa distinção entre judeus e samaritanos sobre o local de adoração e Ele menciona que a salvação vem dos judeus (vs 22) mas que era chegado o tempo de reunir os verdadeiros adoradores, que adoram em espírito e em verdade (vs 23-24).
Ou seja, a adoração não estava limitada geograficamente, mas era real pela sinceridade do coração dos adoradores.

Nesse mesmo capítulo 4 vemos que Jesus pregou e muitos creram NEle (vs 41) e no capítulo 5 Jesus fala novamente sobre aqueles que creem:
Eu lhes asseguro: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não será condenado, mas já passou da morte para a vida
(João 5:24)
Aqui Jesus traz uma garantia aos seus ouvintes, uma promessa de vida eterna e absolvição da condenação, confirmando que esses que creem já receberam essa vida. Em seguida Ele revela o que havia no coração de Seus ouvintes:
E o Pai que me enviou, ele mesmo testemunhou a meu respeito. Vocês nunca ouviram a sua voz, nem viram a sua forma, nem a sua palavra habita em vocês, pois não creem naquele que ele enviou.
Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida.
"Eu não aceito glória dos homens, mas conheço vocês. Sei que vocês não têm o amor de DeusEu vim em nome de meu Pai, e vocês não me aceitaram; mas, se outro vier em seu próprio nome, vocês o aceitarão. Como vocês podem crer, se aceitam glória uns dos outros, mas não procuram a glória que vem do Deus único?
"Contudo, não pensem que eu os acusarei perante o Pai. Quem os acusa é Moisés, em quem estão as suas esperanças. Se vocês cressem em Moisés, creriam em mim, pois ele escreveu a meu respeitoVisto, porém, que não creem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo? " 
(João 5:37-47)
É importante aqui ressaltar mais uma vez que Jesus conhecia os corações de Seus ouvintes, e isso já havia sido nos dito em João 2:24-25. Ou seja, as palavras DEle não corriam qualquer risco de serem falsas, Ele tinha certeza absoluta do que dizia.

Jesus então afirma veementemente que aqueles que o indagavam não tinham o amor de Deus e muito menos a vida eterna que almejavam, e isso justamente porque rejeitaram as palavras DEle. Por fim Ele confirma o que Moisés havia ensinado (ao invés de substituir, como alguns sugerem), dizendo que se aquelas pessoas realmente cressem no que Moisés disse também creriam nas palavras DEle.

Recapitulando, já vimos que Jesus conhecia o coração das pessoas e claramente faz uma distinção entre aqueles que creem e os demais, dizendo a eles que estes que creem já tem a vida eterna, enquanto os demais permanecem sob a ira do Pai, estão condenados.

Na próxima postagem vamos ver sobre a origem da rejeição de alguns e a aceitação por parte dos demais, estudando o que é causa e o que é conseqüência em termos de fé.