domingo, 7 de agosto de 2022

Os benefícios do cristianismo para a civilização (por Franklin Ferreira)

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Uma crítica recorrente ao cristianismo, por parte de ateístas e esquerdistas, é a de que o cristianismo seria socialmente insensível e alienante. A infame frase de Karl Marx sintetiza a ideia: "A religião é o suspiro da criatura oprimida [...]. A religião é o ópio do povo. A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real". Estas noções são repetidas continuamente por ateus e esquerdistas, sobretudo na academia e nos meios de comunicação. Mas tal presunção está longe de ser historicamente fundamentada. Na verdade, os historiadores têm documentado que os valores dos direitos humanos, da tolerância, da democracia, da justiça, da liberdade e da reconciliação racial são legados da fé cristã, fundamentada na Escritura Sagrada, não ideias seculares ou religiosamente neutras. Apesar de todos os seus erros e pecados, a Igreja cristã desempenhou e continua desempenhando um papel crucial não só estabelecendo como também exercendo o que seja a verdadeira compaixão. Esse impacto, com frequência, tem sido inspirado pela devoção ao Senhor Jesus, que faz transbordar o amor dos fiéis ao próximo para a glória de Deus.

Aqui estão algumas conquistas morais e sociais da fé cristã, de acordo com Paul Copan:

Erradicando a escravidão: Como a fé cristã se espalhou dentro da Europa bárbara após a queda de Roma, a prática da escravidão diminuiu. A escravidão virtualmente desapareceu na Europa na Idade Média, quando a Europa estava cristianizada. Quando a escravidão reapareceu, ela recebeu forte oposição por crentes dedicados entre os menonitas e os quakers, tanto quanto por líderes cristãos tais como Richard Baxter, John Wesley, John Newton e William Wilberforce.
Apesar de todos os seus erros e pecados, a Igreja cristã desempenhou e continua desempenhando um papel crucial não só estabelecendo como também exercendo o que seja a verdadeira compaixão.

Opondo-se ao infanticídio e ao aborto: estas práticas, comuns entre os gregos e romanos, foram banidas no século 4.º, sob a influência dos cristãos. Os concílios de Elvira, em 306, e Ancira, em 314, condenaram o aborto como prática pagã. O Terceiro Concílio de Constantinopla, de 692, decidiu pela excomunhão do cristão que praticasse o aborto.

Eliminando os jogos dos gladiadores: esses jogos brutais geralmente envolviam escravos e criminosos, lutando entre si, às vezes até a morte, para o entretenimento do público romano. Eles foram banidos no mundo romano por ordem do imperador Honório, em 399. E o imperador Valentiniano III reforçou a proibição, em 438.

Construindo hospitais: diferentemente dos gregos e romanos, os primeiros cristãos estavam preocupados com a saúde, cuidando dos doentes e moribundos. Os hospitais medievais nasceram como casas de acolhimento para os pobres, peregrinos e estrangeiros doentes e eram chamados de xenodochium – no grego, "lugar de estrangeiros". Uma vez que a fé cristã se tornou a religião majoritária no Império Romano, esse ministério se expandiu consideravelmente. O Concílio de Niceia, ocorrido em 325, comissionou bispos para estabelecer hospitais em cada cidade onde existisse uma igreja construída. O primeiro hospital foi construído sob a direção de Basílio em Cesareia, em 369. Na Idade Média, os hospitais existiam em toda a Europa. Florence Nightingale, a fundadora da enfermagem moderna, também exemplifica o serviço cristão de cura do corpo.

Elevando o papel e os direitos das mulheres: embora as feministas afirmem que a fé cristã menospreza as mulheres e as mantém subjugadas, a história mostra o oposto. Não obstante as mulheres terem sido rotineiramente oprimidas na maioria das culturas, nós vemos algo diferente no tratamento que Jesus deu às mulheres, como no caso da mulher samaritana (João 4,1-43) ou Marta e Maria (Lucas 10,38-42). O evangelho de Lucas destaca o lugar proeminente das mulheres na vida e no ministério de Jesus. Os primeiros cristãos protegeram as mulheres do abandono, da negligência, do divórcio e do abuso. Um exemplo claro do valor da mulher foi o fim do ritual cultural do sati, praticado na Índia no século 18, quando a viúva era enterrada viva na cova do marido, e que foi eliminado por influência dos missionários cristãos, sobretudo do famoso William Carey.

Garantir o direito à propriedade, à paternidade e a vida sexual monogâmica para os pobres: Ao contrário do que é alardeado, o casamento não surge dentro da sociedade cristã como uma restrição à sexualidade, mas nasce como uma instituição que garantiria ao pobre o direito de deixar uma herança para sua família e formalizar uma união que lhe permitiria tanto desfrutar do amor e companheirismo do cônjuge, que antes era negado a quem não tinha propriedade, como também a passar o fruto de seu trabalho como herança para os filhos.

Fundando as grandes universidades na Europa e na América do Norte: Salamanca, Paris, Coimbra, St. Andrews, Oxford, Cambridge, Havard, Yale e Princeton são algumas das muitas notáveis universidades estabelecidas para a glória de Deus no Ocidente. Na verdade, entre 1080 e 1500 foram fundadas na Europa mais de 50 universidades, algumas das quais estão entre os mais importantes centros de saber da história. Na Europa, muitas universidades surgiram dos mosteiros medievais; na América do Norte, as mais antigas e notáveis universidades surgiram como instituições para treinar pastores e missionários para o ministério cristão.
Os primeiros cristãos protegeram as mulheres do abandono, da negligência, do divórcio e do abuso

Escrevendo obras extraordinárias de literatura, que inspiraram os cristãos a viverem por sua fé: começando com a História Eclesiástica, de Eusébio de Cesareia, e Confissões e A Cidade de Deus, de Agostinho de Hipona; mas também com o Beowulf; o Le Morte D'Arthur, de Sir Thomas Malory; A Divina Comédia, de Dante Alighieri; O Paraíso Perdido, de John Milton; e O Peregrino, de John Bunyan. Assim como as obras de Fiódor Dostoiévski, J.R.R. Tolkien, C.S. Lewis, Georges Bernanos, Marilynne Robinson e Aleksandr Solzhenitsyn, entre tantos outros.

Envolvendo-se e escrevendo sobre filosofia, teologia e a vida da razão: alguns dos principais representantes incluem Agostinho de Hipona, Boécio, Anselmo da Cantuária, Tomás de Aquino, Blaise Pascal, Jonathan Edwards, Søren Kierkegaard, Mortimer J. Adler, Étienne Gilson, Edith Stein e Alvin Plantinga. Hoje, organizações tais como a Society of Christian Philosophers e a Evangelical Philosophical Society atestam essa tradição contínua.

Criando lindas peças de arte, esculturas e arquitetura: podemos citar Michelangelo, Lucas Cranach, Albrecht Dürer, Rembrandt van Rijn, Peter Paul Rubens, Vincent van Gogh ou as belíssimas igrejas bizantinas, românicas e góticas, como a Catedral de Notre-Dame de Paris.

Estabelecendo os fundamentos da ciência moderna: esta tem as suas raízes na convicção bíblica de que o mundo foi criado por um Deus racional. Por esta razão, o mundo é ordenado e previsível, e pode ser estudado e entendido pela mente humana. Poderíamos mencionar Isaac Newton, Galileu Galilei, Nicolau Copérnico, Robert Boyle, Johannes Kepler, Gregor Mendel, Michael Faraday, William Thomson Lord Kelvin, Antoine Lavoisier, Georges Lemaître e muitos outros cristãos importantes na área da ciência. Entre 1901 e 2000, 65,4% dos ganhadores do Prêmio Nobel eram cristãos ou tinham formação cristã.

Compondo músicas brilhantes: as obras de Johann Sebastian Bach, Georg Friedrich Händel, Felix Mendelssohn e Franz Joseph Haydn falam por elas mesmas, como exemplo de entretenimento para a alma como uma atividade sublime.

Advogando os direitos humanos, democracia, liberdade política e preocupação com os pobres: esses temas são enraizados nos ideais bíblicos de que todos os humanos são feitos a imagem de Deus, que eles têm dignidade e valor e que eles são iguais perante a lei. A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos não existiria se não fosse a militância de humanistas e filósofos cristãos, entre eles W. Ernest Hocking e Jacques Maritain.

O crescimento da igreja cristã ocorreu na Europa, América, Ásia e África em grande parte porque a fé cristã tinha um elevado padrão ético derivado de um conjunto de doutrinas, uma ortodoxia pela qual se podia lutar e morrer, enquanto o paganismo, em suas diversas representações religiosas ou políticas, desprovido de dogmas, era fragmentado em uma multidão confusa de divindades e de cultos, e mantinha sistemas políticos fechados onde não havia a possibilidade de apelo individual contra a ordem instituída. Portanto, como Bento XVI afirmou, tão oportunamente: "São os santos que mudam o mundo para melhor, que o transformam de forma duradoura, infundindo as energias que unicamente o amor inspirado pelo Evangelho pode suscitar. Os santos são os grandes benfeitores da humanidade!"
Não é possível destacar suficientemente o impacto e poder transformador que Jesus teve sobre o processo civilizatório e as incontáveis vidas impactadas por sua existência.
Na verdade, como G. K. Chesterton afirmou em 1925, se não houvesse sido pelo surgimento e crescimento da igreja cristã, a Europa teria continuado pagã, a civilização ocidental não teria jamais existido na forma como a conhecemos, e, culturalmente,

"a Europa seria hoje muito parecida com a Ásia". Ele sugeriu ainda "que, se o paganismo clássico houvesse se prolongado até hoje [no Ocidente] ... haveria ainda pitagóricos ensinando reencarnação, assim como ainda há hinduístas ensinando reencarnação na Ásia. Haveria ainda estoicos criando uma religião a partir da razão e da virtude, assim como ainda há confucionistas na Ásia criando uma religião a partir da razão e da virtude. Haveria ainda neoplatonistas estudando verdades transcendentes cujo sentido seria misterioso para as outras pessoas e disputado até mesmo entre eles, assim como ainda há budistas na Ásia estudando um transcendentalismo misterioso para os outros e disputado até mesmo entre eles. Haveria ainda apolonianos inteligentes aparentemente adorando o deus-sol, mas explicando que na verdade eles adoram o princípio divino, assim como ainda há na Ásia zoroastrianos aparentemente adorando o sol, mas explicando que estão adorando a divindade. Haveria ainda dionisíacos dançando selvagemente nas montanhas, assim como ainda há na Ásia dervixes dançando selvagemente no deserto. Haveria ainda multidões indo às festas dos deuses... e haveria muitos deuses para serem adorados, como há na Ásia, ainda pagã... Haveria ainda sacrifícios humanos secretos a Moloque, assim como ainda há na Ásia sacrifícios humanos secretos à deusa Kali. Haveria ainda muita feitiçaria, e boa parte dessa feitiçaria seria magia negra. Haveria ainda muita admiração por Sêneca, e muita imitação de Nero, assim como na Ásia os elevados epigramas de Confúcio coexistiram com as torturas chinesas."

Portanto, não é possível destacar suficientemente o impacto e poder transformador que o Senhor Jesus, o eterno Filho de Deus e descendente do rei Davi, teve sobre o processo civilizatório e as incontáveis vidas impactadas por sua existência, ensinamentos, morte na cruz e ressurreição. Como Jaroslav Pelikan observou, seja pela mudança do calendário para "antes de Cristo" e "depois de Cristo", agora de acordo com "o ano do nosso Senhor", entre outras transformações, "todos são compelidos a reconhecer que por causa de Jesus de Nazaré a história nunca mais será a mesma". Portanto, se o Ocidente almeja não apenas sobreviver, mas também florescer, é preciso retornar penitentemente ao Senhor Jesus, em contrição, quebrantamento e arrependimento.

Extraído de: