Páginas

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

É (sempre) um dever moral votar no "menos pior"?

Poucas frases são tão repetidas em época de eleição quanto esta: “Não gosto de nenhum dos candidatos, mas é preciso votar no menos pior.” Para alguns, trata-se apenas de realismo político: nenhum governante será perfeito e, portanto, cabe ao eleitor comparar as opções disponíveis. Para outros cristãos, porém, surge uma dificuldade moral legítima: se ambos os candidatos defendem coisas erradas, votar em um deles não poderia significar cooperação com o mal?

A pergunta não pode ser resolvida apenas com cálculo eleitoral. Antes de decidir quem seria o “menos pior”, é necessário estabelecer um critério anterior à disputa: para que existe a autoridade civil e o que Deus exige de quem a exerce? Sem esse padrão, “melhor” e “pior” acabam significando apenas maior ou menor proximidade com nossas preferências partidárias.

Nota de método: a Bíblia não fornece uma estratégia eleitoral obrigatória para democracias modernas. Ela fornece, porém, princípios objetivos sobre a finalidade do governo, o caráter dos magistrados, a administração da justiça, a proteção do inocente, a punição do mal, os limites do poder e a responsabilidade moral diante do próximo. É a partir desses princípios que a decisão eleitoral precisa ser examinada.

Para que existe o magistrado?

Paulo apresenta a autoridade civil como instrumento de Deus para o bem e para a repressão do mal:

“Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. [...] visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.”

Romanos 13:3–4

Pedro apresenta a mesma lógica ao falar de governadores enviados “para castigo dos malfeitores e louvor dos que praticam o bem” (1 Pedro 2:14). A autoridade civil, portanto, não existe simplesmente para administrar interesses, distribuir benefícios ou executar a vontade da maioria. Seu ofício possui conteúdo moral: proteger o bem, conter a injustiça e exercer julgamento.

A Confissão de Westminster resume essa finalidade dizendo que Deus estabeleceu magistrados para sua glória e para o bem público, conferindo-lhes autoridade para defesa dos que fazem o bem e punição dos malfeitores.1

Isso significa que o Estado não cria o bem e o mal por decreto. Uma lei pode ser formalmente válida e ainda assim ser injusta. Isaías condena precisamente aqueles que “decretam leis injustas” (Isaías 10:1). A legitimidade do cargo não transforma automaticamente todas as decisões do governante em decisões morais.

Que tipo de homem deveria governar?

A Escritura não trata o caráter do magistrado como questão irrelevante. Quando Moisés precisou estabelecer homens para exercer julgamento, recebeu uma recomendação extraordinariamente objetiva:

“Procura dentre o povo homens capazes, tementes a Deus, homens de verdade, que aborreçam a avareza.”

Êxodo 18:21

Esse texto reúne quatro qualidades que continuam oferecendo um padrão importante: capacidade, temor de Deus, compromisso com a verdade e repúdio à cobiça. Deuteronômio acrescenta sabedoria, entendimento e experiência (Deuteronômio 1:13). Portanto, competência e caráter não são alternativas. O ideal bíblico não é o homem piedoso porém incapaz, nem o administrador eficiente porém corrupto.2

O temor de Deus também não deve ser entendido como simples devoção privada sem consequências públicas. O rei deveria reconhecer que sua própria autoridade era subordinada. Em Deuteronômio 17, ele recebe a ordem de ler continuamente a lei para aprender a temer ao Senhor e para que “o seu coração não se eleve sobre os seus irmãos”. A autoridade, portanto, não deveria produzir a ilusão de que o governante está acima da mesma ordem moral que exige dos demais.

A mesma passagem também restringe a acumulação de poder, riqueza e prestígio pessoal. Embora essas determinações pertençam ao contexto específico da monarquia israelita, o princípio é claro: o cargo público não deve ser transformado em instrumento de autoexaltação, enriquecimento ou fortalecimento ilimitado do governante.

A justiça exige verdade, imparcialidade e repúdio à corrupção

A função judicial do magistrado exige imparcialidade. Moisés ordena:

“Não sereis parciais no juízo; ouvireis tanto o pequeno como o grande; não temereis a face de ninguém, porque o juízo é de Deus.”

Deuteronômio 1:17

Isso exclui a lógica segundo a qual aliados merecem um padrão e adversários outro. Governo justo não utiliza polícia, tribunais, fiscalização ou administração como instrumentos pessoais de vingança. Rico e pobre, governista e oposicionista, influente e desconhecido devem ser julgados pelo mesmo padrão.

A corrupção também aparece como deformação direta da justiça. “Suborno não aceitarás”, diz Êxodo 23:8, “porque o suborno cega até o perspicaz e perverte as palavras dos justos”. Por isso, corrupção demonstrada não é apenas um defeito administrativo secundário. Ela compromete precisamente aquilo que o magistrado existe para fazer: julgar e governar de forma reta.

Ao mesmo tempo, a rejeição da corrupção exige igualmente rejeição de acusações sem prova, falso testemunho e condenações seletivas. O princípio bíblico não é “combater corruptos a qualquer custo”, mas administrar justiça sem parcialidade.

O magistrado deve proteger quem não consegue enfrentar sozinho os poderosos

Outro aspecto recorrente nas Escrituras é a proteção dos vulneráveis:

“Fazei justiça ao fraco e ao órfão, procedei retamente para com o aflito e o desamparado. Socorrei o fraco e o necessitado; tirai-os das mãos dos ímpios.”

Salmo 82:3–4

Isso não significa favorecer automaticamente o pobre simplesmente por sua condição econômica. Êxodo 23:3 proíbe inclusive a parcialidade em favor do pobre numa causa judicial. O princípio é outro: quem possui menos poder social, político ou econômico não pode ficar sem justiça por não ter meios para enfrentar aqueles que o oprimem.

Assim, a proteção da vida inocente, o combate à violência, a defesa contra fraude, o respeito à propriedade, a restituição por danos, a condenação do falso testemunho e a proporcionalidade da punição não são questões políticas arbitrárias. São aplicações de princípios de justiça encontrados repetidamente na lei bíblica.

As antigas leis civis ainda ensinam o que é justiça?

A legislação dada a Israel possuía uma forma política específica e não deve ser simplesmente reproduzida mecanicamente em outra nação. A própria Confissão de Westminster afirma que aquelas leis judiciais expiraram juntamente com Israel enquanto corpo político, permanecendo obrigatória a justiça geral nelas expressa.3

Isso significa que sua forma histórica não é automaticamente transferida para qualquer Estado moderno, mas seus princípios não se tornam irrelevantes. As leis sobre homicídio, furto, restituição, falso testemunho, negligência, responsabilidade por danos, proteção dos vulneráveis e proporcionalidade penal continuam revelando a maneira como Deus aplica moralmente conceitos de justiça à vida social.

Portanto, a pergunta adequada não é simplesmente “qual pena Israel aplicava?”, mas também “qual princípio moral essa lei revela e como ele deve orientar a justiça civil em circunstâncias diferentes?”

  • A vida inocente deve ser protegida.
  • O mal deve ser efetivamente punido.
  • Propriedade não deve ser tomada arbitrariamente.
  • Fraude e furto exigem reparação.
  • Falso testemunho deve ser condenado.
  • Suborno e corrupção pervertem a justiça.
  • O juiz não pode favorecer rico, pobre, amigo ou adversário.
  • Negligência que causa dano pode gerar responsabilidade.
  • O vulnerável deve ser protegido contra opressão.
  • A punição deve guardar proporção com a gravidade da injustiça.

É a partir desses critérios que um candidato deveria ser avaliado

Somente depois de estabelecer a finalidade do cargo faz sentido comparar candidatos. A pergunta não é simplesmente qual deles possui mais propostas de que gostamos, mas qual demonstra melhores condições de exercer aquilo que a magistratura deveria fazer.

Critério Pergunta prática
Verdade Há padrão consistente de mentira, manipulação ou falso testemunho?
Integridade Há evidência séria de corrupção, favorecimento ou uso privado do poder?
Capacidade Possui sabedoria, experiência e competência compatíveis com o cargo?
Imparcialidade Aplica aos aliados o mesmo padrão utilizado contra adversários?
Proteção da vida e do inocente Suas políticas defendem ou expõem inocentes a injustiças previsíveis?
Repressão do mal Procura conter violência, fraude, corrupção e abuso sem abandonar o devido processo?
Limites do poder Reconhece que sua autoridade possui limites ou trata instituições apenas como obstáculos?
Bem público Governa para administrar justiça ou para benefício próprio, partidário ou de grupos favorecidos?

Naturalmente, candidatos reais apresentarão combinações imperfeitas desses elementos. Um poderá ser superior em determinada área e significativamente pior em outra. Por isso, a análise não pode ser reduzida à contagem de defeitos. É necessário considerar gravidade, extensão, relação com as funções centrais do cargo e consequências previsíveis.

Nem todos os erros políticos possuem o mesmo peso

Uma divergência tributária, uma política administrativa ineficiente e uma decisão econômica discutível podem ser relevantes, mas não possuem automaticamente o mesmo peso que corrupção sistemática, perseguição política, fraude judicial, violência estatal ou políticas que atinjam diretamente vidas inocentes.

A própria Escritura reconhece diferenças de gravidade. Jesus fala dos “preceitos mais importantes da lei”, mencionando justiça, misericórdia e fidelidade (Mateus 23:23). Isso não torna pequenas injustiças aceitáveis; significa que a avaliação moral deve saber distinguir proporções.

Quanto mais uma política toca diretamente a finalidade do magistrado — justiça, vida, segurança, imparcialidade, propriedade, punição do crime, proteção contra abuso — maior tende a ser sua relevância para o exercício do cargo.

É aqui que aparece a questão do “menos pior”

Nenhum candidato satisfará perfeitamente o padrão descrito. Todo governante é pecador, possui limitações e defenderá ao menos algumas medidas equivocadas. Portanto, alguma forma de comparação prudencial é inevitável.

Votar em um candidato imperfeito não significa necessariamente afirmar que ele é bom em todos os aspectos. Também não significa assumir moralmente cada pecado, opinião ou decisão que ele venha a praticar. Um voto é uma escolha institucional entre alternativas concretamente disponíveis, não uma declaração de fidelidade pessoal irrestrita.

Assim, o “menos pior” pode ser uma categoria legítima, desde que a expressão tenha conteúdo. A pergunta correta é: menos injusto segundo qual padrão? Se a resposta for apenas “o candidato do meu grupo”, não há prudência moral, apenas partidarismo.

Existe, porém, um limite: não podemos pecar para produzir um bem político

Romanos 3:8 estabelece a fronteira fundamental:

“Pratiquemos males para que venham bens?”

Romanos 3:8

Portanto, o raciocínio do “mal menor” não pode significar: “sei que meu ato é pecaminoso, mas vou praticá-lo porque a consequência política será melhor”. Nenhum resultado desejável converte pecado em virtude.

Mas existe diferença entre praticar diretamente um mal e escolher, entre duas opções institucionais imperfeitas, aquela que apresenta menor injustiça. Se o ato de votar não é em si pecaminoso, a decisão pode pertencer legitimamente ao campo da prudência.

Por outro lado, pode haver casos em que a candidatura esteja tão estreitamente vinculada a determinada injustiça grave que o eleitor conclua não poder cooperar com ela sem violar sua consciência diante de Deus. A frase “é o menos pior” não elimina automaticamente esse limite.

Pode surgir um dever de impedir um mal maior

A responsabilidade moral não termina na pergunta sobre aquilo que o próprio eleitor deseja fazer. Devemos considerar também o próximo. Provérbios adverte:

“Livra os que estão sendo levados para a morte e salva os que cambaleiam indo para serem mortos.”

Provérbios 24:11

O princípio não cria uma regra eleitoral automática, mas mostra que a possibilidade legítima de impedir uma injustiça grave pode gerar responsabilidade. Se, em determinada eleição, uma candidatura representa ameaça significativamente maior à vida, à justiça ou à liberdade de inocentes e o voto constitui meio lícito e efetivo para reduzir esse risco, o dever para com o próximo passa a ter peso real.

Nesse caso, votar no candidato menos injusto pode ser moralmente sério mesmo sem qualquer entusiasmo por ele. O raciocínio não é “façamos um pequeno mal para impedir um grande”, mas “utilizemos um meio moralmente permitido para evitar uma injustiça maior”.

Isso não cria um mandamento universal de votar no candidato mais viável

Da possibilidade de um dever circunstancial não se segue uma obrigação universal. A Bíblia não estabelece a regra “sempre vote no candidato eleitoralmente mais competitivo contra o pior”. Viabilidade é uma consideração estratégica, não uma virtude moral.

Pesquisas podem ajudar a estimar efeitos concretos do voto, especialmente em segundo turno, mas não transformam um candidato injusto em justo. A ordem correta é avaliar primeiro a admissibilidade moral das opções e, somente depois, considerar sua viabilidade.

A Confissão de Westminster protege ainda a liberdade da consciência contra a imposição, como obrigação religiosa, de mandamentos humanos que Deus não estabeleceu.4

Por isso, uma igreja ou pastor deveria ter grande cautela ao afirmar que um cristão necessariamente peca apenas porque não votou no candidato considerado eleitoralmente indispensável.

Mas consciência também precisa ser examinada

A liberdade da consciência não significa que qualquer sentimento pessoal esteja automaticamente correto. A consciência precisa ser formada pela Palavra e pode ser incoerente, mal informada ou seletiva.

Um eleitor pode condenar determinada conduta no adversário e relativizar exatamente a mesma conduta no próprio candidato. Pode chamar um abuso de “autoritarismo” quando vem do outro lado e de “firmeza” quando vem do seu. Pode exigir provas rigorosas contra aliados e aceitar rumores frágeis contra adversários.

Essa parcialidade contradiz justamente o padrão bíblico exigido dos magistrados. O eleitor cristão também precisa julgar com pesos iguais.

Abster-se também precisa de uma justificativa moral

Um cristão pode concluir, em determinadas circunstâncias, que não consegue votar em nenhuma das alternativas sem grave comprometimento. Essa possibilidade não deve ser tratada automaticamente como pecado.

Mas branco, nulo ou abstenção também não são decisões sem efeitos. Se o eleitor possui razoável certeza de que uma das alternativas produzirá injustiça muito maior, a decisão de não utilizar sua influência também merece exame.

Isso não significa que o abstencionista passe a ser culpado por tudo o que o vencedor fizer. A relação causal entre um voto individual e um governo inteiro é muito mais complexa. Significa apenas que não agir também pode possuir consequências previsíveis e, por isso, não está fora da reflexão moral.

Primeiro e segundo turno podem exigir avaliações diferentes

Em sistemas eleitorais com dois turnos, o problema prudencial também muda. No primeiro turno, normalmente existe maior variedade de candidatos e o eleitor pode expressar preferência positiva por alguém que considera mais adequado, ainda que suas chances sejam menores.

No segundo turno, restam duas possibilidades concretas para ocupar o cargo. Isso não cria automaticamente um dever absoluto de escolher uma delas, mas torna a comparação entre consequências muito mais direta.

É nesse cenário que a expressão “menos pior” possui sua aplicação mais compreensível: não como elogio à opção escolhida, mas como avaliação de qual dos dois resultados possíveis produzirá menor oposição aos deveres objetivos da autoridade civil.

Profissão religiosa não substitui os critérios bíblicos

A exigência de temor de Deus não significa que basta ao candidato utilizar linguagem cristã. A Bíblia mede confissões também por seus frutos. Um homem que invoca o nome de Deus enquanto mente sistematicamente, favorece corruptos, persegue inocentes ou utiliza o cargo para benefício pessoal contradiz pela prática aquilo que professa.

Por isso, o eleitor cristão não deveria votar simplesmente porque um candidato declara pertencer a determinada religião. Mas tampouco deveria considerar indiferente a visão moral que o candidato possui sobre Deus, justiça, vida humana e limites do poder.

O critério continua sendo o conjunto: caráter, princípios, atos, propostas, capacidade e provável exercício do cargo.

Afinal, existe um dever moral de votar no “menos pior”?

Não em todas as eleições e não como regra universal. A Bíblia não ordena uma estratégia eleitoral permanente de voto útil nem afirma que toda abstenção seja pecado.

Contudo, em determinadas circunstâncias, pode surgir uma obrigação moral séria de impedir uma injustiça maior. Isso ocorre quando a diferença entre as alternativas é substancial, as consequências para o próximo são graves e previsíveis, e existe um meio legítimo de reduzir esse dano sem praticar pecado.

O “menos pior” pode ser uma escolha moralmente legítima — e às vezes moralmente importante — quando significa escolher, entre alternativas realmente disponíveis, aquela que provavelmente exercerá o poder de maneira menos injusta. O que a expressão nunca pode fazer é transformar injustiça em justiça ou apagar limites morais em nome da estratégia.

Conclusão

A discussão sobre o “menos pior” costuma começar pelo candidato, quando deveria começar pelo próprio ofício. Antes de comparar nomes, partidos e pesquisas, o cristão precisa perguntar o que Deus exige de quem governa.

A Escritura apresenta o magistrado como autoridade destinada ao bem público, à proteção do inocente e à punição do mal. Exige capacidade, verdade, temor de Deus, repúdio à cobiça e imparcialidade. Coloca o governante debaixo da lei em vez de acima dela, condena suborno e parcialidade, exige proteção do vulnerável e trata leis injustas como algo pelo qual o próprio legislador pode ser condenado.

É por esse padrão que os candidatos deveriam ser comparados. Não existe candidato perfeito, e por isso a prudência será inevitável. Votar em uma pessoa não significa aprovar tudo nela, e escolher uma alternativa imperfeita não equivale automaticamente a praticar os pecados que ela representa.

Ao mesmo tempo, prudência não é relativismo. Nunca é lícito fazer o mal para que venha o bem, e a expressão “menos pior” não pode funcionar como salvo-conduto para corrupção, injustiça, autoritarismo ou idolatria partidária.

Também não existe um mandamento bíblico universal obrigando o cristão a votar sempre na alternativa mais viável. A consciência permanece livre onde Deus não estabeleceu uma obrigação específica. Mas essa mesma consciência precisa examinar não apenas o ato de votar, como também as consequências previsíveis de se omitir quando existe oportunidade legítima de impedir uma injustiça grave.

Por isso, a pergunta mais útil não é simplesmente:

“Quem é o menos pior?”

Mas:

“Entre as alternativas realmente disponíveis, qual candidato está menos distante das exigências bíblicas do ofício civil, que injustiças cada resultado provavelmente produzirá e que decisão posso tomar diante de Deus sem violar sua lei e buscando sinceramente o bem do meu próximo?”

Essa formulação não elimina toda dificuldade, mas coloca a eleição debaixo de um critério mais alto que partido, personalidade, popularidade ou conveniência.

O governante também será julgado. E o eleitor cristão deveria escolhê-lo lembrando disso.

Notas

1 CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, capítulo XXIII, §1. A magistratura civil é apresentada como ordenada por Deus para sua glória e para o bem público, com autoridade destinada à defesa do bem e punição dos malfeitores. Consultar Confissão. ↩ voltar ao texto

2 Êxodo 18:21; Deuteronômio 1:13. Os textos associam exercício de julgamento a capacidade, sabedoria, experiência, temor de Deus, verdade e repúdio à cobiça. Consultar textos. ↩ voltar ao texto

3 CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, capítulo XIX, §§4–5. A Confissão distingue a lei moral das leis judiciais dadas a Israel como corpo político, cuja forma nacional expirou, permanecendo a justiça geral nelas contida. Consultar capítulo XIX. ↩ voltar ao texto

4 CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, capítulo XX, §2. Deus é apresentado como único Senhor da consciência, que não deve ser submetida como matéria de fé a mandamentos humanos que ultrapassem aquilo que ele estabeleceu. Consultar Confissão. ↩ voltar ao texto

Fontes e referências

BÍBLIA SAGRADA. Referências principais: Êxodo 18:21; 23:1–8; Deuteronômio 1:13–17; 16:18–20; 17:14–20; Salmos 72 e 82; Provérbios 24:11–12; Isaías 10:1–2; Mateus 23:23; Romanos 3:8; 13:1–7; 1 Pedro 2:13–14.

CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. Especialmente capítulos XIX — “Da Lei de Deus”; XX — “Da Liberdade Cristã e da Liberdade de Consciência”; XXIII — “Do Magistrado Civil”. Westminster Theological Seminary.

CATECISMO MAIOR DE WESTMINSTER. Especialmente perguntas 127–130, sobre deveres e pecados relacionados ao exercício da autoridade. Westminster Seminary California.

CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã, Livro IV, capítulo XX — “Do governo civil”. Consultar texto.