sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Como crianças, mas em crescimento (por C. H. Spurgeon)

Crianças em Cristo. (1Coríntios 3.1) 

Você está lamentando porque é muito fraco em sua vida espiritual? Está lamentando porque a sua fé é tão frágil e seu amor tão pequeno? Anime-se, pois você tem motivo de gratidão. Lembre-se: em algumas coisas você é igual ao crente mais forte e adulto. Você e ele foram comprados com o mesmo sangue. Você é um filho adotado de Deus assim como qualquer outro crente. Uma criança é um filho verdadeiro de seus pais, tal como um filho adulto. Você está completamente justificado em Cristo, pois a sua justificação não depende de graus. A sua pequena fé o tornou completamente puro. Assim como os crentes mais avançados, você tem direito às coisas preciosas da aliança, visto que o seu direito às misericórdias da aliança está fundamentado não em seu crescimento espiritual, e sim na própria aliança. Crente, a sua fé em Jesus não é a medida e sim a evidência de sua herança nEle. Você é tão rico quanto o mais rico, se não em prazer, em posse real. A estrela que menos brilha também está em órbita no céu. O raio mais tênue de luz também possui afinidade com o grande luzeiro do dia. No registro da família celestial, o menor e o maior estão inscritos pela mesma caneta. Você é tão querido ao seu Pai celestial como os mais nobres da família. O Senhor Jesus lhe demonstra ternura abundante. Você é semelhante a uma cana quebrada e qualquer mão menos cuidadosa que a do Maestro lhe esmagaria ou jogaria fora, mas Ele nunca "esmagará a cana quebrada" (Isaías 42.3). Um espírito mais rude diria: "Apague esta torcida fumegante. Ela enche a sala com um cheiro desagradável!" Em vez de ficar abatido por causa do que você é, deveria sentir-se triunfante em Cristo. Sou eu pequeno em Israel? Em Cristo, estou assentado nos lugares celestiais. Sou pobre na fé? Apesar disso, em Jesus sou herdeiro de todas as coisas. Embora não tenha nada de que me vangloriar, no que se refere a mim mesmo, eu me regozijarei no Senhor e me gloriarei no Deus da minha salvação.



Cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. (Efésios 4.15) 

Muitos crentes permanecem raquíticos e atrofiados nas coisas espirituais de forma que mostram a mesma aparência ano após ano. Não são manifestados neles, sentimentos avançados e refinados. Eles existem mas não crescem em tudo naquele que é a cabeça, Cristo. Todavia, devemos ficar contentes por estarmos na folha verde, quando podemos avançar à espiga e, eventualmente, ao grão maduro na espiga? Devemos nos satisfazer em crer em Cristo e dizer: “Estou seguro”, sem desejarmos conhecer em nossa experiência mais da plenitude que podemos encontrar nEle? Isto não deve acontecer. Como bons comerciantes no mercado celestial, devemos anelar ser enriquecidos no conhecimento de Jesus. É muito bom conservarmos a vinha de outras pessoas, mas não podemos negligenciar nosso próprio crescimento e maturidade espiritual. Por que sempre tem de ser inverno em nosso coração? É verdade que precisamos ter o nosso tempo de semeadura, mas, oh! que tenhamos igualmente primavera e verão, que nos prometerão uma colheita antecipada! Se desejamos amadurecer na graça, temos de viver bem perto de Jesus - em Sua presença - amadurecidos pela luz de seus sorrisos. Precisamos manter doce comunhão com Ele. Temos de nos aproximar de Jesus, como o fez o apóstolo João, e reclinarmos a cabeça no seio dEle. Então, nos veremos avançando em santidade, amor, fé e esperança - sim, em todos os dons preciosos. Assim como o sol nasce primeiramente no topo das montanhas, envolvendo-os com a luz, e apresenta uma das visões mais encantadoras aos viajantes; assim é uma das mais deleitáveis contemplações observar o esplendor da luz do Espírito Santo na cabeça de um crente que tem crescido em estatura espiritual. Em semelhança aos imensos Alpes cobertos de neve, Ele reflete os feixes de luz do Sol da Justiça, primeiramente entre os escolhidos. Depois, Ele dissemina o resplendor da brilhante glória de Cristo para que todos a vejam, e vendo-a, tragam glória ao Pai que está nos céus.





Extraído de "Dia A Dia Com Spurgeon - Manhã e Noite" (19/10 e 20/10)

*Título adaptado por mim.


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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

10 razões porque a “Lei de Cristo" e a "Lei de Deus” são uma só e a mesma (por prof. Azenilto Brito)




Nota: Apesar do autor deste texto professar as doutrinas adventistas, NESTE excerto concordo com sua explicação sobre a unicidade da chamada "Lei de Cristo" com a própria "Lei de Deus".  


Disse Jesus: “Eu e o Pai somos um” (João 10:30).


1 – Porque não há qualquer evidência bíblica de que haja uma “lei de Cristo” que tenha tomado o lugar da “lei de Deus” e os que fazem essa interpretação simplesmente partem de inferências e hipóteses indemonstráveis.
Obs.: Uma interpretação popular e comum é de que agora o cristão seria regido por uma “lei de amor”, segundo Cristo ensinou como “novos mandamentos” (Mat. 22:36-40). Só que basta comparar tais textos com Deuteronômio 6:5 e Levítico 19:18 para ver que Ele apenas reitera o que Moisés já havia dito. Claro, as leis de Deus SEMPRE tiveram por base o duplo princípio de “amor a Deus” e “amor ao próximo”.
2 – Porque Paulo se refere à “lei de Deus” de forma normal, dizendo que com a mente a servia e que tem prazer nela, e a conserva na mente, e que a “inclinação da carne” não está sujeita à lei de Deus, etc. (Rom. 7:22, 25; 8:7 e 8). Ele ainda fala em “lei de Deus”, “mandamentos de Deus”, coisas que já teriam sido ultrapassadas na interpretação antinomista e semi-antinomista, e emprega o tempo verbal presente o tempo todo nas passagens citadas.
Obs.: Pela tortuosa interpretação dos antinomistas e semi-antinomistas, ele devia concentrar-se em falar somente em “lei de Cristo” daí em diante, e ao falar em “lei de Deus” devia indicar isso pelo uso do pretérito, não do tempo verbal presente.
3 – Porque Paulo enumera normalmente os mandamentos do Decálogo (“lei de Deus”) indicando-os aos cristãos de Roma como devendo ser obedecidos segundo o princípio do “amor”, em vez de falar em mandamentos da “lei de Cristo” (Rom. 13:8-10). No vs. 9 ele mostra que está tomando a parte pelo todo ao dizer que “se houver qualquer outro mandamento. . .” Ele sabia haver não “outro”, mas “outros”.
Obs.: Paulo certamente não julgou necessário citar um por um dos mandamentos, pois o seu objetivo nessa passagem não é “revalidar” mandamentos, tornando-os vigentes aos cristãos.
4 – Porque Paulo lembra aos crentes de Éfeso mandamentos do Decálogo (citando especificamente o 5º, 8º, 9º e 10º mandamentos— Ef. 6:1-3; 4:25-31) como sendo ainda válidos e vigentes.
Obs.: Ele devia apelar-lhes para respeitarem os mesmos princípios segundo um código diferente, que seria a “lei de Cristo”, caso as interpretações erradas referidas tivessem fundamento.
5 – Porque Paulo fala que importa agora obedecer os “mandamentos de Deus”, e não “os mandamentos de Cristo” (1 Cor. 7:19).
Obs.: Para ver o que os leitores contemporâneos de Paulo entendiam com esta linguagem de “mandamentos de Deus” basta ler Romanos 7:7-13 e claramente se percebe que são os mandamentos do Decálogo TAMBÉM. Claro que isso ainda inclui outros deveres, como “pregar o evangelho a todo o mundo”.
6 – Porque João fala da “lei de Deus” e da “lei de Cristo” intercambiavelmente em suas várias epístolas (ver 1 João 2:7; 3:21-24; 4:7-12, 21).
Obs.: Ele não deixa a minima pista de que haja qualquer contraste entre ambas.
7 – Porque João no Apocalipse diz claramente que os fiéis filhos de Deus se caracterizam como aqueles que “guardam os mandamentos de Deus e têm a fé de Jesus” (Apo. 14:12), em vez de falar dos que “guardam os mandamentos de Cristo”.
Obs.: Claro, são os mesmos, não havendo essa dicotomia artificial que se quer criar entre “mandamentos de Cristo” e “mandamentos de Deus” (ou “lei de Cristo/lei de Deus”).
8 – Porque em Hebreus 8:6-10, ao falar da passagem do Velho para o Novo Concerto, esta importante passagem trata das “Minhas leis” (de Deus), que são escritas nos corações e mentes dos que aceitam esse Novo Concerto [Novo Testamento], e não “leis de Cristo”?
Obs.: Este tópico é importantíssimo pois mostra como no Novo Testamento o cristão terá a “lei de Deus” escrita nos seus corações e mentes, e é aquela que Paulo mesmo ilustrou como estando nos corações de carne dos que são de Cristo (2 Cor. 3:2-6). Ele usa a mesma ilustração de Ezequiel 36:26, 27, e certamente ao tratar de “tábuas de pedra/tábuas de carne” tinha em mente o CONTEÚDO TODO das tábuas de pedra transferido para as tábuas de carne dos corações. Do contrário, nem faria sentido ele usar a mesma metáfora de Ezequiel que, certamente, tinha em mente 10 preceitos das tábuas de pedra, não somente 9.
9 – Porque Tiago menciona os mandamentos do Decálogo (que seria a “lei de Deus”) como normativos aos cristãos, em vez de concentrar-se em falar em “lei de Cristo” (Tiago 2:10-12).
Obs.: Alguns entendem às avessas as palavras de Tiago, pensando que ele está dizendo que já que ninguém obedece plenamente os mandamentos, pois se tropeça num, falhou em todos, então ficamos dispensados dos mesmos. É exatamente o contrário, pois o que Tiago diz é reflexo do que Cristo disse em Mateus 5:48: “Sede vós perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus”. E lembremo-nos que quando Tiago escreveu sua epístola, ele e seus leitores primários sabiam que a parte cerimonial da lei já não mais valia.
10 – Porque João, num contexto em que fala intercambiavelmente de Deus e de Cristo, quando definindo o pecado diz que é “transgressão da lei” (1 João 3:4), não especificando falar em “lei de Cristo”?
Obs.: Esta definição bíblica de pecado é curiosamente evitada pelos da linha semi- ou neo-antinomista dispensacionalista. Parece que não gostam nem um pouco do texto como aparece em inúmeras versões internacionais, definindo pecado como “transgressão da lei”. De que lei seria pecado uma transgressão? Da lei da oferta e da procura? Da lei do menor esforço? Da lei da gravidade? Quem souber responder estas perguntas saberá o que está mesmo sendo dito pelo Apóstolo de Cristo. 


Extraído de: 


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quinta-feira, 12 de outubro de 2017

DIA DAS CRIANÇAS - UMA PALAVRA AOS PAIS (por pr. Samuel Vitalino)



Está difícil celebrar um dia para as crianças, sendo que praticamente elas nem existem mais. 

Não existe mais a inocência, as perguntas desconcertantes, as dúvidas que deixavam vermelhos os rostos dos pais...

Não existem porque mais cedo que o absurdo, a infância foi invadida pela perversão. 

Pais, por favor, entendam, o que está acontecendo nos museus e nas salas de aula não é um evento novo. Há décadas a fúria inimiga já entrou sorrateiramente na nossa mente preparando a Sociedade para o escárnio completo. 

Quando vejo alguém da minha idade dizendo, ‘no meu tempo não era assim’, noto que o entorpecimento deu certo. 

Quer ver?

Quantas vezes quando criança fomos expostos a visões como A Banheira do Gugu, ou as simpáticas garotas do Tchan descendo na boquinha da garrafa? 

Quantas outras vimos as maldades do Pica-pau ou do Coiote e apenas ríamos como se isso fosse normal. Ora, eram mais que normais, lembra das gargalhadas quando víamos as video-cassetadas? 

Ríamos tanto dos velhinhos caindo nos buracos, das crianças caindo do trampolim, como dos homens olhando por debaixo das saias das mulheres... tudo normal! 

O que os netos dos nossos pais estão tendo que lidar hoje, começou com a permissividade sutil (nem tanto) dos nossos próprios pais...

Fomos decaindo aos poucos e estamos agora lidando com o resultado.

Talvez você esteja lendo essas palavras e se lembrando de outras permissões que tínhamos e achávamos tudo normal, mas não saiba exatamente o que fazer para que a situação possa voltar atrás... 

Há muito que pode ser feito... desde os pais (e mães) deixarem seus filhos se sujar na lama e quebrar um braço subindo numa árvore, até chegar ao absurdo de TIRAR O CELULAR DELES para que eles possam olhar os rios, as árvores, o mar. 

Quando presenteamos nossos filhos com o acesso à internet achando que teremos controle, achando que eles são santinhos, nos esquecemos que fomos crianças também, e escondíamos dos nossos pais aquilo que achávamos que eles não gostariam de saber. 

Essas palavras poderiam ser longas, mas deixe-me abrevia-las trazendo algumas aplicações que julgo importantes demais: 
1. Se você é pai de jovens e adolescentes que já tiveram de lidar com coisas que você se envergonha, não culpe (somente) a sociedade ou o sistema, mas reconheça que suas permissões e visão de mundo... suas amizades, coisas que assistem e respostas aos problemas sociais contribuíram para que eles chegassem onde chegaram... então, por mais difícil e humilhante que seja isso, o reconhecimento dos erros e o arrependimento é o primeiro passo!
Depois, mude. Nade contra a maré, repense a educação em todos os níveis, peça perdão a eles pois Deus colocou vocês como responsáveis na vida deles. 
2. Se seus filhos ainda são crianças, mas já estão expostos e acostumados ao mundo virtual in extremis, lute com a sua zona de conforto e tendência de querer apenas agradar e sejam pais de verdade. 
Digam ‘não’, amem, chorem com eles, orem com eles, cultuem em casa, tenham conversas que eles não gostam, assumam o papel de tutores, discipuladores, amigos, autoridade; mais que tudo, modelem Cristo na vida deles... ainda que isso signifique mudar as suas prioridades. 
Lembre-se que o tempo passa, e que cada dia no status quo será de arrependimento (se isso) no futuro. 
3. Se você está começando agora ou deseja iniciar uma família. Organize-se para começar certo. Reveja as suas prioridades, santifique-se, tenha prazer nas coisas de Deus, busque uma vida devocional que será o modelo para seus filhos. 
Conheça os papéis bíblicos de marido e esposa, pai e filho - não compre a ideia do politicamente correto. 

Enfim, estejam prontos a enfrentar as dificuldades desse caminho. As críticas virão, vocês serão vistos por pessoas até próximas como radicais. 

Não tenha medo dos apelidos: radical, puritano, doido, antiquado... seja o que for, NÃO TEMA A HOMENS, mas TEMA A DEUS. 

Se você ler com atenção essas palavras, esse pode ser o Dia das Crianças mais memorável, pois seus filhos, sem saber, receberão o melhor de todos os presentes: um pai e uma mãe de verdade!


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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A data recuada do Apocalipse (por Kenneth L. Gentry Jr.)


Nos círculos cristãos existem duas escolas básicas de pensamento a respeito de quando João escreveu o Apocalipse. A data tardia afirma que João escreveu em 95-96 d.C., perto do fim do governo do imperador Domiciano. A data recuada propõe que João tenha escrito sua grande obra um pouco antes da destruição de Jerusalém e do templo em 70 d.C., no período entre os anos 65 e 70. Essas são as posições básicas mantidas pelos acadêmicos da atualidade.
Creio com convicção que a evidência interna do Apocalipse preconiza a data recuada. Ainda que várias linhas de evidência nos levem nessa direção, apresentarei em especial duas evidências internas que sugerem fortemente a data recuada.[1]


Primeira, quando João escreveu, o templo ainda estava em pé em Jerusalém. Sendo assim, João deve ter escrito o Apocalipse antes do ano 70. Se João o escrevesse 25 anos mais tarde, isso consistiria em um anacronismo que causaria confusão nos primeiros leitores. Contudo, em Apocalipse 11.1,2, João recebe a ordem que dá a entender que o templo ainda existia:
Deram-me um caniço semelhante a uma haste e me disseram: Levanta-te, mede o santuário de Deus, o altar e os que nele adoram. Mas deixa o pátio que está fora do santuário, não o meças, porque foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses.
Isto nos mostra o “santuário de Deus” localizado na “cidade santa”. Sem dúvida a Escritura chama Jerusalém de “santa cidade” (Is 48.2; 52.1; Ne 11.1-18; Mt 4.5; 27.53). E o templo de Deus estava localizado em Jerusalém (Mc 11.11,15; Lc 4.9; At 22.17). Como poderia o público de João depreender qualquer outra coisa além de Jerusalém e do templo? Contudo, o templo foi destruído no ano 70. Assim, esta profecia deveria acontecer antes dessa data. Como consequência, confirma-se a data recuada do Apocalipse. No entanto, há mais.

Apocalipse 11.2 é um paralelo com a declaração de Jesus em Lucas 21.24:

Eles cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos destes se completem.

Mas deixa o pátio que está fora do santuário, não o meças, porque foi dado aos gentios. Eles pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses (Ap 11.2).

Com certeza Jesus se refere em Lucas ao mesmo templo existente em seus dias (Lc 21.5,20), o templo que em breve ruiria (Lc 21.6,31,32). É óbvio, então, que a escolha feita por João da profecia de Jesus demanda que ele também esteja se referindo à mesma destruição. Desse modo, João deve ter composto o Apocalipse antes do ano 70.


Segunda, quando João escreveu Nero era o imperador de Roma. Em Apocalipse 17.1-6 João apresenta a visão de uma besta com sete cabeças. Nos versículos 9 e 10 um anjo a interpreta e explica o significado da besta com sete cabeças:
Aqui está a mente que tem sabedoria: As sete cabeças são sete montes, sobre os quais a mulher está assentada; são também sete reis: cinco já caíram; um existe; e o outro ainda não veio; quando vier, deve permanecer por pouco tempo.
O anjo informa João de que as sete cabeças da besta representam sete montes e sete reis. João não seria capaz de perceber o significado duplo envolvido; portanto, o anjo o ajuda. Todos concordam que o livro do Apocalipse foi escrito em algum momento da supervisão de Roma imperial, quer antes do ano 70, quer em meados da década de 90. Quando o anjo interpreta as sete cabeças representando “sete montes”, o leitor é capaz de entender de imediato a referência às sete colinas de Roma. Há, desse modo, uma clara referência geográfica à antiga cidade de Roma.

Ademais, o anjo fornece mais lampejos de interpretação ao destacar que os sete reis representam uma sucessão de reis em vez de sete reis que reinam ao mesmo tempo: Cinco jazem no passado (“caíram”); um (obviamente o sexto) reina no presente momento (“um existe”); e o outro “ainda não veio” (o sétimo). O fato de que cinco “caíram” indica que não mais ocupam o poder e é provável que estejam mortos. O que “existe” (no tempo presente) indica que o sexto rei está no poder e reina de forma ativa enquanto João escreve. O último da série de sete reis (o sétimo, claro) “ainda não veio”, mas “quando vier, deve permanecer por pouco tempo” depois que o sexto sair de cena. Quem são os sete reis sucessivos?

Pelo fato de os sete montes (as sete Colinas de Roma) também representarem os sete reis, deve se esperar que os sete reis dissessem respeito ao governo romano. Portanto, o anjo informa João de que eles pertencem ao Império Romano. De forma bem específica, eles são os primeiros sete imperadores relevantes para o público originário de João.[2] 
Júlio César (49-44 a.C.), Augusto (31 a.C.-14 d.C.), Tibério (14-37 d.C.), Gaio (37-41 d.C.), Cláudio (41-54 d.C.), Nero (d.C. 54-68) e Galba (junho de 68-janeiro de 69 d.C.).[3] 
O triunfo militar de Júlio César persuadiu Roma a deixar de ser uma República, e estabeleceu os fundamentos para a estruturação da Roma imperial.

Augusto estabeleceu Roma como império de modo firme e formal, e assegurou a pax romana. Ele era o imperador quando Jesus nasceu (Lc 2.1). Quando Jesus foi crucificado, Tibério era o imperador (Lc 3.1). Cláudio é um dos imperadores contemporâneos de Atos (At 11.28) e o responsável pelo banimento dos judeus (e, portanto, dos cristãos) de Roma (At 18.2). Nero é o imperador a quem Paulo pede proteção dos judeus (At 28.19), mas que mais tarde se tornaria o primeiro perseguidor da igreja ao matar Paulo e Pedro.

Neste momento é preciso notar que o anjo diz terem os cinco primeiros “caído” e que o sexto “existe”. A bem da verdade histórica, Nero é o sexto na linha dos Césares. Isto preconiza que Nero estivesse vivo quando João escreveu e que a composição do livro deve ter ocorrido antes de 8 de junho de 68 d.C., o dia em que Nero cometeu suicídio e irrompeu a guerra civil em Roma. De forma notável, o anjo diz: “o outro ainda não veio; quando vier, deve permanecer por pouco tempo”. O imperador que se seguiu à morte de Nero foi Galba, que governou de junho a janeiro, o período de apenas seis meses, o imperador que ficou menos tempo no poder. Assim, depois de quase 14 anos de Nero, ocorreu o reinado extremamente curto de Galba. Pelo fato de as coisas descritas no Apocalipse deverem acontecer “em breve” (Ap 1.1) porque “o tempo está próximo” (Ap 1.3) o sétimo imperador que “ainda não veio” deveria aparecer em breve; ou seja, no contexto do público de João. Isto assegura que a série de sete reis deve ser a dos primeiros sete imperadores do Império Romano.


Conclusão. As duas linhas de evidências — a da arquitetura e (o templo judaico) e a da política (imperadores romanos) — indicam com convicção que João escreveu o Apocalipse antes da destruição do templo (agosto/setembro de 70 d.C.) e da morte de Nero (junho de 68 d.C.). Por causa disso, os acontecimentos ocorridos no ano 70 d.C. poderiam ser muito bem os preditos pela profecia de João. 



  • Extraído do livro "Pós-Milenarismo para Leigos" da Editora Monergismo.


[1] Para mais detalhes a respeito das evidências, cf. meu livro Before Jerusalem Fell: Dating the Book of Revelation (3d.ed.: Powder Springs, Geo.: American Vision, 1998).
[2] O NT se refere aos imperadores romanos como “reis”, destacando sua autoridade civil em lugar de sua designação formal. Cf. Jo 19.15; At 17.7.
[3] Essa contagem dos imperadores (todos chamados “Césares” para honrar Júlio César) pode ser encontrada no historiador judeu Flávio Josefo (Antiquities 16.6.2; 18.2.2; 18.6.10), no biógrafo romano Suetônio (The Lives of the Twelve Caesars) e no historiador romano Dio Cássio (Roman History, 5).


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quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Purgatório Protestante??* (por Arthur W. Pink)


A teoria de que o castigo dos perversos é disciplinar e corretivo


Existem aqueles que admitem que os ímpios serão lançados no inferno, mas que insistem que o castigo é corretivo e não retributivo. Inventou-se uma espécie de purgatório protestante, cujo fogo serve para purificar em vez de punir. Uma ideia dessas desonra grandemente a Deus. Alguns dos que sustentam essa ideia dizem querer honrar a Cristo, mas na verdade O desonram absurdamente. Se os homens que morreram rejeitando o Salvador depois haverão de ser salvos, se o fogo do inferno tem como objetivo fazer aquilo que o sangue da cruz não pôde fazer, então por que foi necessário o divino sacrifício — todos poderiam ser salvos pelos sofrimentos disciplinares do inferno, e assim Deus poderia ter poupado o Seu Filho. Além do mais, se Deus Se compadece tanto de Seus inimigos e não deseja senão um final feliz de infinita compaixão para aqueles que desprezaram e rejeitaram Seu Filho, perguntamos: Por que, então, Ele toma providências tão terríveis para com eles? Se eles não precisam de outra coisa senão de disciplina amorosa, não poderia a sabedoria divina inventar alguma medida mais gentil do que entregá-los ao "tormento" do lago de fogo pelos "séculos dos séculos"? Essa é uma dificuldade insuperável no caminho dos que defendem a teoria que estamos refutando.

Mas uma vez que percebemos que o lago de fogo é o lugar do castigo, e não da disciplina, e que é a ira de Deus e não o Seu amor que lança ali os réprobos, desaparece toda e qualquer dificuldade sobre o assunto.

Por mais inconsistente que possa ser, há aqueles que argumentam que o fogo do inferno deve a sua eficácia disciplinar ao sangue de Cristo. Esses inimigos da verdade receberam uma boa resposta de Sir Robert Anderson: "Essa punição, ... precisa ser a penalidade devida aos seus pecados; de outra maneira seria injusto aplicá-la. Se, então, os perdidos haverão de se salvar por fim, isso tem de acontecer ou porque eles cumpriram a penalidade; ou por meio da redenção (ou seja, porque Cristo sofreu essa penalidade por eles). Mas se os pecadores podem salvar-se por satisfazer a justiça divina cumprindo a penalidade que o pecado merece, então Cristo não precisava ter morrido. Se, por outro lado, os remidos pudessem ser condenados, embora destinados à vida eterna em Cristo, para que eles mesmos sofressem a penalidade do pecado, seriam destruídos os fundamentos da nossa fé. Não são — eu repito — as consequências normais e disciplinares do pecado que se seguem ao julgamento, mas sim as consequências penais, referentes ao castigo do pecado. Dessa forma, podemos entender como pode o pecador escapar da maldição que lhe é destinada por meio do pagamento vicário do seu débito, ou podemos (pelo menos em teoria) admitir que ele pode ser liberado pagando pessoalmente "até o último centavo". Mas levar o pecador a pagar o que deve, e depois libertá-lo porque alguém pagou tudo antes que ele terminasse de fazê-lo por completo — isso é totalmente incompatível tanto com a justiça como com a graça" (Human Destiny).

Além do mais, se for verdade que os condenados no lago de fogo continuam sendo objeto da benevolência divina; que, como criaturas da Sua mão, o Senhor continua velando por eles com a mais benigna consideração, e o fogo inextinguível nada mais é do que uma vara na mão de um Pai sábio e amoroso, perguntamos: Como é que isso pode se harmonizar com a maneira constante com que as Escrituras falam dos descrentes? Deus não nos deixou sem saber como Ele haverá de julgar aqueles que aberta e persistentemente O desafiaram. Repetidas vezes a Bíblia nos informa o solene fato que Deus vê os perversos como estorvos, que Lhe causam repulsa. Eles são comparados a "lixo", e não a ouro (Sl 119.119); são "palha" sem valor (Mt 3.12); são "víboras" (Mt 12.34); são "vasos de desonra" e "vasos de ira" (Rm 9.21,22); eles serão postos debaixo dos Seus pés (1 Co 15.27), são como "árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas" (Jd 12) e por essa razão não estão preparadas senão para o fogo; como aqueles que serão vomitados da boca do Senhor (Ap 3.16), ou seja, como objetos de repugnância. Algumas dessas passagens descrevem os réprobos judeus; outras, pecadores de entre os gentios; algumas referem-se àqueles que viveram em dispensações passadas; outros pertencem à presente; algumas falam de homens que se encontram deste lado do túmulo, outras falam daqueles que já passaram para o outro lado. Um dos objetivos de chamar-lhes a atenção é mostrar como Deus julga os Seus inimigos. O que se pode avaliar das passagens acima (e poderíamos com facilidade citar muitas outras) não se harmoniza com a visão de que Deus os contempla com amor e que nutre por eles somente os mais ternos afetos. 

Podemos comentar uma outra classe de passagens bíblicas a esse respeito. "Porque levantarei a minha mão aos céus e direi: Eu vivo para sempre. Se eu afiar a minha espada reluzente e travar do juízo a minha mão, farei tornar a vingança sobre os meus adversários e recompensarei os meus aborrecedores. Embriagarei as minhas setas de sangue, e a minha espada comerá carne; do sangue dos mortos e dos prisioneiros, desde a cabeça, haverá vinganças do inimigo" (Dt 32.40-42). Será que isso se enquadra na teoria de que Deus nada tem além de compaixão para com aqueles que O desprezaram e O desafiaram? "Mas, porque clamei, e vós recusastes; porque estendi a minha mão, e não houve quem desse atenção; antes, rejeitastes todo o meu conselho e não quisestes a minha repreensão; também eu me rirei na vossa perdição e zombarei, vindo o vosso temor, vindo como assolação o vosso temor, e vindo a vossa perdição como tormenta, sobrevindo-vos aperto e angústia. Então, a mim clamarão, mas eu não responderei; de madrugada me buscarão, mas não me acharão" (Pv 1.24-28). Será essa a linguagem de Alguém que continua com propósitos de misericórdia para com os Seus inimigos?

"Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém se achava comigo; e os pisei na minha ira e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura" (Is 63.3). Pese isso com cuidado, e então pergunte se um tratamento assim se dá àqueles sobre quem o Senhor nutre nada além de compaixão.

Se alguém dissesse que todas essas passagens são do Antigo Testamento, bastaria dizer que são, de fato. Mas quem está falando ali é o mesmo Deus que Se revela no Novo Testamento. Mas considere também um versículo do Novo Testamento. O Cristo de Deus dirá aos homens: "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno" (Mt 25.41).

Será possível imaginar que o Filho de Deus pronunciaria essa terrível maldição sobre aqueles que foram designados meramente para um tempo de castigo disciplinar, após o qual eles estarão para sempre com Ele em perfeita bem-aventurança?! 


A total falta de esperança dos perdidos

(...) primeiro, o julgamento dos perversos é certo; segundo, a morte sela a maldição deles; terceiro, ao morrer, a alma dos incrédulos vai para o Hades, para o compartimento do mundo invisível reservado para os perdidos, para ali ser atormentada na chama de fogo. Ali eles permanecem até o julgamento, quando serão ressuscitados e trazidos diante do grande trono branco para receber a sua sentença final.

(...) depois que os perversos são retirados do Hades, mesmo então não há nenhuma esperança quanto à sua salvação.

A primeira referência bíblica a que apelamos como prova disso é João 5.28,29 (RC): "todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação".
Esse é o solene anúncio do Filho de Deus. Pesemos bem as Suas palavras. Aqui Ele nos diz de forma breve aquilo que aguarda a totalidade dos mortos. Eles estão divididos em duas classes: aqueles que praticaram o bem, e aqueles que praticaram o mal. Para os primeiros, haverá a "ressurreição da vida"; para os outros, a "ressurreição da condenação". Para aqueles que praticaram o mal não haverá ressurreição para um período de prova, e para eles não haverá, depois, uma ressurreição para salvação; mas simplesmente e somente a ressurreição da condenação. Isso remove o próprio fundamento em que alguém possa querer construir a futura esperança para os perversos!

Em 1 Tessalonicenses 4.13, lemos o seguinte: "Não queremos, porém, irmãos, que sejais ignorantes com respeito aos que dormem, para não vos entristecerdes como os demais, que não têm esperança". Aqui o apóstolo traça um contraste entre o cristão que sente pesar pela morte de crentes queridos, e o pagão que lamenta a perda dos seus queridos. O cristão pode entristecer-se com a partida de um parente ou amigo salvo, mas ele pode confortar-se com a bendita esperança que encontra nas Escrituras, a esperança de serem reunidos na vinda do Senhor. Essa esperança não têm o pagão e o não-salvo na cristandade, os quais lamentam a perda dos amigos não-salvos. Sim, eles "não têm esperança". Isso não se atenua de forma alguma pelo fato de que em Efésios 2.12,13 nós lemos a respeito daqueles que estavam "sem esperança" e que no entanto "foram aproximados pelo sangue de Cristo". O texto de Efésios fala daqueles que estavam vivos no mundo, e enquanto se está aqui existe sempre uma esperança de que possam ser salvos; embora enquanto permanecem sem serem salvos eles estão "sem esperança", isto
é, sem nenhuma esperança garantida pelas Escrituras. Mas a passagem de Tessalonicenses fala daqueles que saíram deste mundo sem serem salvos, e para eles "não há esperança".
Quaisquer que sejam as vãs esperanças que os perversos possam agora cultivar com respeito ao futuro, a "expectação dos perversos perecerá" por completo (Provérbios 10.28)!

Uma outra referência que prova a situação sem esperança daqueles que rejeitaram a verdade de Deus encontra-se em Hebreus 10.26-29: "Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça?" Para nosso presente propósito não precisamos parar para considerar de quem essa passagem fala de modo específico. É suficiente saber que ela trata daqueles que deliberadamente resistiram à luz. A respeito desses somos informados que "já não resta sacrifício pelos pecados". Se já não resta sacrifício pelos pecados, então eles mesmos têm de sofrer a penalidade divina por eles. Essa mesma passagem nos informa o que é essa penalidade; é "fogo vingador" que haverá de devorá-los. É um juízo "sem misericórdia". É um "castigo" mais severo do que aquele que sobreveio a quem não fez caso da lei de Moisés.

"Porque o juízo é sem misericórdia para com aquele que não usou de misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo" (Tiago 2.13). É verdade que o apóstolo está escrevendo, aqui, a santos, mas neste verso que citamos há uma notável mudança na linguagem dele, e aqui ele obviamente está falando dos não-salvos. No verso anterior, ele havia dito "Vós" (RC), mas agora ele muda para "aquele". Aquele que não usou de misericórdia (para com seu semelhante) será julgado "sem misericórdia" por Deus; e isso, a despeito do fato de que "a misericórdia triunfa sobre o juízo". A última cláusula aparece claramente com o propósito de injetar solenidade ao que se diz antes.
Juízo "sem misericórdia" é linguagem que nos lembra Isaías 27.11, onde lemos o seguinte:
"este povo não é povo de entendimento; por isso, aquele que o fez não se compadecerá dele e aquele que o formou não lhe mostrará nenhum favor" (RC). Se esse juízo, então, é "sem misericórdia", ele fecha a porta a toda possibilidade de alguma suavização final, ou mesmo uma modificação dessa terrível sentença! E como isso expõe a inconsistência da esperança cultivada por muitos, qual seja, que no último grande Dia eles pensam em lançar-se na misericórdia dAquele a quem agora desprezam e desafiam! Será vão clamar misericórdia naquela ocasião. Desde a antiguidade Deus diz a Israel: "Pelo que também eu os tratarei com furor; os meus olhos não pouparão, nem terei piedade. Ainda que me gritem aos ouvidos em alta voz, nem assim os ouvirei" (Ezequiel 8.18). Assim será no juízo final.

Podemos considerar também uma outra referência bíblica associada a esse assunto:
"ondas bravias do mar, que espumam as suas próprias sujidades; estrelas errantes, para as quais tem sido guardada a negridão das trevas, para sempre" (Jd 13). Isso é terrivelmente solene. Este versículo refere-se à futura porção daqueles que agora "transformam em libertinagem a graça de nosso Deus" e "negam o nosso único Soberano e Senhor, Jesus Cristo" (Jd 4). Para eles está reservada "a negridão das trevas, para sempre". A infinita noite da sua maldição jamais será abrandada por uma simples estrela de esperança. Dessa forma procuramos demonstrar que a Palavra de Deus, por meio de uma variedade de expressões, cada qual convincente e sem ambiguidade, revela a total falta de esperança daqueles que participarem da "ressurreição da condenação"



Excertos extraídos de:
http://www.monergismo.net.br/textos/livros/castigo-eterno_awpink.pdf


*O título do artigo original (e muito mais amplo) é "Castigo Eterno", mas dei este título aos excertos devido ao conteúdo dos mesmos.


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