segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Escola Sem Partido ou Escola Sem Estado??

(Trecho da música "Another Brick In The Wall", da banda "Pink Floyd")

Uma discussão atual (07/2016) diz respeito ao esforço de alguns visando mudanças no sistema educacional para que, na teoria, não haja a chamada "doutrinação" por parte dos educadores, ao "encucarem" nos alunos suas ideologias e inclusive formar militantes.

O Movimento Escola Sem Partido apresenta em seu programa medidas contra o uso do sistema educacional como mecanismo de formação de pessoas alienadas, desde cedo. Combate portanto, a indução por parte dos educadores, e defende uma neutralidade dos mesmos no processo de ensino.

Eis abaixo a proposta (extraída do site):
O Programa Escola sem Partido é uma proposta de lei que torna obrigatória a afixação em todas as salas de aula do ensino fundamental e médio de um cartaz com o seguinte conteúdo:


Analisando cada um destes pontos é difícil entender como alguém seria contra essa proposta, principalmente quando boa parte desses opositores são os mesmos que até pouco tempo zombavam da ideia de que existe de fato um processo de doutrinação nas escolas.. 
Quero dizer, se o que o programa propõe é neutralidade, e tais opositores afirmam que existe neutralidade, qual seria o motivo de rejeitarem uma lei que apenas a assegure??

Além disso, há outro fator que torna o combate a essa proposta ainda mais estranho. O próprio site mostra isso:
Esses deveres já existem, pois decorrem da Constituição Federal e da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Isto significa que os professores já são obrigados a respeitá-los ‒ embora muitos não o façam ‒, sob pena de ofender: 
  • a liberdade de consciência e de crença e a liberdade de aprender dos alunos (art. 5º, VI e VIII; e art. 206, II, da CF);  
  • o princípio constitucional da neutralidade política, ideológica e religiosa do Estado (arts. 1º, V; 5º, caput; 14, caput; 17, caput; 19, 34, VII, 'a', e 37, caput, da CF);  
  • o pluralismo de ideias (art. 206, III, da CF); e  
  • o direito dos pais dos alunos sobre a educação religiosa e moral dos seus filhos (Convenção Americana sobre Direitos Humanos, art. 12, IV). 
Portanto, o único objetivo do Programa Escola sem Partido é informar e conscientizar os estudantes sobre os direitos que correspondem àqueles deveres, a fim de que eles mesmos possam exercer a defesa desses direitos, já que dentro das salas de aula ninguém mais poderá fazer isso por eles.


Ou seja, o que os opositores estão fazendo de fato é combater uma simples proposta de aplicação real daquilo que já é previsto em lei. Isso por si só é a própria demonstração de que eles não cumprem tais proposições, e que não querem ser cobrados quanto a isso. É a própria prova de que há MUITOS educadores que são na verdade "fabricantes de militantes", e no próprio site do Escola Sem Partido foram postados exemplos de professores que abertamente "confessam" agir assim.

Esse vídeo traz bons argumentos sobre o motivo de partidos e sindicatos se mobilizarem contra o projeto:




De qualquer forma, ainda assim quero comentar sobre cada um dos pontos.
(colocarei abaixo apenas os comentários numerados, sendo que cada ponto pode ser lido na imagem acima).

1) Qual é o sentido de alguém que defende a neutralidade no ensino ser contra a ideia de que o professor não use de sua autoridade e influência para "pregar" suas próprias opiniões??

Se o ensino público é financiado por todos, supõe-se que o interesse de todos deva ser considerado e, portanto é injusto que um professor dissemine sua visão sobre um grupo de alunos ao invés de se abster em nome da neutralidade.
Aliás, não é o próprio socioconstrutivismo que coloca o professor como mero "facilitador" no aprendizado ao invés de um "transmissor de conhecimento"?? Se esse é o padrão mais aclamado pelos pedagogos brasileiros (mesmo sendo um pensamento errado), por que nesse caso esses pedagogos que rejeitam o programa preferem abraçar essa contradição??

2) Qual o sentido de alguém que defende a neutralidade no ensino ser contra a ideia de que o professor não use de sua autoridade para punir alunos com pensamentos diferentes dos seus??

Se a escola é um espaço de debates (como alguns dos opositores afirmaram), quem poderia ser a favor de um professor punir (o que vai desde dar nota baixa até a atacar psicológica ou fisicamente) um(a) aluno(a) porque o(a) mesmo(a) afirmou (verbalmente ou por escrito) algo que tal professor julga ser errado conforme sua própria ideologia ou convicções pessoais??
Sendo assim, como poderia um professor, por exemplo, dizer que um(a) aluno(a) está errado(a) quando é requerido deste(a) uma resposta que envolva questões morais ou mesmo política?? Caberia a um professor "neutro" dizer que um(a) aluno(a) está errado(a) por ser cristão ou capitalista, por exemplo?? 
A única "régua" que tal professor poderia utilizar para algum tipo de julgamento seria o conjunto de leis vigentes no país e em em sua região, mas JAMAIS algo que venha de sua própria convicção pessoal ou de algum grupo ao qual pertence.


3) Qual o sentido de alguém que defende a neutralidade no ensino ser contra a ideia de que o professor não use de sua autoridade e influência para induzir ou inflamar alunos a tomarem posturas políticas conforme SUA visão??

Se deve haver neutralidade, quem pode negar que "propaganda eleitoral" vinda de educadores e o chamado à participação política feito de forma bem específica e partidária é contraditório??
Seria válido sim que tal educador explicasse de forma neutra e considerando inclusive diferentes visões sobre um mesmo fato, para que os seus alunos decidissem ser participativos ou não, mas JAMAIS induzi-los conforme uma única visão da realidade.

4) Esse ponto está bastante relacionado ao que comentei acima.

O professor precisaria ser bem-preparado para que transmitisse aos seus alunos possíveis interpretações diferentes de um mesmo fato, segundo visões diferentes da realidade.
Isso sim seria neutralidade, mas exigiria no mínimo um bom conhecimento das visões mais populares/conhecidas, seja na área da economia, da política e das relações sociais em geral.
Por exemplo, para falar sobre monarquia um professor deveria considerar a visão de quem é contra e quem é a favor da mesma. Ao narrar fatos históricos, deveria usar fontes que interpretassem os mesmos de formas diferentes e chegassem a conclusões diferentes (quando fosse o caso).

Utópico demais??

Nem chegamos ao final dos itens, aguentaí..

5) Qual o sentido de alguém que defende a neutralidade no ensino ser contra a ideia de que são os pais e não o Estado quem deve educar moralmente as crianças e adolescentes do país??

Leis civis são proibições que sempre carregam consigo uma imposição moral, mas podem ser vagas, e não necessariamente um cidadão deve encarar como certo ou errado o que o Estado diz que é certo ou errado.


Um bom exemplo histórico para essa minha última afirmação é o Apartheid, que ocorreu na África do Sul. Lá, havia leis que afirmavam e mantinham a segregação racial, impedindo negros de ter acesso a ambientes e recursos que eram destinados a brancos. Ou seja, o fato do Estado dizer que, por exemplo, negros não deveriam usar os mesmos bebedouros de brancos, não torna isso uma verdade absoluta e nem faz com que o ato de desobediência seja inerentemente mau em si mesmo.

(Figura ao ladoPlaca encontrada em uma praia de Durban, em 1989, indica - em inglês, africâner e zulu - se tratar de uma "área de banho reservada para uso exclusivo por integrantes do grupo racial branco".)


O próprio Estado precisa se submeter à Constituição (e em uma sociedade ideal às Escrituras), e no caso do Brasil há diferentes Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) que servem (em tese, quando não aparelhados) para evitar a tirania.

Mas outro ponto crucial é entender que, além do Estado não ser dono de seus cidadãos adultos, muito menos é dono das crianças. Os pais são os responsáveis por elas, e cabe a eles e não a terceiros lhes dizer o que é certo ou errado.

Por exemplo, quando Deus separou o povo judeu e lhes deu mandamentos e leis para que pudessem viver em sociedade e em santidade perante Ele, deixou clara a obrigação dos pais em "doutrinar" seus filhos sobre deveriam pensar e agir:
Ouça, ó Israel: O Senhor, o nosso Deus, é o único Senhor.Ame o Senhor, o seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todas as suas forças.Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração.Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.
(Deuteronômio 6:4-7)

Esse é um direito básico dos pais em relação aos seus filhos, mas que cada vez mais tem sido subvertido. Desde leis que impedem a disciplina que Deus delegou aos pais (como a "Lei da Palmada") até o uso da mídia e do sistema educacional para enfraquecer as figuras paternas e a ideia de que os filhos devem sujeição a eles, são exemplos de como cada vez mais a esfera familiar é desrespeitada e o Estado tende a tomar conta de tudo.

(O Estado só deveria intervir em casos em que a integridade da criança esteja em ameaça ou tenha sido atacada, punindo então o ofensor e, em casos extremos tirar a guarda dos pais caso estes estejam sendo negligentes em atender as necessidades básicas dessas crianças ou infringindo seus direitos humanos deliberadamente.)

E se o Programa Escola Sem Partido se mostra contra esse autoritarismo estatal, só posso entender que quem condena tal ponto é demasiadamente ignorante ou extremamente maligno a ponto de subverter a ordem natural das coisas. 
Ou quem sabe uma mistura de ambas as coisas.

6) Esse último ponto coloca o professor como peça chave para que nem mesmo terceiros realizassem tal abuso.

Nesse sentido a influência do(a) mesmo(a) poderia ter que sobrepôr a autoridade, caso um superior na hierarquia escolar (ou até mesmo em termos de cargos públicos) fugisse do proposto e descumprisse os 5 pontos, mas suponho que o programa esteja defendendo que esse educador deve ser protegido caso precisasse confrontar e impedir o abuso.
Coloca o professor como o grande responsável por proteger os alunos nesse sentido.



MAS ISSO RESOLVE??

Talvez alguns tenham abraçado a proposta integralmente considerando que é assim que o sistema educacional deve funcionar, mas eu espero não desapontar quem leu até aqui ao dizer que não acredito nisso..

E explico o porquê..

A verdadeira solução não é impedir a doutrinação nas escolas públicas, mas sim buscar o fim delas.


Piorei as coisas?? 
Sou maluco?? 
Não penso nos pobres??


Calma.., peço que prossiga a leitura.

Eu não acredito na possibilidade de educação sem doutrinação. A ideia de ensinar sem qualquer tendência, expondo todas as visões sobre um tema é pura ilusão, pois seria impossível que um educador transmitisse todas as visões possíveis (pela limitação natural que qualquer ser humano tem de conhecimento).
Além disso, não acredito que haja como afirmar uma possibilidade real de que a escola estatal fique "sem partido" quando é o partido no poder que define como essa escola vai funcionar. Ele a financia com dinheiro dos contribuintes, ele monta sua estrutura e diz o que ela deve ensinar.

Por isso, de fato, não é possível que tenhamos uma Escola PÚBLICA (ESTATAL) "sem Partido".

O que fazer então??

Prepare-se antes de ler:

O ensino deveria ser todo privado, e cada escola ser totalmente livre para ensinar o que quisesse, ao invés de serem sujeitas a um ministério que diz como a coisa toda tem que ser (MEC).

Os contrários ao Escola Sem Partido, curiosamente afirmam que tal projeto cercearia a liberdade, mas ao mesmo tempo geralmente combatem a ideia de ensino totalmente livre do MEC e a possibilidade do próprio ensino doméstico (homeschooling). O que mostra que, ou são muito confusos/limitados intelectualmente, ou que há interesse grande em que a doutrinação continue sendo feita como é hoje (obs.: se tiver alguma outra possibilidade eu não sei qual é..).

A ideia de um ensino todo privado e sem controle estatal permitiria de fato livres pensadores, no lugar de massa estudantil formada conforme a 'cartilha' que o próprio governo estipula.

Mas e os pobres??

O grande dilema quando se fala em privatizar um setor ao invés de deixar sob o controle estatal e com isso dar acesso a todos, é sobre como os mais necessitados seriam naturalmente impedidos de usufruírem dessas coisas.
Talvez até antes disso, exista um falso pensamento de que é um dever natural do Estado e que de fato é ele quem concede aquele serviço, ignorando-se a realidade de que o que ele faz (pessimamente mal) é simplesmente usar as arrecadações dos contribuintes (obrigados a pagar) e repassar isso para as várias áreas que ele controla, e a educação é uma delas. Dessa forma, o Estado não cria, não produz e nem dá nada, ele apenas administra o dinheiro que ele obriga as pessoas a pagarem, e determina então quanto e como investir na área educacional, por exemplo.
O que ocorre então é que os mais pobres não estão recebendo ensino gratuito, mas simplesmente um retorno daquilo que eles e todo o resto da sociedade já pagaram através dos "infinitos" impostos com os quais o próprio Estado os sobrecarrega.

Alguns podem pensar que isso é ruim mas que é a única opção para que os pobres talvez sejam alcançados, mas existem ideias muito melhores e sem a necessidade de um sistema educacional estatal. 

Por exemplo: como os mais pobres não teriam como pagar ensino privado, o governo poderia dar vales que servissem para elas inscreverem seus filhos em escolas privadas.

Ou seja, ao invés do Estado cuidar da Educação do início ao fim e usar (e superfaturar) dinheiro de impostos construindo escolas, pagando professores, diretores, inspetores (e mais um monte de funcionários), fornecendo material escolar, uniforme, etc.; ele simplesmente daria às pessoas mais necessitadas um valor (em forma de vale) que somente seria aceito em instituições de ensino e serviria para que as próprias pessoas escolhessem as escolas particulares em que desejariam ver seus filhos estudando. As próprias pessoas estariam livres para escolher escolas segundo as metodologias aplicadas, a capacidade dos professores, a qualidade do material, etc. Até mesmo o fator confessionalidade poderia ser um critério de escolha, podendo os pais escolherem escolas que ensinam aos seus filhos de acordo com o mesmo padrão moral que elas professam na igreja, e portanto o ensino religioso é ampliado.

Além portanto do fator liberdade, a própria concorrência livre entre as escolas faria que os responsáveis por elas tivessem que buscar reduzir preços e aumentar a qualidade para terem clientes. Coisa que a escola pública não tem e por isso nem precisa se preocupar em evoluir, além de costumeiramente gerar desperdícios.

A liberdade educacional garantiria aos responsáveis por uma criança a matricularem em escolas com métodos, recursos, capacitação e preço que eles julgassem ser adequados em uma comparação com as outras opções no mercado, ou até mesmo abriria espaço para eles mesmos ensinassem.

Mas isso também parece utópico, porque a própria Constituição trata a educação com um direito que deve ser assegurado pelo Estado. Portanto, para uma correção que gerasse mais liberdade e chance menor de corrupção e ineficácia, creio que a própria Constituição precisaria ser revista.

Finalizando, considerando o contexto em que estamos inseridos, eu votei SIM na consulta popular sobre o projeto Escola Sem Partido, como uma tentativa de diminuir e retardar esse abuso esquerdista, mas sabendo que isso nem de longe resolveria os problemas educacionais nesse sentido. Apoio a ideia do projeto entendendo que, mesmo que ele não resolva esse problema (por ser inviável), frearia essa doutrinação descarada que vemos nas escolas e que forma "papagaios" com poucos conhecimentos e baixa capacidade de argumentação.




Sugiro ainda a leitura deste artigo muito interessante sobre a relação entre educação e liberdade: 
Sobre a educação domiciliar: 
E sobre a relação do cristão com esses temas eu sugiro a leitura dos seguintes livros: 


>>> LER A POSTAGEM...

sábado, 23 de julho de 2016

A obediência e a desobediência civil no pensamento de João Calvino (por Rev. Paulo Ribeiro Fontes)


As idéias de Calvino, acerca do Estado, têm sido analisadas e discutidas por diferentes intérpretes de origens diferentes e até divergentes. Por isto a sua filosofia política tem sido exaltada, atacada, mal interpretada e ridicularizada, a tal ponto que às vezes caberia a pergunta se o próprio Calvino estava seguro do que, de fato, queria dizer. E um dos problemas de interpretar o pensamento de Calvino em questões políticas, surge ao se relacionar as diversas afirmações que em seus escritos exigem obediência ao Estado e as que insistem não apenas no direito, mas no dever de resistir. Fica então a pergunta: Calvino ensinou a obediência ou a desobediência civil? E quais são as bases nas quais o ensino de Calvino sobre a questão, se sustenta? O presente artigo tem o propósito de entender a relação entre obediência e desobediência civil no pensamento de João Calvino.

I – FOI CALVINO UM CIENTISTA POLÍTICO? 

Para compreender as origens da filosofia política de Calvino é necessário, primeiramente, que entendamos que Calvino laborou como um teólogo e pastor, antes que como um cientista político. A despeito de sua formação em direito e de ser o seu primeiro trabalho publicado - um comentário de De Clementia, de Sêneca – uma exposição da ciência política do renascimento, o labor de Calvino foi de fato teológico. Calvino jamais se preocupou em formular uma doutrina política à parte de sua teologia. Obviamente, por ter formulado um sistema teológico abrangente e por ter profunda preocupação pastoral, Calvino tratou em sua formulação teológica de todas as atividades do homem, inclusive a política. É como teólogo e pastor que Calvino precisa ser encarado quando analisamos qualquer aspecto de seu pensamento. Caso contrário nos perderemos em nosso esforço de analisa-lo.

Em segundo lugar precisamos entender Calvino como um homem do seu tempo. A sua teologia foi intimamente relacionada e influenciada pelos acontecimentos e pelo pensamento de sua época. Se por um lado Calvino se esforçava para extrair a sua teologia das Escrituras, por outro lado ele estava preocupado em aplicar as Escrituras às questões do seu tempo.
Em segundo lugar é necessário entender que a marca característica da teologia de Calvino é sua teocentricidade e desta forma todo o seu pensamento é teológico e teocêntrico. Uma das afirmações básicas da doutrina política de Calvino é que o Estado é uma instituição criada e sancionada por Deus, é um instrumento da providência divina. E é a partir desta afirmação básica que devemos compreender tudo que concerne à ordem política, no pensamento do reformador.

II – A OBEDIÊNCIA CIVIL 

Segundo Calvino, por causa de sua origem divina, as autoridades civis têm o direito à obediência de todos os homens em geral e dos cristãos em particular. Os magistrados são instituídos por Deus, investidos de autoridade divina e representam a pessoa de Deus em cujo nome agem. Portanto, a autoridade civil é, à vista de Deus, sagrada e legal. “A razão por que devemos estar sujeitos aos magistrados é que eles foram designados pela ordenação divina.”1

 Assim devemos obediência às autoridades civis porque o mandato delas vem de Deus. Calvino afirma ainda que ninguém está isento da obrigação da obediência civil.2 Ele mostra improcedência da tese defendida pela maioria dos anabatistas, que negava que os cristãos estivessem sujeitos à obediência ao governo civil.3 Para Calvino, o governo civil, como instrumento da divina providência, é tão necessário à humanidade, como o pão e a água, a luz e o ar. Resistir às autoridades civis significa resistir ao próprio Deus.4

 Portanto, mesmo que injusta, imoral ou anti-religiosa, a autoridade civil deve ser respeitada em sua função legítima. Calvino acreditava que Deus pode se servir de magistrados indignos e injustos para, soberana e providencialmente, cumprir a sua boa vontade na história.5

Assim, coerentemente com o seu ensino de que Deus é soberano absoluto sobre absolutamente todas as coisas e fazendo frente ao ensino anabatista de sua época, Calvino ensinou a doutrina da obediência civil.

III – A DESOBEDIÊNCIA CIVIL

Mas foi também a partir da premissa da soberania de Deus que Calvino chegou ao seu ensinou sobre a desobediência civil. Se é por causa de sua origem divina, que as autoridades civis têm o direito à obediência de todos os homens em geral e dos cristãos em particular, também é por ser de origem divina que, para Calvino, o poder político é limitado em sua função e em seu fim. Assim como se opôs à tese dos anabatistas, Calvino se opôs também à tese sustentada por muitos católicos romanos e luteranos, que entendiam que os príncipes possuíam autoridade absoluta e ilimitada. Comentando Romanos 13.4, ele afirma:
 “Os magistrados podem aprender disto a natureza de sua vocação. A sua administração não deve ser feita em função de si próprios, mas visando ao bem público. Nem têm eles poderes ilimitados, senão que sua autoridade se restringe ao bem-estar de seus súditos. Em resumo são responsáveis diante de Deus e dos homens pelo exercício de sua magistratura. Uma vez que foram escolhidos e delegados por Deus mesmo, é diante deste que são responsáveis.” 6 
Desta forma, somente Deus possui autoridade auto-gerada. A autoridade dos magistrados é delegada por Deus, a quem devem prestar contas. Por isto, a obediência devida às autoridades civis é limitada, sobretudo, pela obediência que o homem deve a Deus. Calvino encerra as Institutas com estas palavras:
“Mas, na obediência que temos ensinado ser devida aos superiores, deve haver sempre uma exceção, ou antes, uma regra que se deve observar acima de todas as coisas: é que tal obediência não nos afaste da obediência Àquele sob cuja vontade é razoável que se contenham todos os editos dos reis, e que à sua ordenação cedam todos os mandamentos, e que à sua majestade humilhada seja e rebaixada toda a sua altaneria. E, para dizer a verdade, que perversidade seria, a fim de contentar os homens, provocar a indignação dAquele por amor de quem obedecemos aos homens? Devemos estar sujeitos aos homens que têm preeminência sobre nós, não, entretanto, de outra forma senão em Deus. Se, porventura, os homens ordenam algo que contraria a Deus, de nenhum valor nos deve isto ser.”7
Para Calvino, o dever de submissão às autoridades civis não é ilimitado. Contra os governos injustos é preciso agir pelos meios legais que estão na mão do povo. Por isso, ele entendia que é necessário dar ao povo mecanismos legais para a derrubada de seu governo.

É a doutrina dos “magistrados inferiores” encarregados da salvaguarda do povo e de suas liberdades contra a propensão dos governos à arbitrariedade e à tirania.8 Assim a desobediência civil ao governo injusto, naquilo que ele tem de injusto é, pois, para o cristão, não apenas um direito, é um dever. A obediência às ordens injustas da autoridade civil, contrárias à vontade de Deus, é um crime contra o próprio Deus. Mas a desobediência civil não se justifica senão àquela ordem injusta em particular, naquele ponto específico que o governo tem de injusto, e não ao governo como um todo. O governo injusto retém sua autoridade em tudo que exige de seus governados e que não contrarie sua obediência a Deus.

Calvino ensina também que Deus pode, ocasionalmente, suscitar “salvadores providenciais”, de dentro ou de fora da própria nação. Desta forma, quando a desordem alimentada pelo governo é maior que a injustiça da revolução, a revolução é, de maneira excepcional, justificada. Obviamente isto é, para Calvino, uma exceção e não uma regra que justifique toda e qualquer revolução.

CONCLUSÃO: 

A tese de Calvino era a das obrigações e responsabilidades mútuas, divinamente ordenadas entre magistrados e cidadãos. Nesta questão, Calvino se posicionava contra um duplo perigo: o da rebelião do povo contra o governo e o do abuso do poder do governo contra o povo.9 Ele rejeitou ambos os extremos. Para ele a falta de governo conduz à anarquia e ao caos, e o absolutismo monárquico se opõe à verdadeira religião, elevando-se acima do trono do Deus soberano. Assim no pensamento de Calvino o autoritarismo é condenável, ao mesmo tempo em que o princípio de autoridade é desejável.
João Calvino, Comentário à Sagrada Escritura – Exposição de Romanos,
(São Paulo: Edições Parácletos), 
450
 
Ibid
Institutas IV, xx, 5 
4 João Calvino, Comentário à Sagrada Escritura – Exposição de Romanos, 
(São Paulo: Edições Parácletos), 451 
Institutas, IV, xx, 25 
João Calvino, Comentário à Sagrada Escritura – Exposição de Romanos, 
(São Paulo: Edições Parácletos), 453 
Institutas, IV, xx, 32 
Institutas, IV, xx, 31 
Institutas, IV, xx, 1

Extraído de:


>>> LER A POSTAGEM...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A Pluma e o Cajado: Defesa da Fé e o espírito de misericórdia para com os novos convertidos (por Raniere Menezes)



Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos,
e não agradar a nós mesmos.
Romanos 15.1

Eu, a sabedoria, habito com a prudência, e acho o conhecimento dos conselhos. 
Provérbios 8:12.


Participei de muitos debates teológicos ao longo de duas décadas. Debates em grupos de estudos, em salas de aulas de Escola Dominical, em aulas de seminários e em formatos virtuais. Os debates presenciais são menos quentes e mais respeitosos (normalmente!), já os virtuais, talvez pelo distanciamento das pessoas, são mais quentes e desrespeitosos (nem sempre!). O fato é que há uma tendência no mundo virtual de demonstrar mais intolerância. A impulsividade e emotividade é mais quente no campo virtual. No início da minha fé e por um longo tempo debati demais com arminianos. Um amigo e pastor, em tom de brincadeira disse que nós éramos forjados em caldeira quente.

Confesso com tristeza que em muitos debates fui intolerante, explosivo, arrogante e um tolo insuportável. Eu era um pedante e deveria ser um pedinte. Não todo o tempo, mas muitas vezes. Aprendi bastante sobre os dois lados da moeda, entre ser intolerante e ser tolerante, como administrador do fórum virtual Monergismo. Tratava-se de um fórum de debates teológicos em língua portuguesa, dos mais quentes e visualizados. Milhares de visualizações, centenas de tópicos e discussões. Administrei por anos seguidos, discutíamos um grande volume de informações, era uma verdadeira arena com centenas de debatedores e dezenas de moderadores.

Debatíamos com ateus, católicos, mórmons, testemunhas de Jeová, adventistas e muitos arminianos, muitos! O fórum Monergismo é uma lenda na Internet com seus debates quentes. Como era um fórum confessional protestante calvinista havia muita discussão com grupos contrários. Havia muita gente que só observava o desenrolar dos debates, outros faziam perguntas sinceras, outras vezes os questionamentos carregavam em si uma má intenção ou artimanha, outros eram apenas blábláblás; era um campo minado; havia muito confronto, muitas vezes ásperos. Num campo minado, não poucas vezes o melhor caminho é observar os outros caminhando, para discernir onde pisar. Nesses embates nós como participantes experimentamos aspectos negativos e positivos. Havia muita pesquisa de textos e consultas de colegas mais experientes. Fizemos grandes amizades e adversários obstinados.

Confesso que aprendi muito, teologicamente, e muito mais em termos práticos sobre o comportamento humano e autorreflexão. Com certeza, na defesa da fé, ao longo do tempo de experiência ganhamos couro de teflon. O perigo era ficar insensível e desumanizado nos debates. Por parte de muitos debatedores havia uma disposição competitiva e desafiante, e muitos entravam em debates para ganhar e vencer, outros entravam para testar e colocar à prova seu sistema de doutrina; outros entravam somente para despejar suas heresias e cair fora; e outros com a simples intenção de aprender ou aumentar seu conhecimento. E nesse fogo cruzado, todos os dias, por meses seguidos estavam os novos na fé e os irmãos em Cristo mais fracos.

Mesmo sabendo que ali era uma arena de debates e não um chá de senhoras ou uma sala de aula de Escola Dominial para iniciantes, nós tínhamos a consciência que precisávamos ter muita sabedoria, inteligência, entendimento e discernimento para não girar a metralhadora para todos os lados. Era uma grande responsabilidade. Podemos ferir muita gente e também colher bons frutos. Lendo um antigo livro chamado O Caniço Ferido de Richard Sibbes, percebi como Deus trata o nosso crescimento cristão. Deus nos ensina a cada dia a termos melhor discernimento. Ao longo deste texto tomei emprestado algumas das reflexões do autor Richard Sibbes, também conhecido como o Doutor da Alma, para ficar mais claro a minha experiência sobre apologética.

A maior lição que aprendi em debates, principalmente os virtuais, é que temos que ter mais misericórdia com os mais fracos (algo que não aprendi da noite para o dia!). Como cristãos nosso maior exemplo é o próprio Cristo que suportou as muitas fraquezas dos seus discípulos. De certo, o Senhor por vezes se mostrou duro em confrontar seus seguidores, mas certamente o fez em amor perfeito. Ele é o nosso padrão, nada menos! A misericórdia é a pluma, a severidade (e dureza) é o cajado, por muitas vezes necessário, mas aplicado com justiça e discernimento. Uma ovelha ferida precisa muito mais de cuidado, e não de uma cajadada! Onde há mais santidade, há mais moderação, sem prejuízo da piedade a Deus e ao bem dos outros. Vemos em Cristo uma maravilhosa combinação de absoluta santidade com grande moderação.

"Grandes poderes, grandes responsabilidades", uma frase clássica da Marvel, que poderia ser bíblica*. Foi assim que o apóstolo Paulo fez com as forças poderosas da revelação da Palavra de Deus que recebeu. Ele, um seguidor exemplar de Cristo, ensinou que devemos suportar a fraqueza dos outros. -- Mas nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos. Romanos 15.1. - E também: Fiz-me como fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para por todos os meios chegar a salvar alguns1 Coríntios 9.22.

O que aprendi nas arenas apologéticas: Que não devemos bombardear os mais novos na fé e os mais fracos com todo peso de teologia existente (como se fosse possível!). DEVEMOS OFERECER A ELES OS PONTOS FUNDAMENTAIS DA FÉ CRISTÃ. Devemos treiná-los, equipá-los, PROGRESSIVAMENTE. E com PACIÊNCIA E MISERICÓRDIA. Para que eles possam aos poucos suportar a bagagem teológica de todo sistema. E muitas vezes fazemos o contrário! Sobrecarregamos os mais fracos com um peso insuportável e ainda exigimos que aguentem o peso. Não somos faraós com chicote na mão dando ordens para carregar pedras! Calma jovem! Muito cuidado para não pisar em um dos pequeninos do Senhor Jesus!

De modo geral, nos debates, esquecemo-nos de aproximar o mais fraco ao calor aconchegante do amor de Deus e do espírito voluntário de servir a este Deus maravilhoso. Antes de responder impulsivamente e sem misericórdia a quem nos questiona, lembre-se que ele pode está experimentando o seu primeiro amor por Cristo Jesus. E também devemos lembrar-nos do nosso primeiro amor, quando tínhamos menos conhecimento teológico, mas o nosso coração era mais quente em relação ao Senhor. O amor de Cristo nos constrange.

Há locais mais apropriados para debates mais quentes, como por exemplo, um seminário ou mesmo um fórum virtual, e mesmo assim devemos ter sempre o cuidado e a prudência cristã. Há locais que definitivamente não são lugares apropriados para discussões acaloradas, como uma escola dominical ou certos ambientes virtuais. Toda "disputa" entre cristãos-cristãos e cristãos-não-cristãos deve ser tratada com discernimento e justiça. Devemos nos esforçar para não ofender ninguém, e quando ofendido não reagir com ofensas, intolerância e arrogância.

Peça entendimento ao Senhor. Temos uma tendência pecaminosa de sermos compassivos com os nossos erros e severos para com os erros dos outros. Alguém já disse com propriedade que em mais ocasiões do que queremos admitir, grandes mediocridades às vezes acabam em posições de enorme responsabilidade. Precisamos ter muita paciência e misericórdia quando recebermos uma crítica, nem sempre as críticas são construtivas, mas temos que saber lidar com isso da melhor maneira que glorifique a Deus. Podemos assumir posições e não estar preparados para elas.

Devemos ter equilíbrio e moderação em tudo, muito mais em debates teológicos! Ser tolerante e paciente não significa que devemos encorajar que o mais fraco continue fraco ou em erros, pelo contrário, devemos trabalhar para que ele se fortaleça. Devemos discernir quem nos opõe e saber lidar muitas vezes com a cegueira do próximo, com a arrogância, a ignorância, a curiosidade, as armadilhas, a obstinação, a irreverência, a fraqueza e tantas outras características humanas. E lembrar que ainda temos muito disso ainda em nós como pecadores. Examinemos a nós mesmos.

Obviamente, há pessoas atrevidas e irreverentes que são intratáveis. Ainda assim somos ordenados a amar o nosso próximo, e isso começa com o senso de não fazer a ele o que não gostaríamos que ele fizesse a nós.

Quanto mais a gente se aproxima do conhecimento verdadeiro e da santidade de Deus, mais enxergamos a nossa falta de humildade, e nos arvoramos e inflamos, crescemos em orgulho por causa de algum talento. Esquecendo que o dom foi dado por Deus. Como é tolo quando alguém que se acha superior em erudição e é comparado a Cristo! -- Eu sou o Senhor que vos santifico; Levítico 22:32. - Deus não quer que apenas o conheçamos, mas que sejamos como Ele é! Assim como Deus é, seja! Esta é a Palavra que os profetas trouxeram para seu povo. Por toda Bíblia há o encorajamento à santificação.

Devemos ter cuidado com a cultura imediatista nos debates, tomar cuidado com a busca da glória pessoal, a fama, a gratificação e a autossatisfação. Devemos buscar a simplicidade e humildade contra a impulsividade, super confiança e emotividade.

Peçamos a Deus para saber usar com alguns, no momento certo, a doce misericórdia, a pluma, e com outros, um cajado. Muitos pecadores não são curados com palavras doces, mas um grande discernimento é necessário.

Como escreveu Richard Sibbes em o Caniço Ferido: "O Espírito Santo veio tanto em línguas de fogo quanto na semelhança de pomba, e o mesmo Espírito concederá um espírito de prudência, que é o sal para temperar todas as nossas palavras e ações."

Tomemos cuidado para saber tratar com cada um, com os mais velhos e com os novos crentes. Há matérias que devem ser estudadas e assimiladas a seu tempo. Não se deve oferecer uma feijoada a uma criança que só toma leite.

Voltando aos conselhos dos antigos: 
"Os embaixadores de um tão gentil Salvador não devem ser ditatoriais. Lembremos quão cuidadoso foi Paulo nos casos de consciência para não colocar uma armadilha sobre qualquer consciência fraca."
- Richard Sibbes.
Lembremo-nos, em nosso mundo globalizado temos vendavais de ventos de doutrinas por todos os lugares, e muita gente é analfabeta funcional e bíblica. Temos que ter muita paciência e discernimento. Nosso Senhor Jesus Cristo se rebaixou voluntariamente à nossa natureza. Paulo foi o teólogo mais profundo, mas veio como uma ama para os mais fracos. (1Ts 2.7). Estes são os ensinos dos antigos puritanos.
"Cristo escolheu, para pregar misericórdia, aqueles que experimentaram a maior misericórdia, como Pedro e Paulo, para que pudesse ser eles exemplos do que ensinavam. Paulo tornou-se tudo para todos (1Co 9.22), rebaixando-se até eles para o seu bem. Cristo desceu do céus e esvaziou-se da majestade em suave amor pelas almas. Não desceremos nós de nosso elevado amor-próprio para fazer o bem a qualquer um? Devem os homens ser orgulhosos depois de Deus ter sido humilde?" 
- Richard Sibbes.
Sigamos o conselho dos antigos:

Não devemos atormentar as imaginações das pessoas com curiosidades ou contendas sobre dúvidas. 
"Religião não é somente uma questão de inteligência, de se criar e resolver problemas teóricos. Os cérebros que se inclinam a esse caminho são, comumente, mais quentes que seus corações". (...) "Não devemos apertar onde Deus afrouxa, nem afrouxar onde Deus aperta, não abrir onde Deus fecha, nem fechar onde Deus abre".
 - Richard Sibbes.

Há muitos que precisam de palavras suaves e confortadoras. Deus tem duas formas de tratar, com consolo (Is 40.1) e com trombeta (Is 58.1). Precisamos acima de tudo ter sabedoria para discernir. O equilíbrio da misericórdia e da severidade é difícil.

O alerta de Tiago é muito importante para o que temos tratado até aqui:
Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo
(Tiago 3:1)
- Este alerta parece que não está sendo muito aplicado hoje em dia. 

As armas dessa batalha não devem ser carnais.  
"Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas

(2 Coríntios 10:4)

Que o espírito de misericórdia que esteve em Cristo nos mova.  Peçamos a Deus sabedoria para saber dizer "a seu tempo uma boa palavra". Isaías 50:4.




Nota: *Acredito que uma mensagem parecida com a frase da Marvel mencionada se encontra em Lucas 12:48:
Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.





>>> LER A POSTAGEM...

segunda-feira, 18 de julho de 2016

(vídeos) O Caráter Único de Jesus Cristo | O Cristianismo e a América (por rev. Paul Jehle)

Exposições realizadas pelo reverendo Paul Jehle na 1ª Conferência Teológica JMC.

  • A Essência da Pessoa de Jesus Cristo.

  • Por Que O Cristianismo É A Única Religião Que Poderia Ter Gerado A América.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Devo/posso assistir nudez deliberadamente? (por John Piper)



Nota: O artigo original fazia menção a cristãos questionando o pastor John Piper se era algo lícito assistir programas de tv, seriados ou filmes que apresentam nudez.
O texto abaixo é a sua resposta na íntegra.
O título do artigo original também era outro, mas alterei completamente de acordo com o meu objetivo no blog.


Quanto mais perto fico de morrer, de encontrar Jesus pessoalmente (face a face) e de prestar contas da minha vida e das palavras mal-pensadas que eu falei (Mateus 12:36), mais certeza eu tenho da minha decisão de nunca olhar intencionalmente para um programa de TV, um filme, website ou revistas onde eu saiba que irei ver fotos ou filmes de nudez. Nunca. Essa é minha decisão. E quanto mais perto fico da morte, melhor me sinto quanto a isso, e mais dedicado eu me torno.

Francamente, eu quero convidar todos os cristãos a se juntarem a mim nesta busca de uma maior pureza de coração e mente. Em nossos dias, quando o entretenimento da mídia tornou-se praticamente a língua comum do mundo, isto soa como um convite para ser um alienígena. E eu acredito com todo meu coração que o que o mundo precisa é de alienígenas radicalmente destacados, com sacrifício amoroso, apaixonados por Deus. Em outras palavras, estou convidando você para dizer não ao mundo para o bem do próprio mundo.

O mundo não precisa de mais gente legal e "culturalmente esclarecida", ou seja, de cópias irrelevantes de si mesmo. Isso é um erro que tem enganado milhares de jovens cristãos. Eles pensam que têm de ser descolados, legais, esclarecidos, culturalmente conscientes, observando tudo para não serem bizarros. E isso é o que está desfazendo-os moralmente e desfazendo os seus testemunhos.

Então aqui estão 12 perguntas para se pensar, ou 12 razões porque estou comprometido a uma abstenção de tudo que eu sei que irá me apresentar nudez.

1 - Será que estou recrucificando a Cristo?

Cristo morreu para purificar Seu povo. É uma falsificação absoluta da Cruz tratá-la como se Jesus morresse somente para nos perdoar do pecado de assistir a nudez, e não para nos purificar e dar-nos o poder de não vê-la.

Ele tem poder (comprado pelo sangue de Sua cruz). Ele morreu para nos fazer puros. Ele "entregou a si mesmo, por nós, para nos remir de toda iniquidade e purificar para si um povo para sua própria posse" (Tito 2:14). Se escolhemos endossar, abraçar, desfrutar ou buscar a impureza, é como se tomássemos uma lança e  perfurássemos o lado de Jesus cada vez que fizéssemos isso. Ele sofreu para nos libertar da impureza.


2 - Será que isso expressa ou favorece a minha santidade?

Na Bíblia, do início ao fim, há um chamado radical à santidade - a santidade da mente, do coração e da vida. "Como aquele que vos chamou é santo, vós também sejam santos em todo o vosso procedimento" (1 Pedro 1:15). Ou 2 Coríntios 7:1, "Uma vez que temos essas promessas, amados, purifiquemo-nos de toda contaminação de corpo e espírito, trazendo santidade para o acabamento no temor de Deus". A nudez em filmes e fotografias não é santa e não faz avançar a nossa santidade. É profana e impura.

3 - Quando irei lançar fora meu olho, se não agora?

Jesus disse que todo aquele que olha para uma mulher com intenção concupiscente já cometeu adultério com ela em seu coração. Se seu olho direito te leva a pecar, arranque-o e jogue-o fora (Mateus 5:28-29). Ver mulheres nuas - ou homens nus - leva um homem ou uma mulher a pecar com suas mentes e seus desejos, e frequentemente com seus corpos. Se Jesus nos ordenou guardar nossos corações, ao arrancar nossos olhos para prevenir a concupiscência, seria certo que Ele também diria: "Não assista a isso!".

4 - Não é satisfatório pensar naquilo que é honroso?

A vida em Cristo não é apenas evitar o mal, mas principalmente buscar de forma ardente o bem. Lembre-se de Filipenses 4:18, "tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai."
Minha vida não é uma vida forçada. É livre. "Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor." (Gálatas 5:13)

5 - Estou buscando ver a Deus?

Eu quero ver e conhecer a Deus, tanto quanto possível nesta vida e na ressurreição. Assistir a nudez é um enorme obstáculo nessa busca. "Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus" (Mateus 5:8). A contaminação da mente e do coração, observando nudez entorpece a capacidade do coração de ver e desfrutar a Deus. Eu desafio qualquer um a ver nudez e logo após ir diretamente a Deus, orando, dando-lhe graças por causa do que  acabou de experimentar.

6 - Será que eu me importo com as almas daqueles que aparecem nus?

Deus chama às mulheres a se vestirem de uma maneira respeitável, com modéstia e auto-controle (1 Timóteo 2:9). Quando buscamos, recebemos ou embraçamos a nudez em nosso entretenimento, estamos implicitamente endossando o pecado das mulheres que se vendem dessa maneira e, portanto, sendo negligentes quanto a suas almas. Elas desobedecem 1 Timóteo 2:9, e nós dizemos que está tudo bem.

7 - Eu ficaria feliz se fosse uma filha minha interpretando o papel?

A maioria dos cristãos são hipócritas ao assistirem nudez, porque, pelo fato de assistirem, por um lado eles dizem que isso é bom, e, por outro lado, lá no fundo eles sabem que eles não iriam querer que sua filha, esposa ou namorada estivessem interpretando esse papel. Isso é hipocrisia.

8 - Será que eu estou dizendo que a nudez pode ser fingida?

A nudez não é como o assassinato e a violência na tela. A violência na televisão é de faz-de-conta; ninguém realmente morre. Mas a nudez não é faz-de-conta. Essas atrizes estão realmente nuas na frente da câmera, fazendo exatamente o que o diretor pede para elas fazerem com as pernas, as mãos e os seios. E elas estão nuas para que milhões de pessoas possam ver.

9 - Será que eu estou comprometendo a beleza do sexo?

Sexo é uma coisa bonita. Deus o criou e o declarou como "bom" (1 Timóteo 4:3). Mas não é um esporte para um espectador assistir. É uma alegria santa que é sagrada em seu lugar devido, de um amor terno e seguro. Homens e mulheres que querem ser assistidos na sua nudez estão na categoria de exibicionistas que puxam suas calças para baixo em lugares públicos.

10 - Será que eu estou dizendo que a nudez é necessária para que haja Boa Arte?

Não há um grande filme ou uma grande série de televisão que realmente precise de nudez para adicionar à sua grandeza. Não. Não existe. Existem formas criativas para ser fiel à realidade sem transformar o sexo em um esporte de espectador e sem colocar atores e atrizes em situações moralmente comprometedoras no set.
Não é a integridade artística que está dirigindo a nudez na tela. Debaixo de toda a superfície, o apetite sexual masculino é o verdadeiro motor deste negócio, e, como consequência, a pressão da indústria e do desejo de classificações que as vendem. Não é a arte que coloca a nudez no filme, é o apelo à lascívia. Este sim vende.

11 - Será que eu estou implorando por aceitação?

Os cristãos não vêem nudez principalmente por ter como propósito maximizar a santidade. Mas isso, aparentemente, não impede que eles voltem a assisti-los. No fundo eles sabem que estes filmes e programas de televisão estão cheios de elogios e exaltações a atitudes que estão totalmente fora de sintonia com a morte do "eu" e com a exaltação de Cristo.
Não, o que faz os cristãos voltarem a ver esses programas é o medo de que, se levarem Cristo a sério em Sua palavra e considerarem a santidade um assunto tão sério como estou dizendo que é, eles teriam que parar de ver tantos programas de televisão e tantos filmes, que eles seriam vistos como bizarros. E, hoje em dia, esse é o pior de todos os males. Ser visto como bizarro é um mal muito maior do que ser profano.

12 - Será que eu sou livre da dúvida?

Há uma orientação bíblica que torna a vida muito simples: "Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado." (Romanos 14:32). Minha paráfrase: Se você tem dúvidas, não faça. Se isso fosse seguido, os hábitos de visão de milhões de pessoas seriam alterados, e, oh, quão tranquilamente eles iriam dormir com as suas consciências.

Então eu digo novamente:

Junte-se a mim na busca do tipo de pureza que vê a Deus, e conhece a plenitude da alegria em sua presença e do prazer eterno à sua mão direita.




Extraído de: 
https://olhaievivei.wordpress.com/2015/08/19/doze-perguntas-que-um-cristao-deve-fazer-antes-de-assistir-game-of-thrones/

Original: 
http://www.desiringgod.org/articles/12-questions-to-ask-before-you-watch-game-of-thrones


>>> LER A POSTAGEM...

Ver o artigo ou a parte anterior Ver a página principal
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...