quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Armados e Preparados: a tradição puritana de levar armas aos cultos (por Alice Morse Earle)


Por viverem em um ambiente hostil e anti-cristão com índios que não conheciam o Senhor, os puritanos da Nova Inglaterra consideravam que era melhor chegar em armados aos cultos para protegerem seus irmãos cristãos dos ataques.

O seguinte relato de Alice Morse Earle em "The Sabbath in Puritan New England" trata disso com detalhes e explica a tradição de homens sentados nas pontas dos bancos de igreja para que pudessem rapidamente agarrar suas armas em caso de ataque.

Sobre "O Sabbath na Nova Inglaterra puritana"


Durante muitos anos após a colonização da Nova Inglaterra, os puritanos, mesmo em tempos tranquilos, iam armados para a assembleia; e para santificar o carregamento de armas no domingo, eles eram expressamente proibidos de disparar suas munições em qualquer objeto naquele dia, salvo um índio ou um lobo, seus dois "maiores inconvenientes". Trumbull, em seu "Mac Fingal", escreve sobre esse costume de domingo:
"Então, uma vez, por temor a ataques indígenas,
N
ossos antepassados levavam suas armas ao se reunirem,
Cada homem equipado no domingo de manhã
Com o livro de salmos, munição e pólvora,
E considerado em forma, como todos devem admitir,
Como a antigo e verdadeira igreja militante ".
Em 1640, foi ordenado em Massachusetts que, em cada município, os participantes da igreja deveriam levar um "número apropriado de peças, funcionais e cheias de pólvora e munição e espadas a cada dia do Senhor para a congregação;" foi considerado conveniente e necessário para a segurança pública haver um homem armado para cada família. Em 1642, seis homens com mosquetes e pólvora e munição foram considerados suficientes para a proteção de cada igreja. Em Connecticut, mandatos semelhantes foram emitidos e, como as ordens foram negligenciadas "por diversos persones", uma lei foi aprovada em 1643 em que cada infrator devia pagar 12 centavos por cada transgressão. Em 1644, um quarto da "mão trêmula" foi obrigado a ir armada em cada Sabbath, e as sentinelas foram ordenadas a manter suas tochas constantemente acesas para serem usados em seus mosquetes. Também foram comandados a usar armaduras, que consistiam em "casacos com lã de algodão e, assim, defendiam das flechas indígenas". Em 1650 sentiram tanto medo e pavor dos ataques dominicais dos homens vermelhos que o número de guardas no Dia do Sabbath foi duplicado. Em 1692, o Legislativo de Connecticut ordenou que um quinto dos soldados em cada cidade fosse armado para cada reunião, e que em nenhum lugar deveria haver menos de oito soldados e um sargento como guardas durante o culto público. Em Hadley, a guarda recebia anualmente do tesouro público uma libra de chumbo e uma libra de pó para cada soldado.

Nenhum detalhe que pudesse aumentar a segurança no sabbath foi esquecido ou negligenciado pela igreja de New Haven; as balas foram transformadas em moeda comum no valor de um farthing (um quarto de centavo), para que elas pudessem ser abundantes e todos pudessem obter; os colonos foram obrigados a determinar antecipadamente o que fazer com as mulheres e as crianças em caso de ataque, "para que eles não os adiassem e os atrapalhassem"; os homens foram convidados a trazer pelo menos seis cargas de pólvora e munição para a reunião; os agricultores estavam proibidos de "deixar mais armas em casa do que homens para usá-las"; as lanças pequenas deveriam ser desbastadas e as inteiras remendadas, e as espadas "e todas as armas penetrantes arrumadas e desempenadas"; a madeira devia ser colocada na casa de vigia; foi ordenado que a "porta da casa de reunião, ao lado do assento dos soldados, ficasse limpa de mulheres e crianças sentadas lá, pois, havendo necessidade dos soldados subirem de repente, eles poderiam ter uma passagem livre". Os soldados sentavam-se de cada lado da porta principal, uma sentinela ficava na torre da reunião, e os observadores armados passavam pelas ruas; três canhões foram montados ao lado desta "igreja militante", que devia ser parecer fortemente com uma guarnição. ...

Apesar desses eventos na igreja de New Haven (que certamente foram excepcionais), a união aparentemente incongruente de igreja e exército era adequada em uma comunidade que sempre começava e terminava os exercícios militares no "dia do treinamento" com oração e cantando salmos solenes; e isso acostumou o exército e encorajou um verdadeiro espírito de soldado não principalmente como auxílio na guerra, mas para ajudar a conquistar e destruir os adversários da verdade, e "alcançar mediante este pequeno punhado de homens coisas maiores do que o mundo tem ciência".

As sentinelas de Salem usavam, sem dúvida, algumas das boas armaduras inglesas de propriedade da cidade, - "corselets" para cobrir o corpo; "gorgets" para proteger a garganta; "tasses" para proteger as coxas; todos envernizados de preto, e cada terno custando "vinte e quatro xelins por peça". A sentinela também usava uma bandoleira, um grande cinto de "couro puro" jogado sobre o ombro direito e pendurado abaixo do braço esquerdo. Essa bandoleira matinha doze caixas de cartuchos e uma bolsa de balas bem cheia. Cada homem trazia um "mosquete alterado com uma alavanca", uma "longa peça de caça com furo de mosquete", um "mosquete cheio", um "barril com uma válvula de fósforo", ou talvez (pois elas eram comprados pela cidade) uma arma de couro (embora estas armas de couro possam ter sido canhões). Outras armas que havia para escolher, com nomes misteriosos: "sakers, minions, faulcons, rabinets, morteiros (ou "assassinos", como às vezes eram chamadas apropriadamente), câmaras, arcabuzes, carabinas ", ...

O observador armado de Salem, além de suas armas de fogo e munições, tinha preso ao pulso por um cordão um descanso de arma ou forquilha, que ele colocava no chão quando desejava disparar o mosquete e sobre o qual o acionador descansava quando tocado. Ele também carregava uma espada e, às vezes, uma lança. Portanto, estando fortemente sobrecarregado com inúmeras armas e uma armadura pesada, nunca poderia fugir de um índio ou persegui-lo com muita agilidade ou celeridade; embora ele pudesse estar na porta da igreja com sua arma de couro, - uma figura inspiradora, - e ele pudesse atirar com seu "arcabuz" ou sua "carabina", como bem sabemos.

Essas "sentinelas" armadas eram sempre vistas como um acompanhamento mais pitoresco do culto religioso puritano, e os homens armados de Salem e Plymouth eram imponentes, embora desajeitados. Mas os soldados de New Haven, com as suas roupas volumosas, comprimidas e cheias de espessas camadas de algodão, deviam parecer mais protetores e reconfortantes do que românticos ou heroicos; mas talvez eles também usassem armaduras de estanho pintadas, "corselets e gorgets e tasses".

Em Concord, New Hampshire, os homens, que vinham todos armados para se encontrarem, empilhavam seus mosquetes em torno de uma coluna no meio da igreja, enquanto o honrado pastor, que era um bom atirador e possuía a melhor arma no estabelecimento, pregava com sua preciosa arma ao seu lado no púlpito, pronta em uma lugar estratégico para explodir qualquer homem vermelho que ele visse se esgueirando, ou para liderar, se necessário, a sua congregação para a batalha. A igreja em York, Maine, até o ano de 1746, considerou necessário manter o costume de levar armas para a casa de reunião, pois os índios do Maine eram abundantes e agressivos.

Não somente no tempo das guerras indígenas foram vistos homens armados na congregação, mas em 17 de junho de 1775, o Congresso Provincial recomendou que os homens "a menos de vinte milhas da costa do mar levassem suas armas e munições com eles para se encontrarem no sabbath e outros dias em que se encontrassem para o culto público". E em muitos dias de sabbath e conferências, durante os anos de guerra que se seguiram, foram provadas a sabedoria e a previdência dessa sugestão.

Os homens naqueles velhos tempos do século XVII, embora em constante pavor pelos ataques de índios, sempre apareciam quando os cultos eram encerrados e deixavam o local antes das mulheres e das crianças, assegurando assim a saída segura destas últimas. Este costume prevaleceu como hábito até pouco tempo em muitas igrejas na Nova Inglaterra. Todos os homens, após a bênção e a saída do pastor, saíam antecipadamente às mulheres. Assim também, o costume dos homens sentados sempre na "cabeceira" ou na ponta do banco surgiu da necessidade inicial de estarem sempre prontos para agarrarem suas armas e se apressarem, desobstruídos para lutar. Em algumas igrejas da aldeia da Nova Inglaterra até hoje, o homem que se deslocasse do seu extremo do banco e deixasse uma mulher sentar-se à porta, mesmo que fosse num assento mais desejável para ver o clérigo, seria considerado um tipo de criatura miserável.


Alice Morse Earle, The Sabbath in Puritan New England (O sabbath na Nova Inglaterra puritana) (NY: Charles Scribner's Sons, 1891), 19-25.



Traduzido livremente de:
https://theonomyresources.blogspot.com.br/2017/11/armed-and-ready-puritan-tradition-of.html

Nota: O "Sabbath" (sabá) é comumente confundido com "sábado", mas no idioma inglês é mais fácil de identificar a diferença.
O Sábado (Saturday, em inglês) era no antigo testamento o Sabbath de cada semana, o dia semanal a ser separado. No entanto, o Sabbath não se resumia ao sábado, havendo outras festividades nas quais havia a ordem divina de ser guardado o Sabbath.
Ou seja, seriam como os feriados aos quais estamos acostumados.

O Sabbath era um dia de descanso (assim como os feriados sugerem), e que não necessariamente ocorriam aos sábados.
Conforme o entendimento reformado, o Sabbath semanal dos cristãos é o Domingo e não mais o Sábado.


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terça-feira, 16 de janeiro de 2018

O monstro sem nome




Não sou profundo conhecedor de Animes, mas tive a chance de assistir a este completo e achei bem interessante. O anime se chama Monster, e no decorrer da história apresenta esse conto que ter relação direta com aquilo que o vilão se tornou.

Fugindo um pouco da sinopse do anime em si e também da literalidade desse pequeno conto, vale uma reflexão sobre o que pode representar esse monstro e como ele pode destruir vidas.

Em um primeiro momento, pensando no fato dele buscar por um nome, associei à ideia da busca por reconhecimento (quem sabe até a fama). O monstro sai em busca de um nome qualquer, mas ao conseguir um, logo sua satisfação se desfaz. E assim continuamente ele busca por um nome melhor.
Quando decide ir ao castelo "para encontrar um nome maravilhoso", obtém o nome do príncipe. Havia agora um reconhecimento em nível de realeza. Mas isso não impediu que ele destruísse os demais à sua volta em seu apetite voraz.
Por fim, ele reencontra sua outra metade que também partiu em busca de um nome, mas para sua surpresa ele descobre que, diferentemente dele, sua metade se contentou com sua condição e consegue ser feliz sem ter um nome para ser chamada. Mas ao invés de refletir sobre essa possibilidade, o monstro com nome devora o monstro sem nome, e no fim da história não há mais quem possa chamá-lo pelo nome.

Nessa analogia talvez "o nome" possa ser trocado por alguma outra coisa que as pessoas almejam e podem até idolatrar, mas o mais importante a se considerar na nossa realidade é que esse monstro não está 'fora' negociando e esperando para entrar quando caímos na sua tentação, ele já está dentro de nós. Nossa natureza já é corrompida, e basta alimentarmos o que já há de ruim em nós para que abandonemos todos os limites e pecar.
Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, fornicação, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
(Mateus 15:19)
O monstro está no nosso coração. É Deus quem refreia NOSSA pecaminosidade e inclusive nos leva a fazer Sua vontade quando regenerados. É Ele quem nos santifica.

Se buscarmos sem limites aquilo que nossos corações enganosos (Jeremias 17:9) querem pra si, seremos devorados de dentro pra fora como as pessoas no vídeo.

Coloquemos nossas vidas e nossos corações nas mãos do Senhor, e nos alegremos em sermos chamados pelo Seu nome, como parte de Seu povo.


Amém.


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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

O Quarto Mandamento (por Solano Portela)


O dia de descanso foi instituído por Deus e não pelo homem. O mandamento tem grande importância na Palavra de Deus. Bênçãos ocorreram, por sua guarda, e castigos severos, por sua quebra. Isso deveria provocar a nossa reflexão sobre a aplicação dos princípios bíblicos relacionados com o quarto mandamento nos dias atuais, discernindo, em paralelo, a mudança para o domingo, na era cristã. O povo de Deus sempre foi muito rebelde e desobediente com relação a essa determinação, e necessita convencimento da importância do mandamento, bem como entendimento da visão neo-testamentária, para a conseqüente modificação do seu comportamento atual.



O quarto mandamento fala de um dia de descanso e de adoração ao Senhor. Deus julgou essa questão tão importante que a inseriu em sua lei moral. O descanso requerido por Deus é uma prévia da redenção que ele assegurou para o seu povo (Dt 5.12-15). Os israelitas foram levados em cativeiro (Jr 17.19-27) por haver repetidamente desrespeitado este mandamento.

Gostaríamos de examinar as bases desse conceito de descanso e santificação e de ir até o Novo Testamento verificar como os cristãos primitivos guardavam o dia do Senhor.

Não podemos, simplesmente, ignorar esse mandamento. Como povo resgatado por Deus, temos a responsabilidade de discernir como aplicar essa diretriz divina nas nossas vidas e nas de nossas famílias. Por outro lado, nessa procura, não devemos buscar tais diretrizes nos detalhamentos das leis religiosas ou civis de Israel, que dizem respeito ao sábado. Essas leis eram temporais. Ao estudar o sábado, muitos têm se confundido com os preceitos da lei cerimonial e judicial e terminado com uma série de preceitos contemporâneos que se constituem apenas em um legalismo anacrônico, destrutivo e ditatorial. Devemos estudar este mandamento procurando discernir os princípios da lei moral de Deus. Com esse objetivo em mente, vamos realizar nosso estudo com a oração de que Deus seja glorificado em nossa vida e por nosso testemunho.

1. Um dia de descanso


Em nossas bíblias o quarto mandamento está redigido assim - "Lembra-te do dia de sábado para o santificar...". A palavra que foi traduzida "sábado", é a palavra hebraica shabat, que quer dizer descanso. É correto, portanto, entendermos o mandamento como "... lembra-te do dia de descanso para o santificar".

Esse "dia de descanso" era o sétimo dia no Antigo Testamento, ou seja, o nosso "sábado". No Novo Testamento, logo na igreja primitiva, vemos o dia de ressurreição de Cristo marcando o dia de adoração e descanso. Isso é: o domingo passa a ser o nosso "dia de descanso". Os apóstolos acataram esse dia como apropriado à celebração da vitória de Jesus sobre a morte (At 20.7; 1 Co 16.2; Ap 1.10). A igreja fiel tem entendido a questão da mesma maneira, ou seja: não é a especificação "do sétimo", que está envolvida no mandamento, mas o princípio do descanso e santificação.

Já enfatizamos que essa questão de um dia especial de descanso, de parada de nossas atividades diárias, de santificação ao Senhor, foi considerada tão importante por Deus que ele decidiu registrar esse requerimento em sua lei moral, nos dez mandamentos. Com certeza já ouvimos alguém dizer: "...não existe um dia especial, pois todo o dia é dia do Senhor...". Essa afirmação é, num certo sentido, verdadeira - tudo é do Senhor. Mas sempre tudo foi do Senhor, desde a criação e mesmo tudo sendo dele, ele definiu designar um dia separado e santificado. Dizer que todos os dias são do Senhor, como argumento para não separar um dia especial e específico, pode parecer um argumento piedoso e religioso, mas não esclarece a questão nem auxilia a Igreja de Cristo na aplicação contemporânea do mandamento. Na realidade, isso confunde bastante os crentes e transforma o quarto mandamento, que é uma proposição clara e objetiva e que integra a Lei Moral de Deus, em um conceito nebuloso e subjetivo, dependente da interpretação individual de cada pessoa.

Não devemos procurar modificar e "melhorar" aquilo que o próprio Deus especifica para o nosso benefício e crescimento. Deus coloca objetivamente - da mesma forma que ele nos indica a sua pessoa como o objeto correto de adoração; da mesma forma que ele nos leva a honrar os nossos pais; da mesma forma que ele nos ensina o erro de roubar, o erro de matar, o erro de adulterar - que é seu desejo que venhamos a separar para ele um dia específico, dos demais (Is 58.3).

2. Um dia santificado


Devemos notar que o requerimento é que nós nos lembremos do dia de descanso, para o santificarmos. Santificar significa separar para um fim específico. Isso quer dizer que além do descanso e parada de nossa rotina diária, Deus quer a dedicação desse dia para si. Nessa separação, o envolvimento de nossas pessoas em atividades de adoração, ensino e aprendizado da Palavra de Deus, é legítimo e desejável. A freqüência aos trabalhos da igreja e às atividades de culto, nesse dia, não é uma questão opcional, mas obrigatória aos servos de Deus. O Salmo 92, que é de adoração a Deus, tem o título em hebraico - "para o dia de descanso".

3. Uma instituição permanente


Uma expressão, do quarto mandamento, nos chama a atenção. É que ele inicia com "Lembra-te...". Isso significa que a questão do dia de descanso transcende a lei mosaica, isto é: a instituição estava em evidência antes da lei de Moisés. Semelhantemente, estando enraizado na lei moral, permanece, como princípio, na Nova Aliança. Vemos isso, por exemplo, no incidente bíblico da dádiva do Maná. Deus requerendo o descanso e cessação de trabalho durante a peregrinação no deserto, quando ele alimentava o seu povo com o Maná, antes da dádiva dos dez mandamentos. Estes seriam recebidos somente por Moisés no monte Sinai (veja, especificamente, Ex 16.29, 30).

4. Paulo faz um culto de louvor e adoração, no domingo, em Trôade 


Paulo nos deixou, além das prescrições de suas cartas, um exemplo pessoal - reuniu-se com os crentes no domingo (At 20.6-12), na cidade de Trôade, na Ásia Menor. O versículo 6 diz que a permanência, naquele lugar, foi de apenas uma semana. Lucas, o narrador que estava com Paulo, registra, no v. 7: "... no primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão...". Ele nos deixa a nítida impressão de que aquela reunião não era esporádica, aleatória, mas sim a prática sistemática dos cristãos - reunião periódica no primeiro dia da semana, conjugada com a observância da santa ceia do Senhor. Estamos há apenas 15 a 20 anos da morte de Cristo, mas a guarda do domingo já estava enraizada no cristianismo.

Paulo pronunciou um longo discurso, naquela noite. À meia noite, um jovem, vencido pelo cansaço, adormece e cai de uma janela do terceiro andar, vindo a falecer (v. 9). Deus opera um milagre através de Paulo e o jovem volta à vida (v. 10). Paulo continuou pregando, naquele local até o alvorecer (v. 11).

5. O entendimento da Reforma sobre o dia de descanso 


A Confissão de Fé de Westminster captura o entendimento da teologia reformada sobre o dia de descanso ordenado por Deus. Nela não encontramos desprezo pelas diretrizes divinas, nem uma visão diluída da lei de Deus, mas um intenso desejo de aplicar as diretrizes divinas às nossas situações. O quarto mandamento tem uma consideração semelhante aos demais registrados em Ex 20, todos aplicáveis aos nossos dias. Nas seções VII e VIII, do capítulo 21, sob o título - "Do Culto Religioso e do Domingo" lemos o seguinte:

Como é lei da natureza que, em geral, uma devida proporção do tempo seja destinada ao culto de Deus, assim também, em sua palavra, por um preceito positivo, moral e perpétuo, preceito que obriga a todos os homens em todos os séculos, Deus designou particularmente um dia em sete para ser um sábado (descanso) santificado por ele; desde o princípio do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia foi o último dia da semana; e desde a ressurreição de Cristo já foi mudado para o primeiro dia da semana, dia que na Escritura é chamado de domingo, ou Dia do Senhor, e que há de continuar até ao fim do mundo como o sábado cristão.

Este sábado é santificado ao Senhor quando os homens, tendo devidamente preparado os seus corações e de antemão ordenado os seus negócios ordinários, não só guardam, durante todo o dia, um santo descanso das suas próprias obras, palavras e pensamentos a respeito dos seus empregos seculares e das suas recreações, mas também ocupam todo o tempo em exercícios públicos e particulares de culto e nos deveres de necessidade e misericórdia.

6. O Quarto Mandamento Hoje - Qual o nosso conceito do domingo?


É necessário que tenhamos a convicção de que o chamado à adoração, o desejo de estar cultuando ao Senhor, e o descansar de nossas atividades diárias, por intermédio de um envolvimento com as atividades da igreja, encontra base e respaldo bíblico. É mais do que uma questão de costumes, do que uma posição opcional. É algo tão importante que faz parte da lei moral de Deus.

Normalmente nos perdemos em discussões inúteis sobre detalhes, procurando prescrever a outros uma postura de guarda do quarto mandamento conforme nossas convicções, ou falta delas. Assumimos uma atitude condenatória, procurando impor regras detalhadas e, muitas vezes, seguindo restrições da lei cerimonial, em vez do espírito da lei moral. Antes de nos perdermos no debate dos detalhes, estamos nos aprofundando no princípio? Temos a postura de tornar realmente o domingo um dia diferente, santificado, dedicado ao Senhor e à nossa restauração física?



Apêndice: Qual o dia de descanso - sábado ou domingo?

Sempre que estudamos o quarto mandamento surge a pergunta: quem está certo? São os Adventistas, que indicam o sábado como o dia que ainda deveríamos estar observando, ou a teologia da Reforma, apresentada na Confissão de Fé de Westminster, e em outras confissões, que encontra aprovação bíblica e histórica para a guarda do domingo? Alguns pontos podem nos ajudar a esclarecer a questão:

1. Os pontos centrais de cumprimento ao quarto mandamento são: o descanso, a questão da separação de um dia para Deus, e a sistematização, ou repetibilidade desse dia. O dia, em si, é uma questão temporal, principalmente por que depois de tantas e sucessivas modificações no calendário é impossível qualquer seita ou religião afirmar categoricamente que estamos observando exatamente o sétimo dia. Nós usamos o calendário Gregoriano, feito no século 16. Os judeus atuais usam o calendário ortodoxo, estabelecido no terceiro século, e assim por diante.

2. Os principais eventos da era cristã ocorreram no domingo:

- Jesus ressuscitou (Jo 20.1)

- Jesus apareceu aos dez discípulos (Jo 20.19)

- Jesus apareceu aos onze discípulos (Jo 20.26)

- O Espírito Santo desceu no dia de pentecostes, que era um domingo (Lv 23.15, 16 - o dia imediato ao sábado), e nesse mesmo domingo o primeiro sermão sobre a morte e ressurreição de Cristo foi pregado por Pedro (At 2.14) com 3000 novos convertidos.

- Em Trôade os crentes se juntaram para adorar (At 20.7).

- Paulo instruiu aos crentes para trazerem as suas contribuições (1 Cr 16.2).

- Jesus apareceu e João, em Patmos (Ap 1.10).

3. Os escritos da igreja primitiva, desde a Epístola de Barnabé (ano 100 d.C.) até o historiador Eusébio (ano 324 d.C.) confirmam que a Igreja Cristã, inicialmente formada por Judeus e Gentios, guardavam conjuntamente o sábado e o domingo. Essa prática foi gradativamente mudando para a guarda específica do domingo, na medida em que se entendia que o domingo era dia de descanso apropriado, em substituição ao sábado. Semelhantemente, a circuncisão e o batismo foram conjuntamente inicialmente observados, existindo, depois, a preservação somente do batismo, na Igreja Cristã. O domingo não foi estabelecido pelo imperador Constantino, no 4º século, como afirmam os adventistas. Constantino apenas formalizou aquilo que já era a prática da igreja.

4. Cl 2.16-17 mostra que o aspecto do sétimo dia era uma sombra do que haveria de vir, não devendo ser ponto de julgamento de um cristão sobre outro.


Para um estudo mais detalhado do assunto, sugerimos o livro de J. K. VanBaalen, O Caos das Seitas.



Extraído de:
http://presbiterianoscalvinistas.blogspot.com.br/2011/01/o-quarto-mandamento.html


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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Antes de você chamar Lutero de anti-semita (por rev. Christian McShaffrey)


Como a maioria de vocês, eu ouvi a acusação de anti-semitismo contra Martinho Lutero muitas vezes. Ao contrário da maioria, no entanto, eu decidi descobrir se a acusação foi fundamentada pela leitura de seu livro "On The Jews and Your Lies" (Sobre os judeus e suas mentiras) (1543).

Na verdade, e no interesse da divulgação completa, eu tive que ler o livro três vezes. Na primeira vez eu li em puro choque, perguntando-me: "Como ele poderia escrever isso?" Na segunda vez, o li de forma mais acadêmica, perguntando: "O que exatamente ele está dizendo e por quê?" A terceira vez, eu tentei pegar uma abordagem mais simpática, ponderando: "Eu realmente teria feito melhor do que ele?"

O objetivo deste artigo não é dar um veredicto final sobre o suposto anti-semitismo de Lutero, mas solicitar que os cristãos sejam um pouco mais cuidadosos em seu julgamento e muito mais respeitosos com o pai alemão na fé.

Conheça toda a história


Vinte anos antes, Lutero escreveu "Sobre os judeus e suas mentiras", ele escreveu: "That Jesus Christ Was Born a Jew" (Jesus Cristo nasceu um judeu). Naquele livro, ele criticou os papistas por tratar os judeus "como se fossem cães em vez de seres humanos. Ele também pediu aos cristãos que obedecessem a "lei do amor cristão" para que os judeus fossem conquistados para Cristo.

Martinho Lutero amou o povo judeu com um zelo missionário que é indiscutível. Na verdade, e devido a uma leitura prima facie de Romanos 9-11, ele esperava sinceramente ver conversões judias em massa durante sua vida. Foi só depois de duas longas décadas de esforços de evangelização "falidos" que o amor de Lutero se esfriou.

Combater com sua teologia


Como Reformados, acreditamos que a Palavra de Deus, mesmo quando compartilhada da maneira mais afetuosa e evangélica, acabará cumprindo apenas dois possíveis fins: suaviza os corações ou endurece os corações.

Infelizmente, Lutero observou o último fim ocorrer durante o seu ministério e, ao invés de adaptar seus métodos (como muitos fazem hoje), ele se voltou para as escrituras para consolo e conselho. Ele concluiu que chegou a hora de sacudir o pó de seus pés e declarar: "Somos inocentes do seu sangue".

Se Lutero estava correto em sua avaliação dessa geração em particular talvez nunca possamos saber. No entanto, ele nos dá motivos para combater com nossa própria teologia. "Não atirem suas pérolas aos porcos ..." (Mateus 7:6). Como podemos saber quando chegou esse momento?

Entenda os tempos


Martinho Lutero não era um homem comum. Ele era um ministro ordenado e um "Reformador Magisterial" (que nos lembra que o estado no seu dia procurou ativamente a orientação da igreja em matéria de fé e moral).

Não só os judeus rejeitaram a oferta gratuita do Evangelho de Lutero, mas também responderam com esforços contra-missionários que pareciam estar prejudicando a igreja e a comunidade alemã. Lutero menciona blasfêmia, proselitismo e usura como exemplos.

"Sobre os judeus e suas mentiras" foi escrito como conselho da igreja para o estado sobre como abordar essas ameaças percebidas contra sua sociedade. Parte do conselho incluiu proibir os rabinos de ensinar e queimar suas sinagogas.

Isso, é claro, é onde os leitores modernos se tornam desconfortáveis, mas precisamos argumentar com essas questões historicamente e honestamente.

Lutero não pediu aos cristãos que tomassem as armas contra seus vizinhos judeus. Na verdade, ele exortou os Pastores a lembrar às pessoas que não era seu chamado para amaldiçoar ou prejudicar os judeus. O conselho mais severo de Lutero foi dirigido aos príncipes da Alemanha.

Podemos não aprovar o sistema medieval, mas não nos anatematizemos de nossa distância segura com um tipo de desprezo anacrônico. Nossos pais pré-iluminismo podem ter entendido mais sobre as diferenças funcionais entre igreja e estado do que muitas vezes assumimos.

Honra teu pai


Nosso Catecismo Maior nos lembra que o alcance do Quinto Mandamento se estende além da família natural para os domínios da Igreja e do Estado [c.f., CMW 123-133]. Martinho Lutero, devido a seu ofício eclesiástico e influência civil, tem o direito, dado por Deus, de receber honra especial de nós.

Além de seu chamado superior, deixe-me sugerir que Lutero possuía alguns dons superiores. O que mais me surpreendeu sobre seu livro não era sua linguagem cáustica, mas seu constante apelo às escrituras. Lutero conhecia as escrituras (sim, mesmo na língua nativa do judeu) e baseava seus argumentos através delas.

Nós, é claro, não somos obrigados a concordar com todas as suas interpretações ou aplicações, mas esse julgamento despreparado do hipster milenar - "Lutero estava no lado errado da história!" -, parece afirmar o próprio desprezo que o Quinto Mandamento é tão claro em proibir.

Chega de "sinalização de virtude"


Todos nós queremos ser curtidos pelos outros. Este é um desejo humano muito básico e natural. Quão longe, no entanto, vamos nos certificar de que outros  são como nós? Quanto mais cuidadosamente eu escuto conversas casuais, mais eu me convenço de que estamos obcecados com a aprovação dos homens.

"Virtue Signaling" (sinalização de virtude) é uma tática comum que empregamos para aumentar a posição social. Aqui está um exemplo: "Eu estava na casa do meu amigo ontem, que inclusive é judeu, e ele disse a coisa mais engraçada ..."

Por que o falante inclui a frase gramaticalmente supérflua "que inclusive é"? A resposta é óbvia. A inclusão dessa cláusula foi um esforço calculado para alertar o ouvinte sobre o fato de que o falante tinha amigos judeus.

Pare com isso. Nunca seremos amados pelo mundo. Jesus disse assim (João 15:19) e devemos parar de tentar tanto obter sua vã aprovação e louvor.

Abandonar o termo?


O termo "Anti-semita" não foi cunhado até três séculos após a morte de Lutero. Foi inventado por um agitador político na Europa Central e continua a ser usado para fins políticos hoje.

Você pode pesquisar por si mesmo a política das relações entre alemão e judeu no final do século XIX, o único ponto aqui é o seguinte: a acusação de "anti-semitismo" é tecnicamente anacrônica no caso de Martinho Lutero.

Além de ser anacrônico, o termo também é um pouco impreciso. De acordo com as escrituras, os "semitas" são descendentes do filho de Noé, Sem. À medida que olhamos a população mundial hoje, isso incluiria raças além dos judeus, como árabes, assírios, samaritanos, etc.

O termo "antisemita" era - e é - uma palavra inerentemente política. Ele também evoluiu tanto ao longo dos anos que a sua extinção apenas pode estar atrsada. Ao menos, mantenhamos a nossa doutrina da "espiritualidade da igreja" e leiamos com cuidado palavras carregadas de política.




Christian McShaffrey é pastor da Grace Reformed Church of Reedsburg, WI (uma congregação membro da Igreja Presbiteriana Ortodoxa).



Traduzido livremente de:


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Blaise Pascal (1623-1662) - Um cientista Evangelístico (por Peter Hammond)


Blaise Pascal (1623-1662) é para a França o que Platão é para a Grécia, Dante para a Itália e Shakespeare para a Inglaterra. A Biblioteca Nacional em Paris protege os manuscritos de Pascal com mais ciúmes do que qualquer outro. Apesar de ter sofrido problemas de saúde durante a maior parte de sua vida, e morrido antes de chegar aos 40 anos, Pascal começou aos dezesseis anos a fazer grandes contribuições para a geometria, a física, a mecânica aplicada e a teoria matemática.

Criado como católico romano, tornou-se mais tarde um cristão devoto e comprometido, sempre consciente da sua natureza pecaminosa e da necessidade da graça de nosso Senhor Jesus Cristo. Crescido no auge do Iluminismo Blaise Pascal, matemático e físico francês, foi dramaticamente convertido por Cristo e se tornou um apologista cristão eficaz e cientista realizado.

A mãe de Pascal morreu quando ele tinha quatro anos. Seu pai mudou a família de Clermont'Ferrand para Paris. Blaise e suas irmãs foram educadas em casa por seu pai. Aos dezesseis anos, Blaise estava fazendo experiências originais em matemática e ciência física.

Juntamente com suas duas irmãs, Gilberte e Jacqueline, seu pai Etienne pessoalmente guiou sua educação. Em 1639, a família mudou-se para Rouen, onde Etienne Pascal foi nomeado Comissário de Finanças da Normandia. Os tratados de Blaise Pascal , escritos quando ele tinha apenas 16 anos, foram recebidos com espanto pela comunidade científica.

Para ajudar seu pai, que era um cobrador de impostos, Blaise inventou o primeiro dispositivo de cálculo, que alguns chamaram de precursor do computador. (Em sua homenagem, uma linguagem de computador seria nomeada Pascal).

Quando adolescente, Blaise obteve renome como cientista. Ele desenvolveu a lei da hidráulica. Blaise Pascal provou que a pressão sobre a superfície de um fluido é transmitida igualmente para cada ponto do fluido. Ele produziu materiais importantes sobre o peso e a densidade do ar, e o triângulo aritmético, e o vácuo. Ele inventou a seringa, o elevador hidráulico, e é creditado pela invenção do relógio de pulso e por mapear a primeira rota de ônibus (cavalo) em Paris.

Em 23 de novembro de 1654, Blaise Pascal experimentou, o que ele descreveu como uma "conversão definitiva". Ele descreveu ver uma visão clara da Crucificação: "Das dez e meia da noite até meia-noite e meia, Deus dos filhos de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, e não dos filósofos e dos sábios. Certeza. Certeza. Sentimento. Alegria. Paz. Deus de Jesus Cristo. Meu Deus e seu Deus. O teu Deus será meu Deus ''

Ele escreveu sobre uma visão da Luz do Fogo do Deus Vivo que o purgou dos seus pecados, e lhe trouxe segurança, alegria, paz e amor. Ele sabia que, doravante, ele deveria viver para Deus e para Deus somente; para Ele, tudo o resto deveria ocupar o segundo lugar. Seu estilo de vida mudou. Ele deu muito aos pobres. E enquanto seus estudos científicos não foram abandonados, eles ocuparam o segundo lugar, para ele viver em comunhão com Deus Todo-Poderoso.

Ele gravou essa experiência em um pedaço de pergaminho (chamado 'Memorial'), que ele carregava consigo o resto de sua vida.

Seus escritos foram descritos não somente como obras-primas da prosa francesa, mas defesas destacadas da fé cristã. Suas Les Provinciales foram 18 ensaios atacando os jesuítas católicos e defendendo a moral reformada e a crença de Santo Agostinho na graça soberana e na predestinação. A Igreja Católica colocou Les Proviciales no Índice de Livros Proibidos.

Blaise ficou atraído pela visão agostiniana da graça e da moralidade. Ele se juntou aos jansenistas que se opuseram ao catolicismo dos jesuítas e ensinaram as doutrinas da graça e ética de Santo Agostinho. Blaise escreveu mais tarde sobre duas conversões em sua vida, a primeira uma conversão de sua mente para a teologia certa, e a segunda uma conversão de seu coração para o amor de Deus.

A irmã de Blaise Jacqueline também foi convertida logo após a morte de seu pai em 1651. Pascal sentiu uma profunda fome espiritual pela realidade.

Suas 18 Cartas Provinciais (1656-1657), porque criticavam os ensinamentos dos jesuítas, foram publicadas anonimamente para evitar a prisão.

A irmã de Pascal, Gilberte, escreveu sobre seu irmão: "Ele tinha uma eloquência natural que lhe dava uma facilidade maravilhosa para dizer o que queria dizer, mas para isso ele havia adicionado certas regras que ele havia desenvolvido para si mesmo, que o serviram tão bem que ele não somente podia dizer o que queria dizer, mas diria isso na melhor maneira de sua escolha, e então seu discurso produzia exatamente o efeito que ele pretendia."

Pensees, uma coleção de pensamentos de Pascal, foi publicado após sua morte. Nela, ele retratava a humanidade como estendida entre a miséria e a alegria, indefesa sem Deus. As pessoas tentam evitar enfrentar a realidade se engajando em distrações. Blaise Pascal rejeitou a noção de que a razão e a ciência sozinhas podem levar uma pessoa a Deus. Ele insistiu que, só pessoalmente experimentando Cristo, alguém pode conhecer Deus.

"Não se surpreenda com a visão de pessoas simples que acreditam sem discutir. Deus os faz amá-Lo e odiá-los. Ele inclina seus corações a acreditar. Nunca devemos acreditar com uma fé vigorosa e inquestionável a menos que Deus toque nossos corações; e nós devemos crer assim que Ele fizer isso."

O Pensees contém a famosa aposta de Pascal: "Se você ganhar, você ganha tudo; Se você perder, você não perde nada." Ele afirmou que, como a razão por si só não pode trazer uma certeza absoluta, cada pessoa deve arriscar a crença em algo. Quando se trata da fé cristã, uma pessoa sábia irá apostar nela. Certamente viveremos uma vida mais alegre e longa na Terra aderindo à moral e à fé cristãs. Se o cristianismo é verdade, você ganha a vida eterna também. Se não estiver, você não perdeu nada.

Alguns colocaram os Pensees de Pascal - que ele havia planejado como "A Defesa da Religião Cristã" -, como semelhante a obras tão excelentes quanto as Confissões de Santo Agostinho. Blaise Pascal viveu durante a maior parte da Guerra dos Trinta Anos. Ele foi um homem de extraordinária conquista científica com uma mente brilhante e inovadora.

Os Pensees de Pascal foram escritos para falar diretamente aos agnósticos e ateus da França. Em vez de basear sua causa em argumentos intelectuais tradicionais, Pascal usou provas tiradas da moral e da história para atrair o coração e a experiência pessoal. Blaise Pascal foi atacado por humanistas anti-cristãos como Voltaire.

Blaise Pascal escreveu: "Toda religião é falsa, se, quanto à sua doutrina, não adora um só Deus como a origem de todas as coisas e, na sua moralidade, não adora um só Deus como fim de todas as coisas".

"É perigoso fazer o homem ver sua igualdade com os brutos sem lhe mostrar sua grandeza. Também é perigoso fazê-lo ver sua grandeza com muita clareza, além da sua vilania. Ainda é mais perigoso deixá-lo ignorante de ambos. Mas é muito vantajoso mostrar a ambos."

"O coração tem suas razões que a razão não conhece".

"A razão age lentamente e com visões lentas, em tantos princípios, que deve sempre permanecer perante ela, que constantemente tropeça e se desvia de ter seus princípios à mão. O coração não age assim; ele atua em um momento, e está sempre pronto para agir. Devemos então colocar a fé no coração ou sempre será vacilante."

"Conhecemos a verdade, não só pela razão, mas também pelo coração, e é a partir deste último, que conhecemos os primeiros princípios".

Pascal escreve sobre o Deus dos Milagres, inclusive da experiência pessoal da cura milagrosa de sua sobrinha em 1656. As realizações científicas de Pascal tiveram muito a ver com experimentação rigorosa, levando ao conhecimento experimental. Da mesma forma, sua fé baseou-se muito em suas experiências de coração com o Deus Vivo.

Para Blaise Pascal, o próprio Deus é a fonte de toda sabedoria e conhecimento, aquele que ordena todas as coisas e de quem, e através de quem, todas as coisas prosseguem e retornam.

"Que grande distância existe entre conhecer Deus e amá-lo. Os seres humanos devem ser conhecidos por serem amados, mas Deus deve ser amado por ser conhecido."


Traduzido livremente de:


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