sexta-feira, 18 de agosto de 2017

O Aborto é Realmente Tão Mau? (por James W. e Joel R. Beeke)




INTRODUÇÃO


Foi impressionante visitar o monumento em homenagem aos caídos durante a Segunda Guerra Mundial em Washington, D.C., e ver 4.000 estrelas na parede, cada uma simbolizando cem seres humanos mortos no conflito. Os Estados Unidos perderam 400.000 vidas durante esta guerra. O Canadá perdeu 40.000. Mas se levantássemos um monumento similar em homenagem às crianças não nascidas, assassinadas pelo aborto, três destas paredes seriam necessárias para incluir os abortos provocados em um único ano. Três vezes o número de crianças não nascidas perdem a vida em um só ano, isso é mais do que o número de soldados americanos que morreram na Segunda Guerra Mundial.

No ano de 2005, hospitais e diversas clínicas realizaram 1.2 milhões de abortos nos Estados Unidos e mais de 96.000 no Canadá. Duas de cada 10 gestações terminaram com um aborto provocado. Nos abortos legais realizados nos Estados Unidos (desde 1973) e no Canadá (desde 1969), já morreram mais de 53 milhões de crianças não nascidas. Para colocar isto em perspectiva, a população total de ambos países soma em torno de 350 milhões. Os abortos legais já causaram a morte do equivalente a um sétimo da nossa população.

Os historiadores estimam que o Holocausto Nazista exterminou entre 10 e 11 milhões de pessoas, incluindo seis milhões de judeus. Muitos deles eram crianças. O aborto legal nos Estados Unidos e no Canadá já causou o extermínio de cinco vezes mais vidas do que aquelas que foram ceifadas no Holocausto.

Temos que ter uma base racional e ética sólida para sancionar legalmente a morte de 53 milhões de vidas em nossas nações, sem contar com os mais de um milhão que morrem a cada ano. Como seriam hoje estas milhões de pessoas, desde infantes até adultos maiores de 40 anos, se estivessem vivas? Seu extermínio da face da Terra exige uma justificação convincente.

Qual é a justificação para o aborto legal? Vamos examinar os argumentos usados por aqueles que promovem o aborto, para determinar quão sólido é o fundamento sobre a qual esta prática é baseada.



ARGUMENTOS A FAVOR DO ABORTO



Argumento 1: O feto não é uma vida humana, portanto, pode ser exterminado.


Embora o feto chegará a ser uma criatura humana, este argumento diz que ele ainda não o é. Mas a ciência indica o contrário. Primeiro, as palavras embrião e feto são palavras gregas e latinas que simplesmente significam “jovem”. Quando os cientistas falam de um embrião ou feto humano, eles não estão colocando na categoria de outras espécies, mas simplesmente usando terminologia técnica para esta etapa de desenvolvimento, tais como as palavras: infante, criança, adolescente e adulto. O feto humano é um ser humano jovem no útero. É natural e correto que as mães falem sobre o feto como “meu bebê” ou que livros sobre a gravidez digam “seu filho”.

Em segundo lugar, desde a concepção, o bebê tem seu próprio código genético que o identifica como um homo sapiens, um membro da raça humana. O DNA do bebê tem um código diferente da mãe, isso prova que ele não faz parte do corpo dela, mas que é um indivíduo diferente que vive temporariamente dentro dela.

Em terceiro lugar, a imagem do ultrassom mostra que desde o início do processo de desenvolvimento, o embrião cresce produzindo uma forma humana reconhecível. A criatura não é uma massa de tecido, mas um bebê altamente complexo, embora pequeno. Nas três primeiras semanas após a concepção, o coração do bebê começa a bater e a bombear o sangue através do corpo. Nas seis semanas, podem ser captadas ondas cerebrais. Praticamente todos os abortos cirúrgicos silenciam um coração que bate e um cérebro que funciona. Com oito semanas, braços, mãos, pernas e pés estão bem desenvolvidos, e estão começando a formar as impressões digitais. A onze semanas de concepção já funcionam todos os órgãos do bebê. Ao final do primeiro trimestre, o bebê chuta, gira, revira-se, abre e fecha as mãos e faz expressões faciais.

De acordo com qualquer padrão razoável, um feto humano é um ser humano jovem. Matar a um bebê inocente é assassinato. É por isso que os produtos do aborto são tão grotescos: mãos, pés e cabeças decepados embrulhados em sacolas e descartados. Em um nível intuitivo, nós sabemos disso. As pessoas podem ignorar a imagem de carne bovina ou um pé de galinha, mas as imagens do aborto nos horrorizam e ferem porque são imagens de um corpo humano desmembrado. As crianças não nascidas são seres humanos preciosos e devem ser protegidos.



Argumento 2: O feto não é completamente humano, pois depende de outro.


Será que um bebê canguru não é canguru porque vive na bolsa de sua mãe? Claro que é. O lugar ou situação de um ser humano não o torna menos humano. Os argumentos a favor do aborto fundados na dependência são baseados em uma premissa perigosa. Se uma dependência torna a pessoa menos humana, então nessa premissa teríamos o direito de assassinar a infantes fora do útero, as pessoas em diálise, os deficientes e os idosos. Temos o direito de assassinar a todas as pessoas que dependem de alguém ou de alguma coisa?

Pense em duas mães que estão com vários meses de gravidez. Um bebê nasce prematuro, enquanto que o outro permanece no útero. O primeiro depende inteiramente da intervenção médica para sobreviver, e o outro do corpo de sua mãe. É correto matar o bebê que nasceu prematuramente? Qual seria a reação dos funcionários do hospital se a mãe entrasse na sala de neonatologia com uma faca para atacar seu filho? Se não está correto matar o bebê prematuro, então por que está correto matar o bebê no útero? Ambos são dependentes. Ambos são infantes. Ambos devem ter proteção legal.



Argumento 3: A mulher tem o direito de fazer o que quiser com o seu corpo.


Estamos de acordo na autoridade das mulheres sobre seu corpo. Mas há limites para o que podemos fazer corretamente com o nosso corpo, incluindo causar dano a outro ser humano. O aborto envolve a morte de seu filho. Argumentar que o feto vivo é parte do corpo da mãe é contra toda a lógica. Qual órgão do seu corpo é? Quando bate o coração da criança não nascida, de quem é o coração? Quando se pode monitorar as ondas do cérebro do feto, de quem é o cérebro? Cada gravidez envolve duas pessoas, uma mãe e um filho; devem ser tidos em conta os direitos de ambos.

Quando falamos dos direitos de dois seres humanos, devemos ter cuidado para que a pessoa com mais poder não se aproveite da mais fraca. É responsabilidade do forte proteger o fraco. E é especialmente a responsabilidade da mãe proteger o seu filho. Alguma mãe tem o direito de fazer o que quiser com seus filhos? Pelo contrário, ela tem a responsabilidade de cuidar deles ou de assegurar-se que alguém cuide deles. É verdade que a maternidade exige sacrifício. Mas devemos esperar que os adultos sacrifiquem os seus recursos e liberdades quando isso é necessário para preservar a vida das crianças.



Argumento 4: O sexo e a reprodução são questões particulares nas quais não devemos interferir.


Acreditamos que a sexualidade humana é um assunto muito particular: expressa a profunda intimidade compartilhada por marido e mulher. Mas o sexo tem consequências muito públicas. A forma como nós praticamos nossa sexualidade contribui para a contenção ou para a propagação de doenças, para tratamento das mulheres com respeito ou com violência, para o cuidado ou para o abuso sexual de crianças e para o fortalecimento ou para a dissolução das famílias que são a base da sociedade. Portanto, a sociedade tem um interesse convincente para salvaguardar a dignidade do matrimônio, das mulheres e das crianças no que diz respeito ao sexo e à reprodução.

Alguns argumentam que a Constituição dos Estados Unidos garante a privacidade em assuntos sexuais e reprodutivos. Leia a Constituição e você não vai encontrar nela esse direito. Na verdade, a Quarta Emenda reconhece o direito de estar salvaguardados contra “pesquisas e apreensões arbitrarias” sem uma “ordem judicial”, mas não diz nada sobre sexualidade, crianças ou abortos.

Alguém pode dizer sarcasticamente: “Eu pensava o que eu estava fazendo no meu quarto era um assunto meu”. Mas se houver um motivo razoável para acreditar que você está matando uma criança em seu quarto, então se torna uma questão em que há necessidade de intervenção pública por parte das autoridades. A privacidade não é um direito moral absoluto. Mas assassinar uma criança é um mal moral absoluto.



Argumento 5: Fazer que o aborto seja ilegal forçaria as mulheres a procurar abortos perigosos e clandestinos.


A ideia do aborto feito cruelmente, resultando na morte da mãe por hemorragia (e em um bebê morto) tem sido amplamente utilizada pelos defensores do aborto legal. Mas, na realidade, 90% dos abortos realizados antes que esse procedimento fosse legalizado eram feitos por médicos em seus consultórios. A ideia de que milhares de mulheres morriam anualmente antes que o aborto fosse legalizado é um mito. Em 1972, trinta e nove mulheres morreram nos Estados Unidos por abortos provocados. O American Journal of Obstetrics and Gynecology [Jornal Americano de Obstetrícia e Ginecologia] (26 de março 2010) admite que a legalização do aborto não teve
“maior impacto em [reduzir] o número de mulheres que morrem devido a um aborto nos Estados Unidos... o aborto legal é agora a principal causa de mortes maternas relacionadas com o aborto nos Estados Unidos”.
Cada mulher que morre de um aborto falho é uma perda trágica. Mas assim é também cada criatura que morre por um aborto bem-sucedido. Não deveríamos legalizar a morte de bebês a fim de tornar o processo mais seguro para os adultos envolvidos. Além disso, o aborto tem riscos médicos e psicológicos; torná-lo ilegal na verdade protegeria a vida e a saúde de milhões de mulheres.



Argumento 6: Melhor morrer antes do nascimento do que viver como um filho indesejado.


Em primeiro lugar, dar a um ser humano o poder de determinar o futuro da vida de outro indivíduo baseado no que é “desejado” ou “indesejável” é muito perigoso. Será que temos o direito de matar alguém com base apenas me nossa vontade, se desejamos ou não? Este ponto de vista leva as sociedades de alta cultura a cometer genocídio contra aqueles que sofrem problemas mentais e às raças “inferiores”.
Em segundo lugar, a criança jamais seria desejada por alguém? Muitas mães não desejavam a gravidez, mas elas querem a criança, especialmente após o nascimento. Existem também muitos pais que querem adotar uma criança. Dizer que a criança é indesejada agora por sua mãe não significa que nunca será amada.

Em terceiro lugar, este argumento tem implicações terríveis para as crianças “não desejadas” já nascidas. Se é melhor matar o bebê que deixar do que permitir que ele não seja desejado, então o que isso implica para as crianças que não têm um lar?

O que dizer de crianças que possuem pais abusivos? Seria bom matar essas crianças? Claro que não; o amor nos chama a ensinar aos seus pais a amarem e a cuidar delas ou a encontrar pais adotivos. Da mesma forma, se as crianças não nascidas realmente “são indesejadas”, devemos tentar ajudar a suas mães a vê-las de uma forma diferente ou ajudar as crianças a encontrarem pais adotivos. Você sabia que Steve Jobs não foi desejado pela sua mãe que lhe deu à luz e nem pelos pais adotivos que o governo escolheu para ele inicialmente?

Em quarto lugar, o que nos dá o direito de decidir se é melhor que alguém viva ou morra? Somos donos da vida dessa pessoa? Sabemos com certeza o futuro da criança? Não acontece que muitas crianças “indesejadas” superem suas deficiências físicas ou emocionais em sua juventude e vivem como cidadãos adultos úteis? Não acontece que muitas pessoas, mesmo passando por situações dolorosas, escolhem sabiamente viver em vez de se matar?

No final das contas, o argumento que parece compassivo para a criança “indesejada” não faz sentido. Na melhor das hipóteses, é ilógico; no pior dos casos, é a máscara que esconde um egoísmo fatal.



Argumento 7: Os defensores pró-vida estão tentando impor suas crenças aos outros.


Na verdade, todos os que participam de um aborto impõe sua maneira de pensar pela força, principalmente sobre a criança não nascida, na verdade com tanta força que resulta em sua morte. Se a criança não nascida é um ser humano, então, como alguém pode ser acusado de impor pela força a sua maneira de pensar sobre outro, quando se está tentando proteger a vida da criança de mãos assassinas? Se a criança não-nascida é um ser humano, então o aborto é homicídio. Se o aborto é homicídio, devemos fazer tudo o que está ao nosso alcance para evitá-lo.

A Declaração da Independência diz: “Consideramos estas verdades como autoevidentes, que todos os homens são criados iguais, que são dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes são vida, liberdade e busca da felicidade; que para assegurar esses direitos são instituídos entre os homens governos que derivam seus poderes legítimos do consentimento dos governados”. Atualmente, os direitos de alguns são mais “iguais” do que os outros porque a sua “liberdade e busca da felicidade” aparentemente justificam tirar a “vida” de outros. Isso compromete seriamente a base política de nossa nação. Mas se as pessoas usam seu poder de voto popular para impelir o governo a proteger o direito à vida dos seres humanos, simplesmente estão fazendo o que a Declaração da Independência diz o que deveriam fazer.

Depois de examinar criticamente sete argumentos básicos em favor do aborto, podemos honestamente chegar a uma conclusão racional baseada na ética de que o aborto deveria ser legal? Estes são argumentos pouco fortes para assassinar a cada ano mais de um milhão de bebês. Isto é especialmente evidente quando consideramos que menos de 5% dos abortos provocados são por estupro, incesto ou perigo para a vida da mãe. Mais de 95% dos abortos se realizam por razões econômicas, por trabalho, por conveniência pessoal ou por outras razões egoístas. Estas razões são convincentes para matar seres humanos?

Até agora, nos concentramos em refutar os argumentos dos defensores do aborto com o próprio raciocínio deles. Mas o aborto compreende muitos outros aspectos tais como: os gritos do não nascido ao sofrer a dor e a morte; cortar, fatiar, queimar, envenenar e sangrar, acompanham o aborto; o trágico enterro do não nascido em latas de lixo ou a sua cremação em incineradores; a ansiedade pós-parto, depressão, sentimento de perda, raiva, arrependimento, pesadelos, infertilidade e flashbacks das mães assassinas.

Voltemo-nos agora a um tribunal superior que o raciocínio e do que as consequências humanas. Somos chamados para uma tarefa ainda mais importante, declarar positivamente as verdades e as proclamações da Palavra de Deus que estão envolvidas direta ou indiretamente, sobre a questão do aborto.
“À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles” (Isaías 8:20).


PROCLAMAÇÕES DA PALAVRA DE DEUS



Proclamação 1: Deus criou a humanidade à Sua própria imagem.


A maioria das pessoas sabem que os seres humanos estão em um nível diferente do nível dos animais. Até a teoria da evolução não pode apagar completamente o senso que a maioria das pessoas têm sobre o quão sagrada é a vida humana. Os animais são bonitos e valiosos, contudo, para salvar uma criança, mataríamos um urso pardo e não nos sentiríamos culpados em nossa consciência por isso.

A Bíblia explica esse sentido da santidade da vida humana, quando se diz em Gênesis 1:27: “E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”. Homens e mulheres, independentemente de qual seja a sua idade, tem um valor especial bem acima dos pássaros e dos animais (Mateus 10:31), porque são a criação mais especial de Deus sobre a Terra. Devemos valorizar e proteger os seres humanos, não só porque isso é útil, mas porque eles representam a glória de Deus de uma forma única.



Proclamação 2: Deus, como Rei soberano, governa a vida e a morte, as habilidades e as deficiências.


Sabemos que não é correto “brincar de ser Deus” com a vida dos outros. Entendemos que não temos o direito de tratar as pessoas como se fosse nossa possessão e fazer o que quiséssemos com elas. A Bíblia explica isso dizendo que Deus é o Rei que possui e governa toda a Sua criação (Salmo 95:3-5). Só Ele tem o direito soberano de fazer a sua vontade com as pessoas (Daniel 4:35).

Quando Deus criou o mundo não havia morte ou dor;
“e eis que era muito bom” (Gênesis 1:31). A morte veio pela desobediência de Adão à lei de Deus (Gênesis 2:17; Romanos 5:12). Mas, mesmo assim, Deus manteve a Sua soberania sobre a vida e a morte humana. “O SENHOR é o que tira a vida e a dá” (1 Samuel 2:6). É Deus quem governa sobre as habilidades e deficiências humanas. “Respondeu-lhe o SENHOR: Quem fez a boca do homem? Ou quem faz o mudo, ou o surdo, ou o que vê, ou o cego? Não sou eu, o SENHOR?” (Êxodo 4:11). Então a Bíblia nos ensina a receber cada vida humana, como vinda da mão de Deus, mesmo que seja um bebê nascido com uma deficiência ou em uma situação familiar difícil. Deus tem formas maravilhosas para tirar algo bom do mal (Gênesis 50:20). Devemos nos curvar à sua autoridade como Rei do universo e não tentar brincar de ser Deus com a vida dos outros.

O aborto se transfere para território divino quando o homem toma em suas próprias mãos o que pertence somente ao Senhor. Insulta a Sua soberania e tolamente toma a autoridade de decidir coisas para as quais não tem a sabedoria devida. Considere o seguinte caso histórico. O pai tem sífilis, a mãe tem tuberculose. Eles já tiveram quatro filhos, o primeiro é cego, o segundo morreu, o terceiro é surdo e mudo e o quarto tem tuberculose. A mãe está grávida de seu quinto filho. Você lhe faria um aborto? Se sim, então você teria matado Ludwig van Beethoven (1770-1827), famoso compositor e pianista alemão! Brincar de ser Deus com as vidas humanas produz resultados trágicos.



Proclamação 3: Deus proíbe o assassinato da vida humana inocente.


Mesmo após a Queda, embora o coração do homem tenha sido totalmente corrompido pelo pecado (Gênesis 6:5), Deus nos disse que ainda existem vestígios de Sua imagem (Tiago 3:9); e, portanto, temos de tratar a vida humana com grande respeito. Deus diz em Gênesis 9:6:
“Quem derramar o sangue do homem, pelo homem o seu sangue será derramado; porque Deus fez o homem conforme a sua imagem”. O Sexto dos Dez Mandamentos diz: “Não matarás” (Êxodo 20:13), que no seu contexto significa que não devemos tirar uma vida humana inocente. Matar inocentes é atacar a Deus, porque eles carregam Sua imagem sagrada.


Proclamação 4: Deus revela a pessoa humana que é a criança nascida


Deus forma pessoalmente a cada criança no útero. Jó disse:
“O Espírito de Deus me fez; e a inspiração do Todo-Poderoso me deu vida” (Jó 33:4). Davi exultou: “Pois... cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem” (Salmo 139:13-14). O que Deus forma no útero é um “eu”, uma pessoa que tem uma “alma”.

Davi também confessou:
“Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). Desde a sua concepção no ventre, Davi estava “em pecado”. Os objetos e os animais não podem ser pecadores; eles não têm nenhuma responsabilidade moral. Somente o ser humano pode ser pecador. Portanto, a triste realidade de que estamos em um estado pecaminoso da concepção prova que a concepção cria a pessoa humana. Aborto é um ataque contra a pessoa humana com a intenção de matá-la. É homicídio premeditado.


Proclamação 5: Deus declara seu juízo contra os assassinos dos não nascidos.


O Senhor tem uma compaixão especial pelo fraco, seja ele um estrangeiro, uma viúva ou um órfão, quando é oprimido por aqueles que têm mais poder do que ele. Ele ameaça com Sua ira mortal contra os opressores (Êxodo 22:21-27). Não há ninguém mais vulnerável do que uma criança antes do nascimento.

Por esta razão, Deus incluiu esta lei em Sua legislação para Israel: “Se alguns homens pelejarem, e um ferir uma mulher grávida, e for causa de que aborte, porém não havendo outro dano, certamente será multado, conforme o que lhe impuser o marido da mulher, e julgarem os juízes.  Mas se houver morte, então darás vida por vida” (Êxodo 21:22-23). A palavra “aborte” significa literalmente “sua haste sai”. A lei prevê um dano acidental da mulher grávida e que resulta em um aborto, quando dois homens estão lutando. Se Deus decretou a punição de um aborto provocado acidentalmente, Quanto mais castigará o aborto intencional? Deus aborrece todos os crimes contra as mulheres, mas uma violência contra as mulheres grávidas O provoca a castigar especialmente a nação ofensora (Amós 1:13).

Isto não justifica a vingança pessoal ou os atos de violência contra aqueles que realizam abortos. Mas sim nos adverte que, se a nossa nação não protege os inocentes, então Deus vai tratar a nossa nação severamente. O senador Jesse Helms[1] escreveu: “O nível mais alto de cultura moral é aquele em que o povo de uma nação reconhece e protege a santidade da vida humana inocente... Grandes nações morrem quando deixam de viver de acordo com os grandes princípios que lhes deu visão e força para superar a tirania e a degradação humana... Nenhuma nação pode permanecer livre ou exercer uma liderança moral quando adota a doutrina da morte”.



Proclamação 6: Deus chama aos pecadores ao arrependimento para a remissão dos pecados.


Quando declaramos as proclamações de Deus contra o aborto, fazemos isso com tristeza, sabendo que todos temos pecado de muitas maneiras (Romanos 3:23). Falamos como pecadores que fomos objetos da misericórdia de Deus, convidando outros pecadores a encontrar a mesma misericórdia. Para isso, Deus enviou Cristo para morrer pelos pecadores e para ressuscitar:
“Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados” (Atos 5:31).

Em Cristo Jesus, há uma promessa de perdão para todos os que vêm a Ele. Mas a promessa é associada com o mandato de arrepender-se (Lucas 24:47). O arrependimento é o dom de Deus para a salvação do pecador por meio do qual, tendo um senso do mal do seu pecado e de quão boa é a misericórdia de Deus em Cristo, se converte do pecado para Deus com dor e aborrecimento pelo seu pecado e com a firme decisão de obedecer a Deus com a ajuda de Sua graça.

Talvez você já tenha sido participante de um aborto: um pai que encorajou que se matasse seu filho, uma mãe que se submeteu aos instrumentos mortais, um médico ou enfermeiro que realizou o procedimento, um defensor do aborto como uma política pública, ou simplesmente um cidadão silencioso que tem permitido que milhões de crianças morram sem levantar a sua voz em protesto. Se este for o seu caso, então você é culpado de derramar sangue contra a imagem de Deus.

Mas o Senhor Jesus Cristo convida:
“Vinde então, e argui-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” (Isaías 1:18). Ele estende as mãos perfuradas pelos pregos, chamando a “vir a mim” e prometendo: “Deixe o ímpio o seu caminho, e o homem maligno os seus pensamentos, e se converta ao SENHOR, que se compadecerá dele; torne para o nosso Deus, porque grandioso é em perdoar” (Isaías 55:7).


COMO EU POSSO FAZER A DIFERENÇA?


1. Ore. O ato mais poderoso sobre a Terra é cair de joelhos e orar persistentemente pedindo ao Senhor para intervir no mundo e para abolir o aborto de todas as nações. Ore para que o Senhor dê aos juízes da Suprema Corte coragem para defender a santidade da vida e anular a lei Roe vs. Wade[2] apesar do que o povo diga. Ore para que os médicos que realizam abortos se arrependam e voltem a se sentirem inspirados pelo seu juramento de proteger a vida. Ore para que enfermeiros e administradores hospitalares conduzam outras pessoas que trabalham com eles no sentido de prestar um cuidado que realmente promova à vida.

Ore pelos pais que perderam um filho pelo aborto provocado e cujos corações estão fechados para a misericórdia de Deus. Ore para que Deus conceda a confissão, o arrependimento e o abraço que sara do perdão divino. Ore por aqueles que são oprimidos pela dor e pelo remorso e que gostariam de ter uma outra oportunidade de mudar a sua decisão. Ore para que Deus cure o coração quebrantado e ajude a ajudar os outros não passar por um aborto.

Ore por aqueles que são tentados a recorrer a um aborto, que Deus lhes impeça de matar seu próprio filho. Ore pelas organizações que trabalham para proteger a vida. E tenham a coragem de orar para que Deus julgue aqueles estão em posições de liderança e que O desobedecem.

2. Eduque
. O aborto floresce por causa da desinformação e da falta de raciocínio. Examine as Escrituras e encoraje outros a fazerem o mesmo, a fim de evangelizar as pessoas e educa-las nos ensinamentos claramente definidos nas Escrituras sobre a santidade da vida e sobre quão atroz é destruir uma vida sem uma causa boa e justa. Se mantenha a par das questões e dos debates. Leia um bom livro sobre o aborto e ensine a verdade aos jovens e a outros. Um livro antigo, mas ainda útil é The Right to Live, TheRight to Die (O Direito de Viver, o Direito a Morrer) por C. Everett Koop.[3]
Um mais recente é ProLife Answers to ProChoice Arguments (Respostas Pró-Vida aos Argumentos Pró-Escolha) por Randy Alcorn.[4]

3. Apoie. Contribua financeiramente para organizações que se opõem ao aborto e aos centros de gravidez que educam e aconselham as mulheres sobre a criatura que cresce dentro delas. Não apoie financeiramente as causas e as pessoas que apoiam o Holocausto de abortos.

4. Defenda. Deixe que sua voz seja ouvida, escrevendo para jornais, revistas e clérigos que apoiam o aborto, como também para os seus representantes eleitos. Ligue para o seu representante e senador ou membro do Parlamento e pergunte qual é sua posição sobre o aborto. Respeitosamente, mas com firmeza, explique por que você se opõe.

5. Colabore. Doe seu tempo, seus talentos e seus recursos financeiros para ajudar as mães solteiras carentes, os programas de adoção ou os ministérios que ajudam as mulheres que sofrem pelo sentimento de culpa após um aborto. Considere a possibilidade de adotar crianças não desejadas, se ofereça para trabalhar como voluntário em centros de gravidez de risco, ou para participar na tarefa de aconselhamento à frente de clínicas de aborto. Ministre com compaixão e misericórdia para com aqueles que precisam disso.

6. Vote. Vá às urnas cada vez que houver a oportunidade de votar por candidatos que se opõem ao aborto. Embora existam outras questões que afetam a votação, nenhuma pode ser mais importante do que isto.

[1] Jesse Helms (1921-2008) ? Senador americano republicano da Carolina do Norte e líder conservador durante cinco períodos. Ele foi presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado de 1995 a 2001. A citação é de um discurso no Senado dos Estados Unidos em 11 de janeiro de 1977.
[2] A lei Roe vs. Wade deriva seu nome do caso Roe vs Wade, que por sua vez é o nome do caso judicial pelo qual a Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu o direito ao aborto ou à interrupção voluntária da gravidez, nos Estados Unidos. — N.R.
[3] Charles Everett Koop (n. 1916) ? Cirurgião pediatra americano e administrador de saúde pública. Foi o décimo terceiro Cirurgião Geral dos Estados Unidos sob o presidente Ronald Reagan desde 1982-1989.
[4] Randy Alcorn – Autor evangélico americano e diretor dos Ministérios Eternal Perspective (Perspectiva Eterna).

Extraído de:
http://oestandartedecristo.com/ebook/708/o-aborto-e-realmente-tao-mauz-por-james-w-e-joel-r-beeke


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quarta-feira, 19 de julho de 2017

12 proposições sobre um entendimento cristão de economia (por Albert Mohler)


Extraído de: Política Reformada

Infelizmente, muitos cristãos americanos sabem pouco sobre economia. Além disso, muitos cristãos assumem que a Bíblia não tem absolutamente nada a dizer sobre isso. Mas uma cosmovisão bíblica, na verdade, tem muito a nos ensinar sobre assuntos econômicos. O significado do trabalho, o valor da mão-de-obra e outras questões econômicas são todos parte da cosmovisão bíblica. Ao mesmo tempo, devemos reconhecer que a cosmovisão cristã não exige ou promove um sistema econômico específico.
Por causa disso, os cristãos devem permitir que os princípios econômicos encontrados na Escritura moldem nosso pensamento, embora reconhecendo, ao mesmo tempo, que podemos agir à luz desses princípios em qualquer cenário econômico, cultural ou geracional.

1. Um entendimento econômico cristão tem a glória de Deus como seu maior objetivo.

Para os cristãos, toda teoria econômica começa com um objetivo de glorificar a Deus (1 Coríntios 10.31). Temos uma autoridade econômica transcendente.

2. Um entendimento econômico cristão respeita a dignidade humana.

Não importa o sistema de crenças, aqueles que trabalham manifestam a glória de Deus, quer saibam ou não. As pessoas podem acreditar que estão trabalhando por seus próprios motivos, mas elas estão, na verdade, trabalhando a partir de um impulso pelo que foi colocado em seus corações pelo Criador para a Sua glória.

3. Um entendimento econômico cristão respeita a propriedade privada e a posse.

Alguns sistemas econômicos tratam a ideia de propriedade privada como um problema. Mas a Escritura nunca considera a propriedade privada como um problema a ser resolvido (ver, por exemplo, os Dez Mandamentos). A visão da Escritura de propriedade privada implica que este é o galardão pelo trabalho e domínio do indivíduo.  O Oitavo e Nono Mandamentos nos ensinam que não temos o direito de violar as recompensas financeiras do diligente.

4. Um entendimento econômico cristão leva plenamente em conta o poder do pecado.

Levar o ensino bíblico sobre os efeitos penetrantes do pecado plenamente em conta significa que presumimos que coisas ruins acontecem em todos os sistemas econômicos. Um entendimento econômico cristão tenta atenuar os efeitos do pecado.

5. Um entendimento econômico cristão defende e recompensa a retidão.

Todo sistema econômico e de governo vem com incentivos embutidos. Um exemplo disso é o código tributário americano, que estimula procedimentos econômicos desejados. Se ele funciona ou não é uma questão de interminável recalibragem política. Contudo, na cosmovisão cristã, essa recalibragem deve continuar defendendo e recompensando a retidão.

6. Um entendimento econômico cristão recompensa a iniciativa, o empreendimento e o investimento.

Iniciativa, empreendimento e investimento são três palavras cruciais para o vocabulário econômico e teológico do cristão. A iniciativa vai além da ação. É o tipo de ação que faz a diferença. O empreendimento é o trabalho humano feito corporativamente. O investimento é parte do respeito pela propriedade privada encontrado na Escritura.
O investimento, pelo que se constata, é tão antigo quanto o Jardim do Éden. Aquilo que agrega valor é respeitável, e o impulso para agregar esse valor também. Assim, uma teoria econômica cristã culpa qualquer um que não deseja trabalhar, não respeita a propriedade privada e não recompensa o investimento.

7. Um entendimento econômico cristão busca recompensar e incentivar a moderação.

Em um mundo caído, dinheiro e investimento podem rapidamente ser distorcidos para fins idólatras. Por esse motivo, a moderação é um item muito importante na cosmovisão cristã. 
Em um mundo caído, a fartura de um dia pode se transformar em escassez no próximo. A moderação pode ser aquilo que vai possibilitar a sobrevivência em tempos de pobreza.

8. Um entendimento econômico cristão defende a família como a unidade econômica mais básica.

Quando pensamos sobre a teoria econômica embutida no início da Bíblia, o mandato de domínio é central, mas assim é a instituição divina do casamento. O padrão de deixar e dividir descrito em Gênesis 2 é fundamental para o nosso entendimento econômico.
Adão e Eva foram a primeira unidade econômica. Disto, conclui-se que a família (biblicamente definida) é a mais básica e essencial unidade da economia.

9. Um entendimento econômico cristão deve respeitar a comunidade.

A maioria dos pensadores seculares e economistas começam com a comunidade e, então, passam para a família. No entanto, pensar a partir das unidades econômicas maiores para as menores não somente não funciona na teoria, mas também não funciona na prática. Começar com a unidade da família e então evoluir para a comunidade é uma opção muito mais inteligente. A doutrina da subsidiariedade – que surgiu a partir da teoria da lei natural – ensina que o significado, verdade e autoridade residem na menor unidade significativa possível.
Se a unidade da família é deficiente, governo algum consegue fazer frente às necessidades de seus cidadãos. Quando a família é forte, o governo pode ser pequeno. Quando a família é fraca, contudo, o governo precisa compensar o prejuízo. Ao focar na família, respeitamos e aperfeiçoamos a comunidade.

10. Um entendimento econômico cristão recompensa a generosidade e a mordomia apropriada.

Os cristãos que estão comprometidos com a economia do Reino e com o bem da geração seguinte devem viver com uma perspectiva financeira orientada pelo futuro. Cada um de nós tem a responsabilidade, quer tenhamos muito ou pouco, de entender que nossa generosidade perdura muito além de nossa expectativa de vida.
Uma generosidade viva, a qual é tão evidente na Escritura, é essencial para uma cosmovisão econômica cristã.

11. Um entendimento econômico cristão respeita a prioridade da igreja e sua missão.

Os cristãos devem abraçar prioridades econômicas que o restante do mundo simplesmente não vai entender. Eles devem investir em igrejas, seminários e missões internacionais. Esses são compromissos financeiros cristãos distintivos. Nosso compromisso financeiro último não é para conosco mesmos ou nossos investimentos particulares, mas para o Reino de Cristo. Assim, os cristãos deviam sempre estar prontos a experimentar reviravoltas em suas prioridades e esquemas econômicos, pois as questões urgentes do reino podem intervir a qualquer momento.

12. Um entendimento econômico cristão foca no juízo e promessa escatológicos.

A vida e suas riquezas não podem proporcionar a alegria última. A cosmovisão cristã nos lembra que devemos viver com a ideia de que prestaremos contas ao Senhor pela administração de nossos recursos. Ao mesmo tempo, os cristãos devem olhar para a promessa escatológica dos Novos Céus e Nova Terra como nossa esperança econômica derradeira. Devemos juntar tesouros no céu, não na terra.

Extraído de:
https://politicareformada.wordpress.com/2016/10/14/12-proposicoes-sobre-um-entendimento-cristao-de-economia/


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

(vídeos) Semana Teológica sobre TULIP - Igreja Batista Boas Novas (S.B.C.)


Conforme eu havia anunciado na página desde aquela época, em julho de 2016 participei da semana teológica da Igreja Batista Boas Novas - SBC, onde expus os chamados cinco pontos do calvinismo (TULIP).

Para quem desconhece o tema e deseja saber a respeito, aos que tem dúvidas, ou ainda para os que desejam analisar o que foi exposto, seguem:

2) lista de reprodução dos vídeos em sequência:



sexta-feira, 9 de junho de 2017

A injustiça da justiça social (por Ben O'Neill)


Recorrentemente, ocorre algo que resume perfeitamente a ideia por trás disso que chamam de "justiça social".  De todas as formidáveis críticas que seus detratores já escreveram sobre esse ignóbil conceito, nenhuma é páreo para a elegante simplicidade de um recente trabalho feito justamente pelos defensores da "justiça social".  Refiro-me aqui a um recente vídeo feito para o Dia Mundial da Justiça Social[1], no qual alunos e professores tinham de completar a seguinte frase:
Todo mundo tem o direito a(o) ___________

O vídeo é uma pitoresca montagem de vários possíveis complementos para essa frase, tendo uma agradável e convencional música como pano de fundo.  Ele mostra alunos e professores completando a frase acima, mostrando suas respostas escritas em suas mãos, braços e pés.  As pessoas no vídeo dão respostas que abrangem todos os tipos de coisas desejáveis, desde conhecimento, amor, justiça, compaixão e verdade até educação, saúde, comida, água limpa, nutrição, sapatos, dançar, rock and roll e até mesmo pirulitos e sorvete.  Veja o vídeo.

Algumas dessas demandas, se interpretadas muito caridosamente, podem ser interpretadas como genuínos direitos, porém a maioria é totalmente extravagante, como os supostos direitos a sorvete e rock and roll.  Ademais, o peso das demandas desse último tipo torna a mensagem do vídeo bem clara: tudo que é desejável é um direito.  Quer mais comida?  É um direito.  Quer melhores serviços de saúde?  Também é um direito.  Quer ter conhecimento e compaixão?  São direitos também.  Quer amor, dançar, cuidados pré-natais e pirulitos?  Direitos, direitos, direitos, direitos.

Embora sucinto e simples, o vídeo demonstra perfeitamente a vigente postura em relação a direitos que impregna as atuais discussões políticas, particularmente entre os defensores da "justiça social".  Para tais pessoas, a noção de "direitos" é um mero termo para merecimentos e benefícios, indicando que a pessoa pode e deve exigir o acesso gratuito a qualquer bem que lhe seja desejável, não importa o quão importante ou trivial, abstrato ou tangível, recente ou antigo ele seja. 
Trata-se meramente de uma afirmação de desejo, e uma declaração da intenção de utilizar a linguagem dos direitos para se obter tal desejo.

Com efeito, dado que o programa da justiça social inevitavelmente envolve a exigência do fornecimento de bens pelo governo, tudo pago por meio dos esforços de terceiros, o termo na verdade se refere à intenção de se utilizar a força para se realizar os próprios desejos.  O termo não é utilizado para enfatizar que as pessoas devem ganhar merecidamente os bens desejados, por meio da ação e do pensamento racional, da produção e das trocas voluntárias, mas sim para enfatizar que se pode confiscar violentamente os bens daqueles que podem ofertá-los.

Trata-se de uma noção irremediavelmente espúria a respeito do que são direitos.  Um direito genuíno é uma prerrogativa moral oriunda da aplicação de uma filosofia moral à natureza do homem.  O termo é um termo filosófico que indica um princípio moral genuíno, um princípio que deve ser deduzido objetivamente de um exame da natureza da moralidade e da natureza do homem.  Direitos não são meras construções subjetivas, como são frequentemente tratados.  Ao contrário, direitos são princípios objetivos validados por uma filosofia moral (em particular, por uma filosofia política, que é o sub-ramo de uma filosofia moral que lida com a moralidade do uso da força).

Um indivíduo possui o direito a algum bem específico - em oposição a um mero desejo por esse bem - apenas caso ele possua uma genuína prerrogativa moral que o permita ter tal bem.  Tal atitude deve necessariamente ser acompanhada do fato de que outros indivíduos devem correspondentemente ser moralmente proibidos de impedir que o proprietário desse bem possua tal bem.  O direito não pode existir em um vácuo, hermeticamente isolado de outros direitos.  Assim, dizer que uma pessoa tem direitos de propriedade (uma notável omissão do vídeo) não é uma mera afirmação de um simples desejo por algo útil.  Trata-se de uma afirmação de que é moralmente certo que um indivíduo controle sua própria propriedade, e moralmente errado que outros interfiram nesse controle.  Direitos referem-se ao que é realmente direito - isto é, ao que é moralmente certo.

Direitos genuínos existem como verdades eternas de uma filosofia moral.  Eles são princípios que se mantêm verdadeiros independentemente de sua época ou lugar, independente do estado das atuais intervenções.  Logo, não pode existir algo como o direito a sapatos, sorvete ou rock and roll, coisas que já estiveram totalmente ausentes da invenção humana.  Ter uma visão contrária a essa significa reduzir os direitos a uma simples lista de compras abrangendo as últimas engenhocas e quinquilharias inventadas.

Como os críticos da justiça social sempre foram obrigados a apontar ad nauseam, alguém afirmar que tem direito a algum bem ou serviço tangível, como água limpa, serviços de saúde, educação, cuidados pré-natais ou sorvete, significa que uma outra pessoa tem a obrigação de ofertar o bem ou serviço em questão.  Significa afirmar a prerrogativa moral de obrigar outros a suprir seus desejos, à custa dos esforços deles.  Quando em conjunto com um apelo ao governo para que este forneça os bens ou serviços (como é toda a intenção), tal postura significa afirmar a prerrogativa moral de utilizar a força para se realizar os próprios desejos - obrigar os outros a dar para você o sorvete deles, a água limpa deles, as habilidades médicas deles e por aí vai.  É o mesmo princípio seguido pelo ladrão, pelo estuprador e por outros malfeitores, os quais encaram seus desejos como uma razão para se imporem violentamente sobre terceiros.

A propaganda da "justiça social" funciona bem porque sabe como ocultar desejos sob a linguagem de direitos, ao mesmo tempo em que se esforça para evitar qualquer menção desconfortável a como esses desejos devem ser supridos.  Assim, vemos no vídeo a afirmação do direito à "educação gratuita".  Não vemos ali a afirmação, que seria bem mais honesta, do direito a "forçosamente confiscar o dinheiro dos outros para pagar pela própria e custosa educação".  Não, é a educação "gratuita" que é declarada como sendo um direito.  Mas que educação gratuita é essa?  Gratuita para quem?

Em uma sociedade racional, com um adequado entendimento sobre a natureza dos direitos, a afirmação de que há uma prerrogativa moral a coisas como educação livre, serviços de saúde ou à oferta de sorvetes, seria vista como o que realmente é: uma constrangedora reductio ad absurdum.  Manifestações em que jovens afirmam seus direitos de maneira vacilante, sem qualquer consideração aparente com a questão sobre de onde viriam seus desejados bens, poderiam ser consideradas como apenas um divertido exemplo da ingenuidade e dos ideais tortos da juventude.  Porém, na cultura sentimental e piegas da atualidade, tais manifestações são na verdade feitas pelos defensores da "justiça social" como uma expressão de seus próprios ideais.

Alguns podem discordar dessa minha caracterização dizendo que vários dos direitos afirmados no vídeo supostamente tinham a intenção de ser irônicos.  Ninguém diria seriamente que há um direito a sorvete ou a rock and roll - eles estão apenas fazendo graça, se divertindo! Ei, relaxe!

Mas eis aí o problema com essa visão: afirmar que há um direito a sorvete ou a rock and roll não é uma postura mais ingênua ou tola do que afirmar que há um direito a serviços de saúde ou a educação "gratuita".  Ambos são exemplos de uma demanda por bens ou serviços que são ofertados pelos esforços de terceiros - e da elevação desse desejo à condição de direitos.  Os primeiros são uma reductio ad absurdum dos últimos exatamente porque ambos os tipos de exigências partem da mesma abordagem filosófica do que são direitos - eles são diferentes apenas no grau, mas não no tipo.

Essa confusão entre desejo e direito, infelizmente, é predominante nos debates da atualidade.  Trata-se de um erro perfeitamente compreensível, dado o nível da educação e do debate público da atualidade.  A maioria dos jovens em idade universitária ainda não foi apresentada a um sério argumento filosófico sobre a natureza dos direitos.  Assim, todo seu conhecimento a respeito desse conceito advém daquilo que ouvem de grupos de pressão em busca de boquinhas no sistema político e da demagogia de políticos.  Sua afirmação de que há um direito a sorvetes é ridícula, porém não menos filosoficamente defensável do que milhares de outras afirmações de direitos feitas diariamente em jornais e nas tribunas das legislaturas em todo o mundo.

O que é notável nesse caso não são os erros conceituais cometidos pelos jovens do vídeo, muitos dos quais provavelmente nunca chegaram perto de qualquer estudo sério sobre a natureza dos direitos.  O que é notável é que a óbvia reductio ad absurdum demonstrada no vídeo é de fato adotada por respeitados grupos defensores da justiça social e orgulhosamente propagandeada por eles como um apoio à sua filosofia.  Torna-se claro, sob essas circunstâncias, que estamos lidando com movimentos intelectualmente falidos.

________________________________________
Nota:
[1] GlobeMed, "GlobeMed at Rhodes College's Photo Project for the World Day of Social Justice" (20 de fevereiro de 2011). Um vídeo similar pode ser visto aqui.


Ben O'Neill é professor de estatística na Univesidade New South Wales, em Canberra, Austrália. Já foi também advogado e conselheiro político.  Atualmente é membro do Independent Institute, onde ganhou em 2009 o prêmio Sir John Templeton de competição de ensaios.


Extraído de:
http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=931


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quinta-feira, 8 de junho de 2017

Secularismo Teocrático (por Steve C. Halbrook)





A Revolução Francesa

Durante a Revolução Francesa, secularistas rejeitaram Deus
e deificaram a Razão no Seu lugar.

A teocracia é inescapável. Considere a Revolução Francesa. Enquanto seu pretexto era construir a primeira sociedade secular, neutra e não-teocrática, ela simplesmente deificou a razão humana no lugar de Deus. Os revolucionários converteram "a venerável catedral de Notre-Dame em um 'Templo da Razão', dedicado à 'filosofia' ".[1] Outros edifícios da igreja foram convertidos em "templos da razão" em todas as províncias.[2] Durante uma "Festa da Razão" na catedral de Notre-Dame,[3] os teocratas designaram seu libertador messiânico: 

Madame Candeile, atriz e cantora de ópera, foi levada para debaixo da enorme nave vestida de "um manto azul, guarnecido de carvalho, segurando na mão o Pique do Júpiter-Povo, anunciado por mulheres jovens com vestes tricolores". Os dignitários da Assembleia em suas medalhas e plumas aplaudiram como a Deusa da Razão sentou grandiosamente no altar-mor.[4]
Para os revolucionários, a Razão Encarnada havia inaugurado o reinado de seu reino. Ironicamente, Jean Jacques Rousseau, uma influência filosófica essencial na Revolução, disse: "Nunca houve um Estado fundado que não tenha religião em sua base."[5] Esta revolução ostensivamente sem religião foi, para citar Edmund Burke, "Ateísmo Por Estabelecimento. "[6]


No Reino de Terror da França, os teocratas seculares sacrificaram
"hereges irracionais" para seu ídolo, o deus da razão.

Da mesma forma, o crítico da Revolução Francesa, G. Groen van Prinsterer, chama a Revolução de "a religião, por assim dizer, de incredulidade". [7]
O princípio dessa fervorosa filosofia era a soberania da Razão, e o resultado era a apostasia de Deus e do materialismo. ... Eu mal preciso lembrar que desde o início a supremacia da Razão foi postulada como um axioma na filosofia. Esta supremacia repousava sobre a negação da corrupção da natureza humana. Mas onde a Razão era considerada incorrupta,  Revelação não podia conter nada além de seu alcance, ou pelo menos nada contra seu veredicto. Assim, a razão tornou-se o toque da verdade. ... A Sagrada Escritura, para ser sagrada, passou a necessitar da sanção da aprovação humana. Não pode escapar ao cristão que, nesta mesma conjuntura, a prerrogativa divina já é violada quando o homem procura se livrar de Deus e ser deificado em Seu lugar [8].
A razão para a França revolucionária era ao mesmo tempo deus e escritura sagrada.[9] Ao contrário de uma teocracia baseada no "governo de Deus", a teocracia francesa baseou-se na "regra da Razão".


Comunismo Soviético

(Acima: uma descrição do primeiro-ministro soviético sanguinário Joseph Stalin.)
Os materialistas soviéticos viram seus líderes assim como a Grécia pagã)
via seus "deuses": homens maiores que a vida para serem adorados.
Além do secularismo teocrático da Revolução Francesa, há seu herdeiro filosófico, a Revolução Russa. (Lênin, quatro meses antes de liderar a Revolução Russa, em novembro de 1917, aprovou a revolta jacobina).[10] A Revolução Russa ateísta levou a filosofia materialista da Revolução Francesa[11] à sua conclusão lógica e fez seu deus, ou base para a realidade última, a matéria.[12]


Um pôster com propaganda de Lenin que diz:
"Lenin viveu, Lenin está vivo, Lenin viverá."
Como um premier Soviético, Lenin foi para os 
Marxistas Russos o alfa e o ômega.
Como Faraós deificados, eles foi até mesmo
mumificado depois da morte.
Esta revolução repetiu um padrão da primeira revolução ateísta. Assim como os teocratas franceses converteram os edifícios da igreja em "templos da razão", a teocracia neo-ateísta russa converteu os edifícios da igreja em "museus do ateísmo".[13] Enquanto a catedral de Notre-Dame forneceu a forragem para o maior "Templo da Razão", a catedral de Kazan de Leningrado forneceu a forragem para o grande "museu do ateísmo" - "museu da história da religião e do ateísmo."[14]

E, enquanto os teocratas franceses adoravam "a deusa da razão", os teocratas russos adoravam o premier - O Proletariado encarnado, a matéria em sua forma mais elevada. Depois da morte de Lenin, o primeiro premier comunista, foi dito: "Lenin vive no coração de cada membro do nosso Partido. Cada membro do nosso partido é uma pequena parte de Lenin. Toda a nossa família comunista é uma personificação coletiva de Lenin ". [15]

Na tradição dos antigos egípcios que mumificavam seus faraós deificados, uma "Comissão de Imortalização" mumificou o premier da Rússia.[16] Stalin repetidamente disse no funeral que "honraria" o seu[de Lênin] preceito.[17] Stalin então assumiu o comando e se tornou o novo deus da Rússia. Ele foi anunciado como o "pai do povo" [18], de quem foi dito, "Tu és o maior líder".[19]

Um poema daquela época reflete a onipresença e onisciência de Stalin como deus: "E assim - em toda parte. Nas oficinas, nas minas / No Exército Vermelho, no jardim de infância / Ele está observando ... Você olha para o seu retrato e é como se ele soubesse / Seu trabalho - e o pesa / Você trabalhou mal - suas sobrancelhas baixas / Mas Quando você trabalhou bem, ele sorri em seu bigode. "[20]

Um poster soviético da propaganda que diz:
"Estude o Grande Caminho do Partido de
Lenin e Stalin!"
Representado está um estudante
olhando para seus deuses enquanto aprende 
os caminhos do materialismo marxista.
Após a morte de Stalin, seu sucessor, Nikita Khrushchev, lembrou ao Vigésimo Congresso do Partido que todos tinham sido ensinados a acreditar que Stalin era "um super-homem que possuía características sobrenaturais semelhantes às de um deus". [21]

Os revolucionários russos haviam rejeitado o Reino de Deus por um reino da matéria. Este reino da matéria seria inaugurado pelo proletariado, que, nas palavras de Lênin, era "estabelecer o céu na terra".[22] Sob o pretexto da irreligião, os teocratas russos não podiam esconder sua religião. Mesmo o filósofo anticristão Bertrand Russell identificou o comunismo como desenvolvido na Rússia como "uma religião política análoga ao Islã". [23]


Por seu próprio discurso, os teocratas russos traíram sua professada irreligião. Lênin disse: "Quem decide quem, quem dirige e domina quem, quem atribui a outras pessoas a sua posição na vida, e quem deve ter o seu devido atribuído por outros? Estas se tornam necessariamente as questões centrais a serem decididas exclusivamente pelo poder supremo. "[24]

Como Adão e Eva, ao rejeitar a Deus, Lenin inescapavelmente trocou o Poder Supremo por outro "poder supremo", o homem. Como Kruschev afirmou mais tarde, "o povo" é "o criador da história e ... o criador de todo o bem material e espiritual da humanidade".[25] (Do mesmo modo, o líder comunista chinês Mao Tse-Tung escreveu: "Nosso Deus é ninguém menos do que as massas do povo chinês. ") [26]

A teocracia russa rejeitou assim uma teocracia bíblica baseada no "governo de Deus" por uma teocracia material baseada no "governo do povo", mais especificamente, "o governo do Proletariado".

Humanismo Americano

O Humanismo secular não se opõe
à adoração a uma deidade;
ao rejeitar Deus, ele simplesmente
define o homem em Seu lugar.
Para o humanismo secular, o homem
é o centro e medida de todas as coisas,
e portanto digno de adoração -
uma adoração que deve ser imposta
pelo Estado.
(foto por Oren neu dag/ CC BY -SA 2.5)
Não nos esqueçamos de outro herdeiro filosófico da Revolução Francesa, o humanismo secular americano. Como as revoluções francesa e russa, o humanismo secular eleva a razão[27] e a matéria.[28] Seu deus é a humanidade, a encarnação desses atributos.


Em 1933, o Manifesto Humanista declarou oficialmente o objetivo dos humanistas de "avaliar, transformar, controlar e dirigir todas as instituições e organizações por meio de seu próprio sistema de valores" (minha ênfase).[29]

Esta linguagem indica claramente um desejo de dominar a sociedade com a religião do humanismo - estabelecer uma teocracia humanista totalitária. Os humanistas já estavam no processo de converter um sistema escolar que originalmente ensinava o cristianismo[30] em templos do humanismo. Já em 1930, o fundador da Primeira Sociedade Humanista de Nova York[31] escreve em Humanismo: Uma nova Religião:
A educação é, portanto, um aliado poderoso do Humanismo, e toda escola pública americana é uma escola de Humanismo. O que podem fazer as escolas dominicais teístas, reunidas uma hora por semana e ensinando apenas uma fração das crianças, para conter a maré de um programa de cinco dias de ensino humanístico?[32]

Sob o ardil de defender a separação entre a Igreja e o Estado, os humanistas seculares têm enganado os americanos para que abracem as chamadas escolas públicas religiosamente neutras, que são realmente templos do humanismo.

Os humanistas seculares descobriram há muito tempo como contornar a garantia constitucional contra uma igreja estabelecida em nível nacional: Basta rotular as igrejas humanistas seculares nacionais com o eufemismo "escolas públicas" e ter o culto dias da semana em vez de domingo, o dia em que os Estados Unidos se congregam em cultos de adoração. Em seguida, desviar a atenção da religiosidade dessas igrejas humanistas, colocando uma falsa dicotomia entre a educação secular e religiosa. Tal malabarismo tem até hoje enganado americanos em involuntariamente abraçar instrução religiosa humanista compulsiva.

A plataforma política humanista secular é consistente com seu desejo de impor uma teocracia em todas as áreas da vida. R. J. Rushdoony escreve:
Nossas leis, tribunais e legisladores cada vez mais humanistas estão dando-nos uma nova moralidade. Dizem-nos, ao derrubar leis que repousam sobre as bases bíblicas, que a moralidade não pode ser legislada, mas o que eles oferecem não é apenas a moralidade legislada, mas a salvação pela lei ... Onde quer que olhemos agora, seja em relação à pobreza, os direitos humanos, a paz e todas as outras coisas, vemos leis aprovadas destinadas a salvar o homem. Supostamente, essas leis vão nos dar uma sociedade livre de preconceito, ignorância, doença, pobreza, crime, guerra e todas as outras coisas consideradas como sendo más. Esses programas legislativos vem para uma coisa: a salvação por lei. [33]
O objeto de adoração de um humanista secular:
matéria não-espiritual em movimento,
especialmente em sua forma mais
avançada: humanidade.
(foto por NuclearVaccum)

Como Rushdoony observa, a fé humanista secular permeia tudo. Além disso, Rushdoony demonstra que, apesar das tentativas do humanismo secular de esconder seu desejo de impor uma teocracia apelando à neutralidade, é óbvio que as políticas humanistas seculares são tudo menos neutras. Eles estão todos preocupados com a salvação da humanidade pela humanidade; Como afirma o Manifesto Humanista II: "Nenhuma divindade nos salvará; Devemos nos salvar ". [34]

Os humanistas seculares divinizam assim a humanidade. Eles olham para a humanidade como seu senhor e salvador. No humanismo, o senhorio e a salvação passam pelo estado, o reflexo mais fisicamente poderoso da humanidade.

O humanismo secular, em suma, é tão teocrático quanto qualquer cosmovisão. Mesmo os seus pioneiros religiosos não podiam escapar de repetidas referências à fé e à religião:
O Manifesto Humanista I (1933) [35] declara que "estabelecer tal religião (do humanismo) é uma grande necessidade do presente" e "romper com o passado" para estabelecer uma "Religião vital, destemida e franca capaz de fornecer metas adequadas e satisfações pessoais ", é o objetivo do humanismo. O Manifesto Humanista II (1973) usa os termos religião e religioso(a) 19 vezes, ao mesmo tempo em que afirma que "Fé, proporcional ao progresso do conhecimento, também é necessária", entre os não-teístas cujo centro de pensamento ou culto é "a natureza, não deidade". Não existe somente uma influente revista intitulada The Religious Humanist, mas um dos mais proeminentes humanistas, Julian Huxley, referiu-se a suas crenças como "a religião do humanismo evolucionista", enquanto outro ainda, Michael Kolenda, intitulou seu livro sobre a religião humanista: "Religião Sem Deus". Naturalmente, a Suprema Corte dos Estados Unidos reconheceu o humanismo como uma religião em Torcasco v. Watkins (1961), e uma Declaração de Direitos Humanos (1980) [36] conclui que "o humanismo secular confia na inteligência humana e não na orientação divina" [37]

O humanismo secular, em vez de buscar a salvação em Jesus Cristo, olha para a humanidade para a salvação. Rejeita o "governo de Deus" teocrático para o "governo teocrático da humanidade".




Excertos do livro God is Just: A Defense of the Old Testament Civil Laws: Biblical Theocracy, Justice, and Slavery versus Humanistic Theocracy, "Justice," and Slavery (Deus é Justo: Uma Defesa do Antigo Testamento Leis Civis: Teocracia Bíblica, Justiça e Escravidão versus Teocracia Humanista, "Justiça" e Escravidão) por Steve C. Halbrook. Copyright © 2010 por Steve C. Halbrook. Baseado na tese de mestrado, Deus é Justo: Uma Defesa das Leis Civis do Antigo Testamento.



Extraído de: 


Notas:

[1] Michael Burleigh, Earthly Powers: The Clash of Religion and Politics in Europe, from the French Revolution to the Great War (New York, NY: HarperCollins Publishers, 2005), 87.

[2] Ibid.


[3] Otto J. Scott, Robespierre: The Voice of Virtue (Vallecito, CA: Ross House Books, 1974), 208. 


[4] Ibid., 208, 209.

Durante esse tempo, a imprensa escreveu: "A liberdade, representada por uma bela mulher, saiu do templo da filosofia e, sentando-se na relva verde, aceitou a homenagem dos republicanos que cantavam um hino em sua honra, estendendo os braços para ela. Então a liberdade desceu para voltar ao templo, mas parando antes de sua entrada para virar e lançar um olhar de boa vontade sobre seus amigos. Logo que ela entrou, o entusiasmo deles começou com gritos de alegria e juramentos de que nunca deixariam de ser fiéis a ela." Les Révolutions de Paris, No. 215, 23-30 Brumaire, Year II (13-20 November 1793), 214-15.  Cited in J. Gilchrist and W. J. Murray, The Press in the French Revolution: A Selection of Documents taken from the Press of the Revolution for the Years 1789-1794 (New York, NY: St. Martin’s Press Inc., 1971), 118, 119.

     Otto Scott pinta uma imagem semelhante de uma reunião de um clube jacobino: "Ele [Robespierre] levantou-se para falar dentro do Clube como um que expressa os desejos de seus deuses, como um homem que visitou a montanha. Um observador escreveu: "A nave da igreja jacobina é transformada em um vasto circo. Os assentos se erguem, circularmente, como um anfiteatro, até a aresta do telhado abobadado. Uma alta pirâmide de mármore preto, construída contra uma das paredes - anteriormente um monumento funerário - foi deixada em pé, e agora serve como um fundo para o escritório do portador de escritório. Aqui, em uma plataforma elevada, sentar Presidente e Secretários; Atrás deles os bustos brancos de Mirabeau e Franklin ... Na frente está o Tribune, levantado até que esteja a meio caminho entre o chão e a aresta da cúpula, assim a voz dos oradores pode estar no centro. A imaginação ... lembra aqueles Templos temerosos ... consagrados às Deidades Vingadoras. '"  Scott, Robespierre, 140-141.

[5] Citado em Christianity and the American Commonwealth; or, The Influence of Christianity in Making This Nation, 20, por Charles B. Galloway.  Citação de Galloway mencionada por Gary Demar em America’s Christian History: The Untold Story (Powder Springs, GA: American Vision Inc., 2007), 47. 


[6] Citado em Burleigh, Earthly Powers, 121.


[7] G. Groen van Prinsterer, Unbelief and Revolution: Lectures VIII & IX, editado e traduzido por Harry Van Dyke em colaboração com Donald Morton (Amsterdam: The Groen Van Prinsterer Fund, 1975), 17.


[8] Ibid., 17, 18.


[9] Como Edward J. Young escreve: "Rejeitar a revelação externa e considerar a mente humana como uma lei em si mesma não é se tornar iluminado, mas cair no mais grosseiro dos enganos. ... Exaltar a razão humana, como se em si fosse o árbitro final de todas as coisas, é na realidade substituir a criatura pelo Criador." Edward J. Young, An Introduction to the Old Testament (Grand Rapids, MI: William B. Eerdmans Publishing Co., 1973), 21.


[10] Francis Nigel Lee, Communist Eschatology: A Christian Philosophical Analysis of the Post-Capitalistic Views of Marx, Engels, and Lenin (Nutley, NJ: The Craig Press, 1974), 90. 


[Aviso: devido às semelhanças teológicas de Lee com o kinismo (embora não cremos que as opiniões de Lee sejam tão drásticas), não endossamos os escritos e as palestras de Lee sobre raça.]
Lenin escreve em Can ‘Jacobinism’ Frighten the Working Class?: "Os historiadores proletários vêem o jacobinismo como um dos maiores picos da luta emancipatória de uma classe oprimida. Os jacobinos deram à França os melhores modelos de uma revolução democrática e de resistência a uma coligação de monarcas contra uma república. ... O 'jacobinismo' na Europa ou na fronteira entre a Europa e a Ásia no século XX seria a regra da classe revolucionária, do proletariado que, apoiado pelos camponeses pobres e aproveitando a base material existente para avançar o socialismo, poderia não só fornecer todas as grandes, inextirpáveis, inesquecíveis coisas fornecidas pelos jacobinos no século XVIII, mas traz uma vitória mundial duradoura para os trabalhadores "(ibid., 90).
A filosofia revolucionária francesa influenciou Marx e Engels, as principais influências filosóficas da Revolução Russa. Engels escreve de Rousseau, "já em Rousseau, portanto, encontramos não só uma sequência de ideias que corresponde exatamente à sequência desenvolvida no Capital de Marx, mas chegamos mesmo a achar que a correspondência se estende também aos detalhes, Rousseau usando toda uma série doss mesmos desenvolvimentos dialéticos como Marx usou "(Ibid., 87). Engels menciona a "Grande Revolução Francesa" como sendo a primeira revolta burguesa a "rejeitar inteiramente o manto religioso" (Ibid., P. 88).
O príncipe Lvov, chefe de dois governos provisórios russos antes da Revolução, escreveu: "O espírito do povo russo mostrou-se, por si só, um espírito universalmente democrático. É um espírito que procura não só dissolver-se na democracia universal, mas também conduzir o caminho orgulhosamente pelo caminho marcado pela Revolução Francesa, em direção à Liberdade, à Igualdade e à Fraternidade ". Citado em Stéphane Courtois et al., The Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression (Cambridge, MA: Harvard University Press, 1999), 44.

[11] Nas visões comuns marxista/revolucionária francesas sobre o materialismo, Singer escreve: "A epistemologia empírica de Locke e seus seguidores não teve mais sucesso do que o racionalismo que ela substituiu. Sua principal contribuição para a cultura ocidental foi a de realçar o surgimento de um secularismo profundamente enraizado no materialismo, materialismo que caracterizou a Revolução Francesa e que, em última instância, produziu o comunismo marxista e seus satélites filosóficos. "C. Gregg Singer, From Rationalism to Irrationality: The Decline of the Western Mind from the Renaissance to the Present (Phillipsburg, NJ: Presbyterian and Reformed Publishing Company, 1979), 408, 409.


[12] Lênin, por exemplo, afirma: "Podemos considerar o mundo material e cósmico como o ser supremo, como a causa de todas as causas, como criador do céu e da terra". Citado em Lee, Eschatology, 815.


[13] Michael Burleigh, Sacred Causes: The Clash of Religion and Politics, from the Great War to the War on Terror (New York, NY: HarperCollins Publishers, 2007).  Da legenda na terceira página de fotografias no meio do livro (nenhum número de página dado).

[14] Ibid., 48.  Esta mudança de "templo" para "museu" é lógica. O marxismo sustenta que a matéria é a realidade última. "Templo" soa muito espiritual e, portanto, não é suficientemente material, mas "museu" - que conota a exibição de matérias-primas - se encaixa.

[15] Ibid., 54.

[16] Ibid.

[17] Ibid., 53.

[18] Ibid., 73.

[19] Ibid., 72.

[20] Ibid., 74, 75.

[21] U.S. News and World Report, June 15, 1956, p. 34.  Citado em James D. Bales, Communism: Its Faith and Fallacies: An Exposition and Criticism (Grand Rapids, MI: Baker Book House, 1962), 52.

[22] Citado em Herbert Schlossberg, Idols for Destruction: The Conflict of Christian Faith and American Culture (Wheaton, IL: Crossway Books, 1990), 186.

[23] Lester E. Denonn, ed., Bertrand Russell’s Dictionary of Mind, Matter, and Morals, 30.  Cited in Bales, Communism, 18.

[24] Citado em Schlossberg, Idols for Destruction, 116, 117.

[25] Citado em Bales, Communism, 34.

[26] Mao Tse-Tung, Five Articles by Chairman Mao Tse-Tung (Peking: Foreign Languages Press, 1968), 15.

[27] The Humanist Manifesto II (1973) declara, "A razão e a inteligência são os instrumentos mais eficazes que a humanidade possui." Citado em Josh McDowell and Don Stewart, Handbook of Today’s Religions (Nashville, TN: Thomas Nelson Publishers, 1983), 467.

[28] The Humanist Manifesto II (1973) declara, "Encontramos evidências insuficientes para a crença na existência de um sobrenatural."  Citado em Ibid., 464.


[29] Citado em David Limbaugh, Persecution: How Liberals Are Waging War Against Christianity (Washington, D.C.: Regnery Publishing, Inc., 2003), 66.


[30] Gary Demar, America’s Christian History: The Untold Story (Powder Springs, GA: American Vision Inc., 2007),108.


[31] Limbaugh, Persecution, 65.


[32] Cited by David A. Noebel, Clergy in the Classroom, The Religion of Secular Humanism, 8.  Noebel’s quote cited in Limbaugh, Persecution, 65.


[33] Rousas John Rushdoony, Law and Liberty (Vallecito, CA: Ross House Books, 1984), 2, 3.


[34] McDowell et. al., Handbook of Today’s Religions, 464.


[35] Análise e citações de Humanist Manifestos One and Two vêm de Paul Kurtz, ed., Humanist Manifestos One & Two (Buffalo, NY: Prometheus, 1973).


[36] Free Inquiry (Winter, 1980): 3-6.


[37] Charles W. Dunn, ed., American Political Theology: Historical Perspectives and Theoretical Analysis (New York, NY: Praeger Publishers, 1984), 83.


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