domingo, 3 de junho de 2018

Discernindo O Corpo de Cristo (por rev. Milton Rodrigues Júnior)


Na última quinta feira foi feriado no país para relembrar a festa de Corpus Christi (do latin: Corpo de Cristo). Esta é uma festa de tradição religiosa católica que foi instituída dentro do seu calendário eclesiástico no século XIII pelo Papa Urbano IV através da Bula “transiturus”. Ele recebeu o “segredo” das “visões” da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Esta festa é classificada como de “preceito” e torna obrigatória a presença do fiel católico a uma missa, neste dia, como também, é recomendado, pelo Código de Direito Canônico, que o bispo diocesano viabilize uma procissão pelas ruas com o propósito de “testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia” (Cân 944 e 395). Sendo assim, até hoje a Igreja Católica tem em seu calendário esta festa móvel que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia, pois crêem na transformação dos elementos em verdadeiro corpo e sangue de Cristo, que devem ser venerados.

Certamente a Santa Ceia é tratada na Escritura como fundamental para a fé cristã. Foi instituída por Cristo e junto com o Batismo formam os verdadeiros sacramentos (ordenanças) para a Igreja (Mt 26.26-30; 28.18-20). São meios de graça para a edificação e identificação do povo de Deus. 

Em 1 Coríntios 11 Paulo diz que a indignidade do cristão na Ceia produz julgamento ("... será réu do corpo e do sangue" v.27). Esta indignidade refere-se ao não discernimento do "corpo" (v.29). A expressão "corpo" na linguagem bíblica refere-se basicamente a dois sentidos. O primeiro sentido é o corpo físico de Cristo, quanto a seu ato sacrificial vicário (substitutivo). O segundo é a igreja, que também é chamada de "corpo de Cristo". Isso aponta para a importância da participação da Ceia e o alimentar-se espiritualmente e adequadamente do corpo e sangue de Cristo.

A Confissão de Fé de Westminster afirma que o propósito de Cristo ao instituir a Santa Ceia, foi “...lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte Ele fez de si mesmo; selar aos verdadeiros crentes os benefícios provenientes desse sacrifício para o seu nutrimento espiritual e crescimento nele e a sua obrigação de cumprir todos os seus deveres para com Ele; e ser um vínculo e penhor da sua comunhão com Ele e de uns com os outros, como membros do seu corpo místico” (CFW- Cap. XXIX, artigo I). No pensamento de João Calvino, a Presença de Cristo na Santa Ceia está ligada à experimentação da igreja de uma ação do Espírito Santo que ministra Cristo a ela. Calvino, também esteve disposto a defender a verdadeira alimentação através do corpo e sangue de Cristo, sem, todavia, fazer dos símbolos o verdadeiro alimento.

A Santa Ceia é a ministração de Cristo para a sua Igreja, onde já se desfruta da comunhão restaurada por Ele, contudo, aponta para a comunhão preparada por Deus, e que será plenamente experimentada na eternidade. Além de ser uma lembrança da obra realizada e da comunhão abençoadora presente, aponta para a verdadeira expectativa que deve sustentar a fé e a fidelidade a Deus.

A Santa Ceia aponta para Cristo e sua obra realizada e eficácia contínua. A benção não está restrita aos elementos da Ceia, mas no próprio Jesus que abençoa a igreja. Não podemos desviar os olhos do autor e consumador da fé para os elementos que o representam. Isso pode conduzir a uma forma não tão velada de “idolatria”.


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segunda-feira, 21 de maio de 2018

Heroína exemplifica a defesa bíblica com arma no Brasil (por Joel McDurmon)


Uma tentativa amplamente divulgada de assalto à mão armada em São Paulo, no Brasil, e como uma mulher preparada com uma pistola escondida frustrou uma tentativa de assalto à mão armada com o que se revelou ser uma força letal. O episódio nos fornece algumas lições sobre a cosmovisão bíblica da defesa letal e nossos direitos inalienáveis ​​concedidos por Deus.

O Daily Mail escreve:
Uma filmagem de segurança mostra um suspeito chamado Elivelton Neves Moreira, de 21 anos, que se aproxima da multidão com uma arma do lado de fora de uma escola particular em São Paulo.
Mas sua tentativa de crime saiu pela culatra quando a policial militar Katia da Silva Sastre, de 42 anos, pegou sua própria arma e disparou três tiros. . .
O terrível ataque aconteceu no sábado, quando Sastre aguardava a abertura dos portões do colégio Ferreira Master.
Um bandido, vestido com uma jaqueta preta, casualmente se aproximou e anunciou o assalto enquanto apontava um revólver calibre 38 para o grupo de mães aterrorizadas e crianças pequenas. . .
Puxando sua arma da polícia da bolsa, ela carrega a arma e reage com velocidade, avançando e disparando três vezes, atingindo o assaltante no peito e na perna enquanto ele tenta atirar de volta.
O homem armado cai para trás na faixa de pedestres e dispara dois tiros no processo ao atingir o solo. O primeiro ricocheteia no chão sem atingir ninguém, e o segundo emperra na arma.

O episódio destaca vários aspectos-chave de uma cosmovisão bíblica. Como discutimos em nosso documento de posição sobre o direito de portar armas, "A Bíblia sustenta o uso de força letal na preservação do lar e da vida (Êxodo 22:2-3; Provérbios 24: 10-12; Ester 8-9: Neemias 4 e João 15:13-14)".

Um dos princípios é a capacidade de discernir a natureza do crime. Êxodo 22:2–3 diz que durante uma invasão à noite, no escuro, a força letal pode ser usada sem culpa. A suposição aqui é que, no escuro, você não pode dizer se um ladrão está desarmado ou não, ou se está tentando ferir ou simplesmente roubar. Você deve agir com base na suposição de que o dano letal é uma possibilidade, e você pode atirar para matar sem questionar.

Se o sol surgiu, no entanto, temos alguma capacidade de discernir de forma diferente. À luz do dia, você pode ver se o ladrão é também uma ameaça à vida ou não. Se ele está apenas saindo pela sua porta com a sua TV, você não tem permissão para atirar nele pelas costas. Este tipo de princípio está escrito na maioria das leis de força letal.

Também discutimos como "Jesus ensinou que os criminosos perdem a vida por meio de crimes violentos (Mateus 26:52)". Esse versículo vem no contexto em que Pedro tira uma espada e corta a orelha do servo do sumo sacerdote. Jesus responde: "Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão". O princípio aqui é que, à luz do dia, se alguém brandir uma arma letal, eles se anunciam como uma ameaça à vida pelo próprio ato. No progresso de um crime, certamente, eles se identificam como um legítimo sujeito de defesa letal. Você desenha a espada, você pode morrer pela espada. Esse é o mesmo princípio anunciado em Êxodo 22:2–3, aplicado apenas a ações em plena luz do dia.

É por essa razão que a Bíblia também sanciona a idéia básica por trás de suas leis básicas.

Isso é exatamente o que vemos no exemplo em São Paulo. Um homem tenta cometer um roubo com uma arma abertamente empunhada. Nesse ato, ele imediatamente se declarou uma ameaça letal à vida. Assim, ele também se declara um alvo legítimo de defesa letal.

O governador de São Paulo homenageou a sra. Sastre como heroína na TV nacional.

A parte triste perdida em tudo isso é que esse ato heróico só poderia ocorrer por causa das raras circunstâncias, em que a Sra. Sastre é uma policial de folga, armada, no lugar certo e na hora certa. Sendo um policial, o governo permite que ela carregue uma arma. Cidadãos comuns não podem.

Em São Paulo, como em muitos lugares, carregar uma arma é ilegal para a grande maioria dos cidadãos. Eles podem solicitar uma licença, mas precisam comprovar a necessidade de transporte. Atualmente, a "auto-defesa" não é considerada uma razão válida para o transporte e, portanto, a grande maioria não é apenas negada, mas o governo federal brasileiro usa essa e outras desculpas como base para confiscar as armas existentes conforme a vontade do governo.

Em uma sociedade piedosa, pessoas inocentes não ficariam à mercê da chance aleatória de que um policial de folga estivesse preparado em cena. Todo cidadão capaz tem o direito de portar armas para a defesa da vida e a prevenção de tais crimes violentos como este. Este é um direito dado por Deus. Uma sociedade piedosa reconhecerá isso. É uma sociedade perversa que nega, e assim o governo, seus agentes propensos e apoiadores têm culpa de sangue em suas mãos.

A Sra. Sastre merece ser chamada de heroína por suas ações. Justiça igual e proteção igual para todos exige que todo cidadão tenha a mesma oportunidade de defender a vida quando as poucas Sra. Sastres do mundo não estiverem por perto. A lei e o governo devem se submeter a Deus e reconhecer o direito de todos os cidadãos de portar armas.

Os estudantes de teologia,  líderes e cristãos brasileiros precisam estudar a doutrina bíblica do direito à vida e o direito de defendê-la com força até letal quando necessário. Então, eles precisam se juntar à luta por esses direitos até que eles sejam garantidos.

Traduzido livremente de:


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sexta-feira, 11 de maio de 2018

Compreendendo o Sábado Cristão (por Mark R. Rushdoony)


“Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus.”

(Hebreus 4:9)


Nota: O "Sabbath" (sabá) é comumente confundido com "sábado", mas no idioma inglês é mais fácil de identificar a diferença.O Sábado (Saturday, em inglês) era no antigo testamento o Sabbath de cada semana, o dia semanal a ser separado. No entanto, o Sabbath não se resumia ao sábado, havendo outras festividades nas quais havia a ordem divina de ser guardado o Sabbath.Ou seja, seriam como os feriados aos quais estamos acostumados.O Sabbath era um dia de descanso (assim como os feriados sugerem), e que não necessariamente ocorriam aos sábados.Conforme o entendimento reformado, o Sabbath semanal dos cristãos é o Domingo e não mais o Sábado.


Um clichê comum é que os cristãos precisam ir “além da letra da lei”. A própria Escritura às vezes nos leva além da letra da lei para uma compreensão de seu significado. Jesus freqüentemente fez comentários sobre leis que eram observadas apenas externamente pelos líderes religiosos de seus dias. Além da condenação ao ato de adultério, por exemplo, nos é dito que entendemos a própria luxúria como uma forma de adultério (Mt 5:28). O clichê é muitas vezes mal utilizado, no entanto. Sugerir que devemos ir além da letra da lei é uma sugestão maléfica se olhar para um significado espiritualizado e místico que deprecia a obediência real à letra da lei em si. Muitas vezes, “ir além da letra da lei” é usado como um eufemismo para deixar a obediência para trás.
Eu pretendo que esses comentários sobre a observância do Sábado sejam considerados como expansão do significado de nossa observação do descanso sabático; eles não devem ser considerados como sugestão de que devemos abandoná-lo. Existem vários tipos de descanso sabático nas Escrituras, mas vou me concentrar no sábado semanal e em seu significado. Com muita frequência, as discussões sobre o descanso sabático concentram-se nas regras que se devem observar para não violar o dia por nossas ações. Eu acho que Paulo foi claro sobre não devermos julgar uns aos outros em tais coisas (Cl 2:16), então deixo essas questões para a consciência do leitor. Acredito que o que muitas vezes se perde nas discussões do dia de sábado é o motivo por que descansamos e qual deveria ser nosso entendimento autoconsciente do significado e implicação de nosso descanso.

Descanso sabático

O descanso mais negligenciado do sábado é o mencionado no terceiro e quarto capítulos de Hebreus. Essa passagem fala do fracasso dos israelitas nos dias de Moisés em entrar no lugar de descanso, que era Canaã. Esse fracasso foi causado por falta de fé (Hb 4:6), mas o destino deles era um lugar muito real, não um estado espiritual. Seu fracasso foi um ato de omissão em vez de comissão, uma recusa de avançar em termos do futuro que Deus prometeu a eles. Somos especificamente advertidos contra a falha semelhante em entrar em nosso descanso (Hebreus 4:1). Há muito mais aqui do que a observância das regras do Dia do Senhor ou um fracasso “espiritual”.

Deus sentenciou toda uma geração a morrer sem ver Suas futuras bênçãos. Seu pecado foi uma falha em agir em termos da certeza do futuro que Deus havia revelado a eles. Eles temiam os perigos de entrar em Canaã, então o julgamento de Deus foi para que essa geração se estagnasse. Seu pecado não foi uma violação de um dos Dez Mandamentos ou qualquer jurisprudência dada a Moisés, mas uma recusa em agir na expectativa de que cada promessa de Deus seja verdadeira.

Esse castigo foi para aquela geração no deserto e foi encerrado uns 1400 anos antes de Hebreus ser escrito. Como podem os cristãos, então, estarem sujeitos a um destino semelhante no primeiro século, para não mencionar hoje? Hebreus 4, no entanto, muito claramente conecta todos os cristãos a essa geração do deserto e nos adverte sobre repetir o pecado deles.

O que o descanso sabático representa?

O descanso sabático significa mais do que não trabalhar; é assim que nos dizem para observar o dia sagrado semanal. O “descanso” da entrada em Canaã na verdade inaugurou gerações de trabalho, mas o descanso que Canaã representava era uma realização de algo, um ponto escatológico. Hebreus 4:10 faz referência ao descanso de Deus, mas é importante que a cessação da criação de Deus (Gn 2) tenha sido dada no contexto de Sua conclusão da Criação. Deus havia terminado aquilo que Ele chamou de “muito bom”. Essa é a base histórica do descanso sabático mais referenciada pelos cristãos, mas há três eventos históricos dados como base para o descanso sabático nas Escrituras. Alguns se referem a estes como três sábados, mas todos são um, com três razões anexadas. Cada uma das três são obras completas de Deus, com a nossa observância do descanso sendo uma consciência autoconsciente de que tudo o que fazemos depende do que Deus já fez por nós.

A primeira menção ao sábado é Gênesis 2:1–3, repetida em Êxodo 20: 8–11. Um descanso foi ordenado para recordar o fato histórico de que Deus criou todas as coisas e as apresentou ao homem como seu lar e o local de seu trabalho.

A segunda razão para o descanso sabático referia-se ao êxodo do Egito, a salvação da escravidão por Deus. Depois que Moisés quebrou as primeiras tábuas de pedra, Deus deu outro conjunto, mas desta vez deu uma segunda razão para o descanso (Deut. 5:12-15). Esse descanso era relacionados à salvação de Deus, da escravidão para as bênçãos de uma terra que mana leite e mel. Mais uma vez a observância foi baseada em um evento histórico da mão de Deus e suas implicações para o futuro.

O terceiro evento histórico mencionado nas Escrituras como base para o descanso sabático é a vitória de Jesus Cristo (Hb 4). Sua entrada no descanso (v. 10) está associada àquela do descanso da criação de Deus (v. 10, cf. Gn 2:1–3) e o descanso no qual Josué liderou os israelitas quando eles entraram na terra (v. 8, note que a KJV diz “Jesus” mas essa é a forma grega de “Josué” e a referência dos versículos 7–8 é claramente aos dias de Josué.

O "sábado cristão" foi imediatamente transferido para o primeiro dia da semana. Esta não foi uma mudança arbitrária ou injustificada, mas representa exatamente o que Hebreus 4 expôs mais tarde, que "Portanto, resta ainda um repouso [a guarda do sábado] ao povo de Deus" (v. 9). Os discípulos reconheceram Jesus como o maior Josué e entenderam que seu descanso era agora em termos de Sua obra consumada. A libertação do pecado que Ele deu era muito maior do que a libertação da escravidão egípcia. O tipo foi substituído pela realidade.

A criação representou uma promessa da provisão de Deus para o homem. O êxodo foi Seu cenário do cenário para um futuro sob Sua lei. Os discípulos sabiam que Jesus havia estabelecido firmemente o Seu Reino dos Céus.

O significado do descanso sabático

Cada base histórica para o descanso sabático faz referência a uma obra acabada de Deus que estabeleceu Sua provisão para o homem. A cessação das atividades do homem em um dia que é separado dos outros seis significa que seu contexto de vida e obra está na provisão de Deus para ele.

O resto da criação foi uma cessação da atividade de criação. Nessa obra divina realizada por Deus o homem tem tal segurança na providência de Deus em que ele também pode descansar. Meu pai muitas vezes repetia uma frase em suas orações que expressa isso: “Tu cuidas de nós melhor do que cuidamos de nós mesmos”. A observância do sábado representa uma confiança atual e uma segurança futura em termos do cuidado providencial de Deus em Sua criação e de nós, Suas criaturas. .

Da mesma forma, o descanso baseado no êxodo era uma visão da salvação que relatava um milagre de Deus. Ele trouxe Israel da escravidão para um lugar de descanso em Canaã. O descanso semanal era então visto também em termos daquele ato divino realizado, mas também referenciava o seu futuro em Canaã com relação às promessas de Deus.

Além do vínculo especificado do sábado semanal com o êxodo, a Festa dos Tabernáculos (tendas) também comemorava essa ocasião pela construção de tendas ou cabanas durante uma celebração anual de uma semana. Não foi totalmente passado, no entanto. O ritual diário do templo era uma procissão festiva onde os sacerdotes reuniam água fora de Jerusalém e a levavam ao altar, onde tanto a água (representando a provisão de Deus para a vida) quanto o vinho (representando prosperidade) eram despejados na base do altar. A água referenciava várias passagens proféticas ainda obviamente orientadas para o futuro, incluindo a promessa de “águas vivas” que sairão de Jerusalém (Zacarias 14:8) e a visão de Ezequiel da água que fluía do altar e se tornaria um rio “que não podia seja atravessado”(Ezequiel 47:1-10, nota v.5). Jesus apareceu no templo no último dia da festa (João 7:37–53) provavelmente quando esta cerimônia foi concluída, e ofereceu toda a “água viva”, conectando assim a bênção do Seu Reino com as esperanças de Israel. A celebração da Festa dos Tabernáculos, embora baseada no êxodo histórico, representava uma expectativa presente e a certeza futura da bênção de Deus.

O sábado cristão inclui um terceiro evento histórico como base para descansar na obra consumada de Deus - a vitória consumada de Jesus Cristo. Sua expiação representa uma razão pela qual podemos descansar de nossos trabalhos e por que nosso futuro é certo.

Em todos os três contextos históricos, o sábado representa a segurança do homem em termos da obra acabada de Deus. Nosso trabalho pode fazer uma pausa pelas ordens de Deus, porque é uma resposta à nossa salvação e não a sua causa. A atividade da observância do sábado não é um cumprimento arbitrário das regras, mas nossa cessação do trabalho em uma consciência autoconsciente de que a obra salvadora de Deus é determinante, não a nossa. Nosso futuro é certo e nossos trabalhos são importantes porque Deus realmente se importa conosco melhor do que nós mesmos.

O trabalho do homem não salva, mas é ordenado como um ato de obediência. A geração “cujos cadáveres caíram no deserto” (Hb 3:17) falhou em obedecer, em avançar na confiança de que Deus cumpriria Suas promessas. Eles achavam que estavam sendo práticos, mas as Escrituras nos dizem que agiram em “incredulidade” (Hb 3:19). A questão em Hebreus 4 é essencialmente: “Você fará o mesmo? Você deixará de agir em termos do que Deus fez e prometeu ainda fazer?”

Os cristãos judeus aos quais Hebreus foi escrito estavam olhando para trás, não para frente. Eles não viram as implicações de quem Jesus era e o que isso significava para servir o Seu Reino. Como os israelitas no deserto, eles não estavam prontos para seguir em frente. Este texto é geralmente limitado a uma advertência contra a apostasia. É isso, mas é mais, ou a referência à geração no deserto seria pobre. Seu pecado específico é a inatividade, a incapacidade de avançar na confiança na promessa de Deus. Aplica-se a nós porque somos também chamados a seguir em frente, a agir em relação ao que Cristo fez.

Mesmo quando a geração do deserto falhou no teste, a promessa de Deus permaneceu para os filhos. A promessa estava lá, mas não lhes fez bem (Hb 4:2). As promessas de Deus eram certas desde a criação (Hb 4:3), mas elas não viam sua realização.

O sábado não deve ser reduzido a suas observâncias externas. Deve ser entendido em uma cosmovisão que reconhece a obra consumada de Deus. Nós descansamos nesse trabalho; nós celebramos isto, e nos levantamos outro dia refrescado para nos movermos para os Canaans deste mundo, espalhar a água viva do altar da expiação de Cristo até que a influência do Reino dele seja um rio que nenhum homem pode atravessar. Porque o nosso descanso final ainda permanece, nós nos levantamos do nosso descanso sabático semanal para buscar o Reino de Deus e Sua justiça.

Traduzido livremente de:
https://chalcedon.edu/magazine/understanding-sabbath-rest


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quarta-feira, 2 de maio de 2018

O custo cultural da regulagem econômica (por Andrew Sandlin)


Vivemos em meio a uma revolução econômica. O fato de que ela tem nos engolido apenas gradualmente não a torna menos revolucionária. É uma revolução moral do mesmo jeito. Economia é uma questão moral. Não é uma questão sobre a qual os cristãos podem simplesmente concordar em discordar. É incrível a forma como muitos cristãos se opõem ao aborto e ao “casamento” homossexual, mas rejeitam opor-se ao Obamacare e aos programas do estado de bem-estar social. Aparentemente, eles estão dispostos a defender o sexto mandamento (“Não matarás”) e o sétimo (“Não adulterarás”), mas não o oitavo (“Não furtarás”). O roubo não é de algum modo santificado somente porque é praticado pelo Estado ou pelo governo federal. Toda propriedade pertence, em última instância, a Deus, mas a Bíblia claramente exige a inviolabilidade da propriedade individual[1]. A tributação é legítima somente até o ponto em que ela financia o papel legítimo do governo. O problema hoje em dia, como se sabe, é que o governo tem ampliado consideravelmente seu papel e, portanto, extraído – quer dizer, roubado – dinheiro para sustentar-se.

Na medida em que nossa cultura se torna mais secular, ela se torna mais socialista. O socialismo é uma forma de providência secular. Quando já não confiamos mais que Deus nos supre, voltamo-nos para o Estado como a nossa divindade toda-suficiente[2]. É por isso que sociedades cada vez mais seculares são sempre sociedades cada vez mais socialistas, por mais que nossos amigos libertários seculares se ofendam com esse fato. A secularização da sociedade não produz a sociedade secular do livre-mercado imaginada por pessoas como Ayn Rand. Ela produz a sociedade socialista mais próxima a tipos como Karl Marx.

Mas há um custo moral da regulagem econômica não menos repulsivo do que o roubo estatal: a busca da utopia[3]. Os esquerdistas parecem sempre ocupados com a arrecadação fiscal coercitiva a fim de criar uma sociedade justa ou igual (de acordo com a definição deles, claro). Alguns cidadãos são muito ricos; outros, muito pobres, e a função do Estado é criar uma igualdade maior. Este é o princípio fundamental do marxismo ateu no qual até mesmo cristãos professos (como Jim Wallis e Sojourners) têm investido. É uma forma de regulagem econômica que a Bíblia proíbe. E ela tem custos, e com isso eu não me refiro principalmente ao custo para pessoas que dão duro e têm de entregar seu dinheiro suado ao governo para ser usado por burocratas elitistas. O problema é ainda mais profundo do que isso.

O livro de Angelo Codevilla, The Character of Nations, mostra que as leis e costumes de uma nação tendem a criar (ao longo do tempo) um tipo peculiar de cidadão. Ele demonstrou, apresentando fatos, que as pessoas na União Soviética, por exemplo, tinham aspirações, comportamento e hábitos diferentes dos americanos. Esta não é uma questão racial, mas cultural. As leis e costumes dos Estados Unidos incentivavam e desincentivavam formas de comportamento diferentes daquelas que os diversos tipos de leis faziam na União Soviética. A cultura soviética criou um tipo diferente de ser humano. Ao longo do tempo, o comportamento instilado por um governo fica enraizado em uma cultura.

A regulagem econômica nos Estados Unidos, hoje em dia, está criando, gradualmente, um novo tipo de indivíduo. Este indivíduo, desde sua infância, sente-se no direito a um certo estilo de vida, a um nível específico de educação e a uma qualidade especial de assistência médica. Em gerações anteriores, dentro de uma cultura cristã, entendia-se que esses prazeres de vida eram recompensas do investimento diligente e criterioso. Hoje, contudo, tais prazeres têm sido reduzidos a benefícios sociais; o trabalho duro e o investimento criterioso têm sido retirados da equação. Uma vez que a regulagem econômica cumpriu esses benefícios, por ora, de qualquer modo, os indivíduos passam a contar com ela. A regulagem econômica criou um novo tipo de indivíduo, alguém para quem a sabedoria, a inteligência, a gratificação adiada, o orgulho de ser proprietário e a preocupação com as gerações futuras são praticamente irrelevantes. E fácil culpar os jovens na casa dos vinte anos que se recusam a deixar a casa de seus pais e arranjar um trabalho para sustentarem-se, embora esperem TV a cabo, Internet e ingressos grátis para o mais novo show do Coldplay. Sim, eles possuem a sua parcela de responsabilidade. Mas maior parte da culpa deve ser lançada aos pés da nossa cultura e seu governo: a regulagem econômica está envolvida na criação desses jovens.

Sugiro, portanto, que o custo mais pernicioso da regulagem econômica não é a estagnação econômica, que é de fato opressiva, mas a estagnação ontológica - em outras palavras, essa política, ao longo do tempo, cria um tipo de indivíduo diferente e moralmente inferior.
Fonte original: Blog do P. Andrew Sandlin.
Tradução de Leonardo Bruno Galdino.

[1] John M. Frame, The Doctrine of the Christian Life (Phillipsburg, New Jersey: P & R Publishing, 2008), 797–798.

[2] P. Andrew Sandlin, Economic Atheism (Mount Hermon, California: Center for Cultural Leadership, 2011), 7–12.

[3] Thomas Molnar, Utopia, The Perennial Heresy (New York: Sheed & Ward, 1967).


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terça-feira, 24 de abril de 2018

Liberdade Religiosa (por R. J. Rushdoony)


Frequentemente a liberdade religiosa é vista pelos historiadores como uma finalidade beneficente na história, por meio da qual os vários estados na Europa cessaram de perseguir protestantes ou católicos. Destarte, a intolerância deu lugar à tolerância. Há, superficialmente, uma medida limitada de verdade nisso. Após 1660, na Europa, a intolerância religiosa começou a declinar. Já por volta de 1598, com o Édito de Nantes, a França concedeu liberdade religiosa aos huguenotes após muito derramamento de sangue. A Polônia também chegou a uma situação semelhante sem os mesmos conflitos. 

Contudo, a falácia nessa visão popular do crescimento da sabedoria em forma de tolerância é que esta tolerância não se baseou numa crença na liberdade, mas numa indiferença crescente ao cristianismo. Em lugar da igreja, o Estado tornou-se, então, central à vida, silenciando, pois, as dissidências com relação a si mesmo. O mundo ocidental se encontrava num processo de transposição de seus fundamentos intelectuais do cristianismo para o humanismo, e, como resultado, o espaço da intolerância também mudou. Não há tolerância, por exemplo, nas escolas estatais e nas universidades para criacionistas confessos, e a perseguição e eliminação destes são justificadas na base do “aprendizado sadio”. Em países marxistas, que são os mais consistentemente humanistas, esse tipo de dissidência aberta conduz a campos de trabalho forçado. 

A tolerância e o establishment  permanecem, portanto, com seu controle. E, ao mesmo tempo, quanto mais importante o Estado se torna, mais insignificante e subserviente se torna a igreja estabelecida. 

As colônias americanas tiveram início com semi-establishments. Tecnicamente, a Igreja da Inglaterra possuía o direito de establishment  em todos eles. Na prática, cada colônia, ou em alguns casos as áreas dentro das colônias, possuíam seu próprio establishment, assentamento ou autonomia. Bridenbaugh, em sua obra Mitre and Sceptre [A Mitra e o Cetro], demonstrou que o receio de bispos serem enviados às colônias, com o dever de seguir um establishment rigoroso, contribuiu grandemente com a ruptura com a coroa e a Guerra de Independência. Essa ameaça levou a mais do que uma simples reconfiguração do tema nas colônias. Ao mesmo tempo, o líder batista Isaac Backus, muito se empenhou para desenvolver a doutrina da liberdade religiosa. A maior consequência disso foi a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos:  
O Congresso não poderá fazer nenhuma lei concernente ao estabelecimento de uma religião ou proibindo o seu livre exercício, restringindo a liberdade de palavra e da imprensa, ou o direito dos cidadãos de reunir-se pacificamente e de dirigir petições ao Governo para a reparação dos seus agravos. [1]

O clero das colônias apoiou vigorosamente essa Emenda. O padrão de tolerância do establishment também foi reconhecido como arriscado, embora tenha permanecido em Massachusetts por um tempo. Embora uma igreja estabelecida pudesse evidentemente ser poderosa, seria, ao mesmo tempo, subserviente ao Estado, na maior parte dos casos, se não em todos os casosHavia ainda dois outros problemas graves comum a igreja estabelecida: era tanto uma igreja sem voz quanto uma igreja mais facilmente corrompida. Na maior parte da história dos Estados Unidos, a Primeira Emenda e sua restrição foi aplicável somente ao Governo Federal, e não aos estados. Nos anos recentes, valendo-se da Décima Quarta Emenda como justificativa, a Suprema Corte dos Estados Unidos, em nome da “não promoção de establishments”, pôs abaixo coisas como as orações nas escolas públicas. A Primeira Emenda, em si mesma, possui apenas duas ênfases. A primeira: é vedado o establishment de uma religião. Para os redatores da Constituição, isso significava a proibição de establishment de uma igreja, ou de um padrão doutrinário específico (tal como o calvinismo ou arminianismo). Visto que não havia outras religiões cuja relevância fosse considerável, o que estava em mente era a exclusão da possibilidade de qualquer igreja se tornar a igreja federalmente estabelecida. 

Quando o Internal Revenue Service[2] arroga, como o faz hoje, o poder de determinar qual grupo religioso será isento da taxação, ele está estabelecendo uma igreja ou religião. Até pouco tempo atrás, uma igreja era uma igreja porque simplesmente era, e não porque o Internal Revenue Service assim dizia!

Em segundo lugar, o Congresso, bem como o Governo Federal, estão impedidos de qualquer interferência para com o livre exercício da religião. Essa provisão especifica que liberdade pertence à igreja e a todas as suas formas de livre exercícios, nas sociedades com fins religiosos, exercícios públicos e afins. 

Visto que a Constituição foi projetada para ser um documento somente de poderes explícitos, todos os poderes que não são nela especificamente concedidos foram, portanto, barrados ao Governo Federal. Os redatores, portanto, não viram necessidade para a Primeira Emenda. Um governo federal limitado não possui qualquer jurisdição sobre a esfera das igrejas. Contudo, a comoção em prol de uma garantia explícita das áreas de imunidade em relação ao controle estatal foi tão forte que a Declaração de Direitos de 1689 [Bill of Rights] foi lavrada. 

Alguns estudiosos acreditam que teria sido melhor que a Declaração de Diretos jamais tivesse sido exarada, visto que a doutrina dos poderes explícitos significaria apenas que o Governo Federal não possui jurisdição exceto onde especificado pela Constituição. Entretanto, a Constituição não dá poderes ao Governo Federal no tocante à educação, medicina, bem-estar econômico, e vários outras coisas - todos os campos que o Governo Federal invadiu. Nenhuma lei é salvaguarda suficiente contra uma mudança de fé e caráter. 

Todo sistema jurídico é uma sanção e um establishment da religião. A lei inescapavelmente moral: ela estabelece ideias ou conceitos daquilo que é mal e proibido, e daquilo que é bom e permitido. A lei reflete, pois, uma biocosmovisão religiosa. Mudar natureza de um sistema jurídico significa alterar as religiões. Por sua própria natureza, alei não pode ser moralmente neutra, visto que condena certas formas de comportamento e protege outras. Ora, os redatores da Constituição estavam cientes desse fato, já que alei estatutária era, então, incomum, quando comparada com a common law

A common law, conforme assinalou Rosenstock-Huessy, “não reivindica uma origem nacional, antes, era o dote do batismo cristão”. A common law incluía alguns elementos da lei romana, no entanto, era, em essência, a lei bíblica e eclesiástica. Quando nos debruçamos para a jovem república, damo-nos conta de que a common law teve esse sentido. Mesmo Thomas Jefferson reconheceu tal fato. “No princípio de que o cristianismo era parte da common law, ‘Jefferson viu a transposição desse aforismo das costas inglesas para as americanas como se fosse o transplante das sementes do establishment”. Precisamente. Jefferson desejou não um fundamento bíblico, mas, sim, um fundamento iluminista. Algum tipo de establishment  é inevitável. 

No nível da Suprema Corte dos Estados Unidos nos seus primeiros anos, o juiz Joseph Story foi enfático ao dizer que o cristianismo e a common law eram os fundamentos da União, da liberdade e da ordem social. Story enxergou no ataque de Jefferson ao lugar do cristianismo como parte da common law como indicativo da deslealdade para com a União e uma posição intelectualmente insustentável. É preciso lembrar que Story foi um líder unitarianista, politicamente um democrata e um liberal moderado, e não um defensor da antiga ortodoxia. Na Inglaterra, em 1676, o juiz Matthew Hale resumiu a questão da common law da seguinte maneira: “A religião cristã é uma parte da própria lei”. Kent, em sua obra Commentaries on American Law [Comentários Sobre a Lei Americana], falou eloquentemente da common law como o tecido da vida. Ele citou as comoventes palavras de De Ponceau: 
Vivemos no meio da common law, inalamo-la a cada inspiração, assimilamo-la em cada um de nossos poros; deparamos com ela ao acordarmos e ao deitarmo-nos para dormir, quando viajamos e quando permanecemos em casa; e está entrelaçada no próprio idioma que falamos; e não podemos aprender outro sistema jurídico sem aprender, ao mesmo tempo, outra língua. 

Devido à natureza religiosa da lei e sociedade, homens como Story eram capazes de aceitar e defender uma separação institucional da igreja e Estado, embora reconhecessem, nas palavras de Mc Clellan, que “no fundo, igreja e Estado estão sempre unidos; sua separação total é impossível”. Não se deve dar preferência a nenhuma “seita” ou denominação em particular, Story dizia, porém, que a neutralidade com relação à religião é impossível. O cristianismo, acreditava o juiz, deveria ser apoiado pelo Estado, não com fundos, nem por meio da subjugação da consciência do indivíduo, mas reconhecendo-o como o fundamento da lei e da ordem social. Leis contra blasfêmia, leis sabáticas e semelhantes eram para Story parte desse apoio estatal. Somente em 1947 e 1952 que a Suprema Corte dos Estados Unidos se moveu abertamente em prol de privar o cristianismo de seu status oficial e estabelecer o humanismo como o fundamento da lei americana.

Story, em seu livro Commentaries on the Constitution of the United States [Comentários sobre a Constituição dos Estados Unidos] (volume II, página 591, 2ª edição), sumarizou a questão deste modo, e as cortes concordaram com isto durante um século e meio: 
O real objeto da Primeira Emenda não foi tolerar, muito menos promover, o islamismo, ou o judaísmo, ou a infidelidade mediante subjugação do cristianismo; antes, foi excluir toda rivalidade entre os grupos cristãos, e prevenir qualquer establishment eclesiástico nacional que concederia a determinada hierarquia o patronato do governo nacional. Isto, portanto, rompe os meios de perseguição religiosa (o vício e peste das épocas anteriores), bem como a subversão dos direitos de consciência em questões de religião, sobre os quais tem-se insistido desde os dias dos apóstolos até a presente época. 

Cord cita outros três propósitos da Primeira Emenda. Primeiramente, estabeleceu-se uma limitação aos poderes do Governo Federal, negando-lhe a prerrogativa de estabelecer uma igreja ou religião nacional. Em segundo lugar, o foi barrada ao Governo Federal a invasão da liberdade de consciência. Em terceiro lugar, a Primeira Emenda deixou a relação da igreja e Estado sob o controle dos estados individuais. Esta última restrição tanto reconheceu a questão dentro da jurisdição dos estados quanto, ao mesmo tempo, deu liberdade aos establishments locais e/ou disposições existentes nos vários estados. 

Deve-se notar que o livre exercício da religião foi interpretado pelas cortes, ao longo de várias gerações, com base no cristianismo da common law. O caso Reynolds vs. Estados Unidos lidou com a poligamia mórmon; Reynold sentiu que seus direitos garantidos pela Primeira Emenda foram violados com a proibição da poligamia. A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu contra Reynolds. Ela percebeu que, virtualmente, todos os crimes são, em algum lugar, praticados por determinado grupo religioso. Dentre os aspectos de algumas religiões estão ou estiveram o sacrifício humano, canibalismo, prostituição ritual, bestialidade, assassinato, homossexualismo e outros. A liberdade absoluta de consciência e de prática religiosa destruiria toda ordem jurídica e social, impossibilitando, pois, o governo civil. Tal visão da liberdade religiosa, afirmou o Chefe de Justiça Morrison Waite (1879), “com efeito, permitiria todos os cidadãos a se tornarem uma lei para si mesmos. Sob essas circunstâncias, o governo poderia existir somente nominalmente”.

Podemos, pois, dizer que a liberdade religiosa se encontra dentro do contexto de uma religião e tradição moral particulares. A liberdade de religião absoluta significa a licença total de praticar todo tipo de crime e perversão. Uma estrutura jurídica incorpora um código moral e uma religião implícita. A liberdade que essa estrutura legal fornece se encontra dentro dos limites dessa religião: ela não pode permitir práticas que são criminosas com base em seus pressupostos. 

Contudo, a colonização americana não permite que qualquer igreja em particular receba status privilegiado por parte do Governo Federal, nem que algum tipo particular de teologia seja preferido. O cristianismo de common law  significa que a estrutura jurídica do condado seja bíblica, não budista, nem islâmica, nem demais religiões. A questão é simplesmente: qual religião fundamentará a lei e a sociedade?



Notas:
[2] Trata-se do serviço de receita do governo federal dos Estados Unidos, que, semelhante à Receita Federal no Brasil, é responsável pela tributação e coleta de impostos (Nota do Tradutor).


Extraído do livro "Cristianismo e Estado" (Editora Monergismo), cujo conteúdo está disponível em PDF em: https://chalcedon.edu/resources/books/cristianismo-e-estado.
A primeira versão desse livo foi publicada em 1986, no Estado da Califórnia.


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