sexta-feira, 15 de março de 2019

Dia da Escola – há algo a ser comemorado? (por dra. Inez A. Borges)


As famílias, de modo geral, têm sido acusadas de estarem transferindo para a escola a responsabilidade pela educação dos filhos. Isso é verdade?

Diante dessa pergunta, quase ouço um coro universal respondendo, em uníssono: "claro que é verdade"! As crianças são deixadas nas creches cada vez mais cedo e as mães desejam que a escola seja de tempo integral. Muitas mães reclamam por causa das férias, pois não sabem o que fazer com seus próprios filhos neste "período terrível". Mas, continua o coro implacável, a terceirização não é apenas em relação à escola. Quando os pais viajam em férias, aqueles que podem, procuram hotéis nos quais sejam disponibilizadas atividades para as crianças, com recreacionistas treinados para cuidar dos filhos dos ouros durante todo o dia.

Nas festas de aniversário e nos eventos como Feira do Automóvel e outras similares, há também o "criançódromo", ou seja, o lugar onde deixar os filhos para que os pais disponham do seu tempo da maneira que desejarem, entregando seus filhos para profissionais totalmente desconhecidos.
Bem, estes são os fatos e, contra os fatos, não há argumento. Ou será que há? Será que há alguma possibilidade de argumentar em favor da família e dizer que não é bem assim?

Na comemoração deste "Dia da Escola", eu desejo, pelo menos fazer uma tentativa de argumentar em favor das famílias. Já que não é possível negar o fato de que as crianças não são mais educadas pelos pais, resta-nos perguntar o que veio primeiro: o ovo ou a galinha?

Esse dilema ovo-galinha consiste em saber se as escolas precisam assumir a responsabilidade da educação porque os pais a abandonaram ou se os pais "abandonaram" a educação dos filhos porque o Estado usurpou deles não apenas a responsabilidade, mas também o direito à educação dos filhos.

A Linha do Tempo da educação pública mostra que a segunda opção é a correta. Os governantes foram, gradativamente, assumindo para si a tarefa de "educar", visando formar "cidadãos", ou seja, peças de uma engrenagem social na qual a família e o indivíduo desaparecem, restando apenas os coletivos.

Não dá para falar disso sem recorrer à História. Nos países de tradição cristã reformada, ensinar as crianças a ler e escrever era parte fundamental da teologia do sacerdócio universal. Se cada cristão é um sacerdote, se o único mediador entre o homem e Deus é o Senhor Jesus Cristo, então, todo cristão tinha o dever de aprender a ler para ler por si mesmo as sagradas Escrituras.

Nas colônias norte-americanas havia a clareza de que, além de ler as Escrituras Sagradas, cada cristão deveria ser capaz de ler a Constituição de seu país, o qual, naquele tempo era a própria Colônia na qual vivia. Nessas Colônias, em graus diferenciados conforme variava a teologia, as leis civis e eclesiásticas estavam muito intimamente relacionadas.

Neste tempo, família e igreja eram as instâncias responsáveis pela educação total da criança, incluindo formação intelectual, física, moral e espiritual.

Mas, na Alemanha, final do século XVIII, surge a Pedagogia científica, ou seja, a ideia de que agora há uma "ciência do educar" e que o Estado é o único capaz de definir quem está habilitado para exercer tão grandiosa tarefa, além de decidir também quais são os métodos e conteúdos necessários para a formação de todos os cidadãos.

Neste contexto da escola pública e "laica", a família foi perdendo seu lugar. A escola passou a ser compulsória. Os pais passam a ser forçados pela lei a matricular seus filhos nas escolas, não importando o quanto estavam preparados para educarem, eles mesmos, as suas crianças. Nessas escolas, os pais são cada vez menos ouvidos. Afinal, existe uma autoridade sacrossanta por trás do professor e do diretor escolar. As reuniões escolares também se tornam massificadas

. Afinal, o professor tem a verdade sobre cada criança.

No início da década de 1840, Horace Man, um norte-americano aparentemente bem-intencionado, vai à Alemanha aprender sobre este movimento da escola pública. Ao retornar aos Estados Unidos, funda, em Massachusetts, o primeiro Conselho Estadual de Educação. Poucos anos depois, é criada neste mesmo Estado a primeira Associação de Professores que, mais tarde se tornaria a NEA – National Education Association (Associação Nacional de Educadores). Em meados do século XX, os membros do NEA estão entre os idealizadores da Unesco – órgão da ONU para a educação e cultura.

AS FAMÍLIAS FORAM PROGRESSIVAMENTE RESTRINGIDAS E ATÉ PROIBIDAS DE EXERCER SEU DIREITO DE EDUCAR OS FILHOS
No ideário desta monumental associação, está bem clara a intenção de trabalhar para que, por meio da Educação, as nações abram mão de sua soberania, em favor de um governo mundial.

Embora explicitado em poucas linhas, o que estou tentando dizer é que as famílias foram progressivamente restringidas e até proibidas de exercer seu direito de educar os filhos.

Muitas famílias que hoje não têm condições intelectuais, morais e espirituais para educar suas crianças precisam ser alvos de misericórdia, visto que são formadas por pessoas que também não foram educadas em casa. Milhares de crianças são deixadas nas creches desde os primeiros meses de vida. Dentre estas, a imensa maioria é constituída por filhos de pais e mães que também foram para creches quando ainda bebês. As famílias de hoje são produto de famílias que receberam maior influência da escola pública do que de seus familiares ou de suas denominações religiosas.

Considerando biblicamente, o papel da educação dos filhos é prioritariamente dos pais. Moisés entregou ao povo, ainda no Deserto, um currículo educacional. Tratava-se de um currículo para uma nação, mas cabia aos pais serem instruídos nas leis, estatutos e na história da formação e desenvolvimento da nação. Conhecedores destes fatos básicos (o que evidentemente incluía a leitura e a escrita) os pais eram os responsáveis por educar os filhos "assentados em casa, andando pelo caminho, ao deitar e ao levantar". Os pais deveriam "escrever nos umbrais da porta" [Deuteronômio capítulos 4 a 6] e ter os textos escritos como frontal entre os olhos.

Essas são referências que levam autores como Thomas Ramson Giles a reconhecerem que os judeus constituem o primeiro povo a desenvolver alguma forma ou sistema educacional para toda a população, privilegiando a formação dos adultos em geral para que estes sejam os responsáveis pela educação das gerações seguintes.

Este é o modelo seguido também pelos cristãos, herdeiros, pelo menos em parte, da tradição educacional hebraica. Assim, primeiramente a família e depois a Igreja eram as instâncias de educação das crianças. Quase dois mil anos de Cristianismo formou pessoas de altíssima competência intelectual, moral e espiritual sem necessidade da escola Estatal.

AS FAMÍLIAS DE HOJE SÃO PRODUTO DE FAMÍLIAS QUE RECEBERAM MAIOR INFLUÊNCIA DA ESCOLA PÚBLICA DO QUE DE SEUS FAMILIARES OU DE SUAS DENOMINAÇÕES RELIGIOSAS.
Dizer que antes da escola pública as pessoas eram analfabetas é designar como analfabetas pessoas como Benjamim Franklin, Alexander Hamilton, Abgail Adams e a milhões de outras pessoas educadas em casa, as quais se tornavam capazes de exercer elevados cargos no cenário político sem ter sequer um diploma.

A obrigatoriedade da escola foi proposta pelos contemporâneos de Georg W. Friedrich Hegel, filósofo alemão contrário à divisão de poderes entre legislativo, executivo e judiciário, ou seja, defensor da forma totalitária de governo. A chamada educação democrática foi pensada desde o início para criar uma totalidade incapaz de pensar. Chega próximo do absurdo acreditar que educar é separar as crianças por idades, fazendo com que todas estejam literalmente "na mesma página", pensando igual, lendo igual (ou sendo igualmente privadas de oportunidades de desenvolver sua própria capacidade para ler ou para apurar quaisquer outros dotes individuais.

Esta escolarização obrigatória já completou duzentos anos. Demorou um pouco para chegar ao Brasil, mas, agora, as leis já obrigam os pais a entregarem seus filhos para serem domesticados pelo governo a partir dos 4 anos de idade.

O resultado está muito claro, embora seja politicamente incorreto apontá-lo. Atualmente, milhões de brasileiros estão desempregados e, ao mesmo tempo, em todos os setores há uma extrema dificuldade para preencher vagas para cargos que exijam um mínimo de capacidade de leitura e compreensão de textos. Em praticamente todos os ambientes têm caído muito a qualidade dos serviços prestados, em virtude da baixa qualificação dos candidatos. Analfabetos funcionais (pessoas com diplomas, mas que são incapazes de compreender o que leem) estão por toda parte.

Evidentemente, isso tem reflexos na família, na qualidade da educação que os pais podem oferecer às suas crianças. Mas, ninguém se dá ao trabalho de parar e pensar no quanto todo este caos já é resultado da própria escola, que vem piorando, com toda a ajuda internacional, já há dois séculos.

Quando todos estes fatores explodem em um ato de indescritível violência como o deste 13 de março, poucas pessoas consideram sobre a responsabilidade da própria escola pública e do sistema educacional como promotores da tragédia. É bom lembrar que a escola particular também é controlada pelo Estado.

A escola tem cumprido cabalmente seu papel, conforme preconizado pela Pedagogia Prussiana – formar a horda, formar a manada. Assim, será possível impor um governo totalitário e ninguém terá recursos intelectuais, morais e espirituais para reclamar. Quem tem dúvidas sobre a validade destas afirmações, procure as fontes citadas e leia, com muita atenção, o PNDH 3 e outros documentos nos quais são pautadas todas as políticas educacionais do país. É neste documento que está previsto, por exemplo, "realizar campanhas e ações educativas para desconstruir os estereótipos relativos às profissionais do sexo" (PNDH 3, Objetivo estratégico III, h).

Se é isso o que as crianças devem aprender na escola e se os pais podem ser presos se não enviarem seus filhos para estas instituições, já aos 4 anos de idade, como recriminar as famílias por não mais se responsabilizarem pela educação de seus filhos?


Inez A. Borges. Doutora em Ciências da Religião, mestre em Educação Cristã e graduada em Psicologia.  É fundadora e presidente da Associação Nacional de Defesa e Apoio aos Pais na Educação dos Filhos (Andapef). Atualmente faz parte do Corpo Docente do Seminário Martin Buccer e do Programa de Mestrado da FCU – Flórida Christian University, como professora convidada. Lecionou na Universidade Presbiteriana Mackenzie durante mais de dez anos. Foi diretora da Associação de Escolas Cristãs de Educação por Princípios (Aecep). Atua como Consultora Educacional e preletora em diferentes contextos educacionais.


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

"Olho por olho" ou "dar a outra face"??


Conforme mencionado em postagem anterior, a bíblia garante a autodefesa como direito a todo indivíduo. Porém, essa mesma Escritura nos traz ensinos que parecem opostos e até contraditórios a esse direito, quando fala em não nos vingarmos, não odiarmos nem nossos inimigos, em respondermos ao mal com o bem, etc. Mais extremos ainda são os casos de martírio, em que cristãos entregaram suas vidas sem resistência física, com alguns desses casos sendo relatados nas Escrituras e muitos (inúmeros) outros registrados na História da Igreja daquela época até hoje.
O contraste é evidente, mas será que há mesmo contradição?? Ou será que devemos escolher o que acharmos conveniente e ignorar o que a nosso ver contradiz a mensagem central da Escritura??
A proposta dessa postagem é tentar responder essas e outras questões subjacentes.



Dar a outra face contraria ou altera a Lei de DEUS??


Indo direto ao ponto, a argumentação em favor da legítima defesa parece contradizer tantos textos bíblicos que nos instruem a não praticarmos o mal ao nosso próximo. Tirando aqueles que rejeitam a bíblia como Palavra infalível de DEUS, ainda há os que o fazem mas perante esse contraste acabam buscando "saídas" perigosas e anti-bíblicas, como afirmar que no contexto do Antigo Testamento tudo funcionava de forma distinta do que vivemos a partir do Novo Testamento. Baseando-se nisso afirmam que a forma como DEUS trata a humanidade mudou ou muda conforme dispensações definidas por Ele, logo, o que antes era certo pode não ser mais e vice-versa.
Com isso, alguns acabam afirmando que no Antigo Testamento a Lei de DEUS vigorava e havia "tolerância zero", enquanto que a partir do Novo Testamento passamos a viver a "dispensação da Graça", em que supostamente a Lei foi totalmente abolida e, pela Graça, cabe a nós vivermos em amor baseados na redefinição que Cristo teria dado para a Lei e que gravou nos nossos corações
Os perigos desse tipo de pensamento são enormes...

Primeiramente, ela troca a segurança das Escrituras como padrão para nossa santificação pela "confiança" em nossos corações como fruto de nossa regeneração.
Por mais que de fato todo convertido tenha um coração regenerado, ele não é perfeito. Mais do que isso, continua imensamente enganoso (Jeremias 17:9), e portanto não há como ser a base para o julgamento.
"Sentir" que está certo não é o caminho. A Palavra de DEUS tem que ser nossa referência. Sola Scriptura.

Em segundo lugar, afirmar que Jesus corrige a Lei dada por DEUS seria torná-Lo de fato um transgressor ou blasfemo. Seria isso ou teríamos que pensar que DEUS atua de forma "esquizofrênica", que é sujeito ao tempo-espaço e os atos de Suas Criaturas ou que brinca com elas.

Vejamos por partes:



- Se Jesus surgisse dizendo que a Lei de Deus precisava ser corrigida, estaria contradizendo o Pai, que foi o autor que a entregou a Israel.


Quando lemos com cuidado Jesus corrigindo o que os judeus tinham como certo, notamos que Ele contrasta o que eles ouviram com o que Ele tinha a dizer. Porém, em nenhum momento Ele diz que aquilo que eles ouviram (e entendiam ser a correta interpretação da Lei) era o que de fato a Lei dizia.
Jesus em nenhum momento diz algo como "A Lei diz (...) mas eu vos digo". Ele afirma veementemente que não veio abolir a Lei e sim cumpri-la (Mateus 5:17). Não há qualquer palavra sobre correção da Lei.
Ou seja, o que eles ouviram e criam eram interpretações errôneas da Lei, da parte dos "doutores", que a pervertiam pelo próprio interesse da classe religiosa.

Certamente que a observação de parte da Lei cai por terra com a obra sacrificial de Cristo em prol de Seu povo (como o livro de Hebreus esclarece), mas nada referente aos princípios morais da Lei é alterado.

Caso pensássemos que Cristo estava alterando princípios da Lei em nome de DEUS (sendo DEUS), qual garantia teríamos de que isso não poderia ocorrer (ou já ocorreu) outras vezes?? Mais que isso, se DEUS mudasse de ideia com o passar do tempo então a segurança na Sua Palavra seria maculada.
E se fosse esse o caso (de Cristo mudando a Lei), não faria total sentido que os religiosos o acusassem?? Se eles já faziam o possível para tentar invalidar Sua autoridade, o fato dEle "tentar mudar" o que DEUS lhes disse não seria uma prova cabal das suas más intenções??
Enfim, os problemas seriam muitos...


Para um melhor entendimento quanto ao tema "Lei e Graça", recomendo o livro de mesmo nome de autoria do pastor Mauro Meister, pela editora Cultura Cristã. Nesse livro o pastor explica muito bem como a Graça não substitui a Lei, e "Lei É Graça", não havendo contradição entre ambas unidas.

Mas voltando ao tema do artigo, se não há mesmo (e não há) contradições entre os ensinos da Lei de DEUS e os ensinos de Cristo, como entender as passagens contrastantes já mencionadas??

Primeiramente, é necessário entender o que elas de fato dizem. Para isso, vamos analisar o trecho no chamado "Sermão do Monte" onde Cristo faz a comparação entre o conceitos de "olho por olho e dente por dente" e "dar a outra face":

Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente.
Eu, porém, vos digo que não resistais ao mau; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas. Dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes.
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo.
Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos. Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?
Sede vós pois perfeitos, como é perfeito o vosso Pai que está nos céus.

(Mateus 5:38-48 - grifos meus)
Nesse trecho, Jesus faz comparações entre o que eles ouviram e o que Ele tinha a lhes dizer. No primeiro caso, de fato, a Lei dada por DEUS instruía a prática do olho por olho e dente por dente:
Mas se houver morte, então darás vida por vida,Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé,Queimadura por queimadura, ferida por ferida, golpe por golpe.
(Êxodo 21:23-25)
Quebradura por quebradura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará.
(Levítico 24:20)
O teu olho não perdoará; vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.
(Deuteronômio 19:21)

Cada um desses textos possui um contexto específico, mas todos tem algo em comum: são instruções para legislação civil. Ou seja, tanto para a mulher grávida agredida, quanto para a pessoa que foi desfigurada por alguém, quanto para a testemunha que mente no julgamento, a pena civil aplicada deveria ser proporcional ao dano que eles causaram ou intentavam causar (no caso da falsa testemunha, a pena que seria do acusado era transferida para ela, caso comprovado que a acusação é falsa).
Voltando à expressão "Olho por olho, dente por dente", em todos os casos é aplicada para apontar para o princípio da proporcionalidade na aplicação da punição. Ou seja, não se deveria, por exemplo, punir com morte quem quebrou o dente de outro, nem se punir com algo inferior à morte aquele que cometeu homicídio. Trata-se portanto de instruções para aplicação da justiça civil.
Para uma explicação mais detalhada, recomendo a leitura:
O que Jesus corrige aqui não é essa aplicação civil (ou estaria contradizendo o conceito de justiça dado por DEUS) mas sim a perversão feita por eles, assumindo a vingança por conta própria. A bíblia condena em muitas passagens a vingança pessoal, mas afirma que cabe às autoridades serem ministras de DEUS para aplicação da justiça (Romanos 13:4). Logo, o que Cristo faz não é destruir o conceito de justiça e sim combater a vingança.
Mais que isso, Ele os instrui a revidar o mal com o bem.



Não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem. (Romanos 12:21)


Alguém poderia então sugerir que, se devemos revidar o mal com o bem, então a legítima defesa não seria aceitável pois estaríamos fazendo mal ao agressor para nos defendermos. Para responder isso, primeiro vale a pena observar os exemplos que o próprio Cristo dá nas instruções mencionadas anteriormente (Mateus 5:38-42) :
  • se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra;
  • ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa;
  • se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.
  • Repare que em nenhum desses casos há uma ação imediata do "inimigo" que coloca em risco a vida da pessoa. Existe menção à ofensa (bater na face direita), acusação e julgamento (pleitear contigo) e abuso de poder (obrigar a caminhar), e sobre tais coisas Cristo os ensina a reagir com mansidão ao invés de "comprar briga". Depois ainda os instrui sobre a aplicação da misericórdia de forma mais clara: "dá a quem te pedir, e não te desvies daquele que quiser que lhe emprestes."

    Uma prova de que Jesus estava corrigindo as tradições deles e não a Lei de Deus está na própria sequência do texto (Mateus 5:43-48), quando Ele diz: "Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos (...)". A Lei de DEUS não diz que inimigo deveria ser odiado, tratando-se obviamente de algo que os religiosos passaram a transmitir como Palavra de DEUS e não o sendo.
    Jesus então reforça ensinos já presentes no Antigo Testamento (Êxodo 23:4-5,9, Levítico 19:17-18, I Samuel 24:18Provérbios 25:21-22), e contrasta a mentira que eles ouviram sobre o ódio aos inimigos com o dever de amar os inimigos, bendizer os que nos maldizem, fazer bem aos que nos odeiam, e orar pelos que nos maltratam e nos perseguem. E como modelo para essa atitude, Cristo fala do amor de DEUS, que "faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos".

    Portanto, os ensinos de Cristo em nada contradizem o que a Lei de DEUS já dizia. A propósito, conforme eu já havia mencionado no texto "A bíblia me permite ter uma arma??", o princípio da autodefesa não vem desacompanhado do conceito de proporcionalidade e, portanto, haveria pena para quem reagisse com força letal contra quem não oferecesse risco real à vida.
    Então o que Cristo faz aqui não é aprimorar ou mudar o que a Lei já dizia, mas sim interpretá-la da forma correta, e lembrar a seus ouvintes que assim como DEUS é misericordioso eles também deveriam ser.

    Mas se existe um direito à autodefesa, por que muitos do povo de DEUS (incluindo profetas, apóstolos e o próprio Cristo) perderam suas vidas ao invés de reagirem contra as autoridades que os perseguiram??

    O martírio como testemunho

    “O martírio é o supremo testemunho prestado à verdade da fé; designa um testemunho que vai até a morte”.
    O parágrafo 2473 do Catecismo da Igreja) descreve muito bem o que representa o martírio.

    A palavra "mártir" vem do grego (μαρτυς), e originalmente significa "testemunha". O termo passa a ter seu sentido atrelado à morte justamente porque muitos do povo de DEUS tiveram suas vidas tomadas pelo testemunho insistente da Sua Palavra. A morte era uma consequência por não negarem a Verdade, mesmo perante torturas.

    As Escrituras apresentam alguns casos de martírio, que incluem o próprio sacrifício de Cristo - o martírio mais importante da História, os martírios de João Batista (decapitado por sua profissão de fé - Marcos 6:14-29), Estevão (que também menciona os profetas martirizados no passado - Atos 7) e Tiago (morto a mando de Herodes - Atos 12:1-2). 

    Em Hebreus 11:35-38 (grifos meus) lemos:
    Houve mulheres que, pela ressurreição, tiveram de volta os seus mortos. Alguns foram torturados e recusaram ser libertados, para poderem alcançar uma ressurreição superior.Outros enfrentaram zombaria e açoites, outros ainda foram acorrentados e colocados na prisão, apedrejados, serrados ao meio, postos à prova, mortos ao fio da espada. Andaram errantes, vestidos de pele de ovelhas e de cabras, necessitados, afligidos e maltratados.O mundo não era digno deles. Vagaram pelos desertos e montes, pelas cavernas e grutas.
    Esse capítulo é famoso por relacionar grandes "heróis da fé", e listar alguns de seus feitos. O trecho acima faz menção a ressurreições ocorridas no tempo do Antigo Testamento (1 Reis 17:22 eReis 4:36) e depois fala sobre muitos "anônimos", que sofreram na pele por serem testemunhas do Senhor em suas épocas.
    Apocalipse 6:11 e 7:9-14 ainda faz menção à visão de João quanto aos que "vieram da grande tribulação e lavaram as suas vestes e as branquearam no sangue do Cordeiro". No capítulo anterior lemos uma descrição ainda mais completa, revelando que além daquelas almas haveria mais outros mártires cujas almas viriam se juntar a elas:
    Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram.Eles clamavam em alta voz: "Até quando, ó Soberano santo e verdadeiro, esperarás para julgar os habitantes da terra e vingar o nosso sangue? "Então cada um deles recebeu uma veste branca, e foi-lhes dito que esperassem um pouco mais, até que se completasse o número dos seus conservos e irmãos, que deveriam ser mortos como eles.
    (Apocalipse 6:9-11  - grifos meus)
    Se considerarmos a História do povo de Deus, desde seu início até então, seria impossível tentarmos calcular o tamanho da multidão total vitimada por causa da fé. Até hoje essa perseguição que resulta em execuções ocorre em larga escala em alguns países, mas algo a ser considerado é que, apesar de haver tantos textos bíblicos falando sobre a perseguição como algo inevitável em algum grau. Por exemplo:
    "Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".
    (Mateus 5:11,12)
    Se vocês são insultados por causa do nome de Cristo, felizes são vocês, pois o Espírito da glória, o Espírito de Deus, repousa sobre vocês.Se algum de vocês sofre, que não seja como assassino, ladrão, criminoso ou como quem se intromete em negócios alheios.Contudo, se sofre como cristão, não se envergonhe, mas glorifique a Deus por meio desse nome.
    (1 Pedro 4:14-16
    Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte.
    (2 Coríntios 12:10)
    Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.
    (Mateus 10:28)
    Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará.
    (Mateus 10:39)

    Há mais e mais textos exaltando a perseverança nas tribulações e dando exemplos de personagens bíblicos que se tornaram modelos nessa prática. Além disso, pelas palavras de Cristo, fica claro que morrer pela Sua causa vale mais que viver O negando. E que devemos temer o nosso destino eterno muito mais que o fim da nossa vida terrena.
    Em outras palavras, é virtuoso e digno de honra (Romanos 13:7) perder a vida em nome do testemunho da Verdade, mas é um erro desperdiçar a vida visando os bens celestiais ou qualquer outra coisa. Lembrando que não tentar evitar tal situação é um sinal de desprezo ao valor da vida como dom de DEUS e, além disso, é permitir (e facilitar para) que uma injustiça seja praticada e que o pecado de homicídio seja imputado a quem aplicar a pena (até por isso Jesus e Estevão oraram pedindo que tal culpa não fosse imputada a seus algozes).


    Podemos fugir da perseguição??


    Mesmo que as chances de passarmos por perseguições sejam previstas, não há qualquer encorajamento para que busquemos essa condição. Podemos sim vir a sermos vítimas de perseguição extrema, devendo buscar forças em DEUS para lidar com isso, mas jamais perseguir "masoquistamente" essa realidade.

    Quando Cristo enviou os apóstolos para pregar aos judeus, lhes alertou:
    Eu os estou enviando como ovelhas entre lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e simples como as pombas.
    (Mateus 10:16)
    Posteriormente, o apóstolo Paulo escreveu algo semelhante:
    Como está escrito: "Por amor de ti enfrentamos a morte todos os dias; somos considerados como ovelhas destinadas ao matadouro".
    (Romanos 8:36)

    O que podemos entender é que há sim o risco iminente, quando aqueles que nos rodeiam odeiam o evangelho, mas não há sugestão para que abramos mão de nossas vidas se isso puder ser evitado.
    Na própria bíblia há exemplos claros de como o povo de DEUS fugia da perseguição física conforme seu alcance (Atos 8:1; 9:25, 30; 14:6; 17:10, 14). Há também a prova de que essa não é uma atitude covarde e sim a vontade de seu cabeça, Jesus Cristo; tanto por ordem direta (Mateus 10:23) como por exemplo próprio (Lucas 4,29-30; João 8,59). A fuga pode ser considerada então uma forma de autodefesa "passiva", ou seja, para evitar o pior a pessoa escapa para não ser atacada.

    Podemos "atacar" os perseguidores??

    Ainda assim, há situações em que a reação contra o mal pode ser ativa, em prol de um bem maior que a própria segurança. Isto é, quando terceiros oferecem riscos a inocentes, a legítima defesa do outro é um bem superior a poupar a vida do agressor.
    Por exemplo, durante a Segunda Guerra Mundial, Hitler comandava a Alemanha e gradativamente passava a dominar a Europa. Como parte seus atos desumanos, instituiu perseguição a certos grupos, a fim de reforçar a suposta supremacia ariana. Povos dominados passaram a ser aliados nessas práticas e todos (incluindo alemães) que discordavam da prática eram considerados traidores.
    Nesse contexto, um pastor luterano se destacou historicamente por participar ativamente de atentados contra o tirano Hitler. Seu nome era Dietrich Bonhoeffer.
    Diante da grande opressão nazista e da  covardia de muitos cristãos (que se aliaram ao tirano), Bonhoeffer fez parte de um movimento cristão de resistência a o Partido Nazista, chamado "Igreja Confessante", que insistia que:
    Jesus Cristo, e não homem algum ou o Estado, é o nosso único Salvador.
    Além do discurso, efetivamente lutaram para ocultar e salvar judeus das garras dos nazistas, e de fato tentaram matar o próprio Hitler, porém sem êxito.
    Pelas palavras de Bonhoeffer: "É melhor fazer um mal do que ser mau."

    Antes de prosseguir, é importante dizer que Bonhoeffer chegou ao extremo de atentar contra a vida de Hitler depois que as demais tentativas de impedi-lo por meios "não-letais" não tiveram resultados. Quero dizer, intencionar matar o tirano não foi a primeira, nem a segunda coisa que lhe veio em mente, mas sim a última alternativa.

    O grande dilema que aqui se apresenta é: "matar um tirano ou permitir que ele continue matando inocentes??" E se o bom senso nos levar a escolher a primeira opção, a próxima pergunta é: "para proteger inocentes é legítimo matar um tirano??"

    É importante ressaltar aqui que, não proteger inocentes (tendo isso ao alcance) é pecado:
    Erga a voz em favor dos que não podem defender-se, seja o defensor de todos os desamparados.
    (Provérbios 31:8)
    A omissão perante a injustiça é pecado. 
    Fato.

    Matar alguém é pecado. 
    Fato??

    Nem sempre... Conforme demonstrado na postagem anterior, uma pessoa é inocentada de pecado caso mate quem lhe oferece risco real de morte.

    No caso da omissão, é geralmente causada por comodismo e/ou covardia, logo não pode ser defendida. Dessa forma, se para impedir a opressão extrema for inevitável o extremo do assassinato do opressor, esse será um mal menor a ser escolhido. 
    Claro, lembrando sempre do princípio de proporcionalidade... Ninguém deve, por exemplo, pensar em matar seu chefe por não ser devidamente valorizado no trabalho. O extremo só deve ser cogitado (por exemplo, se esse chefe tentasse te matar) depois que todos meios legítimos de impedimento foram tentados ou não resolveriam.

    Dito tudo isso, por que muitos escolhem o martírio ao invés da legítima defesa??
    Por que os cristãos não reagem perante os que querem matar por causa da fé que professam??

    Bom, creio que possa existir muitas repostas, inclusive aquelas que são baseadas em motivações errôneas. Vimos que não devemos "caçar" o martírio, nem crer que através do mérito por essa obra receberemos recompensas celestiais, mas quais seriam as motivações corretas??

    Fatores a serem considerados:

    Primeiramente, é importante distinguir se o ataque motivado pela nossa profissão de fé vem de autoridades legalmente instituídas ou de "civis comuns". A distinção é importante considerando nosso dever de submissão às autoridades (enquanto isso não significar desobediência a DEUS) e a ausência de qualquer dever semelhante perante outras pessoas. Sendo assim, enquanto no caso de "não-autoridades" não há qualquer dever de rendição, perante a perseguição vinda de autoridades a não-rendição poderia se tornar motivo para calúnias, por exemplo. 
    Além disso, uma reação violenta poderia gerar a morte imediata pelo ataque dos perseguidores, enquanto que a rendição poderia dar mais tempo de vida, e com isso haver alguma esperança de escapar da punição final (seja por fuga, seja por reviravolta em um julgamento, etc.).

    Isso leva a um segundo fator a ser considerado, que é o da possibilidade de êxito na resistência. Da mesma forma que deve caber a uma pessoa a decisão sobre reagir ou não em uma situação de risco (por exemplo, tentar aproveitar uma chance para sacar uma arma e atirar em alguém que já lhe aponta uma arma ou apenas seguir ordens esperando que sua vida seja poupada), em uma situação em que é abordada por perseguidores ela pode "medir" quais chances tem de sobreviver caso se renda ou reaja. E lembrando sempre do princípio da proporcionalidade, a pessoa só poderia reagir letalmente se os ataques que sofresse fossem também visando sua morte.

    Por fim, lembrando do que significa a palavra "mártir" em sua origem, pode ser visto como uma grande chance de testemunho a rendição perante os perseguidores, ao invés da reação física ou armada. Lembrando aqui que, "rendição" se refere apenas a não atacar o agressor, mas a profissão de fé jamais deve ser negada.
    Perante a ameaça de morte, um cristão deve persistir na convicção do que crê, jamais negando sua fé em DEUS e em Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Desta forma, a pena para essa perseverança na Verdade pode ser a morte pelas mãos assassinas dos seus perseguidores, seja após a rendição física ou após alguma tentativa de se defender dos ataques.

    Entregar a vida na defesa da fé, tem o efeito negativo de não evitar a injustiça e a culpa de homicídio da parte dos assassinos, porém é uma forma extrema de reafirmar a certeza da ressurreição (I Coríntios 15) e que a gratidão e o amor a DEUS estão acima do amor à própria vida aqui neste mundo.
    Nisso se aplicam bem textos já mencionados, como Mateus 10:39: "Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará"
    . Ou Filipenses 1:20-21: "Aguardo ansiosamente e espero que em nada serei envergonhado. Pelo contrário, com toda a determinação de sempre, também agora Cristo será engrandecido em meu corpo, quer pela vida quer pela morte; porque para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro".

    O amor aos algozes, leva ao desejo de suas conversões.
    O reconhecimento da Graça de Deus sobre Seu povo, leva ao entendimento que antes todos nós éramos também inimigos de Deus e de Seus filhos. Portanto, se fomos resgatados, nossos algozes também o podem ser.
    Esse testemunho extremo pode ser um meio de graça para que a semente do evangelho seja plantada e germinada nesses corações.

    Neste caso, faz mais sentido que um cristão entregue sua vida caso a motivação dos agressores seja o ódio do evangelho do que a defenda ao custo de possíveis mortes de seus inimigos. Se a causa do ataque é o evangelho, justifica-se a não reação.

    Na minha opinião, essa entrega deve dizer respeito à própria vida, não a vida de terceiros. Não faz sentido, a meu ver, que o cristão apoie e não resista à tortura contra inocentes devido à causa, ao invés de fazer o possível para impedir. Mas no caso da outra vítima também estar aplicando seu desejo de entrega voluntária por essa causa, passa a fazer sentido o respeito a essa decisão.


    Que DEUS nos fortaleça e conceda sabedoria para que perante situações que exigem decisões difíceis possamos ser firmes e justos, conforme Sua Palavra nos ensina.


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    terça-feira, 29 de janeiro de 2019

    A bíblia me permite ter uma arma??


    Esse é um daqueles temas recorrentes e cheio de opiniões divergentes, das quais, infelizmente, muitas são de cristãos desinformados.
    Neste blog já postei algumas vezes sobre isso, mas nesta postagem em específico pretendo trazer respostas bíblicas para algumas objeções comuns e ressaltar alguns pontos levantados pelo pastor Douglas Wilson no seu artigo: Gun Ownership As Civic Virtue (Posse de Arma como Virtude Cívica).

    O titulo desse artigo é polêmico, e o autor inicia o texto justamente justificando essa afirmação, resumidamente afirmando que não ter uma arma não é um pecado, mas que tê-la e usá-la corretamente é uma virtude. Para maiores detalhes quanto a isso, sugiro a leitura do artigo (em inglês).

    Mas o que de fato me interessa nessa análise é tomar o que a Escritura nos diz sobre a posse de arma, e o autor nos ajuda quanto a isso, mostrando que os "desarmamentistas" erram em ao menos 3 aspectos ao tentarem assumirem que a Escritura os apoia. Segundo ele:
    Existem três argumentos básicos aqui. Há um erro teológico da parte daqueles que tirariam nossas armas de nós. Em segundo lugar, há um erro exegético - uma falha em ver que a Bíblia deixa explícito o espaço para autodefesa. E terceiro, a própria natureza nos ensina que a autodefesa é a prerrogativa de toda criatura.

    O erro teológico se refere à tentação constante de nos esquivarmos da responsabilidade, a ponto colocar a culpa de nossos pecados em objetos inanimados:
    Culpamos o álcool pela embriaguez, computadores pela pornografia, carros por um estilo de vida frenético, ouro pela avareza e as armas pelo crime. Mas as coisas não nos fazem pecar - o pecado procura ingredientes para acontecer, e sempre encontrará. Quando Caim assassinou seu irmão, não foi impedido pela ausência de armas. O material para pecar está sempre preparado ao alcance, e uma parte central do nosso pecado está apontando para longe de nós mesmos. Todo político que pede controle de armas é (em princípio) um herege pelagiano.
    Em segundo lugar, há as considerações exegéticas. Vejamos referências no Antigo e no Novo Testamentos. 


    No Antigo Testamento:

    Se o ladrão que for pego arrombando for ferido e morrer, quem o feriu não será culpado de homicídio,
    (Êxodo 22:2)
    Fica claro que, perante a Lei de Deus, o dono da casa deveria ser inocentado caso ferisse e matasse um invasor. No versículo seguinte, porém, encontramos uma condição:
    mas se isso acontecer depois do nascer do sol, será culpado de homicídio. Um ladrão terá que restituir o que roubou, mas se não tiver nada, será vendido para pagar o roubo.
    (Êxodo 22:3)
    Aqui percebemos que se o crime tiver ocorrido durante o dia, a pena era outra. O ladrão deveria restituir o que roubou (mesmo que tivesse que trabalhar à força para conseguir o valor total), mas se o dono da casa resolvesse matá-lo seria condenado por homicídio.

    Nesse caso, a menção ao sol não é um capricho, há alguns princípios a serem considerados e ao menos 2 interpretações:
    1) Lembrando que o contexto da lei envolve casas sem energia elétrica, o princípio aqui se refere à capacidade de identificar qual a intenção do agressor. Durante o dia, o dono da casa facilmente poderia ver o agressor e saber que tipo de risco ele fornecia (se estava armado e com que tipo de arma), logo, poderia escapar ou se defender à altura (e proporcionalmente), a ponto de neutralizar a ameaça. 
    2) Uma segunda interpretação diria respeito ao ataque do dono da casa não ser vingativo. A ideia aqui é que ele deveria ser absolvido caso atacasse o invasor enquanto este estava em ação (à noite) e não depois (saído o sol). Ou seja, o dono da casa não deveria ir atrás do invasor e matá-lo, pois o bandido não deveria ser condenado à morte e sim a restituir o que roubou.

    Acredito que as 2 interpretações são possíveis, e o mais importante é que o princípio ao direito à autodefesa é assegurado em ambas.

    Um outro texto ressaltando a naturalidade do direito à autodefesa é o capítulo 4 do livro de Neemias. Vale a pena replicá-lo aqui grifando alguns trechos:
    Quando Sambalate soube que estávamos reconstruindo o muro, ficou furioso. Ridicularizou os judeus e, na presença de seus compatriotas e dos poderosos de Samaria, disse:

    "O que aqueles frágeis judeus estão fazendo?
    Será que vão restaurar o seu muro?
    Irão oferecer sacrifícios?
    Irão terminar a obra num só dia?
    Será que vão conseguir ressuscitar pedras de construção
    daqueles montes de entulho e de pedras queimadas? "

    Tobias, o amonita, que estava ao seu lado, completou: 
    "Pois que construam! 
    Basta que uma raposa suba lá, 
    para que esse muro de pedras desabe! "

    Ouve-nos, ó Deus, pois estamos sendo desprezados. Faze cair sobre eles a zombaria. E sejam eles levados prisioneiros como despojo para outra terra. Não perdoes os seus pecados nem apagues as suas maldades, pois provocaram a tua ira diante dos construtores.

    Nesse meio tempo fomos reconstruindo o muro, até que em toda a sua extensão chegamos à metade da sua altura, pois o povo estava totalmente dedicado ao trabalho.

    Quando, porém, Sambalate, Tobias, os árabes, os amonitas e os homens de Asdode souberam que os reparos nos muros de Jerusalém tinham avançado e que as brechas estavam sendo fechadas, ficaram furiosos.
    Todos juntos planejaram atacar Jerusalém e causar confusão.
    Mas nós oramos ao nosso Deus e colocamos guardas de dia e de noite para proteger-nos deles. 
    Enquanto isso, o povo de Judá começou a dizer: 
    "Os trabalhadores já não têm mais forças e ainda há muito entulho. 
    Por nós mesmos não conseguiremos reconstruir o muro".

    E os nossos inimigos diziam: 
    "Antes que descubram qualquer coisa ou nos vejam, 
    estaremos bem ali no meio deles
    vamos matá-los e acabar com o trabalho deles".

    Os judeus que moravam perto deles dez vezes nos preveniram: 
    "Para onde quer que vocês se virarem, 
    saibam que seremos atacados de todos os lados".

    Por isso posicionei alguns do povo atrás dos pontos mais baixos do muro, nos lugares abertos, divididos por famílias, armados de espadas, lanças e arcos.

    Fiz uma rápida inspeção e imediatamente disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: 
    "Não tenham medo deles.
    Lembrem-se de que o Senhor é grande e temível,
    e lutem por seus irmãos,
    por seus filhos e por suas filhas,
    por suas mulheres e por suas casas".

    Quando os nossos inimigos descobriram que sabíamos de tudo e que Deus tinha frustrado a sua trama, todos nós voltamos para o muro, cada um para o seu trabalho.
    Daquele dia em diante, enquanto a metade dos meus homens fazia o trabalho, a outra metade permanecia armada de lanças, escudos, arcos e couraças. 

    Os oficiais davam apoio a todo o povo de Judáque estava construindo o muro. Aqueles que transportavam material faziam o trabalho com uma mão e com a outra seguravam uma armae cada um dos construtores trazia na cintura uma espada enquanto trabalhava; e comigo ficava um homem pronto para tocar a trombeta.

    Então eu disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: 

    "A obra é grande e extensa, e estamos separados, distantes uns dos outros, ao longo do muro. Do lugar de onde ouvirem o som da trombeta, juntem-se a nós ali. Nosso Deus lutará por nós! "

    Dessa maneira prosseguimos o trabalho com metade dos homens empunhando espadas, desde o raiar da alvorada até o cair da tarde.

    Naquela ocasião eu também disse ao povo: 

    "Cada um de vocês e o seu ajudante
    devem ficar à noite em Jerusalém,
    para que possam servir de guarda à noite
    e trabalhar durante o dia".

    Eu, os meus irmãos, os meus homens de confiança e os guardas que estavam comigo nem tirávamos a roupa, e cada um permanecia de arma na mão.
    O contexto deste texto é a reconstrução dos muros de Jerusalém. Apesar da permissão concedida pelo rei persa Artaxerxes, os judeus enfrentaram oposição contra seu trabalho e este capítulo ressalta a resolução e determinação deles em realizá-lo.

    A narrativa de Neemias nos mostra pontos interessantes, como a divisão da jornada dos homens entre os que trabalhavam ativamente na construção e os que serviam como guardas para os demais. Pelo texto podemos pensar em turnos, de homens voluntários, que tinham em mente a proteção de suas famílias e seus compatriotas.
    O conceito de autodefesa (e defesa de terceiros) é tão natural aqui, que eles portavam suas armas o tempo todo, preparados para contra-atacar. E mais que um direito, tinham isso como dever, pois eram os cabeças de suas famílias e portanto tinham que defendê-las.

    Lembrando ainda que estavam empenhados na construção dos muros, que também são para defesa. Desta forma, precisavam garantir a segurança em uma situação extrema com uso de armas de ataque para minimizarem os riscos com muros, que trariam mais proteção e reduziria essa necessidade de confronto direto.

    Outro ponto importantíssimo está no fato deles orarem a DEUS pedindo proteção, mas portarem armas.
    Alguns, hoje em dia, alegam que portar armas seria uma demonstração de falta de confiança em DEUS, porém este é um outro erro cometido por ingenuidade ou desfaçatez.
    Poderíamos inclusive discutir aqui sobre o contraste entre Soberania de Deus e responsabilidade humana, porém, resumindo pelo óbvio, o fato de Deus ser o Senhor da História, do Tempo e Sustentador de todas as coisas não elimina a responsabilidade humana em agir conforme o próprio Deus ordena.

    No Salmo 127 encontramos o contraste apresentado sem qualquer contradição. O primeiro versículo diz:
    Se não for o Senhor o construtor da casa, será inútil trabalhar na construção.
    Se não é o Senhor que vigia a cidade, será inútil a sentinela montar guarda.
    A ênfase aqui é a Soberania de Deus (como deve ser), demonstrando que qualquer obra humana em si só não é suficiente para determinar o fim do homem. Somente se Deus quiser, tais esforços terão o resultado desejado pelo homem.

    Porém, o próprio texto não condena a ação humana. Ele não diz que o fato de que tudo depende da vontade de Deus deve excluir a atuação humana em prol do bem do seu próximo e da preservação da vida. Logo, mesmo que não adiante trabalhar na construção da casa ou uma sentinela montar guarda para vigiar a cidade se DEUS não estiver à frente da construção ou vigiando, isso não torna a construção ou a guarda inúteis e sem sinal de desconfiança. É, ao contrário, sinal de prudência, também exigida nas Escrituras. (Provérbios 8:5; Provérbios 8:121 Crônicas 22:12).

    O capítulo 4 de Neemias (explicado acima) se aplica, portanto, perfeitamente ao conceito explicado nesse versículo do Salmo.

    Outro ponto que poderia ser bastante comentado tendo por base textos do Antigo Testamento é o do envolvimento do povo de Deus com guerras, mas o foco deste artigo não é este.
    Para mais informações e uma análise mais detalhada sobre esse ponto, sugiro a seguinte leitura:



    Mas e quanto ao Novo Testamento?

    Ele lhes disse: "Mas agora, se vocês têm bolsa, levem-na, e também o saco de viagem; e se não têm espada, vendam a sua capa e comprem uma.
    Está escrito: ‘E ele foi contado com os transgressores’; e eu lhes digo que isto precisa cumprir-se em mim. Sim, o que está escrito a meu respeito está para se cumprir".
    Os discípulos disseram: "Vê, Senhor, aqui estão duas espadas".
    "É o suficiente!", respondeu ele.
    (Lucas 22:36-38)
    Apesar das palavras de Cristo parecerem claras, existe a alegação de não há literalidade nelas. Alguns afirmam que Jesus estaria falando ironicamente, e subentende-se então que os ouvintes deveriam assimilar isso, porém faltam evidências dessa ironia. Soa como uma tentativa simplória de justificação da parte dos desarmamentistas, mas sem provas.
    Mesmo assumindo que Jesus quis dizer algo enigmático, ainda assim seria estranho considerar que seus discípulos já possuíam espadas e Ele não os censurou...

    E vale a pena considerar esse discurso lembrando que tempos atrás esses mesmo discípulos foram informados que não precisavam se preocupar com recursos para sua sobrevivência nas viagens, pois seriam supridos:
    Vão! Eu os estou enviando como cordeiros entre lobos.
    Não levem bolsa nem saco de viagem nem sandálias; e não saúdem ninguém pelo caminho.
    (Lucas 10:3,4)
    Esse trecho é parte da narrativa de Jesus enviando mais de 70 homens como missionários, e garantindo que seriam supridos, sem que precisassem levar mantimentos. Ele está claramente ligado ao texto mencionado antes (Lucas 22:36-30), como fica evidente se lermos também o versículo 35:
    Então Jesus lhes perguntou: "Quando eu os enviei sem bolsa, saco de viagem ou sandálias, faltou-lhes alguma coisa?" "Nada", responderam eles.Ele lhes disse: "Mas agora, se vocês têm bolsa, levem-na, e também o saco de viagem; e se não têm espada, vendam a sua capa e comprem uma.
    (Lucas 22:35,36 - grifos meus)
    Quando lemos o início do versículo 36 com um pouco de atenção, percebemos que há um contraste (mas) entre o que foi no passado e o que deveria ser feito naquele momento ou a partir dali (agora). E o versículo traz um comando justamente oposto ao do passado, acrescentando que adquirissem também espadas.

    Alguns ainda alegam dissimulada ou ingenuamente que o fato do "Reino de Deus não ser deste mundo" (João 18:36) e que "nossa luta não é contra carne e sangue" (Efésios 6:12) aponta para a autodefesa violenta com um pecado. Alguns vão além dizendo que não é pela força que o Reino de Deus é ampliado e com isso acabam pregando uma passividade perniciosa, que transformaria o povo de Deus em um refém masoquista dos ímpios. Porém, ao fazerem uma interpretação errônea desses textos, geram contradições com os textos já mencionados anteriormente.

    Evidentemente não é pela força física ou letal que a Igreja prevalece contra o inferno (Mateus 16:18), porém, um indivíduo se defender contra a violência não é um pecado. A luta espiritual real que vivenciamos não exclui as relações humanas e a necessidade de atitude perante os efeitos do pecado na sociedade.

    Além disso, em uma situação de ameaça às vidas de inocentes (terceiros), preservá-las é mais importante do que preservar a vida daquele(s) que fornecem tal ameaça. O texto anteriormente mencionado de Neemias mostra isso claramente. 
    Essa é a base para a autodefesa e a defesa de entes queridos. Não é apenas um direito, mas também um dever:
    Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente.
    (1 Timóteo 5:8)
    O texto acima engloba todo tipo de cuidado quanto às necessidades de familiares, logo, a própria vida deles precisa ser incluída. E a acusação contra a omissão nesse caso é pesada: "negou a fé e é pior que um descrente".


    As autoridades e instituições incumbidas para defesa do cidadão


    Dito tudo isso, outro ponto a ser pensado diz respeito a instituições incumbidas de proteger as pessoas de forma geral. É comum que pessoas digam que deve haver desarmamento civil porque é obrigação da polícia defender a população.
    Esse argumento é muito ruim, falhando em considerar que:


    1) O direito à autodefesa não deve ser retirado ou terceirizado À FORÇA;
    Esse é o principal ponto. O fato de haver uma instituição criada para tal fim não deve ser justificativa para que um direito natural de um indivíduo seja retirado.
    Uma pessoa pode livremente escolher abrir mão desse direito (tendo terceiros como seguranças, por exemplo), mas jamais deveria ser forçada a isso.


    2) Nenhuma instituição humana é onisciente, onipotente e onipresente;
    Devido ao péssimo entendimento de muitos quanto ao real papel das autoridades e governos, praticamente se atribui ao Estado o papel de DEUS. Ele deve nos conceder tudo que precisamos, afinal, pagamos nossos impostos...
    A partir desse entendimento errado, alguns acham que os indivíduos não precisam ter o direito à autodefesa assegurado pois é o Estado quem deve cumprir esse papel. Desprezam que, além praticarem uma espécie de idolatria infundada (e ingênua), estão cobrando que um grupo limitado de pessoas seja capaz de realizar atos que exigem plenitude de conhecimento, poder e presença. Algo logicamente impossível...
    Obviamente, pela polícia (ou qualquer instituição que exercesse tal papel) não possuir tais atributos, nenhum indivíduo pode supor que em qualquer situação ela poderá ajudá-lo imediatamente. E por muitas vezes o imediatismo ser necessário é, que mais uma vez o direito pessoal à autodefesa é reforçado.

    3) Uma instituição que monopoliza o direito à defesa tem portas abertas para oprimir os indefesos.
    "Ora, em toda a terra de Israel não se achava um só ferreiro; porque os filisteus tinham dito: Não façam os hebreus para si nem espada nem lança. Pelo que todos os israelitas tinham que descer aos filisteus para afiar cada um a sua relha, a sua enxada, o seu machado e o seu sacho. Tinham porém limas para os sachos, para as enxadas, para as forquilhas e para os machados, e para consertar as aguilhadas. Assim, no dia da peleja, não se achou nem espada nem lança na mão de todo o povo que estava com Saul e com Jônatas; acharam-se, porém, com Saul e com Jônatas seu filho." 
    (1 Samuel 13: 19-20).
    Quando os governantes políticos estão ansiosos para desarmar a população em geral, não é paranoia suspeitar que outras questões estão em jogo.
    - Douglas Wilson
    Creio que o texto bíblico não exija muita explicação, e o comentário de Douglas Wilson sintetiza isso. Mas se não for suficiente, lembremos os casos de desarmamento impostos por governantes na História Moderna, e quais foram os frutos disso...
    Quanto menos restrições (e portanto mais poder) se dá aos governantes, maior a chance dos cidadãos comuns serem oprimidos. Quanto menos recursos para a autodefesa tivermos, as chances de nos tornarmos vítimas aumenta.


    E como diz Douglas Wilson:
    Não é possível garantir o direito à autodefesa sem simultaneamente garantir os meios para a autodefesa.
    Em outras palavras, qual o efeito de se afirmar a existência desse direito e se proibir as formas possíveis de realizá-lo??


    As "armas de fogo" como aliadas e não vilãs

    Apesar de tantos exemplos bíblicos, alguém poderia alegar que nenhum deles se refere a "armas de fogo" e portanto não se aplicariam. Porém, isso é falso, pois o mesmo princípio da autodefesa (tão destacado) vale para o uso de qualquer tipo de arma.

    No livro "Armas, Defesa Pessoal e a Bìblia", o autor discorre bem sobre a possibilidade real de que praticamente qualquer objeto pode vir a se tornar uma arma nas mãos de alguém intencionado em agredir outrem. Logo, a autodefesa também se sustenta com o uso de objetos para esse fim.

    Se por um lado as armas de fogo tem seu poder letal ampliado pela maior praticidade para o seu usuário em comparação com armas que exigem curta distância ou maior emprego de força no manuseio, por outro lado isso favorece a vítima de agressão possibilitando que possa se defender melhor.
    Por exemplo: Se um homem invade uma casa e intenciona abusar sexualmente de uma mulher que está sozinha, ela terá chances muito melhores de se defender do agressor se portar um revólver do que um canivete.

    Desta forma, pode-se considerar que a vítima é favorecida com o acesso a esse tipo de arma.

    Por fim, o mau uso é algo que não pode ser efetivamente evitado, mas tirar o direito da autodefesa não é a solução para isso. O que deve ser feito é o que as Escrituras apontam, que é punir severamente aqueles que, devido ao mau uso, causaram danos a terceiros. A imperícia e a imprudência são agravantes na pena de um homicida, por exemplo. Desta forma, assim como deve haver garantia do direito natural à autodefesa é também preciso que se puna adequadamente aqueles que usam esse direito indevidamente, e ferem outros direitos de terceiros.

    CONCLUSÃO


    Ao contrário do que muitos acreditam ou distorcem (incluindo cristãos), a bíblia não proíbe a autodefesa. Conforme demonstrado, o direito era assegurado civilmente no Antigo Israel e confirmado por Cristo no Novo Testamento. E mais que um direito, pode ser visto como um dever quando se trata de proteger a vida de "próximos" perante ameaças de agressores.
    Confiar em Deus não exclui a prudência e a responsabilidade humana, do contrário até trancar a porta de casa seria sinal de incredulidade. Pelo contrário, o próprio Cristo diz perante o diabo que não devemos tentar ao nosso DEUS ().
    Portanto, jamais devemos desenvolver uma confiança idólatra em armas como se fossem a solução para a segurança pessoal ou de todos e esquecendo que é DEUS quem nos sustenta e nos guarda, mas tê-las para proteção não é sinal de falta de fé ou de amor ao próximo.

    Que ELE abra nossos olhos e corações para nos atermos à Sua Palavra e tão somente ela como fonte da Verdade.


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