quinta-feira, 21 de abril de 2011

Redenção Particular (Charles Haddon Spurgeon) - Parte 04 de 06



III. Em terceiro lugar, mediremos a grandeza da Redenção de Cristo PELO PREÇO QUE ELE PAGOU . É impossível para nós sabermos quão grandes foram os tormentos de nosso Salvador; mas, todavia, algum vislumbre deles nos dará uma pequena idéia da grandeza do preço que Ele pagou por nós. Oh Jesus, quem descreverá Tua agonia?

“Vinde a mim, vós todos os mananciais,
Habitai na minha cabeça e olhos; vinde, nuvens e chuva!
Minha aflição necessita de todas essas águas,
Que a natureza tem produzido em vós
Absorvei um rei para suprir meus olhos,
Meus olhos cansados de chorar, por demais secos para mim,
A menos que eles consigam novos condutos, novos suprimentos,
Para que se encham novamente, e com minha situação concordar”. 


Oh Jesus! Tu foste um sofredor desde teu nascimento, um homem de dores, experimentado nos sofrimentos. Teus sofrimentos caíram sobre Ti numa chuva perpétua, até a última temerosa hora de trevas. Então não numa chuva, mas numa nuvem, uma torrente, uma catarata de aflição, Tuas agonias se precipitaram sobre Ti. Vejo-O lá! É uma noite de geada e frio; mas Ele está no campo. É noite; Ele não dorme, mas está em oração. Ouvi Seus gemidos! Já houve algum homem que lutou como Ele luta? Ide e olhai em Sua face! Haveis visto alguma vez sobre um rosto mortal como o vosso, semelhante sofrimento que ali podeis contemplar? Ouça Suas próprias palavras: “A minha alma está cheia de tristeza até a morte”. Ele levanta: é agarrado e arrastado pelos traidores. Caminhemos ao lugar onde Ele havia estava em agonia. Oh Deus! O que é isto que nós vemos? O que é isto que mancha a terra? É sangue! De onde veio? Talvez de alguma que tenha se aberto de novo por Sua horrenda luta? Ah! Não. “O Seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até o chão”. Oh agonias que sobrepujam as palavras, que não bastam para descrever! Oh sofrimentos que não podem ser narrados em linguagem! Quão terríveis devem ter sido, a ponto de excitar a estrutura bendita do Salvador, e forçar um suor de sangue cair de todo Seu corpo? Este é o princípio; este é o começo da tragédia. Segui-O tristemente, tu igreja aflita, para dar testemunho d consumação. Ele é conduzido apressadamente através das ruas; é arrastado primeiro para um tribunal e então para outro; é arremessado e condenado ante o Sinédrio; Ele é escarnecido por Herodes; examinado por Pilatos. Suas sentença é pronunciada – “Crucifica-o!” E agora a tragédia chega ao seu momento culminante. Suas costas são expostas; Ele é amarrado à coluna Romana do suplicio; o azorrague sangrento levanta sulcos em Suas costas, e como por um rio de sangue Suas costas se avermelham – um manto carmesim que O proclama imperador da miséria. Ele é tomado por soldados; Seus olhos estão vedados, e então eles O esbofeteiam, e dizem: “Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?” Eles cospem sobre Seu rosto; tecem uma coroa de espinhos, e a espremem sobre sua têmpora; O vestiram com um manto de escarlate; ajoelhavam diante dEle e O zombavam. Ele permaneceu totalmente em silêncio; não respondeu uma só palavra. “Quando O injuriavam, não injuriava”, mas entregou-se Àquele a quem veio servir. E agora eles O tomam, e com muitas zombarias e desprezos O conduzem do palácio para as ruas apressadamente. Emagrecido pelos contínuos jejuns, e deprimido com a agonia de espírito, Ele tropeça sob o peso de Sua cruz. Filhas de Jerusalém! Ele desmaia em vossas ruas. Eles O levantam; colocam Sua cruz sobre os ombros de outro, e O empurram, talvez com a ponta da lança, até que finalmente Ele chegue ao monte da maldição. Soldados rudes O agarram, e O arremessam sobre Suas costas; o madeiro transversal é posto debaixo dEle; Seus braços são esticados para alcançar a distância necessária; os cravos são preparados; quatro martelos cravam num só momento as partes mais frágeis de Seu corpo; e ali está Ele sobre Seu lugar de execução, morrendo sobre Sua cruz. Todavia, não está terminado. A cruz é levantada pelos rudes soldados. Há um buraco preparado para ela. A cruz é solda bruscamente em seu lugar: eles enchem o lugar com terra, e ali ela permanece.
Mas vede os membros do Salvador, como tremem! Todos os seus ossos estão desconjuntados pelo golpe cruel da cruz contra o solo! Como Ele chora! Como suspira! Como geme! E ainda mais. Ouvi Seu último grito de agonia: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparastes?” Oh sol, não é de estranhar que feches teus olhos, e não contemples por mais tempo um ato tão cruel! Oh rochas, não é de estranhar que derretestes e romperam vossos corações com simpatia, quando vosso Criador morreu! Nunca alguém sofreu como este homem sofreu. Até mesmo a morte se enterneceu, e muitos do que estavam em seus túmulos levantaram e entraram na cidade. Isto, contudo, é apenas o sofrimento exterior. Creiam em mim, irmãos, o interno foi muitíssimo pior. O que nosso Salvador sofreu em Seu corpo não é nada comparado com o que Ele suportou em Sua alma. Não podeis imaginar, nem tenho palavras para ajudar-lhes, o que Ele suportou por dentro. Suponhamos por um momento – para repetir uma sentença que freqüentemente tenho usado – suponhamos um homem que tenha caído no Inferno – suponhamos que todos os seus tormentos eternos pudessem ser concentrados em uma hora; e então, suponhamos que ela possa ser multiplicada pelo número de salvos, que é um número que excede toda enumeração humana. Podeis imaginar agora qual a vasta agregação de miséria que haveria nos sofrimentos de todo o povo de Deus, se eles tivessem sido castigados por toda a eternidade? E recordai que Cristo teve que sofrer o equivalente a todos os infernos de todos os Seus redimidos. Eu não posso expressar este pensamento melhor do que com aquelas conhecidas palavras: parece como se o Inferno fosse posto em Seu copo; Ele o tomou, e, “Num tremendo gole de amor, Ele bebeu a condenação, deixando o copo seco”. Assim pois, não há nada restante de todos os sofrimentos e misérias do Inferno que o Seu povo deveria sofrer para sempre. Eu não digo que Ele sofreu nesta mesma proporção, mas que suportou um equivalente a tudo isto, e deu a Deus a satisfação por todos os pecados de todos de Seu povo, e conseqüentemente, levou um castigo equivalente a todos os castigos deles. Podeis agora sonhar, podeis imaginar a grande redenção de nosso Senhor Jesus Cristo?




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