Poucas declarações bíblicas parecem tão desconcertantes quando lidas isoladamente quanto a ordem registrada perto do fim do Apocalipse: “Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo santifique-se ainda”. À primeira vista, o texto poderia soar como uma autorização para que o pecador continue pecando ou como se Deus tivesse desistido de chamar os homens ao arrependimento.
Não é isso que a passagem ensina. Apocalipse 22:11 emprega uma linguagem profética e judicial. A Palavra de Deus é revelada, o tempo do cumprimento se aproxima e as respostas humanas tornam-se cada vez mais evidentes. Os que insistem na rebelião manifestam e aprofundam sua impureza; os que pertencem a Cristo são chamados a perseverar na justiça e a avançar em santidade.
O texto não elimina a oferta do evangelho. Poucos versículos depois, o mesmo capítulo declara: “O Espírito e a noiva dizem: Vem!”. A água da vida continua sendo oferecida gratuitamente. A advertência de endurecimento e o convite da graça aparecem lado a lado porque a revelação de Deus não deixa o homem numa neutralidade confortável.
O que Apocalipse 22:11 realmente diz?
“Quem é injusto faça injustiça ainda; e quem está sujo suje-se ainda; e quem é justo faça justiça ainda; e quem é santo santifique-se ainda.”
O versículo apresenta quatro descrições distribuídas em dois grupos. De um lado estão o injusto e o impuro; do outro, o justo e o santo. Cada condição espiritual manifesta-se numa direção de vida.
O injusto continua produzindo injustiça. O impuro continua aprofundando sua impureza. Em contraste, o justo continua praticando justiça e o santo prossegue em santificação.
Isso não significa que algumas pessoas tenham sido criadas moralmente impuras e outras naturalmente santas. A Escritura ensina que todos os homens caíram em Adão e dependem da graça de Deus. A diferença está na união com Cristo. Quem permanece fora dele continua sob o domínio do pecado; quem foi justificado e separado para Deus passa a produzir frutos correspondentes à nova vida.
Justificação e santificação não são a mesma coisa
A linguagem do versículo é especialmente significativa dentro da teologia reformada. O texto fala do justo praticando justiça e do santo sendo santificado. Isso corresponde à distinção bíblica entre justificação e santificação.
Na justificação, Deus declara justo o pecador que crê em Cristo. Essa declaração não se baseia nas obras do homem, mas na justiça de Cristo imputada ao crente. Na santificação, o Espírito Santo transforma progressivamente aquele que já foi recebido por Deus.
O cristão não pratica justiça para comprar sua aceitação. Ele pratica justiça porque foi aceito em Cristo. Da mesma forma, ele não se santifica por força autônoma, mas deve agir, obedecer e mortificar o pecado porque Deus opera nele tanto o querer quanto o realizar.
“Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”
A santificação é obra da graça, mas não produz passividade. O santo deve santificar-se ainda. Sempre haverá pecados a mortificar, virtudes a cultivar, erros a abandonar e áreas da vida a submeter ao senhorio de Cristo.
Uma ordem que funciona como sentença
As palavras dirigidas ao injusto e ao impuro não constituem aprovação moral. Deus não está dizendo que o pecado se tornou legítimo. A expressão possui o peso de uma entrega judicial:
Se alguém, mesmo diante da revelação, insiste em rejeitar a verdade, continuará então no caminho escolhido — mas esse caminho conduz ao juízo.
A Escritura apresenta outras ocasiões em que o juízo de Deus assume a forma de entregar o pecador às consequências de seus próprios desejos. Em Romanos 1, aqueles que trocaram a verdade de Deus pela mentira foram entregues às suas paixões e a uma disposição mental reprovável.
“Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si.”
Deus não aprova aquilo que condena. Ele julga o pecador permitindo que a rebelião desejada produza seus frutos. A retirada de restrições, o endurecimento e a progressão do pecado podem ser formas reais de julgamento histórico.
O paralelo com Daniel
Apocalipse 22 retoma a linguagem do livro de Daniel. Daniel recebeu a ordem de selar determinadas palavras até o tempo estabelecido. João, por outro lado, recebe a ordem contrária:
“Não seles as palavras da profecia deste livro, porque o tempo está próximo.”
Logo depois, aparece a declaração sobre o injusto, o impuro, o justo e o santo. A sequência se aproxima de Daniel 12:
“Muitos serão purificados, embranquecidos e provados; mas os perversos procederão perversamente, e nenhum deles entenderá, mas os sábios entenderão.”
Daniel não ordenava que os perversos pecassem. Ele anunciava que a crise revelaria duas direções espirituais. Alguns seriam purificados; outros continuariam agindo perversamente. Apocalipse emprega a mesma lógica: a revelação aberta produz purificação nos santos e exposição nos rebeldes.
A Palavra de Deus não deixa ninguém neutro
O Apocalipse não foi escrito para satisfazer curiosidade sobre acontecimentos distantes, mas para ser lido, ouvido e obedecido pelas igrejas. Sua mensagem consolava os fiéis, denunciava compromissos com a idolatria e advertia perseguidores e apóstatas.
A mesma verdade não produz o mesmo efeito em todos. Para alguns, torna-se instrumento de arrependimento, fé e perseverança. Para outros, expõe uma resistência já existente e pode acompanhar um endurecimento ainda maior.
“Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem. Para com estes, cheiro de morte para morte; para com aqueles, aroma de vida para vida.”
O defeito não está na Palavra. O coração natural é inimigo de Deus. Sem a ação regeneradora do Espírito, nem mesmo sinais de julgamento garantem arrependimento.
O próprio Apocalipse descreve homens atingidos por juízos que, em vez de se humilharem, blasfemaram e não se arrependeram. O sofrimento, por si só, não converte. A conversão verdadeira depende da graça eficaz de Deus.
Isso não contradiz o chamado ao arrependimento
A interpretação de Apocalipse 22:11 deve considerar o convite que aparece no mesmo capítulo:
“O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.”
O mesmo livro que anuncia o endurecimento dos rebeldes continua oferecendo a água da vida. Portanto, o versículo 11 não representa o encerramento indiscriminado da possibilidade de arrependimento.
As duas mensagens são complementares. Ao sedento, o evangelho diz: venha. Ao homem que insiste em conservar seus ídolos, a profecia adverte: continue então no caminho escolhido, sabendo que o Juiz vem para retribuir a cada um segundo suas obras.
“E eis que venho sem demora, e comigo está o galardão que tenho para retribuir a cada um segundo as suas obras.”
A proximidade entre os versículos 11 e 12 mostra que a continuidade no pecado não é autorização sem consequências. É uma progressão em direção ao juízo.
O chamado é universal; a resposta depende da graça
A teologia reformada preserva duas verdades ao mesmo tempo. Primeiro, todos os homens têm o dever de arrepender-se e crer no evangelho. Segundo, ninguém possui em si mesmo a capacidade espiritual de abandonar a rebelião e vir corretamente a Cristo.
A oferta do evangelho é sincera. Todo aquele que vem a Cristo será recebido. Contudo, a fé salvadora não nasce da autonomia da vontade caída. Deus precisa remover o coração de pedra, conceder vida e atrair eficazmente o pecador.
Por isso, a doutrina da eleição não autoriza a Igreja a selecionar previamente quem merece ouvir. A Igreja não conhece os decretos secretos de Deus. Ela deve anunciar o evangelho a todos, sabendo que o Espírito usará a Palavra para chamar eficazmente os eleitos.
A perspectiva preterista
Uma leitura preterista parcial leva a sério as expressões temporais do próprio livro:
“Bem-aventurados aqueles que leem e aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.”
Apocalipse 22:10 repete que o tempo estava próximo e, por isso, a profecia não deveria ser selada. A mensagem dizia respeito a acontecimentos relevantes para os primeiros leitores e para as igrejas da Ásia.
O preterismo parcial compreende grande parte dos juízos do livro em relação à crise do primeiro século: o julgamento da ordem judaica perseguidora, o conflito com o poder imperial e a vindicação histórica da Igreja de Cristo.
Isso não significa que todas as profecias bíblicas tenham sido esgotadas naquele período. O preterismo parcial preserva a futura segunda vinda corporal de Cristo, a ressurreição geral e o juízo final. Ele se distingue, portanto, do preterismo completo.
Nesse contexto, Apocalipse 22:11 advertia pessoas reais diante de uma crise próxima. Os cristãos deveriam perseverar em santidade, enquanto os inimigos do evangelho, ao rejeitarem as advertências, avançariam em sua apostasia até que o juízo manifestasse publicamente sua condição.
O juízo histórico manifesta o coração
As crises não criam do nada a fidelidade ou a impiedade. Elas revelam e aprofundam tendências espirituais. Sob pressão, alguns abandonam compromissos superficiais e mostram a quem pertencem; outros são purificados e aprendem a depender ainda mais de Deus.
O Apocalipse foi escrito para que a Igreja não interpretasse a perseguição como derrota de Cristo. O Cordeiro reina, abre os selos, governa a história e julga os poderes que perseguem seu povo.
Quando uma ordem rebelde amadurece em sua iniquidade, Deus pode entregá-la às consequências de seus pecados e removê-la por julgamento. Ao mesmo tempo, ele chama indivíduos para saírem do sistema condenado.
“Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos.”
A certeza do juízo não elimina a evangelização. Torna o chamado mais urgente.
A perspectiva pós-milenista
Alguns interpretam Apocalipse 22:11 como se o versículo estabelecesse uma lei histórica segundo a qual os santos ficariam cada vez mais santos enquanto o mundo inteiro se tornaria inevitavelmente mais perverso até a volta de Cristo.
O texto não afirma isso. Ele descreve a polarização produzida pela revelação e pelo juízo. Não ensina que o número, a influência e o poder social dos perversos crescerão de maneira irreversível em todas as épocas.
O pós-milenismo reconhece períodos de apostasia, perseguição, decadência e julgamento. O que ele rejeita é a ideia de que o fracasso histórico do evangelho seja o resultado inevitável da Grande Comissão.
“Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações.”
Cristo não enviou a Igreja apenas para retirar alguns indivíduos de uma civilização destinada a uma degradação ininterrupta. Ele ordenou o discipulado das nações e prometeu permanecer com seus discípulos todos os dias.
A esperança pós-milenista não se baseia numa suposta bondade natural do homem. Baseia-se no poder do Espírito Santo para regenerar pecadores, na autoridade presente de Cristo e na eficácia da Palavra.
O evangelho muda as categorias
Apocalipse 22:11 não apresenta dois grupos humanos naturalmente imutáveis. O evangelho transforma injustos em justos e impuros em santos.
“Tais fostes alguns de vós; mas vós vos lavastes, mas fostes santificados, mas fostes justificados em o nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.”
Essa é uma das afirmações mais fortes contra a ideia de que o versículo autorize a Igreja a abandonar os pecadores. Os impuros podem ser lavados. Os injustos podem ser justificados. Os inimigos podem ser reconciliados com Deus.
O pós-milenismo espera que esse poder do evangelho alcance multidões, povos e nações ao longo da história. A expansão do Reino não acontece porque a humanidade melhora sozinha, mas porque Cristo conquista seus inimigos transformando-os em súditos voluntários.
O endurecimento não é a última palavra da história
O texto reconhece que homens e sociedades podem persistir no pecado até o julgamento. Entretanto, não ensina que toda a humanidade caminhará coletivamente nessa direção até a consumação.
Deus pode derrubar sistemas perseguidores, limitar poderes idólatras, purificar sua Igreja e abrir novas oportunidades para a pregação. Os juízos históricos de Cristo não são sinais de impotência do Reino, mas manifestações de seu governo.
A história bíblica não é uma linha de progresso automático. É o campo no qual Cristo reina, derrota adversários, disciplina povos, salva pecadores e faz sua Palavra avançar em meio a conflitos reais.
“Quem é santo santifique-se ainda”
A parte positiva do versículo merece atenção especial. O cristão não pode tratar a santidade como condição estática. Enquanto viver neste mundo, deverá continuar crescendo.
Santificar-se mais significa mortificar pecados, ordenar os afetos, corrigir pensamentos, crescer em amor, aprender domínio próprio, buscar justiça e viver de maneira coerente com a identidade recebida em Cristo.
Isso exclui dois erros. O primeiro é o perfeccionismo, que imagina ser possível alcançar nesta vida um estado completamente livre do pecado. O segundo é a acomodação, que usa a permanência do pecado como desculpa para não combatê-lo.
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente.”
A graça que perdoa também educa. O mesmo Cristo que justifica conduz seu povo em santificação.
Santidade não é fuga do mundo
A santidade bíblica não se limita a uma experiência interior. Ela alcança família, trabalho, culto, educação, cultura, economia, justiça e vida pública. O cristão é separado para Deus a fim de servi-lo em todas as áreas da existência.
Na perspectiva pós-milenista, o crescimento da santidade individual também produz consequências históricas. Famílias transformadas formam novas gerações. Igrejas fiéis ensinam povos. Governantes convertidos devem administrar com justiça. Comunidades alcançadas pelo evangelho abandonam práticas destrutivas e aprendem a ordenar a vida segundo a Palavra.
Isso não elimina completamente o pecado antes da volta de Cristo, mas demonstra que a santificação possui frutos visíveis e sociais.
O perigo da falsa neutralidade
Apocalipse 22:11 destrói a ideia de que alguém possa ouvir continuamente a Palavra e permanecer espiritualmente inalterado.
Cada advertência desprezada fortalece hábitos de incredulidade. Cada pecado racionalizado facilita a racionalização seguinte. O homem que insiste em chamar o mal de bem pode chegar ao ponto de celebrar aquilo que antes lhe causaria vergonha.
Da mesma forma, a obediência produzida pela graça fortalece o cristão. A perseverança gera maturidade. A provação purifica a fé. A Palavra recebida com mansidão renova a mente.
Isso não significa que todo cristão progrida de maneira visível e uniforme todos os dias, nem que todo incrédulo se torne exteriormente pior sem qualquer oscilação. O texto apresenta direções espirituais fundamentais.
O santo pode tropeçar, mas é corrigido e restaurado. O perverso pode praticar atos externamente respeitáveis, mas, enquanto rejeita a Deus, suas obras não podem reconciliá-lo com o Criador.
A eleição não encerra a missão
A Igreja não sabe antecipadamente quem continuará endurecido e quem será alcançado pela graça. A eleição divina não é uma lista entregue aos pregadores para que escolham quem deve ouvir.
Ao contrário, a eleição garante que a missão não será inútil. Cristo possui um povo e o chamará por meio da pregação. Por isso, o evangelho deve ser anunciado indiscriminadamente.
“Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora.”
O mesmo Deus que determina o fim também determina os meios. Ele salva os eleitos por meio da Palavra, do testemunho da Igreja e da ação do Espírito Santo.
Uma advertência para a Igreja
A passagem não deve ser aplicada apenas aos incrédulos. Ela também confronta a Igreja visível. Igrejas podem acomodar pecados, tolerar falsas doutrinas, substituir fidelidade por prestígio e tornar-se semelhantes aos sistemas que deveriam denunciar.
O Apocalipse foi inicialmente enviado a igrejas que enfrentavam tentações concretas. Algumas perseveravam; outras haviam perdido o primeiro amor, toleravam imoralidade, tinham fama de estar vivas embora estivessem mortas ou haviam se tornado mornas.
O chamado “quem é santo santifique-se ainda” impede que a Igreja confunda identidade confessional com maturidade automática. Uma igreja reformada também precisa continuar sendo reformada pela Palavra de Deus.
Uma advertência para as sociedades
Povos também podem amadurecer moralmente em determinadas direções. Quando a mentira é institucionalizada, o mal recebe proteção jurídica e a perversidade é ensinada como virtude, a sociedade não permanece parada. Ela educa seus membros para aprofundar a rebelião.
Entretanto, o evangelho também pode reorientar culturas. A pregação pode produzir arrependimento coletivo, reforma de instituições, restauração de famílias e abandono de práticas injustas.
O pós-milenismo não promete um processo simples, sem conflitos ou retrocessos. Ele espera a vitória histórica do evangelho porque Cristo possui toda autoridade e porque o Espírito pode transformar aquilo que parece humanamente irrecuperável.
A graça convida enquanto Cristo julga
O encerramento do Apocalipse mantém juntas realidades que frequentemente são separadas. Cristo é o Cordeiro que oferece a água da vida e o Rei que vem julgar. A graça não elimina a justiça. O juízo não torna falsa a oferta da graça.
A Igreja deve proclamar ambas as mensagens. Ela não pode anunciar um perdão sem arrependimento, nem um juízo sem apresentar o Salvador.
Aos sedentos, ela diz: venham. Aos endurecidos, adverte: o caminho escolhido possui consequências. Aos santos, ordena: perseverem. Aos povos, proclama: o Cordeiro reina e todas as nações lhe pertencem.
Conclusão
“Quem está sujo, suje-se ainda” não é uma autorização para pecar. É uma declaração judicial sobre o endurecimento daqueles que persistem na rebelião mesmo depois de confrontados pela revelação de Deus.
A profecia aberta produz separação. Os injustos que rejeitam a verdade avançam na injustiça; os santos, sustentados pela graça, prosseguem na justiça e na santificação.
Isso não contradiz o chamado ao arrependimento, porque o mesmo capítulo oferece gratuitamente a água da vida. Enquanto o evangelho é anunciado, injustos podem ser justificados, impuros podem ser lavados e inimigos podem ser reconciliados com Deus.
Também não contradiz o pós-milenismo. O versículo não ensina que o mundo inteiro ficará inevitavelmente mais perverso até a volta de Cristo. Ele mostra que a Palavra manifesta e aprofunda direções espirituais. O evangelho, porém, possui poder para mudar essas direções, transformar pecadores e discipular nações.
A leitura preterista recorda que a advertência tinha relevância urgente para os primeiros leitores e para os juízos que se aproximavam no primeiro século. A leitura reformada explica que a resposta salvadora depende da graça soberana. A esperança pós-milenista confessa que essa mesma graça não fracassará historicamente, mas produzirá ampla vitória do Reino de Cristo.
“O Espírito e a noiva dizem: Vem! Aquele que ouve diga: Vem! Aquele que tem sede venha, e quem quiser receba de graça a água da vida.”
A pergunta final não é se devemos permitir que os impuros continuem impuros. A Igreja deve continuar chamando todos ao arrependimento.
A pergunta é o que a Palavra de Deus está produzindo em nós. Estamos usando o tempo da misericórdia para justificar nossos pecados ou para mortificá-los? Estamos endurecendo o coração ou prosseguindo em santidade? Estamos nos conformando à Babilônia ou seguindo o Cordeiro?
O Espírito e a noiva ainda dizem: “Vem”. Quem tem sede, venha. E quem foi santificado, santifique-se ainda.
Notas
1 CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, capítulo XIII, “Da Santificação”. Texto da OPC.
2 CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER, capítulo XV, “Do Arrependimento para a Vida”. Texto da OPC.
3 CALVINO, João. Comentário sobre Apocalipse 22. A tradição reformada interpreta o texto em conexão com perseverança, juízo e manifestação do caráter moral.
4 HENRY, Matthew. Commentary on the Whole Bible: Revelation 22. Texto digital.
5 LIGONIER MINISTRIES. The Unsealed Book. Texto.
6 GENTRY JR., Kenneth L. Before Jerusalem Fell: Dating the Book of Revelation. American Vision, edição revisada.
7 BOETTNER, Loraine. The Millennium. Presbyterian and Reformed Publishing, 1957.
Fontes e referências
BÍBLIA SAGRADA. Referências principais: Daniel 12:4–10; Mateus 13:31–33; Mateus 28:18–20; João 6:37; Romanos 1:18–32; 1 Coríntios 6:9–11; 2 Coríntios 2:14–16; Filipenses 2:12–13; Tito 2:11–14; Apocalipse 1:1–3; Apocalipse 2–3; Apocalipse 9:20–21; Apocalipse 16:9–11; Apocalipse 18:4; Apocalipse 22:10–17.
BOETTNER, Loraine. The Millennium. Philadelphia: Presbyterian and Reformed Publishing, 1957.
CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER. Capítulos III, XIII, XIV, XV e XVII.
GENTRY JR., Kenneth L. Before Jerusalem Fell: Dating the Book of Revelation.
HENRY, Matthew. Commentary on the Whole Bible. Comentário de Apocalipse 22.
LIGONIER MINISTRIES. The Unsealed Book.
SPURGEON, Charles H. Sermões e exposições sobre perseverança, santificação e o convite do evangelho.