quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Milênio

AULA DE EBD: 31 de janeiro de 2010


Textos-base:

Mateus 24:1-31 I Tessalonicenses 4:13-18
Mateus 25:31-46 I Tessalonicenses 5:1-11
João 5:19-29


Introdução

O capítulo 20 de Apocalipse é o texto básico para o início do estudo sobre o milênio, e gera pelo menos 3 correntes diferentes de pensamentos, as quais estudaremos.


Amilenismo

O amilenismo, é realmente a mais simples. Segundo essa posição, a passagem de Apocalipse 20.1-10 descreve a presente era da igreja. Trata-se de uma era em que a influência de Satanás sobre as nações sofre grande redução de modo que o evangelho pode ser pregado por todo o mundo. Aqueles que reinam com Cristo por mil anos são os cristãos que morreram e já estão reinando com Cristo no céu. O reino de Cristo no milênio, segundo esse ponto de vista, não é um reino físico aqui na terra, mas sim o reino celestial sobre o qual ele falou ao declarar: "Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra" (Mt 28.18).


Pós-Milenismo


O prefixo pós significa "depois". Segundo esse ponto de vista, Cristo voltará após o milênio. Segundo esse ponto de vista, o avanço do evangelho e o crescimento da igreja se acentuarão de forma gradativa, de tal modo que uma proporção cada vez maior da população mundial se tornará cristã. Como conseqüência, haverá influências cristãs significativas na sociedade, esta funcionará mais e mais de acordo com os padrões de Deus e gradualmente virá uma "era milenar" de paz e justiça sobre a terra. Esse "milênio" durará um longo período (não necessariamente de mil anos literais) e, por fim, ao final desse período, Cristo voltará à terra, crentes e incrédulos serão ressuscitados, ocorrerá o juízo final e haverá um novo céu e uma nova terra. Entraremos então no estado eterno.


Pré-Milenismo

a. Pré-milenismo clássico ou histórico. O prefixo "pré" significa "antes" e a posição pré-milenista diz que Cristo irá voltar antes do milênio. Esse ponto de vista é defendido desde os primeiros séculos do cristianismo. Segundo esse ponto de vista, a presente era da igreja continuará até que, com a proximidade do fim, venha sobre a terra um período de grande tribulação e sofrimento. Depois desse período de tribulação no final da era da igreja, Cristo voltará à terra para estabelecer um reino milenar.


b. Pré-milenismo pré-tribulacionista (ou pré-milenismo dispensacionalista). Outra variedade de pré-milenismo conquistou ampla popularidade nos séculos XIX e XX, em especial no Reino Unido e nos Estados Unidos. Segundo essa posição, Cristo voltará não só antes do milênio (a volta de Cristo é pré-milenar), mas também ocorrerá antes da grande tribulação (a volta de Cristo é pré-tribulacional). Esse ponto de vista é semelhante à posição pré-milenista clássica mencionada acima, mas com uma importante diferença: acrescenta outra volta de Cristo antes de sua vinda para reinar sobre a terra no milênio. Essa volta é vista como um retorno secreto de Cristo para tirar os crentes do mundo.



Argumentos em favor do amilenismo

1. Quando olhamos através de toda a Bíblia, dirão os amilenistas, apenas uma passagem (Ap 20.1-6) parece ensinar um futuro domínio milenar de Cristo aqui na terra, e essa passagem em si é obscura. Não é sábio basear uma doutrina tão importante em uma passagem de interpretação incerta e amplamente contestada.
Mas como os amilenistas entendem Apocalipse 20.1-6? Segundo a interpretação amilenista, essa passagem refere-se à presente era da igreja.

2. Um segundo argumento que se apresenta muitas vezes em favor do amilenismo é o fato de que as Escrituras ensinam apenas uma ressurreição, em que tanto os crentes como os incrédulos serão ressuscitados, e não duas ressurreições (uma ressurreição dos crentes antes do início do milênio e uma ressurreição dos incrédulos para o julgamento depois do fim do milênio). Este é um argumento importante, pois o ponto de vista pré-milenista exige duas ressurreições distintas, separadas por mil anos.

3. A idéia de crentes glorificados e pecadores vivendo juntos sobre a terra é difícil demais de aceitar. Berkhof diz: "É impossível entender como parte da velha terra e da humanidade pecadora pode existir lado a lado com parte da nova terra e da humanidade glorificada. Como podem santos perfeitos, em corpo glorificado, ter comunhão com pecadores na carne? Como podem pecadores glorificados viver nessa atmosfera sobrecarregada de pecado e em meio a cenas de morte e decadência?"

4. Se Cristo vem em glória para reinar sobre a terra, como as pessoas ainda conseguiriam persistir no pecado? Se Jesus vai estar realmente presente em seu corpo ressurreto e governar como Rei sobre a terra, não seria bem improvável que as pessoas ainda o rejeitem e que o mal e a rebelião prosperem sobre a terra até que no final Satanás consiga reunir as nações para a batalha contra Cristo?

5. Parece não haver nenhum propósito convincente para esse milênio. Uma vez que a era da igreja tenha chegado ao fim e Cristo tenha voltado, qual a razão para atrasar o início do estado eterno?

6. Para terminar, os amilenistas dizem que as Escrituras parecem indicar que todos os principais eventos que ainda estão por vir antes do estado eterno ocorrerão de uma só vez. Cristo voltará, haverá uma ressurreição de crentes e incrédulos, virá o julgamento final e um novo céu e uma nova terra serão estabelecidos. E então entraremos imediatamente no estado eterno, sem nenhum milênio futuro.


Argumentos em favor do pós-milenismo

1. A Grande Comissão leva-nos a esperar que o evangelho se propague com poder e acabe por fim resultando num mundo em boa parte cristão.

2. Parábolas sobre o crescimento gradual do reino indicam que, por fim, sua influência cobrirá a terra.

3. O pós-milenista sustenta que o amor de Deus por Sua criação faz com que Ele deseje trazê-la ao seu propósito original, aquele de trazer glória positiva a Si mesmo. Assim, a expectativa otimista do pós-milenista está fundamentada na realidade da criação. Esse mundo não veio à existência magicamente, nem se desenvolveu randomicamente até o seu presente estado. Ele foi criado pelo Deus racional da Escritura, para o Seu propósito e fim moral.

4. Crendo que Deus controla a história por meio do Seu decreto, por meio do qual Ele determina "o fim desde o princípio" (Is. 46:10). Conseqüentemente, os pós-milenistas afirmam que a Palavra de Deus, como Ele diz, "não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei" (Is. 55:11), não obstante a oposição de homens ou demônios, a despeito de fenômenos naturais ou circunstâncias históricas. O pior tsunami, nem o mais vil grupo terrorista podem frustrar o decreto de Deus para o desfecho da história.


Argumentos em favor do pré-milenismo

1. Algumas passagens do Antigo Testamento não parecem caber nem na presente era nem no estado eterno. Essas passagens indicam algum estágio futuro na história da redenção, muito mais grandioso que a presente era da igreja, mas que ainda não parece remover de sobre a terra todo o pecado, rebelião e morte.

2. Também há passagens do Novo Testamento além de Apocalipse 20 que indicam um futuro milênio. Quando o Senhor Jesus ressurreto fala à igreja de Tiatira, diz: "Ao vencedor, que guardar até ao fim as minhas obras, eu lhe darei autoridade sobre as nações, e com cetro de ferro as regerá e as reduzirá a pedaços como se fossem objetos de barro; assim como também eu recebi de meu Pai" (Ap 2.26-27).

3. Convém reexaminar Apocalipse 20 tendo por base algumas outras passagens que insinuam ou indicam claramente um período futuro muito mais grandioso que a era presente, mas inferior ao estado eterno. Algumas declarações aqui são mais bem entendidas como referências a um reinado terreno futuro de Cristo anterior ao julgamento por vir.


Questões a um amilenista:

Analisando Apocalipse 20:1-7, questiona-se:

a. No texto bíblico a expressão repete-se por 6 vezes relacionada com os seguintes assuntos: prisão de Satanás, ressurreição dos mortos, reino de Cristo.

b. A expressão não pode ser figurada porque implicaria em dizer que tudo no texto é simbólico, inclusive Satanás, ressurreição, etc.

c. A prisão de Satanás, segundo o amilenismo não é plena, mas parcial. Isto é, sua ação não é anulada, mas restringida.

Questões a um pós-milenista:

Os pós-milenistas dizem que o mundo está se tornando mais cristão. Em resposta aos argumentos pós-milenistas, é possível levantar os seguintes pontos:

a. A Grande Comissão de fato fala da autoridade colocada nas mãos dos cristãos, mas isso não implica necessariamente que Cristo usará essa autoridade para provocar a conversão da maioria da população do mundo.

b. As parábolas da semente de mostarda e do fermento de fato nos falam que o reino de Deus crescerá gradualmente de algo bem pequeno para algo muito grande, mas não falam da dimensão do crescimento do reino.

c. Em resposta ao argumento de que o mundo está-se tornando mais cristão, deve-se dizer que o mundo também está piorando.

d. Por fim, devemos observar que algumas passagens do Novo Testamento parecem negar explicitamente a posição pós-milenista.

Questões a um pré-milenista:

Os Pré-Milenistas dispensacionalistas ou extremados têm vários ensinos que podem ser questionados em relação às Escrituras:

a. Distinção entre Igreja e Israel no tempo e na eternidade

b. O Reino de Deus adiado para o Milênio terreno

c. A crença num arrebatamento secreto, seguido de uma segunda vinda visível

d. A idéia de que a igreja não passará pela grande tribulação (a igreja será poupada da ira de Deus (thymos e orge), mas não da tribulação (thlipsis). A tribulação não é a ira de Deus contra os pecadores, mas, sim, a ira de Satanás, do anticristo e dos ímpios contra os santos. (Gundry).

e. A idéia que teremos várias ressurreições

f. A idéia de que haverá chance de salvação depois da segunda vinda de Cristo.


O ARREBATAMENTO

A Ocasião do Arrebatamento:
Pós-milenistas e amilenistas vêem o arrebatamento da igreja no final desta era e simultâneo com a segunda vinda de Cristo. Entre os pré-milenistas, há vários pontos de vista:

1. Arrebatamento pré-tribulacional:

A- Significado:
O arrebatamento da Igreja (i.e., a vinda do Senhor nos ares para os Seus santos) ocorrerá antes que comece o período de sete anos da tribulação. Por isso, a Igreja não passará pela Tribulação, segundo este ponto de vista.

B- Provas citadas:
- A promessa de ser guardada (fora) da hora da provação. (Ap 3.10)
- A remoção do aspecto de habitação no ministério do Espírito Santo exige necessariamente a remoção dos crentes. (2Ts 2)
- A tribulação é um período de derramamento da ira de Deus, da qual a Igreja já está isenta. (Ap 6.17, cf. 1Ts 1.10; 5.9)
- O arrebatamento só pode ser iminente se for pré-tribulacional. (1Ts 5.6)

2. Arrebatamento mesotribulacional:

A- Significado:
O arrebatamento ocorrerá depois de transcorridos três anos e meio do período da tribulação.

B- Provas citadas:
-A última trombeta de 1Co 15.52 é a sétima trombeta de Apocalipse 11.15, que soa na metade da tribulação.
- A Grande Tribulação é composta apenas dos últimos três anos e meio da septuagésima semana da profecia de Daniel 9.24-27, e a promessa de libertação da Igreja só se aplica a esse período. (Ap 11.2; 12.6)
- A ressurreição das duas testemunhas retrata o arrebatamento da Igreja, e sua ressurreição ocorre na metade da tribulação. (Ap 11.3,11)

3. Arrebatamento pós-tribulacional:

A- Significado:
O arrebatamento acontecerá ao final da Tribulação. O arrebatamento é distinto da segunda vinda, embora seja separado dela por um pequeno intervalo de tempo. A igreja permanecerá na terra durante todo o período da tribulação.

B- Provas citadas:
- O arrebatamento e a segunda vinda são descritos pelas mesmas palavras.
- Preservação da ira significa proteção sobrenatural para os crentes durante a tribulação, não libertação por ausência (assim como Israel permaneceu no Egito durante as pragas, mas protegido de seus efeitos).
- Há santos na terra durante a tribulação. (Mt 24.22)

4. Arrebatamento parcial:

A- Significado:
Somente os crentes considerados dignos serão arrebatados antes de a ira de Deus ser derramada sobre a terra; os que não tiverem sido fiéis permanecerão na terra durante a tribulação.

(CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR)


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NOTA ATUAL: Nessa aula eu dividi a sala em 3 grupos e cada um deles deveria se aprofundar em uma das teorias sobre o milênio e defendê-la (mesmo que não concordassem) e por fim tiveram a chance de expôr o que discordavam e concordavam em sua própria teoria e também nas demais.

Ao dar a aula, eu não me preocupei em definir qual é a teoria "verdadeira", apenas resumi cada uma e disse que cada um devia decidir em qual crer.



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