domingo, 16 de janeiro de 2011

CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 (parte 14)

CAPÍTULO 26
A IGREJA


1. A Igreja universal (ou católica), que com respeito à obra interna do Espírito, e da verdade da graça, pode ser chamada invisível, consiste no número total dos eleitos que já foram, estão sendo, ou ainda serão chamados em Cristo, o Cabeça de todos. A Igreja é a esposa, o corpo e a plenitude daquele que é tudo em todos.
Hebreus 12:23; Colossenses 1:18; Efésios 1:10,22-23; Efésios 5:23,27,32.

2. Todas as pessoas ao redor do mundo, que professam fé no evangelho e obediência a Deus, mediante Cristo, de acordo com o evangelho, e que não destroem o seu testemunho com alguma doutrina fundamentalmente errada ou conversão profana: esses podem ser chamados de os santos, de que se compõe a igreja visível; e todas as congregações deviam ser constituídas de pessoas assim.
I Coríntios 1:2; Atos 11:26.
Romanos 1:7; Efésios 1:20-22.

3. Mesmo as igrejas mais puras sobre a terra estão sujeitas a erros doutrinários e a comprometimentos. Algumas se degeneraram tanto, que deixaram de ser Igrejas de Cristo, e passaram a ser sinagogas de Satanás. A despeito disso, porém, Cristo sempre teve e sempre terá um reino neste mundo, até o fim dos tempos. Esse reino é formado dos que nEle crêem e confessam o se nome.
I Coríntios 5:1-13; Apocalipse 2:1-23; Apocalipse 3:1-22.
Apocalipse 18:2; II Tessalonicenses 2:11-12.
Mateus 16:18; Salmo 72:17; Salmo 102:28; Apocalipse 12:17.

4. O Senhor Jesus Cristo é o Cabeça da Igreja. Por determinação do Pai, de uma maneira suprema e soberana, nEle está investido o poder de chamar, instituir, ordenar e governar a Igreja. O papa de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja; ele é o anticristo, o homem da iniqüidade e filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, como se fosse o próprio Deus. O Senhor Jesus o matará com o sopro da sua boca.
Colossenses 1:18; Mateus 28:18-20; Efésios 4:11-12.
II Tessalonicenses 2:2-9.

5. No exercício desse poder de que está investido, o Senhor Jesus chama a si aqueles que deste mundo lhe foram dados pelo Pai, através do ministério da Palavra, e por seu Espírito, a fim de que possam caminhar diante dEle, em todos os caminhos que Ele lhes prescreve na Palavra. E manda que as pessoas assim chamadas caminhem juntas, formando sociedades locais, as igrejas, para a edificação mútua e a devida execução do culto público que Ele requer dos seus neste mundo.
João 10:16; João 12:32.
Mateus 28:20.
Mateus 18:15-20.

6. Os membros dessas igrejas são santos por chamamento, manifestando visivelmente e evidenciando a sua obediência ao chamado de Cristo, tanto por confessarem a Cristo, como, também, pelo seu modo de vida. Os chamados consentem voluntariamente em ter comunhão uns com os outros, de acordo com o mandato de Cristo; e, por vontade de Deus, entregam-se uns aos outros e ao Senhor, submetendo-se às ordenanças do evangelho.
Romanos 1:7; I Coríntios 1:2.
Atos 2:41-42; Atos 5:13-14; II Coríntios 9:13.

7. De acordo com a mente de Cristo, declarada na Palavra, Deus deu a cada uma dessa igrejas todo poder e autoridade necessários ao desempenho da forma de adoração e de disciplina por Ele instituídas para a observância na igreja, com mandamentos e normas para a aplicação devida e o emprego correto desse poder.
Mateus 18:17-18; I Coríntios 5:4-5; I Coríntios 5:13; II Coríntios 2:6-8.

8. Uma igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste de oficiais e membros. Os oficiais designados por Cristo serão escolhidos e consagrados pela igreja congregada. São eles os anciãos (ou bispos) e os diáconos; cabe-lhes especificamente a administração das ordenanças [Batismo e Ceia do Senhor] e o exercício do poder ou do dever com que foram instruídos, ou para o qual foram chamados por Cristo. Este sistema deve ser mantido na igreja, até o fim do mundo.
Atos 20:17,28; Filipenses 1:1.

9. O modo designado por Cristo para o chamamento de uma pessoa capacitada e dotada pelo Espírito Santo, ao ofício de bispo ou ancião da igreja, é a escolha pelo consenso da igreja. Os bispos serão consagrados solenemente, com jejum, oração, e a imposição de mãos pelos anciãos da igreja (caso exista algum). Os diáconos serão escolhidos por igual eleição e consagrados por oração e imposição de mãos.
Atos 14:23.
I Timóteo 4:14.
Atos 6:3,5-6.

10. A incumbência dos pastores é atender constantemente à obra de Cristo nas igrejas, no ministério da Palavra e da oração, zelando pelo bem espiritual das almas que lhes foram confiadas, e das quais terão que prestar contas a Cristo. As igrejas têm a incumbência de prestar todo o respeito que é devido aos seus ministros; e fazê-los participantes de todas as boas coisas materiais, de acordo com as possibilidades de cada igreja, para que os ministros possam viver confortavelmente e não tenham que emaranhar-se em ocupações seculares, podendo também exercer hospitalidade para com os outros. Isto é requerido pela própria lei da natureza, e pelo mandato expresso de nosso Senhor Jesus, que ordenou "aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho".
Atos 6:4; Hebreus 13:17.
I Timóteo 5:17-18; Gálatas 6:6-7.
II Timóteo 2:4.
I Timóteo 3:2.
I Coríntios 9:6-14.

11. Embora a tarefa de serem diligentes na pregação da Palavra seja, por definição de ofício, uma incumbência dos bispos (os pastores) das igrejas, a pregação da Palavra não está confinada exclusivamente a eles. Outras pessoas, que tenham sido dotadas e preparadas pelo Espírito Santo, e que também tenham sido convocadas pela Igreja, podem e devem ocupar-se com a obra da pregação.
Atos 11:19-21; I Pedro 4:10-11.

12. Todos os crentes têm a obrigação de congregar-se em igrejas locais, no local que lhes seja possível, e quando lhes seja possível. E todos os que são admitidos aos privilégios da comunhão na igreja estão também sujeitos à disciplina e ao governo da igreja, segundo a norma de Cristo.
I Tessalonicenses 5:14; II Tessalonicenses 3:6,14-15.

13. Nenhum membro deve perturbar a ordem ou faltar às reuniões da igreja; e nem deve deixar de receber a ministração das ordenanças [Batismo e Ceia do Senhor] por causa de uma ofensa recebida de qualquer dos membros da igreja, seja qual for a ofensa.
Mesmo que já tenha cumprido com o seu dever em relação àqueles contra quem se sente ofendida, a pessoa deve esperar em Cristo, e deixar que o seu caso seja resolvido pela disciplina da igreja.
Mateus 18:15-17; Efésios 4:2-3.

14. Os membros de cada igreja local devem orar continuamente pelo bem e pela prosperidade de todas as igrejas de Cristo, em todo lugar. E devem trabalhar para a expansão da Igreja, em todas as ocasiões, exercendo cada um os seu dons e graças, na sua área de atuação, e de acordo com o seu chamamento. Portanto, as igrejas - quando dispostas pela providência de Deus de uma maneira em que isto seja possível - devem desfrutar da oportunidade e das vantagens de manterem comunhão entre si, a fim de promoverem a paz, o amor, e a edificação mútua.
Efésios 6:18; Salmo 122:6.
Romanos 16:1-2; III João 8-10.

15. Em caso de dificuldades ou divergências acerca de questões doutrinárias, ou do governo de igreja; se as igrejas em geral, ou se uma igreja está sendo perturbada em sua paz, união e edificação; ou se algum membro ou membros de alguma igreja for atingido por medidas disciplinares que não condizem com a verdade e a norma - nestes casos, segundo a mente de Cristo, muitas igrejas devem reunir-se em comunhão, mediante representantes, para considerar e opinar sobre o assunto de divergência; e o seu parecer deve ser comunicado a todas as igrejas envolvidas.
Contudo, essa assembléia de representantes não fica investida de poder eclesiástico algum, propriamente dito, nem de qualquer jurisdição sobre as igrejas que a constituem. Ela não pode aplicar disciplina alguma sobre pessoas ou igrejas, e nem pode impor resoluções sobre as igrejas e seus oficiais.
Atos 15:2,4,6,22-23,25.
II Coríntios 1:24; I João 4:1.



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