terça-feira, 15 de março de 2011

A Justificação em Paulo e Tiago (George Knight III) - Parte 01/04


A Justificação em Paulo e Tiago 

George Knight III 


Nas cartas do apóstolo Paulo, a doutrina da justificação é o maravilhoso ensino bíblico de que Deus nos aceita como justos em Cristo e perdoa nossos pecados quando nós o recebemos pela fé somente. O Catecismo Menor de Westminster afirma esse ensino de forma muito sucinta e acurada quando diz: “A justificação é um ato da livre graça de Deus, em que Ele perdoa nossos pecados, e nos aceita como justos perante Si, apenas por causa da justiça de Cristo imputada a nós, e recebida pela fé somente” (Q. 33).

O ENSINO DE PAULO


O apóstolo Paulo refuta aqueles que erroneamente pensam que Deus salva as pessoas levando em consideração as boas coisas que elas mesmas fazem, além de sua fé. Ele faz isso repetidas vezes: Romanos 3:20-22 — “Visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado. Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas; justiça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo, para todos [e sobre todos] os que crêem”. Paulo diz que a justiça nos vem do próprio Deus, independentemente de guardar a lei, e vem somente àqueles que crêem em Jesus Cristo.

Romanos 3:28 — “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei”. O apóstolo reafirma que alguém é justificado independentemente das obras da lei.

Romanos 4:3-5 — “Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça”. O apóstolo afirma que Abraão creu em Deus, e que Deus creditou isso a ele como justiça. Ele afirma ainda que o que trabalha ganha salário, mas que Deus declara que um ímpio é justificado porque tal pessoa confiou em Deus.

Romanos 4:13-14 — “Não foi por intermédio da lei que a Abraão, ou a sua descendência coube a promessa de ser herdeiro do mundo; e, sim, mediante a justiça da fé. Pois, se os da lei é que são os herdeiros, anula-se a fé e cancela-se a promessa”. Paulo declara que a promessa de salvação que foi dada por Deus a Abraão não foi recebida por se guardar a lei, mas por exercer a fé.

Gálatas 2:16 — “O homem não é justificado por obras da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus, para que fôssemos justificados pela fé em Cristo e não por obras da lei, pois por obras da lei ninguém será justificado”. Por três vezes Paulo deixa claro que o meio de ser justificado é pôr nossa fé em Jesus Cristo, não fazer boas obras. De fato, “por obras da lei ninguém será justificado”.

Observe que Paulo coloca a fé e a observância da lei em oposição uma à outra como meios de salvação: é uma ou outra, não as duas juntas.

Gálatas 3:11 — “E é evidente que pela lei ninguém é justificado diante de Deus, porque o justo viverá pela fé”. Paulo declara que seu argumento para a justificação está fundamentado no Antigo Testamento.

Filipenses 3:9 — “... e ser achado nele, não tendo justiça própria, que procede de lei, senão a que é mediante a fé em Cristo, a justiça que procede de Deus, baseada na fé”. Nós precisamos da justiça de Deus — de fato, a justiça de Cristo — e isto nos é dado através da fé em Jesus Cristo, que é nossa justiça (1Co 1:30; 1Jo 2:1).

É claro nesta e em outras passagens que a lei nos declara pecadores com necessidade da justificação de Deus, e que a fé, e somente a fé, é o instrumento pelo qual Deus traz a morte, ressurreição e justiça de Cristo sobre aqueles que crêem, e dessa forma os declara justos e justificados.

A Escritura fala desse ato como sendo a imputação da justiça de Cristo aos crentes. Isto é, a justiça dele é computada na conta deles, embora eles estejam apenas começando a experimentar a transferência da justiça de Cristo a seu homem espiritual. Embora eles sejam apenas pecadores perdoados (é “Deus quem justifica o ímpio” - Rm 4:5), Deus declara-os justos por causa da justiça de Cristo a eles imputada e recebida pela fé somente.



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