quarta-feira, 23 de março de 2011

Oração (Agostinho)



"Percorrei todas as orações que se encontram nas Escrituras, e eu não creio que possais encontrar nelas algo que não esteja incluído na oração do Senhor"
“Na oração, efetua-se a conversão de nosso coração a Deus, a Ele que está sempre disposto a conceder-nos seus dons, se formos capazes de recebê-los” 
"Jesus ora por nós como nosso sacerdote; ora em nós como nossa Cabeça e recebe a nossa oração como a nosso Deus. Reconheçamos, portanto, na sua as nossas vozes, e sua voz em nós."
"É a Ti que devemos pedir esse conhecimento, é em Ti que devemos buscar, é à Tua porta que devemos bater. Assim, somente assim receberemos, somente assim encontraremos, somente assim nos será aberta a porta"
"Com efeito, os seus santos, com uma vontade santa por Ele inspirada, querem que se façam muitas coisas que não chegam a ser feitas; como rogam piedosa e santamente por alguns, mas Ele não faz o que lhe pedem, sendo Ele quem, pelo Seu Espírito, causa neles essa vontade de orar. Por isso, quando os santos querem e rogam, em conformidade com Deus, que cada um seja salvo, podemos dizer, segundo esse tipo de expressões: Deus quer, mas não faz; dizemos então que Ele quer no sentido de que Ele faz com que os outros queiram. Mas, conforme essa vontade, que é sua e eterna como a sua presciência, claro está que tudo o que quis no Céu e na Terra, tanto passado e presente como futuro, fê-lo já. Mas antes que chegue o tempo em que se cumprirá como Ele quis o que antes de todos os tempos Ele previu e determinou, nós dizemos: Acontecerá quando Deus quiser; mas se ignoramos, dum acontecimento, não só o momento em que virá a acontecer, mas também se chegará a acontecer, então dizemos: Acontecerá se Deus quiser; não porque Deus venha a ter então uma vontade nova que antes não tinha, mas porque só então acontecerá aquilo que desde toda a eternidade está preparado pela sua vontade imutável."
"Acontece que aqueles que oram impõem a seus membros uma posição condizente com a oração: ajoelham-se, estendem as mãos, prostram-se no chão e praticam outros gestos do gênero. É certo que Deus conhece-lhes a verdade oculta e a intenção do coração, e não tem a necessidade desses sinais sensíveis para penetrar no íntimo da consciência humana. Entretanto, é por essas demonstrações que a pessoa estimula-se a si mesma a orar e gemer com mais humildade e fervor. Ainda que os gestos corporais não se produzam sem o movimento interior da alma, esses atos externos e invisíveis aumentam, não sei como,  o ato interior e invisível. Não obstante, se alguém estiver impedido ou impossibilitado de os realizar com seus próprios membros, isso não incapacitaria o homem interior de orar. Deus o vê, contrito e arrependido, prostrar-se no santuário secreto do seu coração."


Extraído de:




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