segunda-feira, 18 de abril de 2011

Redenção Particular (Charles Haddon Spurgeon) - Parte 01 de 06



Um Sermão (Nº 0181) 
Pregado na Manhã de Domingo, 28 de Fevereiro de 1858 pelo 
Reverendo C. H. Spurgeon 
No Salão de Música, Royal Surrey Gardens – Inglaterra 
Assim como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20:28) 

Quando pela primeira vez ocupei este púlpito, e preguei neste salão, minha congregação assumia uma aparência de uma massa irregular de pessoas reunidas de todas as ruas desta cidade para ouvir a Palavra. Eu era então simplesmente um evangelista, pregando a muitos que nunca tinham ouvido antes o Evangelho. Pela graça de Deus, a mais bendita mudança teve lugar; e agora, em vez de ter uma multidão irregular reunida ao mesmo tempo, minha congregação é tão estável como a de qualquer ministro em toda a cidade de Londres. Eu posso observar a partir deste púlpito o semblante de meus amigos, que têm ocupado os mesmos lugares, tão exatamente como possível, durante todos estes meses; e eu tenho o privilégio e o prazer de saber que a maior parte deles, certamente três em cada quatro dos aqui reunidos, não são pessoas que entraram neste lugar movidas pela curiosidade, mas são meus ouvintes regulares e constantes. E observem como minha condição também tem sido mudada. No início um evangelista, e agora me tornei vosso pastor. Antes vocês eram um grupo diversificado que se juntavam para me ouvir, mas agora todos estamos unidos pelos laços do amor; e por meio desta união, temos crescido em amor e respeito uns para com os outros, e agora vocês se tornaram ovelhas de meu pasto, e membros de meu rebanho; e eu tenho agora o privilégio de assumir a posição de um pastor neste lugar, assim como na capela onde labuto a noite. Eu penso então, que como a congregação e o ofício têm agora mudado, não estranhará a ninguém que os ensinamentos sofram de certa forma uma diferença. Tem sido meu costume o dirigir-me a vocês com as verdades simples do Evangelho; e eu tenho mui raramente, neste lugar, mergulhado nas coisas profundas de Deus. Um texto que eu tenha considerado apropriado para minha congregação à noite, não tomaria como assunto de discussão neste lugar pela manhã. Há elevadas e misteriosas doutrinas, as quais tenho tido freqüentemente a oportunidade de tratar no meu próprio lugar, que não teria tomado a liberdade de introduzir aqui, considerando-vos como uma companhia de pessoas casualmente reunidas juntas para ouvir a Palavra. Porém agora, visto que as circunstâncias mudaram, o ensinamento também mudará. Eu não me confinarei agora simplesmente à doutrina da fé, ou ao ensinamento do batismo dos crentes; eu não permanecerei na superfície dos assuntos, mas me aventurarei, segundo Deus me guiar, a penetrar naquelas coisas que são a base de nossa tão amada religião. Não me envergonharei se prego diante de vós a doutrina da Soberania Divina; não temerei se vos anuncio de forma clara e sem reservas a doutrina da eleição. Não terei medo de expor a grande verdade da perseverança final dos santos; nem evitarei a inequívoca verdade das Escrituras, o chamamento eficaz dos eleitos de Deus; me esforçarei, até onde Deus me ajudar, em não ocultar nada de vocês, que têm se tornado meu rebanho. Considerando que muitos de vocês já "provaram e viram que o Senhor é bom", procuraremos examinar todo o sistema das doutrinas da graça, para que os santos possam ser edificados e reafirmados na sua santíssima fé.

Começaremos esta manhã com a doutrina da Redenção."Ele deu sua vida em resgate de muitos".

A doutrina da Redenção é uma das mais importantes doutrinas do sistema da fé. Um erro neste ponto nos levaria inevitavelmente a mais completa confusão de todo o sistema de nossas crenças.

Ora, vocês estão cientes de que há diferentes teorias da Redenção. Todos Cristãos sustentam que Cristo morreu para redimir, mas nem todos ensinam a mesma redenção. Diferimos sobre a natureza da expiação, e sobre o propósito da redenção. Por exemplo, os Arminianos sustentam que Cristo, quando morreu, não morreu com a intenção de salvar alguma pessoa em particular; e ensinam que a morte de Cristo não assegura por si mesma, fora de qualquer dúvida, a salvação de nenhum homem. Eles crêem que Cristo morreu para fazer a salvação de todos os homens possível, ou que fazendo algo mais, qualquer homem que desejar pode alcançar a vida eterna; conseqüentemente, eles estão obrigados a manter que, se a vontade humana não cede e se entrega voluntariamente à graça, então a expiação de Cristo será inútil. Eles sustentam que não há nada especial ou particular na morte de Cristo. Cristo morreu, de acordo com eles, tanto por Judas no Inferno como por Pedro que subiu ao Céu. Eles crêem que para aqueles que estão confinados no fogo eterno, houve uma verdadeira e real redenção feita para eles tanto como por aqueles que estão diante do trono do Altíssimo. Ora, nós não cremos em tal coisa. Afirmamos que Cristo, quando morreu, tinha um objetivo definido, e que este objetivo se cumprirá com toda certeza e acima de toda dúvida. Nós medimos o propósito da morte de Cristo por seus efeitos. Se alguém nos perguntar: "O que Cristo propôs fazer pela Sua morte?", responderemos esta questão fazendo outra - "O que Cristo fez, ou o que Ele fará por Sua morte?". Porque nós declaramos que a medida do efeito do amor de Cristo, é a medida de seu propósito. Não podemos desvirtuar de tal forma nossa razão para pensar que a intenção do Deus Todo-Poderoso poderia ser frustrada, ou que o propósito de algo tão grande como a expiação poderia fracassar por alguma causa, seja qual for. Nós sustentamos - e não temos medo de dizer que cremos nisto - que Cristo veio a este mundo com a intenção de salvar "uma multidão que nenhum homem pode contar"; e cremos que como resultado disto, toda pessoa por quem Ele morreu deve, sem sombra de dúvida, ser limpa do pecado e permanecer lavado no sangue diante do trono do Pai. Não cremos que Cristo faria qualquer expiação eficaz por aqueles que estão condenados para sempre; não ousaríamos em pensar que o sangue de Cristo foi derramado com a intenção de salvar aqueles que Deus previu que nunca seriam salvos; e menos ainda que, de acordo com o que dizem alguns, Cristo morreu por muitos dos que já estavam no inferno quando Ele subiu ao Calvário.

Tenho desta forma declarado nossa teoria da redenção, e aludido às diferenças que existem entre as duas grandes partes da igreja professante. Esforçar-me-ei agora para mostrar a grandeza da redenção de Cristo Jesus; e ao fazê-lo, espero ser capacitado pelo Espírito de Deus, para salientar todo o grande sistema da redenção, de forma que possa ser compreendido por todos nós, mesmo se nem todos o aceitemos. Porém vocês devem ter isto em mente: que alguns de vocês, talvez, possam estar dispostos a discutir as coisas que afirmo; mas eu quero vos lembrar que isto não é nada para mim; eu sempre ensinarei aquelas coisas que sustento ser verdade, sem impedimento ou estorvo de pessoa alguma. Vocês têm a mesma liberdade de fazer o mesmo em vossos lugares, e de pregar os seus pontos de vistas em vossas assembléias, como eu reivindico o direito de pregar na minha, inteiramente, e sem hesitação.

Cristo Jesus "deu sua vida em resgate de muitos"; e por este resgate Ele adquiriu uma grande redenção por nós. Eu me esforçarei para mostrar a grandeza desta redenção, medindo-a de cinco maneiras. Notaremos sua grandeza primeiramente pela atrocidade de nossa própria culpa, da qual Ele nos libertou; segundo, mediremos Sua redenção pela severidade da justiça divina; terceiro, a mediremos pelo preço que Ele pagou, os tormentos que teve que sofrer; então trataremos de magnificá-la, notando a libertação que Ele realmente adquiriu; e terminaremos fazendo menção do vasto número por quem esta redenção foi feita, que em nosso texto são descritos como "muitos".



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