quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Bíblia de Genebra - 1560 (histórico)



A Reforma Protestante foi um retorno à Bíblia. Martinho Lutero traduziu a bíblia para o alemão, e João Calvino apoiou a preparação de uma tradução francesa.

Na Inglaterra isto não foi diferente. William Tyndale traduziu a Bíblia para o inglês, contra a vontade dos bispos e do rei Henrique VIII e, por isto, foi queimado na fogueira.

Com o aumento das perseguições na Inglaterra, no reinado de Maria Tudor, entre 1553 e 1558, os protestantes ingleses mais eruditos acabaram fugindo para Genebra, na Suíça. Ali, sob a coordenação de William Whittingham (c. 1524-1579), cunhado de João Calvino, eles se lançaram à tarefa de preparar uma nova tradução da Bíblia para o inglês. Whittingham e mais alguns teólogos refugiaram-se em Genebra, na Suíça, e ali produziram uma tradução de toda a Bíblia para o inglês, baseada no latim, mas consultando sempre os textos em hebraico e grego. O Novo Testamento foi lançado em 1557 e a Bíblia toda em 1560. Em 1599, a Bíblia de Genebra já estava disponível, ao menos em parte, também em francês.

Ela passou a ser chamada de Bíblia de Genebra, tendo sido publicada em 1560. Ela foi a primeira Bíblia em inglês a utilizar as divisões em versículos, por serem "mais proveitosos para a memória" e para a localização e comparação das passagens. Ela possuía notas nas margens, baseadas na teologia reformada.

A Bíblia de Genebra em inglês tornou-se muito popular. Cerca de duzentas edições foram publicadas entre 1560 e 1630. Logo na primeira edição, os livros apócrifos ou deuterocanônicos foram separados dos restantes livros do Antigo Testamento e receberam prefácios especiais. Apenas décadas depois a Bíblia de Genebra começou a ser impressa sem os apócrifos.


A Bíblia de Genebra foi a tradução inglesa mais usada por cerca de 100 anos, até ser substituída pela versão do Rei James, em 1611. A nova Bíblia de Estudo de Genebra, chamada assim por encontrar-se na tradição da Bíblia de Genebra, contém uma reafirmação moderna da teologia reformada, em seus comentários e notas de rodapé.
Foi usada (e citada) por William Shakespeare, John Bunyan, John Milton, e trechos selecionados dela compuseram a famosa Bíblia de Bolso (1643) carregada pelos soldados do exército de Oliver Cromwell. A Bíblia de Genebra foi também a Bíblia trazida para os Estados Unidos pelos peregrinos.



O principal recurso da Bíblia de Estudo de Genebra é sua busca por fidelidade ao texto bíblico (é usada a edição Almeida Revista e Atualizada da SBB, com variantes textuais) e coerência doutrinária, que são características da tradição reformada.

Também são encontrados:
cerca de 19 mil notas de estudo preparadas por 50 eruditos presbiterianos, batistas e anglicanos (entre eles, Bruce Waltke, Edmund Clowney, J. I. Packer, James Boice, Roger Nicole, Leon Morris, R. Laird Harris, Moisés Silva, R. C. Sproul, Simon Kistemaker, Sinclair Ferguson, Wayne Grudem), com explicações do sentido do texto bíblico;
índice para anotações, com fácil localização;
sistema de referências cruzadas -- bloco colocado entre o texto bíblico e as notas de rodapé com informações para aprofundamento do estudo bíblico;
introduções às grandes divisões da Bíblia;
introduções aos livros da Bíblia -- informações úteis sobre a autoria, data e ocasião, dificuldades interpretativas, características e temas, tudo para se compreender o livro em seu contexto e seu sentido original;
mapas ilustrativos -- próximos aos textos que se referem às áreas descritas, facilitando o entendimento das passagens bíblicas e ajudando no preparo de lições e mensagens;
47 gráficos explicativos - famílias, cronologias, eventos, dados comparados, ilustrações, tabelas, etc., excelentes para reprodução em transparências ou cartazes;
96 notas teológicas sobre temas bíblicos e doutrinários, profundas, mas em linguagem simples e clara;.
concordância bíblica com 3.838 verbetes, a mais abrangente concordância para Bíblias de estudo existentes em português;
17 mapas coloridos das principais regiões de interesse para o estudo da Palavra de Deus.

Para J. I. Packer, "quatro séculos atrás as notas da Bíblia de Genebra fizeram a erudição dos mestres da Escritura servir à causa de Deus, da verdade e da piedade, com toda a profundidade alcançada pela teologia da Reforma. A Bíblia de Estudo de Genebra faz o mesmo hoje. Creio que a sua extraordinária combinação de fidelidade com devoção coloca a Bíblia de Estudo de Genebra numa categoria à parte".

Na história das versões inglesas, a Bíblia de Genebra é importante, pelo menos, por três razões:

1. A Bíblia de Genebra foi a primeira Bíblia inglesa a adotar a divisão do texto em versículos. [A divisão do Antigo Testamento em versículos surgiu por volta de 1440, por obra do rabino Isaque Nathan, que planejava elaborar uma concordância da Bíblia Hebraica. A divisão do Novo Testamento coube a Robert Stephanus (ou Estienne), que publicou uma edição bilíngue (grega e latina) do Novo Testamento em 1551.]
2. Foi a primeira Bíblia a usar o tipo de letra romano, muito mais fácil de ler do que a letra gótica;
3. Foi a primeira Bíblia a usar letra itálica para aquelas palavras que os tradutores precisaram usar para tornar claras as frases em inglês, mas que não estavam nas línguas originais.

Além disso, era uma Bíblia com um formato menor, muito mais leve que as outras e com preço muito acessível.

O prefácio e as notas interpretativas tiveram uma influência evangélica muito forte, principalmente da parte dos escritos de João Calvino. Foi a primeira Bíblia que não atribuiu a Epístola aos Hebreus a Paulo, o que testifica a alta qualidade acadêmica de seus editores.

A Bíblia de Genebra de 1560 inspirou, em nossos dias, a edição da Bíblia de Estudo de Genebra, cujas notas interpretativas, em número muito superior à da edição de 1560, seguem a orientação calvinista.


Extraído de:
http://www.monergismo.com/textos/resenhas/biblia_genebra_franklin.htm
http://doutrinacalvinista.blogspot.com.br/2012/04/breve-historico-da-biblia-de-genebra.html


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