terça-feira, 6 de agosto de 2013

Definindo Pós-Modernismo (por Gary DeMar)


O que é pós-modernismo? O sistema é tanto complexo como ambíguo, mas, basicamente falando, pós-modernismo é anti-cosmovisão.¹ Ele nega a existência de qualquer verdade universal e questiona toda cosmovisão. O pós- modernista não tolerará nenhuma cosmovisão que alegue ser universal em aplicação. Mas isso não é suficiente. O objetivo do pós-modernismo não é apenas rejeitar cosmovisões como opressivas, mas também rejeitar até mesmo a possibilidade de se ter uma cosmovisão coerente.

Há muitas cosmovisões ao nosso redor hoje, e o pós-modernista crê que é sua responsabilidade criticar cada uma delas. As cosmovisões devem ser “niveladas”, de forma que nenhuma abordagem ou crença seja mais “verdadeira” que outra. O que constitui a verdade, então, é relativo ao indivíduo ou comunidade que sustenta a crença.

Enquanto o modernismo e o Cristianismo chocam-se na alegação que cada um faz da verdade, o pós-modernismo ataca o próprio conceito de verdade. Para o pós-modernismo, a verdade é simplesmente “o que funciona para você”. Pós-modernismo, então, alega não tanto uma ortodoxia (um sistema positivo de crença ou cosmovisão) como uma ortopraxia (uma série de métodos de análise).

No mundo pós-moderno, o homem não senta-se de braços cruzados e recebe passivamente conhecimento sobre o mundo; antes, a interpretação do homem é a realidade. Essa confusão de assunto e objeto tem rotulado corretamente o pós-modernismo de niilista e relativista.² Nada é absoluto; lógica, ciência, história e moralidade são meramente os produtos da experiência e interpretação individual.

O pós-modernista declarará que a realidade é somente o que percebemos ser. Ao adotar tal visão, contudo, ele tem agora um problema. Como tal, a realidade é incognoscível. Charles Mackenzie observa: “Se ao conhecer um objeto a mente humana virtualmente cria conhecimento, a questão que se levanta  então  é:  O que  é  o  mundo  externo  quando  ele  não  está  sendo percebido?.³ Para o pós-modernista, a única coisa que pode ser conhecida é a experiência pessoal e as interpretações dessa experiência. O homem não pode conhecer nada em algum sentido absoluto. Tudo o que alguém tem é sua própria experiência finita e limitada. A lógica, ciência, história e ética são disciplinas humanas que devem, e de fato refletem a insuficiência e subjetividade humana.

Em questões de moralidade, nenhuma visão particular é fundacional. Antes, a visão de ética de cada cultura, e ultimamente de cada indivíduo, é tão válida quanto as outras. Essa visão é a base para o “multiculturalismo” e o movimento do “politicamente correto” na sociedade de hoje. Ao invés de afirmar qualquer moralidade como absoluta, a persuasão moral de cada pessoa deve ser respeitada, não importa qual seja, e a linguagem deve ser revisada de forma a apagar todas as perspectivas ofensivas e preconceituosas.




¹ Veith, Postmodern Times, 49.

² Niilismo é a visão que a existência humana é totalmente e irremediavelmente sem significado, que nada no mundo tem algum valor. O exemplo mais óbvio de niilismo é encontrado nas obras de Friedrich Nietzsche (Veja Halverson, A Concise Introduction to Philosophy, 448, 457-62).

³ Charles  Mackenzie,  “Kant’s  Copernican  Revolution”,  em  Building a  Christian  Worldview,  1:284 (ênfase adicioanda).


Extraído de:


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