sábado, 14 de setembro de 2013

Ministério feminino versus Ministério feminino ordenado à luz da Bíblia (por Pr. Pedro Inácio de Lima Neto)


“Sou a favor do ministério feminino, mas sou contra o ministério feminino ordenado” (Augustus Nicodemus)

A história nos ajuda a compreender o presente. Na história das religiões mundiais, percebemos a presença das mulheres como deusas, sacerdotisas, exercendo em muitas delas autoridade espiritual.

No Egito, na Suméria, na Babilônia, na cultura Chinesa, na Hindu, na Ilha de Creta (crentenses), nas civilizações minóicas, Persas, nas civilizações Grega e Romana todas estas eram politeístas (crença em vários deuses).

Já na história do povo judeu, temos a Bíblia (Velho Testamento), como a principal fonte de estudo dessa civilização, encontramos uma ruptura com esta prática, e gostaria de juntos fazermos uma reflexão.

Abraão, que veio da Suméria, conhecedor de um panteão de deuses e deusas, sendo os primeiros grandes poemas sumérios escritos por uma mulher, Enheduanna, que foi tanto uma sacerdotisa (EN) do deus Nanna na cidade de Ur, e princesa real, filha do rei Sargão, o Acádio. Esta deusa tinha uma grande influência em toda aquela região. O que nos leva a pensar é por que Abraão não continuou com esta prática a partir do seu chamado em Gênesis 12:1-5: “Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão bendita s todas as famílias da terra. Assim partiu Abrão como o SENHOR lhe tinha dito, e foi Ló com ele; e era Abrão da idade de setenta e cinco anos quando saiu de Harã. E tomou Abrão a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as almas que lhe acresceram em Harã; e saíram para irem à terra de Canaã; e chegaram à terra de Canaã.”

Moisés nasceu e viveu na cultura egípcia (África) dividida em alguns níveis, cada uma com suas atividades próprias. Nessa sociedade a mulher era muito prestigiada. O Antigo Egito, por exemplo, ficava no nordeste da África onde é hoje a República Árabe do Egito. O nordeste da África é a região onde o Antigo Egito, propriamente dito, começou a se desenvolver. O rio Nilo (6.500 km e 6 cataratas) cortava o seu antigo território. Situa-se entre os dois desertos (deserto da Lídia e deserto da Arábia). O faraó era um rei onipotente, proprietário do todo o país. Ele era a um só tempo, ou seja, simultaneamente, monarca, autoridade judiciária, sacerdote, tesoureiro, general. Era ele que fazia as decisões e a direção de tudo o que via, porém não podendo ter condições de ir a todos os lugares do reino, distribuía ocupações para mais de cem funcionários que o assessoravam na administração do Egito. A imagem divina do faraó era subsídio essencial para a unidade de todo o Egito. O povo acre ditava que o faraó era a certeza de que ele próprio sobreviveria ao longo dos tempos e esperava ser feliz.

Os sacerdotes eram grandemente prestigiados e poderosos, tanto espiritualmente como materialmente, pois dirigiam as riquezas e os bens dos valiosos templos de dimensões avantajadas. Eram também homens intelectualmente privilegiados (vulgo sábios) do Egito, guardiões dos segredos científicos e dos mistérios da religião que se relacionavam com seus numerosos deuses.

Os egípcios eram um povo profundamente religioso, portanto, acreditavam em vários deuses. Esta era a importância da formação civilizatória e organizacional da sociedade. O tipo de crença era o politeísmo. A partir dos primeiros tempos da história da humanidade, os cidadãos do Antigo Egito prestavam culto a inúmeras e estranhas divindades. Os mais antigos foram indivíduos do reino Animal e cada ser humano tinha o seu animal-deus como protetor. Prestavam cultos a gatos, bois, serpentes, crocodilos, touros, chacais, gazelas, escaravelhos, entre outros.

O que me impressiona é o porquê Moisés não leva todo esse panteão de deuses e deusas para o deserto junto com o povo, pelo contrário recebe uma orientação de Deus para construir o tabernáculo no deserto e praticar uma religião e uma espiritualidade diferentemente do que viu no Egito, ou seja, Moisés segue a religião monoteísta.

Estas práticas culturais, simbólicas e religiosas migraram para muitos povos, os babilônicos, fenícios, persas, gregos, romanos, inclusive o Código de Hamurabiinfluenciou a Cultura Bíblica, principalmente o Velho Testamento, mas percebemos claramente uma ruptura com a questão da ordenação do ministério feminino ao sacerdócio em todo o Velho Testamento não temos a esposa do sacerdote sendo sacerdotisa.

Destacamos algumas mulheres que exerceram o seu ministério na história do povo judeu, e nenhuma delas exerceu o sacerdócio ordenado. Vejamos: EVA, a mãe de todos os viventes (Gênesis), SARAH, uma esposa submissa (Gênesis). REBECA, uma mulher de fé hesitante, MIRIÃ, uma líder nata (Êxodo). RAABE, uma salvadora sagaz (Josué). DÉBORA, uma juíza diferente. A líder de Israel (Juízes), RUTE, uma fiel moabita (livro de Rute). ANA, uma mãe dedicada (1º Samuel), ABGAIL, uma beldade inteligente (1º Samuel). RISPA, uma testemunha silenciosa (2º Samuel). A viúva de Sarepta (1º Reis). A rainha de Sabá (1º Reis). A serva de Naamã, um instrumento de benção (2º Reis). HULDA, a profetisa que mudou uma nação (2º Reis). JEOSABEATE (2Cr 22.11), a esposa de um sacerdote (2º Crônicas), ESTER, uma rainha corajosa (livro de Ester), A noiva sulamita (Cântico).

“Sou a favor do ministério feminino, mas sou contra o ministério feminino ordenado” (Augustus Nicodemus, teólogo, ministro presbiteriano, Profº da Universidade Presbiteriana Mackenzie). Segundo o citado pastor em uma palestra no Youtube, o mesmo faz um relato histórico em toda a história bíblica e admite a impossibilidade doutrinária, histórica, bíblica teológica do ministério feminino ordenado. O mesmo fala do ministério das mulheres na Bíblia e cita Débora como juíza (função civil), Hulda como profetisa (o ministério de profeta não era ordenação). Admite que a mulher é inteligente e dedicada, o seu empenho e papel na história, principalmente nas religiões que sejam cristãs ou não. Diz que Jesus Cristo, no momento da escolha dos apóstolos, poderia ter chamado Maria, sua mãe para ser apóstola, mas não o fez.

Jesus deu dignidade e valor a mulher, expulsou demônio de Maria Madalena, permitiu que Maria, a prostituta beijasse sues pés, as mulheres foram as primeiras a anunciar a ressurreição, utilizou muitas mulheres nobres a serviço do reino, considerou o ministério feminino, mas nunca ordenou nenhuma delas a liderança espiritual, ou até mesmo permitisse que uma delas exercesse os atos ministeriais. Quando na escolha do novo apóstolo, para substituir Judas, os apóstolos poderiam ter escolhido Maria, mãe de Jesus, mas escolheram homens. Segundo Augustus Nicodemus, o que podemos concluir é que Deus, na sua soberania, resolveu designar esse ministério ordenado para os homens. Quando os irmãos reclamaram das viúvas que estavam sendo desprezadas na distribuição diária, convocou-se uma assembléia (havia mulheres presentes) e escolheram sete homens de boa reputação (Atos 6), o ideal seria escolher sete mulheres para cuidar da beneficência e das viúvas, mas não o fizeram. Isto nos deixa muito claro que na Bíblia não há espaço algum para o ministério feminino ordenado, e sim todo um incentivo ao ministério feminino.

O apóstolo Paulo era conhecedor profundo da cultura greco-romana, e presenciou nas suas viagens a religiosidade do povo e os deuses e deusas, (diversidade religiosa), mas não admitiu tal cultura na pregação do evangelho, e não designou nenhuma mulher para o presbitério, apesar de contar com o apoio ministerial feminino, e manda saudações e agradecimentos a várias mulheres que cooperaram com o seu ministério.

Ao examinarmos o Novo Testamento, descobrimos a posição das mulheres piedosas, honradas e belas no mais alto grau. Maria –"agraciada""bendita entre as mulheres"; sua prima Isabel, mãe de João Batista. Ana, idosa viúva de oitenta e quatro anos, dedicada ao serviço de Deus, são as mais belas personagens diretamente ligadas ao nascimento de Cristo. Maria, irmã de Lázaro,"escolheu a melhor parte", ao colocar-se aos pés do Senhor para ouvir-lhe os ensinamentos. Foi ela que O ungiu para o Seu sepultamento, uma ação que jamais perderá a sua fragrância "onde quer que este Evangelho for pregado, em todo o mundo,será também contado o que ela fez para memória sua" (Mt 26:13). Febe, foi uma servidora da igreja e socorreu a muitos (Rm 16:1). Lídia hospedou o apóstolo Paulo em sua casa (At 16:40). Priscila, ajudou Áquila a expor com mais exatidão o caminho de Deus a Apolo (At 18:26). Lembramos também das "mulheres gregas da classe nobre" que creram (At 17:12). Paulo, no final da carta à igreja em Roma, faz uma saudação e um claro elogio a Trifena, Trifosa e Pérside, mulheres que trabalhavam no Senhor (Rm 16:12). A Maria Madalena foi concedida a alta honra de transmitir aos demais discípulos a ressurreição de Cristo (Jo 20:17). E o que dizer de Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, Suzana e muitas outras, as quais lhe prestavam assistência com os seus bens (Lc 8:3). Mulheres que foram alcançadas pelo toque, pela presença poderosa de Jesus. Sara, apesar de não estar na lista das mulheres do Novo Testamento, é nele citada com destaque e permanece como o exemplo das "santas mulheres que esperavam em Deus, e estavam sujeitas aos seus próprios maridos", pois lemos que "Sara obedecia a Abraão, chamando-lhe senhor; da qual vós sois filhas, fazendo o bem" (1Pe 3:5,6).

Considerações Finais

Que belo e honrado caminho foi trilhado por essas mulheres! Que possamos encontrar as descendentes dessas piedosas mulheres entre nós! Os apóstolos Paulo e Pedro estabeleceram algumas qualidades destinadas especificamente às mulheres. Estas características servem como critérios para avaliar o perfil da mulher no Novo Testamento:

“Da mesma sorte, quanto a mulheres, é necessário que sejam elas respeitáveis, não maldizentes, temperantes e fiéis em tudo”. 1Tm 3:11

Pregamos que a Bíblia é a nossa regra de fé e prática. Então, já que não há na Palavra de Deus nenhuma orientação clara, com relação ao ministério feminino ordenado, por que avançar um sinal que não está favorável (verde)? Estamos forçando o texto bíblico, estamos praticando uma cultura religiosa pagã e estamos desobedecendo a Deus, causando grandes prejuízos para as nossas igrejas, a nossa denominação e a nossa sociedade, e levando as mulheres a assumir um ministério ordenado que Deus, o nosso pai não ordena.

Parabéns as mulheres pelo ministério que o Senhor Jesus tem confiado a cada uma, continuem exercendo com amor e dedicação. Os sacerdotes, os profetas, os reis, os apóstolos, os pastores, as igrejas, não teriam produzido, avançado tanto, sem o ministério das mulheres.



Extraído de: 
http://bereianos.blogspot.com.br/2013/09/ministerio-feminino-versus-ministerio.html

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