sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Anarquia (por Gary DeMar)



Uma solução proposta ao problema de como o poder e a autoridade deveria funcionar na sociedade é colocar a soberania totalmente com o indivíduo. (Sempre que virmos a palavra “total” ou“totalmente” com respeito ao homem e suas instituições, cuidado: a tirania está oculta nas sombras). Anarquia é a implicação última dessa filosofia: todo homem é o seu próprio juiz ou júri. A Bíblia nos diz que Deus é o Juiz e Júri último do homem. Deus estabelece a lei. Ele coloca o homem e a criação sob o fator refreador de sua lei. Além do mais, a Queda do homem no pecado tornou a restrição externa ainda mais necessária.

O anarquista crê que as restrições externas, perpetuadas pelos governos civis, é o culpado de todos os nossos males. O indivíduo deve agir para remover as algemas da restrição externa e abrir as comportas da liberdade desenfreada para todas as pessoas. Para o anarquista, o governo civil é o inimigo da sociedade, simplesmente porque ele governa o indivíduo. A palavra anarquia é composta de duas palavras gregas, uma que significa “não” e arche, que significa “governo” ou “poder”. Um anarquista despreza qualquer poder maior que ele mesmo e agirá de forma violenta para destruir qualquer autoridade que tente cortar quaisquer de suas liberdades individuais, não importa quão depravadas ou perigosas sejam para a sociedade como um todo.

O terrorismo dos nossos dias é uma manifestação de anarquia sob a aparência de “liberdade”. A contra cultura da década de 1960 encorajou a anarquia como uma forma de reverter a ordem da sociedade. Muito da música rock estimulava o fogo do radicalismo de tal período.


O anarquista revolucionário crê na bondade inerente de alguns homens e que, com uma destruição da ordem existente e a morte dos homens maus remanescentes, uma nova sociedade emergirá dos entulhos. O anarquista pacifista (tais como o escritor russo Tolstoy) crê na malignidade inata das instituições coercivas do homem, e assim retira-se do poder, deixando aqueles que crêem na salvação pelo poder com maior controle. Em ambos os caminhos – escape ou poder – a anarquia é nada mais que um atalho para a tirania. O Marxismo usa a desilusão de algumas pessoas para criar tanto caos que a única solução para os problemas de uma nação é o governo totalitário. Sob o comunismo, a anarquia é a primeira ideologia eliminada após a revolução acontecer.

Muitos cristãos, crescentemente frustrados com o vagaroso progresso que o povo de Deus parece estar fazendo na sociedade, têm se voltado para a anarquia como a única solução para uma tirania progressiva. Considere a resposta de Davi ao homicida Rei Saul. Davi assassinou Saul quando foi perseguido pelo mesmo? Davi foi forçado a fugir de Israel e fingir ter ficado doido na presença dos filisteus – e não apenas dos filisteus, mas do rei de Gate, a cidade de Golias (1 Samuel 21:10-15). Davi era ungido de Deus e, todavia, não desafiou Saul. Nem ele se entregou. Eis o que escreveu: “Não morrerei; antes, viverei e contarei as obras do SENHOR” (Salmo 118:17).

Anarquia é o caminho dos perdedores históricos e pensadores míopes. Não é surpresa aprender que quando Lênin começou a consolidar seu poder na Rússia após a Revolução Russa, ele deportou alguns anarquistas e matou outros. Todavia, eles tiveram que suportar a violência revolucionária em nome da abolição de todas as diretrizes políticas e do Estado. Sempre haverá diretrizes do Estado. A questão é: Quais? De Deus ou de algum ditador insignificante? O planejamento da Bíblia ou de alguma elite humanista?

Fonte: Ruler Of The Nations: Biblical Principles for
Government, Gary DeMar, p. 18.

Extraído de:


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