terça-feira, 24 de janeiro de 2017

A Eternidade dos Tormentos do Inferno (por Jonathan Edwards) - parte 03 de 03


Traduzido do original em inglês: The Eternity of Hell's Torments
Jonathan Edwards © Domínio Público
Original disponível em: www.APURITANSMIND.com
Tradução e Produção: www.FirelandMissions.com
Primeira edição: Setembro de 2013.


IV. Diversos Fins Excelentes e Importantes Serão Obtidos Por Meio do Castigo Eterno dos Ímpios.

Primeiro, por este meio Deus vindica Sua majestade ofendida. Aonde os pecadores lançam seu desprezo e pisoteiam, Deus vindica honra e faz Sua majestade aparecer, uma vez que ela é realmente infinita, mostrando que é infinitamente terrível rejeitá-la ou ofendê-la.

Segundo, Deus glorifica a Sua justiça. A glória de Deus é o maior bem. A Sua glória é o fim principal da criação. É mais importante do que qualquer outra coisa. Mas este único caminho onde Deus glorificará a Si mesmo, como por exemplo na destruição eterna dos ímpios, Ele glorificará a Sua justiça. Ali, Ele aparecerá como o justo Governador do mundo. A justiça vingativa de Deus se mostrará terminante, precisa, temível e terrível, e portanto, gloriosa.

Terceiro, por meio disso, Deus indiretamente glorifica a Sua graça nos vasos de misericórdia. Os santos no céu contemplarão os tormentos dos condenados: "A fumaça do tormento de tais pessoas sobe para todo o sempre" - Ap 14:11. "Sairão e verão os cadáveres dos que se rebelaram contra mim; o seu verme não morrerá, e o seu fogo não se apagará, e causarão repugnância a toda a humanidade" - Is 66:24. E em Apocalipse 14:10 é dito, que eles serão atormentados na presença dos santos anjos e na presença do Cordeiro. Logo, eles serão atormentados na presença também dos santos glorificados.

Por meio disto os santos serão mais conscientizados de quão grande é a sua salvação. Quando eles verem quão grande é o tormento do qual Deus os salvou, e quão grande diferença há entre o seu estado e o estado dos outros, os quais não eram por natureza e, talvez, por algum tempo na prática mais pecaminosos e imerecedores do que eles, isto os dará um senso maior das maravilhas da graça de Deus para com eles. Sempre que eles olharem para os condenados, isto os incitará a um senso vivo de admiração pela graça de Deus, em tê-los dado tal graça para os diferenciar. O apóstolo nos diz que esta é uma das finalidades da condenação dos ímpios: "E se Deus, querendo mostrar a Sua ira e tornar conhecido o Seu poder, suportou com grande paciência os vasos de Sua ira, preparados para destruição? Que dizer, se Ele fez isto para tornar conhecidas as riquezas de Sua glória aos vasos de Sua misericórdia, que preparou de antemão para glória?" - Rm 9:22-23. A visão do tormento dos condenados fará dobrar o ardor do amor e da gratidão dos santos no céu.

Quarto, a visão dos tormentos do inferno exaltará a felicidade dos santos eternamente. Eles não somente estarão mais conscientes da grandeza e da gratuidade da graça de Deus em sua felicidade, mas isso realmente aumentará a felicidade deles, uma vez que os fará mais cientes de sua própria felicidade. Isto os dará um deleite mais vívido do mesmo: os fará atribuir grande valor à felicidade.
Quando eles verem outros, que tinham a mesma natureza e nasceram sob as mesmas circunstâncias que eles, mergulhados em tal tormento, e em uma posição tão distinta, oh, isso os conscientizará de quão felizes eles são. Um senso do tormento de outro, em todos os casos, aumenta grandemente o deleite de qualquer alegria ou prazer.

A visão do poder maravilhoso, da grande e temível majestade, e da terrível justiça e santidade de Deus, manifestos no castigo eterno dos ímpios, os fará apreciar o Seu favor e amá-Lo muito mais. E, eles serão muito mais felizes na satisfação do mesmo.

Aplicação Prática

  1. A partir do que foi dito, podemos aprender a insensatez e a loucura da maior parte da humanidade, em que, por causa da atual satisfação momentânea, correm o risco de sofrerem todos esses tormentos eternos. Eles preferem um pequeno prazer, ou um pouco de riqueza, ou um pouco de honra e grandeza terrena os quais duram apenas por um momento à uma fuga desta punição. Se é verdade que os tormentos do inferno são eternos, do que valeria ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que dará o homem em troca da sua alma? O que existe neste mundo, que não seja tão frívolo e passageiro quanto a vaidade, em comparação com essas coisas eternas? (cf. Mc 8:36-37; Sl 62:9).Quão loucos são os homens, que tantas vezes ouvem essas coisas e fingem acreditar nelas; os quais vivem apenas um pouco de tempo alguns anos; que nem ao menos esperam viver aqui mais do que outros de sua espécie normalmente vivem; e que mesmo assim estão desatentos sobre o que será deles no outro mundo, onde não há mudança nem fim!

    Quão loucos são eles, quando ouvem que se permanecerem no pecado eles serão eternamente miseráveis que não são movidos por isso, mas ouvem com tanta descuido e frieza, como se não estivessem de jeito nenhum preocupados com o assunto quando não reconhecem, senão que este pode ser o seu caso, e que eles podem sofrer esses tormentos antes que uma semana chegue ao fim!

    Como pode os homens serem tão descuidados sobre tão importante assunto como a sua própria destruição e tormento eterno?

    Que estranha insensibilidade sem sentido possuem os corações dos homens!

    Que coisa comum é esta, ver homens, que são avisados de domingo a domingo do tormento eterno, e que são tão mortais quanto outros homens, serem tão descuidados quanto a isso que eles não aparentam, de forma alguma, restringidos de qualquer coisa que suas almas cobicem! O cuidado deles em escapar do tormento eterno, não é nem a metade do cuidado que eles têm com coisas como obter dinheiro e posses, ser notável no mundo e gratificar sua inteligência. Seus pensamentos são muito mais exercitados nessas coisas, e eles têm muito mais cuidado e preocupação com elas. Embora eles sejam diariamente expostos ao tormento eterno, este é algo negligenciado. O tormento eterno é só ocasionalmente considerado, e considerado com uma grande quantidade de estupidez, e não com uma preocupação suficiente para levá-los a fazer algo considerável para escapar dele. Eles não estão cientes de que vale a pena, durante sua vida, fazer todos os esforços consideráveis p ara isso. E se eles, de fato, se esforçam por um pouco de tempo, logo deixam de lado, e outra coisa ocupa seus pensamentos e preocupações.

    Assim se vê entre jovens e velhos. Multidões de jovens levam uma vida descuidada, tendo pouca preocupação por sua salvação. Assim, você pode ver entre as pessoas de meia-idade, com muitos que já são mais velhos, e que certamente se aproximam da sepultura. No entanto, essas mesmas pessoas parecem reconhecer que a maior parte dos homens que vão para o inferno e sofrem o tormento eterno não têm nenhuma preocupação com isso. No entanto, eles farão o mesmo!

    Quão estranho é que os homens se divertem e repousam, enquanto estão, desta maneira, suspensos sobre as chamas eternas: ao mesmo tempo, não tendo nenhuma posse de suas vidas e não sabendo quão logo o fio, em que estão suspensos, vai arrebentar. Aliás, eles nem fingem saber. E se o fio arrebentar, eles se foram: eles estão perdidos para sempre, e não há solução! No entanto, eles não se incomodam muito com isso, nem darão ouvidos àqueles que os alertam, rogando-lhes que cuidem de si mesmos e trabalhem para sair dessa condição perigosa. Eles não estão dispostos a fazer tanto esforço. Eles não escolhem se desviar de entreter a si mesmos com brinquedos e vaidades. Portanto, o homem sábio pode muito bem dizer: "O coração dos homens, além do mais, está cheio de maldade e de loucura durante toda a vida; e por fim eles se juntarão aos mortos" Ec 9:3. Quão mais sábios são aqueles poucos, que fazem disto o seu maior interesse a fim de estabelecer uma base para a eternidade, a fim de garantirem a sua salvação!

  2. Irei aprimorar este assunto dando uma exortação aos pecadores, para tomarem cuidado de escapar destes tormentos eternos. Se eles forem eternos, alguém poderia pensar que seria suficiente despertar o interesse e incitar a diligência. Se o castigo for eterno, ele é infinito, como alegamos anteriormente. E portanto, nenhum outro mal, nenhuma morte, nenhum tormento temporário que você já tenha ouvido falar, ou que você pode conceber, é nada em comparação com este castigo; mas ele é muito menos concebível não apenas como um grão de areia é menor do que todo o universo, mas como ele é menor que o espaço ilimitado que engloba o universo.Portanto, aqui: 

    Primeiro, suplicarei a considerarem atentamente quão grande e terrível é a eternidade. Embora não seja possível compreendê-la mais através da consideração, ainda assim você pode se tornar mais consciente de que a eternidade não deve ser desconsiderada. Considere o que é sofrer extremo tormento para todo o sempre: sofrer dia e noite de um ano a outro, de uma era à outra, e de mil eras à outra (e assim acrescentando era à era, e milhares aos milhares), na dor, no choro e no lamento, gemendo e gritando, e rangendo os dentes com as suas almas cheias de terrível agonia e espanto, e com os seus corpos e cada membro, cheios de exorbitante tortura sem qualquer possibilidade de obter conforto; sem qualquer possibilidade de fazer Deus se compadecer por meio de seus gritos; sem qualquer possibilidade de esconder-se d'Ele; sem qualquer possibilidade de desviar seus pensamentos de sua dor; sem qualquer possibilidade de obter qualquer tipo de alívio, ajuda ou mudança para melhor.


    Segundo, considere quão terrível será o desespero em tal tormento. Quão triste será, quando você estiver sob estes excessivos tormentos, ter a certeza que você nunca, nunca ficará livre deles. Não haveria nenhuma esperança: embora você desejasse ser transformado em nada, você não teria nenhuma esperança disso; embora você desejasse ser transformado em um sapo ou uma serpente, você não teria nenhuma esperança disso; embora você se alegrasse se pudesse ter algum alívio, depois de ter sofrido esses tormentos milhões de eras, você não teria nenhuma esperança disso. Depois de ter acabado a era do sol, da lua e das estrelas, em seus dolorosos gemidos e lamentações, sem descanso nem de dia nem de noite, nem sequer um minuto de alívio, ainda assim você não teria nenhuma esperança de um dia ser liberto. Depois de ter se passado mais de mil eras semelhantes, você não teria nenhuma esperança, mas você saberia que não estaria nem um pouco mais perto do fim de seu tormento. Mas ainda haveria os mesmos gemidos, os mesmos gritos, os mesmos lamentos, incessantemente vindos de você, e que a fumaça do seu tormento continuaria a subir para todo o sempre. A sua alma, a qual estaria sendo afligida pela ira de Deus todo esse tempo, ainda existiria para suportar mais ira. O seu corpo, que estaria sendo queimado todo esse tempo nestas chamas ardentes, não seria consumido, mas permaneceria para ser queimado por toda a eternidade, que não seria, de maneira alguma, reduzida pelo que aconteceu no passado.

    Você pode através da consideração se tornar mais consciente do que normalmente você é. Mas você apenas pode conceber um pouquinho do que é não ter nenhuma esperança em tais tormentos. Quão avassalador isso seria para você, suportar tamanha dor assim como você tem sentido neste mundo sem qualquer esperança e saber que você nunca ficará livre dela, nem sequer terá um minuto de descanso!


    Neste momento, você apenas consegue, de forma bem escassa, conceber quão doloroso isso seria. Quão maior será suportar o grande peso da ira de Deus, sem esperança!

    Quanto mais os condenados no inferno pensarem na eternidade de seus tormentos, mais assombroso estes parecerão a eles. E ai deles, pois não serão capazes de manter a eternidade fora de sua mente! Sua tortura não os desviará de pensarem nela, mas fixarão sua atenção nela.

    Oh, quão terrível a eternidade parecerá para eles depois de terem pensado sobre ela por eras e mais eras, e já tendo experimentado por tanto tempo seus tormentos!

    Os condenados no inferno terão dois infinitos para perpetuamente assombrá-los e consumi-los: um é o Deus infinito, cuja ira eles suportarão, e em quem eles verão o seu perfeito inimigo irreconciliável; e o outro é a infinita duração dos seus tormentos.

    Se fosse possível aos condenados no inferno terem um conhecimento abrangente da eternidade, sua tristeza e dor teriam um grau infinito. A visão abrangente de tanta tristeza, a qual eles irão suportar, causaria uma tristeza infinita no presente. Embora eles não terão um conhecimento abrangente do mesmo, ainda assim, sem dúvida, eles terão uma apreensão muito mais viva e forte do que podemos ter neste mundo.

    Seus tormentos irão dar-lhes uma impressão dela. Um homem em seu estado atual, sem qualquer ampliação de sua capacidade, teria uma impressão muito mais viva da eternidade do que ele tem, se ele apenas estivesse sob uma dor bem forte em algum membro de seu corpo, e tivesse ao mesmo tempo certeza de que ele suportaria essa dor para sempre. Sua dor lhe daria um maior senso da eternidade do que os outros homens têm.

    Quão maior efeito terá aqueles excruciantes tormentos, que o condenado há de sofrer!

    Além de provavelmente a capacidade deles ser aumentada, seu entendimento será mais rápido e mais forte no estado futuro, e Deus poderá lhes dar um senso tão grande e uma impressão tão forte da eternidade, quanto Lhe aprouver, a fim de aumentar a sua dor e tormento.

    Oh, eu lhes imploro, vocês os que estão em um estado sem Cristo e estão indo a caminho do inferno, que estão diariamente expostos a condenação, considerem estas coisas. Se você não fizer isso, certamente isso será um pouco antes de você experimentá-los, e então você saberá quão terrível é se desesperar no inferno. E isso pode acontecer antes deste ano, ou deste mês, ou desta semana, ou estar por um fio: antes de outro sábado, ou até mesmo, talvez você jamais tenha oportunidade de ouvir outro sermão.

    Terceiro, que você efetivamente escape esses terríveis e pavorosos tormentos. Eu lhes suplico, fujam e abracem Aquele que veio ao mundo justamente com o propósito de salvar os pecadores destes tormentos; que pagou toda a dívida para com a lei divina, e eliminou o eterno em Seus sofrimentos temporais.

    Que grande incentivo é este, para aqueles de vocês que estão conscientes de que estão expostos ao castigo eterno, que há um Salvador, que é capaz e que livremente se oferece para salvá-los daquele castigo, e que o faz de uma forma que é perfeitamente consistente com a glória de Deus: sim, o que glorifica mais a Deus do que seria se você sofresse o castigo eterno no inferno. Pois, se você fosse sofrer aquele castigo, você nunca pagaria a totalidade da dívida. Aqueles que são enviados para o inferno nunca pagarão a totalidade da dívida que devem a Deus, nem sequer uma fração, a qual não se compara com o todo. Eles nunca pagarão uma fração que se compare a grande proporção do todo, como um centavo de dez mil talentos. Portanto, a justiça jamais pode ser efetivamente satisfeita em sua condenação. Mas é efetivamente satisfeita em Cristo. Pois Ele é aceito pelo Pai, e por consequência, todos os que creem são aceitos e justificados n'Ele.

    Portanto, creia n'Ele, venha a Ele, confie a sua alma a Ele para que seja salvo por Ele. Nele, você estará seguro dos eternos tormentos do inferno. E isso não é tudo, mas através d'Ele você herdará inconcebível bem-aventurança e glória, que terão a mesma duração que os tormentos do inferno. Pois, assim como no último dia os ímpios irão para o castigo eterno, assim o justo, ou aqueles que confiam em Cristo, irão para a vida eterna.


Extraído de:
https://docs.google.com/file/d/0ByMRQ3bAxEvTT0JrODlONHhiUkU/


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