quarta-feira, 5 de abril de 2017

Indicadores Históricos para o Preterismo (por Kenneth Gentry Jr)



Esta é a minha terceira parcela sobre a questão da evidência de que o Apocalipse foi cumprido no primeiro século [da era cristã]. Por mais surpreendente que essa conclusão seja para o evangélico moderno, a prova está no próprio Apocalipse. Neste artigo vou considerar os Indicadores Históricos para o preterismo. Concordo com o estudioso talmúdico puritano, John Lightfoot: O Apocalipse parece profetizar o julgamento de Cristo sobre os judeus no ano 70 d.C. A declaração inicial do propósito de João (Apocalipse 1:7), as sete cartas (Apocalipse 2:9; o corpo de Apocalipse - Apocalipse 4-19, por exemplo - Apocalipse 7:1-8; 11:1-8), todos refletem essa verdade. Logo após mencionar a proximidade dos eventos (1:1,3) e pouco antes de aludir às terríveis circunstâncias de sua audiência original (Apocalipse 1:9), o verso 7 adverte: "Eis (que) vem com as nuvens, e verá a ele todo olho também os que a ele traspassaram, e se lamentarão sobre ele todas as tribos da terra. Sim, amém".* (Novo Testamento Interlinear Grego Português, da Sociedade Bíblica do Brasil). Embora isto pareça ser uma referência a Segunda Vinda, as seguintes evidências apontam para o ano 70 d.C.

Vindo com as nuvens 

A linguagem em nuvem fala frequentemente de julgamentos divinos históricos. Por exemplo, Isaías 19:1a adverte: 
"Um oráculo sobre o Egito:  Eis que o SENHOR cavalga sobre uma nuvem veloz e vem para o Egito" ([...] Joel 2:1, 2 Naum 1:2-3, Sofonias 1:14,15).

 Isso fala do rei assírio Esarhaddon [ou Assaradon] conquistando o Egito no ano 671 a.C. Como observa Young: 
"A cena não sugere necessariamente que o Senhor vem do Templo em Jerusalém e nem do céu, mas apenas que Ele vem como juiz" (Isaías 2:14), isto é, providencialmente, não pessoalmente. Curiosamente, João segue Jesus ao fundir Zacarias 12:10 e Daniel 7:13. Como João, Jesus menciona a "vinda sobre as nuvens" (Mateus 24:29- 30) contra Israel (Mateus 23:36; 24:2, 16). E, como João, Jesus vincula os acontecimentos ao futuro próximo: "todas estas coisas virão sobre esta geração" (Mateus 24:34). 

Aqueles que Crucificaram Cristo 

O julgamento de Cristo é contra: "aqueles que o traspassaram". Jesus culpa os judeus pela Sua morte: "Cristo começou a mostrar a Seus discípulos que Ele devia ir a Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, e Ser morto" (Mateus 16:21, Mateus 20:18-19, 21:33-43, Marcos 8:31, Lucas 9:22). Os apóstolos também lançam a culpa da aliança pela Sua crucificação sobre Israel: "Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes" (Atos 4:10a, compare com João 19:5-15; Atos 2:22, 23, 36; 3:14, 15; 4:8-10; 5:30; 10:39; 1ª Tessalonicenses 2:14-16). Apocalipse 1:7 deve referir-se ao primeiro século em que aqueles que "o traspassaram" estão agora há muito tempo mortos. 

As Tribos da Terra

Este julgamento traz lamentação sobre "todas as tribos da terra" (Apocalipse 1:7, Interlinear de Marshall). Essas "tribos" (phyle, [no grego]) devem ser as tribos de Israel (Mateus 19:28, Lucas 22:30). TDNT observa que a Septuaginta, "com poucas exceções. . . tem phyle, de modo que este se tornou um termo fixo para o sistema tribal de Israel" (9:246). O Apocalipse menciona claramente aqueles judeus que foram salvos das "tribos" de Israel (Apocalipse 7:4-8, compare com 21:12); João coloca estes sobre outras "tribos e povos" além de Israel (Apocalipse 7:9, compare com Apocalipse 11:9). Além disso, João associa essas "tribos" à "terra" (tes ges, [no grego]), a bem conhecida Terra Prometida (Lucas 21:23). Como observa Edersheim: 
"A Palestina era para os rabinos simplesmente "a terra", todos os outros países são resumidos sob a designação de fora da terra".* 
Na verdade, o Antigo Testamento menciona "as tribos" e "a terra" em numerosas instâncias (Gênesis 49:16, Números 26:55, Josué 14:1, 19:51, Ezequiel 45:8, 48:29). Nas sete cartas, João menciona especificamente a deserção dos judeus em relação a Deus. Ele até informa às igrejas que Cristo as vindicará julgando os judeus:
"Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás".
(Apocalipse 2:9)
"Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo".
(Apocalipse 3:9)
Certamente esta humilhação dos judeus estava na vida dos destinatários do Apocalipse - no ano 70 d.C., quando os judeus foram "expulsos" (Mateus 8:10-12) e o reino foi dado aos gentios (Mateus 21:40-43).

O Templo e a Cidade Santa 

O Apocalipse menciona expressamente a destruição do templo, e com linguagem extraída do Discurso do Monte das Oliveiras. "Jerusalém será pisada pelos gentios até que os tempos dos gentios sejam cumpridos". (Lucas 21:24b) 
"E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses".
(Apocalipse 11:2)
Observe que ambas as passagens nos informam que a "cidade santa" ("Jerusalém") será "pisada" pelos "gentios". E ambas [as passagens] aparecem em profecias confinadas ao curto prazo (Apocalipse 1:1, 3; 22:6, 10; Lucas 21, 31-32). Evidentemente, esses textos estão se referindo aos mesmos eventos, com João derivando sua sugestão do discurso de Cristo sobre o ano 70 d.C. (Lucas 21:6-7). Curiosamente, o tempo do engajamento imperial formal da Guerra Judaica até a destruição do templo foi de quarenta e dois meses. De acordo com Bruce, após a insurreição judaica inicial no ano 66 d.C., Vespasiano "chegou na primavera seguinte [67 D.C.] para se encarregar das operações... Tito iniciou o cerco de Jerusalém em abril do ano 70 d.C. Os defensores aguentaram desesperadamente por cinco meses, mas no final de agosto, a área do Templo foi ocupada e a casa sagrada queimou, e no final de setembro toda a resistência na cidade tinha chegado ao fim". Da primavera do ano 67 ao ano 70 d.C., cobre um período de quarenta e dois meses. Esta é uma correspondência notável que se encaixa relevantemente com todos os outros dados. 


No original o autor usou Alfred Marshall, The Interlinear Greek-English NT; cp. Robert Young, Literal Translation.
* Preterism Justifications (3). by Kenneth L. Gentry, Jr., 
Site: www.postmillennialismtoday.com

Extraído: O Apocalipse já Aconteceu? Título original: Is Revelation Past? Kenneth L. Gentry, Jr.  Tradução e adaptação textual por César Francisco Raymundo.


Extraído de: 

http://defesaapologetica.blogspot.com.br/2017/04/indicadores-historicos-para-o.html

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