sexta-feira, 6 de março de 2026

O que dizer sobre "feminicídio"?

Introdução

A violência contra a mulher é um crime grave e abominável. Nenhuma sociedade civilizada pode tratar com indiferença agressões, abusos ou assassinatos dentro do ambiente doméstico. No entanto, condenar a violência não significa aceitar sem crítica os conceitos jurídicos modernos usados para descrevê-la. Entre esses conceitos está o termo “feminicídio”, amplamente utilizado no debate público e incorporado à legislação brasileira.

Este texto procura tratar o tema com equilíbrio: afirmar a gravidade da violência contra mulheres, mas também questionar se a solução jurídica adotada é coerente, justa e consistente com princípios morais mais profundos.

1. O problema do termo “feminicídio”

No direito penal clássico, o assassinato de qualquer pessoa é chamado de homicídio. O termo vem do latim homo (ser humano) e caedere (matar). Ou seja, trata-se do ato de matar um ser humano, independentemente de sexo.

Ao criar o termo “feminicídio”, a legislação moderna estabelece uma categoria especial: homicídios cometidos contra mulheres “por razões da condição de sexo feminino”. A intenção declarada é reconhecer padrões de violência doméstica e desigualdade social. Porém, essa redefinição levanta um problema conceitual.

Se matar alguém é sempre igualmente grave, por que o crime deveria receber classificação diferente dependendo do sexo da vítima? Em outras palavras: se o bem jurídico protegido é a vida humana, então toda vida deveria ter igual valor perante a lei.

2. A incoerência penal moderna

No Brasil, o homicídio qualificado já é considerado crime hediondo. Ainda assim, a legislação passou a criar qualificações adicionais com base no sexo da vítima.

Isso produz uma tensão lógica curiosa: o sistema penal moderno rejeita a pena capital para assassinos, mas ao mesmo tempo propõe penas diferenciadas conforme a identidade da vítima. Ou seja, o assassinato em si não recebe a punição máxima possível, mas certas categorias de vítimas recebem maior peso jurídico.

Essa lógica tende a deslocar o foco da justiça do ato cometido para a identidade das pessoas envolvidas.

3. A punição máxima elimina a necessidade de classificações

3.1 Quando a punição é menor que o crime

Quando a punição aplicada ao homicídio é inferior à gravidade do crime cometido, abre-se espaço para debates intermináveis sobre como tratar os criminosos.

Passa-se a discutir regimes prisionais, tornozeleiras eletrônicas, progressão de pena e inúmeras outras alternativas penais. Essas discussões surgem, em grande parte, porque o sistema penal moderno decidiu não aplicar a punição máxima ao homicídio intencional.

3.2 O princípio bíblico da justiça proporcional

A lei bíblica apresenta uma lógica diferente. O homicídio deliberado é tratado com a máxima severidade.

“Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado;
porque Deus fez o homem conforme a sua imagem.”

(Gênesis 9:6)

Esse princípio baseia-se na dignidade da vida humana criada à imagem de Deus.

3.3 A prevenção indireta do crime

Aplicar a punição máxima não elimina o mal do mundo. A Bíblia jamais ensina que uma sociedade perfeita pode ser alcançada nesta era. No entanto, ela reconhece que a justiça firme limita a propagação do mal.

Um princípio simples demonstra isso: um homicida executado não pode cometer o mesmo crime novamente.

3.4 O efeito da indecisão jurídica

Quando a punição é incerta ou branda, a sociedade passa a viver sob um sistema de decisões sucessivas: revisões de pena, progressões e vigilância contínua.

4. O que a Bíblia diz sobre o assassinato

“Não matarás.”

(Êxodo 20:13)

A razão para essa proibição é teológica: o ser humano foi criado à imagem de Deus.

“Quem derramar sangue de homem, pelo homem terá o seu sangue derramado.”

(Gênesis 9:6)

5. A mulher como “vaso mais frágil”

A Bíblia também reconhece diferenças naturais entre os sexos e chama os homens a uma responsabilidade especial no cuidado com as mulheres.

“Maridos, vivei com elas com entendimento, dando honra à mulher, como vaso mais frágil.”

(1 Pedro 3:7)

Esse texto não diminui a dignidade da mulher. Pelo contrário, reforça a obrigação moral do homem de protegê-la e tratá-la com honra.

Portanto, a condenação bíblica da violência doméstica é inequívoca. O marido que agride ou ameaça sua esposa viola gravemente o padrão moral estabelecido por Deus.

6. E quando a vítima é o homem?

Ao condenar a violência contra a mulher, especialmente contra o que a Escritura chama de “vaso mais frágil”, é necessário reconhecer algo igualmente verdadeiro: a violência doméstica não ocorre exclusivamente em uma direção.

Existem numerosos casos em que o homem é vítima de agressão dentro do lar.

6.1 A violência não pertence a um sexo

“A terra estava corrompida diante de Deus e cheia de violência.”

(Gênesis 6:11)

6.2 A inconsistência das categorias modernas

Se a lógica moderna cria termos especiais para homicídios contra mulheres, então teoricamente seria necessário criar novos termos para qualquer outra categoria de vítima.

6.3 Justiça imparcial nas Escrituras

A Bíblia insiste repetidamente que a justiça não deve fazer distinções pessoais.

“Não cometereis injustiça no juízo; não favorecerás o pobre,
nem honrarás o poderoso; com justiça julgarás o teu próximo.”

(Levítico 19:15)

“Não fareis acepção de pessoas no julgamento; ouvireis tanto o pequeno como o grande.”

(Deuteronômio 1:17)

“Não seguirás a multidão para fazer o mal.”

(Êxodo 23:2–3)

“O Senhor vosso Deus é Deus dos deuses... que não faz acepção de pessoas.”

(Deuteronômio 10:17)

“Também estes são provérbios dos sábios: mostrar parcialidade no julgamento não é bom.”

(Provérbios 24:23)

“Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.”

(Romanos 2:11)

7. O que uma vítima deve fazer diante da violência

“Livra os que estão sendo levados para a morte.”

(Provérbios 24:11)

8. O que dizem as estatísticas

A maioria das vítimas de homicídio no Brasil é masculina, enquanto a violência doméstica contra mulheres ocorre de forma proporcionalmente maior dentro de relacionamentos íntimos.

9. Medidas preventivas

“O prudente vê o mal e esconde-se.”

(Provérbios 22:3)

10. Justiça verdadeira não depende de identidade

Uma justiça sólida não deve depender da identidade da vítima ou do agressor, mas da gravidade do ato cometido.

Conclusão

A violência contra a mulher deve ser condenada de forma firme e inequívoca. Ao mesmo tempo, a justiça não deve se basear em categorias identitárias, mas na gravidade objetiva do crime.

A tradição bíblica aponta um caminho diferente do modelo moderno: punir o homicídio com a máxima seriedade possível, independentemente do sexo da vítima, porque toda vida humana carrega a imagem do Criador.