terça-feira, 11 de janeiro de 2011

CONFISSÃO DE FÉ BATISTA DE 1689 (parte 05)

CAPÍTULO 8
CRISTO, O MEDIADOR


1. Em seu propósito eterno, e de acordo com o pacto estabelecido entre ambos, aprouve a Deus escolher e destinar o Senhor Jesus Cristo, seu Filho unigênito, para ser o mediador entre Deus e os homens; para ser o profeta, sacerdote e rei; o cabeça e Salvador de sua Igreja; o herdeiro de todas as coisas6 e juiz do mundo. Desde toda a eternidade, Deus deu-Lhe um povo para ser sua descendência, e para que, em tempo, esse povo seja por Ele redimido, chamado, justificado, santificado e glorificado.
Isaías 42:1; I Pedro 1:19-20.
Atos 3:22.
Hebreus 5:5-6.
Salmo 2:6; Lucas 1:33.
Efésios 1:22-23.
Hebreus 1:2.
Atos 17:31.
Isaías 53:10; João 17:6; Romanos 8:30.

2. O Filho de Deus, Segunda pessoa da Trindade Santa – sendo o próprio Deus eterno, o resplendor da glória do Pai, da mesma essência e igual ao Pai - Ele fez o mundo, sustém e governa todas as coisas que criou. Quando veio a plenitude do tempo, Ele tomou sobre si a natureza humana, com todas as suas propriedades essenciais e fraquezas comuns – porém, sem pecado.
E foi concebido pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria (pois o Espírito Santo desceu sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveu). Foi nascido de mulher, da tribo de Judá, da descendência de Abraão e de Davi, segundo previam as Escrituras.
Desse modo, duas naturezas completas, perfeitas e distintas foram inseparavelmente unidas, em uma única pessoa, sem conversão, composição ou confusão. E essa pessoa é verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem; no entanto, um só Cristo, o único mediador entre Deus e os homens.
João 1:14; Gálatas 4:4.
Romanos 8:3; Hebreus 2:14,16-17; Hebreus 4:15.
Mateus 1:22-23; Lucas 1:27,31,35.
Romanos 9:5; I Timóteo 2:5.

3. Em sua natureza humana assim unida à divina, na pessoa do Filho, o Senhor Jesus foi santificado e ungido com o Espírito Santo, sobremaneira. Nele se encontram todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento, porque aprouve ao Pai que nEle habitasse toda plenitude, a fim de que, sendo santo, inculpável e sem mácula, cheio de graça e de verdade, Ele fosse plenamente qualificado para exercer o oficio de mediador e fiador, ofício que Ele mesmo não tomou para si, mas para o qual foi chamado por seu Pai. E o Pai lhe conferiu às mãos toda autoridade e julgamento, e ordenou que executasse essa autoridade.
Salmo 45:7; Atos 10:38; João 3:34.
Colossenses 2:3.
Colossenses 1:19.
Hebreus 7:26.
João 1:14.
Hebreus 7:22.
Hebreus 5:5.
João 5:22,27; Mateus 28:18; Atos 2:36.

4. Esse ofício o Senhor Jesus assumiu de muitíssima boa vontade e cumpriu perfeitamente; foi para isso que nasceu sob a lei. Ele suportou o castigo que a nós era devido, que nós deveríamos ter recebido e sofrido. E foi feito pecado e maldição, por nossa causa, suportando as tristezas mais aflitivas em sua alma, e os sofrimentos mais dolorosos em seu corpo. Foi crucificado e morreu; e, embora tenha estado sob o poder da morte, seu corpo não viu corrupção. Ao terceiro dia Ele se levantou dentre os mortos, com o mesmo corpo em que havia sofrido, e com o qual ascendeu ao céu. Ele está assentado à direita de seu Pai, como intercessor, e voltará para julgar homens e anjos, no fim do mundo.
Salmo 40:7-8; Hebreus 10:5-10; João 10:18.
Gálatas 4:4; Mateus 3:15.
Gálatas 3:13; Isaías 53:6; I Pedro 3:18.
II Coríntios 5:21.
Mateus 26:37-38; Lucas 22:44; Mateus 27:46.
Atos 13:37.
I Coríntios 15:3-4.
João 20:25,27.
Marcos 16:19; Atos 1:9-11.
Romanos 8:34; Hebreus 9:24.
Atos 10:42; Romanos 14:9-10; Atos 1:11; II Pedro 2:4.

5. Por sua obediência perfeita, e pelo sacrifício que fez de si mesmo (que Ele, pelo Espírito Santo, ofereceu a Deus uma única vez), o Senhor Jesus satisfez plenamente a justiça de Deus,32 obteve a reconciliação e adquiriu uma herança eterna no reino dos céus, para todos quantos foram dados a Ele pelo Pai.33
Hebreus 9:14; Hebreus 10:14; Romanos 3:25-26.
João 17:2; Hebreus 9:15.

6. O preço da redenção não foi pago por Cristo senão após a sua encarnação. No entanto, a virtude, a eficácia e os benefícios da redenção foram sucessivamente comunicados aos eleitos, em todas as eras, desde o começo do mundo, nas – e através das – promessas, tipos e sacrifícios em que Cristo foi revelado, e que o apontavam como o descendente da mulher, aquele que iria esmagar a cabeça da serpente; e como o Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo, o mesmo ontem, hoje e para sempre.
I Coríntios 10:4; Hebreus 4:2; I Pedro 1:10-11.
Apocalipse 13:8.
Hebreus 13:8.

7. Cristo, na obra de mediação, age de acordo com suas duas naturezas, cada uma delas atuando como lhe é próprio. Mesmo assim, em razão da unidade de pessoa, aquilo que é próprio de uma natureza às vezes é atribuído à pessoa de Cristo pelo nome de sua outra natureza.
João 3:13; Atos 20:28.

8. Cristo certamente aplica e comunica eficazmente a redenção eterna, para todos quantos Ele a obteve: fazendo intercessão por eles; unindo-os a si mesmo por seu Espírito; revelando-lhes o mistério da salvação, na Palavra e pela Palavra; persuadindo-os a crer e obedecer; governando os corações deles por seu Espírito e sua Palavra; e vencendo todos os inimigos deles, por seu poder e sabedoria infindos, de modo tal e por caminhos que são os mais harmoniosos com a sua maravilhosa e insondável providência; e tudo por sua graça livre e soberana, sem a precondição de neles ter sido vista de antemão uma busca pela redenção.
João 6:37; João 10:15-16; João 17:9; Romanos 5:10.
João 17:6; Efésios 1:9; I João 5:20.
Romanos 8:9,14.
Salmo 110:1; I Coríntios 15:25-26.
João 3:8; Efésios 1:8.

9. Este ofício de mediador entre Deus e os homens cabe exclusivamente a Cristo, que é profeta, sacerdote e rei da Igreja de Deus; e nem em parte nem totalmente pode ser transferido de Cristo para qualquer outrem.
I Timóteo 2:5.

10. Este número e ordem de ofícios é necessário. Precisamos de seu ofício profético, por causa de nossa ignorância. Por causa de nossa alienação de Deus, e da imperfeição de nossos melhores serviços, precisamos de seu ofício sacerdotal para nos reconciliar e apresentar aceitáveis a Deus. E, para nosso resgate e segurança, contra nossos adversários espirituais, precisamos de seu ofício real para nos convencer, subjugar, atrair, sustentar, libertar e preservar para o seu reino celestial.
João 1:18.
Colossenses 1:21; Gálatas 5:17.
João 16:8; Salmo 110:3; Lucas 1:74-75.



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