terça-feira, 5 de abril de 2011

Amor Sem Medida – Um sermão sobre João 3:16 (C. H. Spurgeon) - Parte 01 de 08


Sermão pregado em 7 de Junho de 1885 por Charles Haddon Spurgeon 
No Tabernáculo Metropolitano, Newington, Londres



“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça mas tenha a vida eterna.” João 3:16.(ACF)

Fiquei muito surpreso noutro dia quando, ao repassar a lista de textos sobre os quais preguei, descobri que não há nenhum rastro de já ter pregado em outra oportunidade acerca deste versículo. Isto chama muito a minha atenção, pois posso dizer verdadeiramente que este texto pode encabeçar todos os volumes dos meus sermões como o único tema tratado ao longo do meu ministério. O único trabalho da minha vida tem sido proclamar o amor de Deus pelos homens em Cristo Jesus.

Há pouco tempo atrás escutei um comentário sobre um ministro ancião, de quem se dizia: “Independentemente de qual tenha sido o texto, ele nunca deixava de pregar a Deus como amor, e a Cristo como a expiação pelo pecado.” Eu queria que pudessem dizer o mesmo de mim. O desejo do meu coração tem sido lançar ao vento, como se fosse uma trombeta, as boas novas de que “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

Em breve nos sentaremos ao redor da mesa da comunhão e não posso pregar acerca deste texto nada além de um simples sermão evangélico. Podem desejar uma preparação melhor para a comunhão? Temos comunhão com Deus e com nossos irmãos sobre a base do infinito amor que é manifestado em Jesus Cristo nosso Senhor. O Evangelho é a bela toalha de linho branco que cobre a mesa na qual se celebra a Festa da Comunhão.

As verdades mais elevadas, que pertencem a uma experiência de maior luz, verdades mais ricas que apregoam a comunhão com a vida mais elevada: todas são de muita ajuda para a santa comunhão; porém, estou certo que não mais que essas verdades essenciais e fundamentais que foram os meio pelos quais entramos pela primeira vez no reino de Deus.

Tanto os bebês em Cristo como os homens em Cristo se alimentam aqui com o mesmo alimento. Vamos, vocês que são santos entrados em anos, sejam crianças de novo; e vocês que conhecem o Senhor por um longo tempo, tomem seu primeiro abecedário, e repassem o ABC novamente, ao aprender que Deus amou o mundo de tal maneira, que deu o Seu Filho para que morrera, afim de que o homem pudesse viver por meio dEle. Não estou convido-lhes para uma lição elementar porque vocês esqueceram as primeiras letras, mas sim porque é uma boa coisa refrescar a memória, e é uma benção sentir-se jovem de novo. O que sempre se conheceu como o abecedário, não contém mais que letras; contudo todos os livros no nosso idioma se escrevem utilizando essa fileira de letras: por isso eu os convido a irem outra vez até a cruz, a irem a Ele que sangrou na cruz.

É bom que todos nós regressemos, ocasionalmente, ao nosso ponto de partida, de modo a nos assegurar que estamos indo bem pelo caminho eterno. É mais provável que o amor de nossos cônjuges continue se, uma e outra vez, retornamos ao ponto onde Deus começou conosco e onde nós começamos com Deus pela primeira vez. É bom que venhamos a Ele outra vez, como viemos naquele primeiro dia quando, desvalidos, necessitados, carregados, estivemos chorando ao pé da cruz, e deixamos nossa carga junto a Seus pés traspassados. Ali aprendemos a olhar, a viver e a amar; e ali queremos repetir a lição até que possamos nos apresentar de maneira perfeita na glória.

Hoje temos que falar acerca do amor de Deus: “Deus amou o mundo de tal maneira”. Esse amor de Deus é uma coisa muito maravilhosa, especialmente quando o vemos derramado sobre um mundo perdido, arruinado, culpado. O que havia no mundo para que Deus o amasse dessa maneira? Não havia nada amável nele. Nenhuma flor perfumada crescia neste árido deserto. Inimizade contra Ele, ódio pela Sua verdade, desprezo pela Sua lei, rebelião contra Seus mandamentos; esses eram os espinhos e sarças que cobriam a terra baldia; nenhuma coisa desejável florescia ali.

Entretanto, o texto nos diz que: “Deus amou o mundo.” O amou “de tal maneira” que nem mesmo o escritor do livro de João poderia quantificá-lo; mas o amou de uma maneira tão grande, tão divina, que deu o Seu Filho, Seu único Filho, para que redimisse o mundo de perecer, e para que juntasse do mundo um povo para Seu louvor.

De onde veio esse amor? Não de nada externo ao próprio Deus. O amor de Deus surge dEle mesmo. Ele ama porque fazê-lo é a Sua natureza. “Deus é amor”. Conforme mencionei, nada sobre a face da terra pode ter merecido o Seu amor. Ao contrário, havia muito que merecia Seu desagrado. Esta corrente de amor flui de Sua própria fonte secreta na Deidade eterna, e não deve nada a nenhuma chuva procedente da terra, nem a nenhum riacho; brota de debaixo do trono eterno, e se abastece das fontes do infinito. Deus amou porque Ele quis amar. Quando nos perguntamos por que Deus amou esse ou aquele homem, temos que regressar à resposta de nosso Salvador a essa pergunta: “Sim, Pai, porque assim lhe agradou”



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