terça-feira, 10 de julho de 2012

Deus, o Tentador, a Tentação, e o Tentado




Por Natan de Oliveira


"E a ira do Senhor se tornou a acender contra Israel; e incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, numera a Israel e a Judá." (2 Samuel 24.1)


1. Pergunto às pessoas "boazinhas"... O Deus da imaginação de vocês pode irar-se?

2. Ficou claro ou não que o Deus da Bíblia se ira?

3. Pergunto também a quem possa interessar, Deus incitou a Davi? Será isto mesmo, não estaria errado o texto sagrado?

Agora leia este texto paralelo:
"Então Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a numerar a Israel." (1 Crônicas 21.1)

Afinal quem foi que incitou Davi a fazer a contagem do povo de Israel? Foi Deus ou foi satanás?

Pois bem, Davi homem "obediente" que era, foi e fez a contagem.


Então...
"E este negócio pareceu mau aos olhos de Deus..." (1 Crônicas 21.7a)

E mais tarde por causa da "obediência" de Davi...
"Mandou, pois, o Senhor a peste a Israel; e caíram de Israel setenta mil homens."  (1 Crônicas 21.14)


Humanistas religiosos torcem o semblante e já refutam tal texto bíblico, pois na concepção deles nunca um Deus justo, santo e bom poderia mandar mantar setenta mil homens via peste por causa do pecado de um só (Davi).

E pior, de forma alguma eles entendem que Davi possa ter sido punido, por uma coisa que o próprio Deus (através do diabo) incitou no seu coração para que fizesse.

Muitos irmãos cristãos diante de versos assim, simplesmente ignoram tais textos bíblicos e afirmo com convicção que é mais fácil achar um homem com 6 dedos num só pé do que achar um púlpito cristão pregando tais textos.

Pregam sim: Você (homem) pode, você consegue, você tem valor, você é importante para Deus, você, você, você.... Homem.

Pregam uma doutrina que exalta o homem em detrimento de exaltar a Deus, por vezes para se defenderem desta acusação, exaltam os dois, Deus e o homem e por isto entendem que a salvação depende de um esforço conjunto entre Deus que proporciona a salvação e o homem que a tornaria efetiva quando a aceita e toma posse dela pelo exercício do seu suposto livre arbítrio.

Pois bem, no caso do título presente, respondemos com coragem sobre o exemplo de Davi:

Deus é Deus. Ele nem foi o Tentador, nem pode ser confundido com a Tentação, nem com o Tentado.


O Tentador foi Satanás, o diabo.

A Tentação foi a situação em que Davi foi colocado, veio do seu coração um forte desejo de contar o povo.


O Tentado foi Davi.

E todas as três coisas Tentador, Tentação e Tentado, todas elas o tempo todo e de forma absoluta e completa, pois Deus é totalmente soberano e nada existe e subsiste sem Ele, todas estas três coisas foram controladas por Deus.

Se Deus te colocasse numa situação semelhante, o que você faria?
Blasfemaria contra Ele e o deixaria?

Vejamos um segundo caso e identifiquemos as mesmas questões:
“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado quando atraído e engodado pela própria concupiscência. Depois havendo a concupiscência concebido, dá a luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.”  (Tiago 1.13-15)
Vejamos as quatro figuras novamente: Deus, o Tentador, a Tentação, e o Tentado.

Neste caso Deus não é o Tentador, uma vez que Ele não nos diz diretamente “peque”.


O Tentador é Satanás.

A Tentação por si vem do coração concupiscente (que tem desejo exagerado por prazeres) que pode se manifestar de mil e uma formas.


O Tentado é o pecador.

E como nada pode existir a parte de Deus, também neste caso Deus reina soberanamente sobre o Tentador, sobre a Tentação e sobre o Tentado.

Vejamos agora um caso mais famoso, pois afinal todos os cristãos já aprenderam a oração do Pai Nosso um dia, e pelo menos uma vez na vida já a fizeram:
“Pai nosso, que estás nos céus... E não nos induzas à tentação; mas livra-nos do mal...” (Mateus 6.9-13)
Neste caso Deus também não é o Tentador, mas Ele é quem controla totalmente a tentação, pois o texto mostra claramente que quem induz ou não para a tentação é Ele (Pai nosso que estás nos céus).

Quando Ele por motivos que a Ele pertence, nos induz a tentação, o faz através do Tentador satanás dando-lhe permissão e limites expressos para tal.

No texto é ainda mais constrangedor o fato de que Ele também é o Senhor e controlador do mal, pois quem tem o poder de livrar-nos do mal (ou não) é Ele.


O Tentador portanto é Satanás.

A Tentação é o mal que brota de dentro do coração do homem, cuja natureza é propensa para isto e por isto pecador, satanás apenas provoca a situação e o coração do pecador já se alvoroça.

O Tentado (ou não) será aquele que está a fazer a oração do Pai Nosso.

Mais e mais exemplos poderiam ser dados, mas apenas mais um será apresentado para ilustrar plenamente as quatro figuras:
“Então foi conduzido Jesus pelo Espírito Santo ao deserto, para ser tentado pelo diabo... ... E, chegando-se a ele o tentador, disse: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem pães...” (Mateus 4.1-3)

Também neste caso as figuras de Deus, do Tentador, da Tentação e do Tentado se apresentam da mesma forma.

Deus continua sendo Deus. Deus continua sendo soberano e Rei sobre todas as coisas e acontecimentos.

Deus mesmo através da pessoa do Espírito Santo é quem leva e conduz Jesus ao deserto para ser tentado pelo diabo. Mas ele diretamente não foi o Tentador.


O Tentador foi Satanás.

A Tentação brotou neste caso da pergunta do diabo e não do coração maligno de Jesus, pois Jesus não tinha coração maligno, nem natureza pecadora.

O Tentado neste caso era Jesus, o Deus Filho.

Quando eu sou tentado na minha mente a usar o argumento da predestinação absoluta, e da soberania de Deus contra o próprio Deus, eu confesso que eu sofro um pouco.

Todavia, recomendo que creiam na Palavra de Deus que diz que Deus é santo e justo, e de uma maneira que não compreendemos é soberano sobre o mal, controla o Tentador, a Tentação e o Tentado, e mesmo assim de uma forma inexplicável (pelos menos por mim) continua sendo santo, justo e bom.

Você não precisa retroceder e se omitir em relação ao que a Bíblia ensina, não precisa criar argumentos para aliviar a “pressão sobre Deus” quanto ao mal presente no mundo e na história.

Deus não precisa do esforço da tua defesa. Mantenha-se firme. Deus é Deus, santo, justo e bom, um dia Ele me explicará como consegue reinar sobre o mal sem deixar de ser santo.

Se o diabo ainda assim te perturbar, faça o que a Palavra de Deus recomenda:
“Sujeitai-vos, pois, a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós.” 
(Tiago 4.7)


Extraído de: Ministério Beréia

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