terça-feira, 9 de abril de 2013

Religião e Política não se Misturam! (por Robert L. Thoburn) Parte 01 de 03


Extraído de:  Monergismo.com


"Álcool e gasolina não se misturam!". Lembro-me muito bem dessas palavras vindo de uma senhora cristã em Harrisville, Ohio, onde cresci. Seu carro tinha sido atingido por um motorista bêbado e essa foi uma forma contundente dela expressar sua opinião. Não dirija quando beber. Agora que os combustíveis se desenvolveram, podemos ver que gasolina e álcool se misturam. O ponto é que não há problema em misturá-los no tanque do carro, mas sim no estômago daquele atrás do volante.

"Religião e política não se misturam!". Quão frequentemente ouvi isso como uma razão (ou escusa) para os cristãos ficarem fora da política. Não concordo! E mais: serei ousado o suficiente para dizer que religião e política são inseparáveis. Qualquer pessoa que tiver lido A Theological Interpretation of American History [Uma Interpretação Teológica da História Americana], de Gregg Singer, saberá que há uma relação íntima entre religião e política. A política é baseada na religião.
Quando visitei Atenas com meus três filhos mais velhos, vi o Partenon, o famoso templo grego. Ele está localizado sobre o Acrópolis, que é a parte mais alta da cidade. Essa era a parte mais facilmente defensível da antiga cidade. Os atenienses queriam proteger o templo porque seu sistema político era baseado em sua religião.

Observei isso quando servi um período de tempo na Casa de Delegados de Virgínia. As leis que fazíamos era uma reflexão das nossas visões religiosas. Como um cristão, tentei conscientemente influenciar a legislação em termos da minha fé cristã. Os assuntos iam desde o aborto e a ERA até questões de orçamento.

As visões religiosas dos legisladores variavam do Cristianismo que crê na Bíblia ao humanismo secular. E o humanismo secular é uma religião. Cada sessão da Assembléia Legislativa era aberta com oração.
Freqüentemente o sacerdote visitante era o pastor de um dos legisladores. Não era difícil diferenciar os pastores conversadores dos liberais. Eles oravam diferentemente.

Notei que os legisladores liberais freqüentavam as igrejas liberais e os conservadores as igrejas conservadoras. Isso nem sempre seria o caso, pois as pessoas são inconsistentes. Estive durante um tempo suficiente ao redor de políticos para saber que as suas visões religiosas e aquela dos seus partidários influenciam suas visões políticas.

Observei outra coisa interessante sobre os legisladores. Não somente eles tinham um pastor para orar antes de casa sessão, mas também eram muito rígidos em não tomar o nome de Deus em vão enquanto falando no recinto. Um dia um líder proeminente da parte majoritária expressou uma palavra profana. Ele rapidamente se corrigiu e mostrou embaraço óbvio por seu lapso verbal.

Usar o nome de Deus em vão era inadmissível, a violação de uma tradição fundamentada no antigo corpo legislativo do Hemisfério Ocidental. Contudo, encontros de comitê e conversação privada eram outra conversa. As palavras desses oficiais eleitos denunciavam o que estava realmente em seus corações. Nem a Palavra de Deus fazia qualquer diferença quando dizia respeito à legislação. A religião do humanismo secular era totalmente evidente. Um legislador argumentaria com paixão pela apropriação de impostos para matar bebês inocentes, criados à imagem de Deus, embora ainda cuidadosos para não usar o nome de Deus em vão.

Política tem a ver com governo civil. Políticos são eleitos, fazem leis, lançam impostos, gastam, regulamentam e controlam. Toda lei decretada e toda decisão feita é baseada em algum sistema moral. Toda moralidade é baseada em uma religião. Assim, quem disse que política e religião não se misturam?

A Bíblia diz: "Não furtarás". Esta é a base das leis contra roubo. A Bíblia diz: "Não dirás falso testemunho contra o teu próximo". Esta é a base das leis contra difamação e calúnia. Não cometa engano sobre isso!
O que cremos religiosamente afetará nossas crenças e práticas políticas.

Um excelente exemplo disso pode ser visto no desenvolvimento da Constituição dos Estados Unidos. Os Estados Unidos tem continuado sob a Constituição mais tempo do que qualquer outro país no mundo hoje. A despeito da re-interpretação e má interpretação, a Constituição ainda é nosso documento governamental porque, em primeiro lugar, ela foi muito bem elaborada.

O Cristianismo bíblico era a fé fortalecedora da nossa nação quando a Constituição foi adotada. Essa fé religiosa se manifestou nesse documento extraordinário. Os pais fundadores queriam amarrar o governo Federal com os laços da Constituição. Eles sabiam que o homem é um pecador e quando vários pecadores se reúnem num governo, podem realizar muito prejuízo. A Constituição limitou o poder do governo de muitas maneiras. O governo Federal recebeu somente aqueles poderes delegados a ele pelos Estados. Dentro do governo Federal o poder era divido entre três ramos - legislativo, executivo e judicial.

A Constituição contém um sistema de separação de poderes. O Presidente pode vetar atos do Congresso, mas o congressista anula o veto. O Presidente aponta juízes e outros oficiais, mas somente com o conselho e consentimento do Senado. A Casa dos Representantes pode cassar um Presidente, mas somente o Senado pode condenar. A Corte Suprema foi designada para verificar o poder dos ramos executivo e legislativo, interpretando a lei sobre a base da Constituição. A própria Constituição poderia ser emendada somente com a aprovação dos legisladores de três quartos dos Estados.

A virtude da Constituição era fornecer uma descentralização do poder político. Isso tinha o intuito de prevenir-se contra um governo central poderoso que poderia se tornar tirânico. Para o cristão, a família é a instituição governamental central. Esse é um governo descentralizado porque há milhares ou milhões de famílias numa nação.

A Constituição não foi nenhum acidente da história. Ela é um reflexo da fé bíblica que existia em nossa nação em 1787. Essa é a chave para entender o que tem acontecido desde então. Grandes mudanças se sucederam em nosso governo. Mais e mais poder tem corrido para Washington. Governos locais têm perdido muito do seu poder. O imposto de renda foi decretado nesse século para alimentar uma burocracia Federal crescente. O sistema bancário da Reserva Federal também apareceu no século vinte para centralizar o controle sobre as atividades bancárias e o suprimento de dinheiro. Milhares de leis e controles estão emanando do governo Federal.



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