terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Corrosão Cultural e Consagração (por Roy Atwood)


Quaisquer pensadores não-cristãos já observaram a deterioração da cultura Americana, mas poucos já traçaram o problema desde sua fonte. A dissolução da cultura Americana, começou quando a Igreja perdeu sua capacidade de influenciar teologicamente e, com isto, sua maneira de influenciar a cultura. As Escrituras, é claro, descrevem religião e cultura como algo único, distintos, mas inseparáveis: fé salvífica em Cristo é uma obra imerecida e feita sem auxílio algum do homem pelo Espírito Santo; boas obras são o fruto gracioso e a evidência de uma fé viva e verdadeira. Obras não podem salvar, mas fé sem obras é morta (Tiago 2:14-26). Cristãos são, escreve Paulo, “criados em Cristo Jesus pra fazer boas obras, que Deus preparou primeiro para que nós façamos” (Efésios 2:10). O evangelho exige atividade cultural, não como um meio de merecer a graça de Deus, mas, para parafrasear o Catecismo de Heidelberg, como uma resposta cheia de gratidão e de coração à graça salvífica. 

Portanto, cultura genuína é a obra de corações redimidos e mãos santificadas. É trabalho criativo e formador, desvendando e magnificando a criação para a glória do seu Criador e Redentor. Suas conseqüências são vitais. Ao separar fé e obras, e estabelecer a “grande comissão” (Mateus 28:19-20) contra o “mandato cultural” (Gênesis 1:28; 1 Coríntios 10:31; Colossenses 3:17), a Igreja dividiu o indivisível e ficou ponderando como juntar os pedaços de volta novamente em uma coisa só. J. Gresham Machen, reconhecendo a atitude impensada da Igreja logo em 1912, lamentou que “um dos maiores problemas que agitavam a Igreja é o problema da relação... entre cultura e Cristianismo”. O problema poderia ser resolvido, ele notou, com apenas um dos três caminhos: (1) Subordinar Cristianismo à cultura; (2) procurar destruir a cultura; ou (3) consagrar a cultura ao serviço de Deus.


Na primeira solução — a que nove em cada dez teólogos liberais prefere — subordinar as verdades imutáveis da Escritura aos modismos sempre mutáveis da cultura, o “evangelho social”, a “teologia da libertação”, a “teologia feminista” e a maioria de outros modismos religiosos tentam mudar a obra redentora de Cristo em algo exatamente oposto. Como Machen reconheceu, “[Em] subordinando o Cristianismo à cultura nós temos realmente destruído o Cristianismo, e o que temos então como resultado disso é algo forjado para atrair as pessoas, fazendo-as pensar que isso é Cristianismo autêntico”

Essa solução também cria uma cultura engodada. A subordinação do Cristianismo à cultura suprime as normas bíblicas necessárias para uma cultura autêntica e deixa as pessoas criarem suas próprias regras. O relativismo de indivíduos, o “gosto”, torna-se o padrão final. A cultura do gosto rapidamente se degenera em uma guerra sem vencedores, entre aficionados da “alta cultura” (opera, ballet, teatro, revista New Yorker, moda feita por estilistas, arte original, vinhos finos, nouvelle cuisine, BMWs, etc.) e os tabaréus da “cultura popular” (televisão, cinema, MTV, Revista Caras, Moda de Supermercado, Pingüins de Geladeira, cerveja, fast food, e camionetes usadas Ford). A subordinação do Cristianismo à cultura nega o Cristianismo e deixa-nos para escolher entre uma falsa sofisticação e uma barbaridade despreocupada. 


“A segunda solução”, Machen observou, “vai em direção ao extremo oposto. Em seu esforço para dar à religião um espaço claro, procura-se destruir a cultura”. Essa solução apela particularmente para Igrejas fracas que tremem diante dos Gigantes Culturais da Terra. Cristãos piedosos podem admitir que tenham parte na cultura humana, mas tratam a atividade cultural como uma tarefa desprovida de valor; preferem enterrar com temor os seus talentos do que usá-los e exercitá-los.  Preferem, ao invés, apontar, indicando o pecado dos outros, enquanto ignoram os próprios numa atitude em que arrogam-se serem os corretos. É claro, salientar os pecados da cultura Americana, é, relativamente falando, um negócio fácil. Os gigantes culturais sem Deus da terra são grandes, gordos e alvos lentos e fáceis de se acertar. Pecado flagrante é sempre um alvo fácil, entretanto, críticos culturais que não produzem frutos de si próprio são destemperados e fariseus. Eles são peritos em indicar o pecado alheio, mas não conseguem apontar o caminho. 

O celebrado ataque do ex-vice-presidente aos capitães da indústria cultural talvez ilustra o que há de melhor na insuficiência do destempero cristão. Dan Quayle condenou a imoralidade sexual e a visão distorcida da família na comédia de situação bastante popular, “Murphy Brown”. Mas sem uma alternativa séria e santificada a oferecer em seu lugar, o ataque de Quayle não teve força nem poder.  “Murphy Brown” está ainda firme nos índices de audiência e ganhando espaço; o ex-vice presidente apenas permanece politicamente enfraquecido em algum lugar no estado de Indiana. A segunda solução tenta livremente destruir a cultura neo-pagã, oferece apenas escapismo ou os frutos murchos em seu lugar. 


A terceira solução, Machen identificou, é a consagração cristã da cultura. “Ao invés de destruir as artes e as ciências, ou ser indiferente a elas, cultivemo-las com todo o entusiasmo dos maiores humanistas, mas ao mesmo tempo consagrando-as ao serviço de nosso Deus”, ele escreveu. “Ao invés de obliterar a distinção entre o Reino e o mundo, afastando-se do mundo numa espécie de monasticismo intelectual, vamos alegre e entusiasticamente fazer o mundo sujeito a Deus”. A Bíblia ordena a Igreja a pôr todas as coisas, incluindo a cultura, debaixo dos pés de Cristo. Machen argumentou que “o cristão não pode se satisfazer por tanto tempo com qualquer atividade humana que, ou se opõe ao Cristianismo, ou não possui conexão com o Cristianismo. O Cristianismo deve se espalhar não meramente a todas as nações, mas a todo o pensamento humano. O cristão, portanto, não pode ser indiferente a qualquer ramo do esforço humano. Deve se buscar em tudo uma relação com o evangelho. O Reino deve ser avançado não meramente extensivamente, mas também intensivamente. A Igreja deve procurar conquistar não meramente cada homem para Cristo, mas também o homem por inteiro”. A consagração da cultura em Cristo é o único caminho certo para neutralizar os ácidos corrosivos da Pós-modernidade. 


Traduzido por: Antônio Fonte


Extraído de:
http://www.monergismo.com/textos/cultura/corrosao_cultural_roy.htm


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