sábado, 30 de maio de 2015

Cristo no Período Adâmico - Proto Evangelho (por Rev. José Maurício Passos Nepomuceno)

"Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu Descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. 
(Gênesis 3.15)


A mais antiga promessa -
 o texto de Gênesis 3.15 pode ser considerado a mais antiga promessa de Deus ao homem caído. Depois do pecado e antes de qualquer outra providência histórica, o Senhor Deus prometeu ao homem e à mulher que o seu resgate viria do seu Descendente.

Na verdade, essa não foi uma promessa diretamente dada a Adão, senão à serpente e por detrás dela a Satanás, visto ser o complemento da palavra de maldição àquele que fora o incitador do pecado.

Essa promessa certamente produziu um clima de expectativa no primeiro casal, que passou a esperar pelo nascimento do seu primogênito. Quando lhes nascera Caim, exclamou Eva: “Adquiri um varão com o auxílio do Senhor”(Gn.4.1). Na verdade, poderíamos traduzir essa mesma sentença de outra forma: “Adquiri um varão, o Senhor”. Eva estava declarando a esperança de que sua redenção se completasse naquele que havia nascido, uma vez que ela e o marido ouviram atentamente o que havia sido dito à serpente: “...e o seu Descendente. Este te ferirá a cabeça...”.

A Bíblia se silencia a respeito do desenrolar mais particular da vida do primeiro casal, mas aquela promessa, feita ainda no ambiente glorioso do Éden, que estava ressoando nas mentes de Adão e Eva no nascimento de Caim, manteve sua sonoridade no momento do nascimento de cada um dos seus filhos. Por isso, para o povo de Deus no Velho Testamento um nascimento era sempre importante, afinal trazia de volta a expectativa aguda do surgimento do libertador prometido.

Bem, nós sabemos o desenrolar da providência histórica de Deus e que aquela promessa se referia a Jesus Cristo. Por isso é chamada essa profecia de “O Proto- Evangelho”, por ser a primeira de todas as profecias sobre Jesus. Podemos chamá-la de “a mãe de todas as profecias messiânicas”.

Foi assim que a redenção deu o seu primeiro sinal de vida dentro da história humana, afirmando ao homem que Deus, apesar do pecado do homem, haveria de providenciar o resgate do mesmo. Esse é o centro de toda a vida cristã e o foco do relacionamento de Aliança entre Deus e o homem.


Porei inimizade entre ti e a mulher - após um interrogatório perscrutador de Deus ao homem e à mulher - “Onde estás?...Quem te fez saber que estavas nu?...Comeste da árvore...?...Que é isso que tu fizeste?” - no qual Deus ouve suas declarações de culpa e o leva a admissão do próprio erro, o Criador se dirige à serpente (e a Satanás) e lhe faz a solene declaração de eterna inimizade, lançando sobre o réptil a marca dessa maldição: “rastejarás sobre o teu ventre e comerás o pó todos os dias de tua vida”. Obviamente, essa maldição marcaria a existência de Satanás e o alcançaria com a vergonha eterna diante de toda a Criação.

Num primeiro momento, a profecia mostra que aquele relacionamento, antes tão cordial entre a mulher e a serpente, ou, se pudermos dizer, aquele relacionamento pactual entre ambos, haveria de ser quebrado para a retomada do relacionamento pactual entre Deus e o homem.

Por isso, a expressão “porei inimizade” tem Deus por sujeito absoluto da ação, o qual infunde entre a serpente e a mulher um sentimento antagônico, tornando-se esse o primeiro ato redentivo operado na história humana.


Entre a tua descendência e o seu Descendente - Agora, expandindo o conceito anterior, Deus mostra que Ele está intervindo em favor dos homens através de uma figura histórica: o Descendente que haveria de nascer. Duas coisas tornam-se claras nessa expressão: a primeira delas é que Deus faria distinção entre aqueles que seriam chamados “filhos do diabo” e aqueles conhecidos como “filhos de Deus”; a segunda tem a ver com o modo como Deus realizaria historicamente essa separação - da descendência de Adão viria um representante que haveria de se opor ao diabo.


Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar - Uma sangrenta guerra está sendo declarada e Deus irá remir o homem de todo mal, quando este houver sido destruído. Isso aconteceria quando a ferida fosse feita no calcanhar do “Descendente”. Essa ferida foi a cruz. Ali, em casa de amigos, o Senhor foi ferido de morte, mas sua ferida não o reteve para sempre, por isso dizer: foi-lhe ferido o calcanhar.
Foi assim que Deus, em Sua soberania, mostrou Seu amor ao homem, fazendo-lhe, logo no início de sua queda à miserável condição de pecador, uma promessa gloriosa de redenção, o “Proto-Evangelho” bendito que anuncia que Jesus é o Senhor da Criação e dos filhos escolhidos de Deus.


Extraído de:

›› Material escrito para o boletim da Igreja Presbiteriana de Vila Formosa.


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