quarta-feira, 30 de março de 2016

Moralidade e a irracionalidade de uma Cosmovisão Evolucionista (por dra. Georgia Purdom)


A moralidade é um problema muito difícil para a cosmovisão evolucionista. Isso não quer dizer que os evolucionistas são de alguma forma menos morais do que os criacionistas bíblicos - ou quaisquer outros. A maioria dos evolucionistas aderem a um código moral e acreditam no conceito de certo e errado. Mas os evolucionistas não têm nenhuma razão racional para esta posição. Assim, apenas os criacionistas têm um motivo racional, lógico e coerente para a moralidade.

O fundamento da moralidade

Mesmo que a maioria das pessoas não reconheça, a moral e as regras que a maioria dos seres humanos aderem têm sua base na Bíblia, especificamente na história literal do Gênesis. A Bíblia afirma ser a Palavra revelada de Deus (2 Timóteo 3:16; 2 Pedro 1:21) e que o Deus da Bíblia é a autoridade final e base para o conhecimento (Hebreus 6:13; Provérbios 1:7,2:6; Colossenses 2:3). A Bíblia nos diz que Deus é o Criador de todas as coisas e, portanto, todas as coisas pertencem a Ele (Gênesis 1:1Salmo 24:1). Assim, Deus enquanto Criador tem o direito de definir padrões absolutos de comportamento.

À parte da criação bíblica, a moralidade não tem razão. O filósofo cristão Dr. Greg Bahnsen (1948-95) afirma: "O que é que o incrédulo [pessoa que rejeita o Deus da Bíblia] denomina 'bom', ou por qual padrão o incrédulo determina o que conta como "bom" (de modo que 'mau' é, portanto, definido ou identificado)? Quais são os pressupostos em termos dos quais o incrédulo faz algum juízo moral de qualquer natureza?"[1] Embora os incrédulos possam classificar ações como boas ou más, eles não têm uma base definitiva para definir o que é o bem e o mal.

Na verdade, muitos evolucionistas deixam bastante claro que a evolução não fornece uma base para a moralidade. William Provine, evolucionista e professor de biologia na Universidade de Cornell, afirma em relação às implicações do darwinismo: "Não há bases definitivas para a ética existir, não existe qualquer significado definitivo na vida, e o livre arbítrio é apenas um mito humano."[2] Assim, se a evolução é verdade, então não pode haver nenhum código moral universal que todas as pessoas devem aderir.

E o Prêmio Nobel, Steven Weinberg, evolucionista e professor de física na Universidade do Texas, afirma: "Eu acho que parte da missão histórica da ciência tem sido a de nos ensinar que não somos os brinquedos de uma intervenção sobrenatural, que nós podemos fazer o nosso próprio caminho no universo, e que nós temos que encontrar nosso próprio senso de moralidade."[3] Mais uma vez, se a moralidade é determinada por nossa própria consciência, então um código moral universal que todas as pessoas devem seguir não pode ser justificado.

Por que o assassinato é errado?

O assassinato é um exemplo óbvio de comportamento imoral. A base para isso vem de Gênesis 1:27, que afirma que os seres humanos são feitos à imagem de Deus e são diferentes dos animais. O assassinato é condenado em Gênesis 4, onde Deus pune o primeiro assassino, Caim, por ter matado seu irmão Abel. Além disso, a condenação divina ao assassinato está estabelecida nos Dez Mandamentos (Êxodo 20:13). A morte e o sofrimento não faziam parte da criação original de Deus conforme exposto na ordem de Deus a Adão e Eva e os animais para comerem apenas plantas (Gênesis 1:29-30). Deus diz em Gênesis 1:31 que Sua criação era "muito boa". Esta terminologia é sem sentido se inclui a morte e sofrimento.

Os evolucionistas poderiam dizer que os padrões de certo e errado podem ser criados à parte de Deus. No entanto, esse pensamento é arbitrário e vai levar a conclusões absurdas. Se todo mundo pode criar a sua própria moralidade, então ninguém pode julgar a moralidade dos outros. Por exemplo, Jeffrey Dahmer, Hitler, Mussolini e Stalin escolheram um código moral em que o assassinato era perfeitamente aceitável.

Isso pode parecer desconcertante para nós, mas como poderíamos argumentar para os outros que é errado assassinar se a moralidade é determinada pelo nosso "próprio senso" e "não existe base definitiva para a ética"?

Ofensas morais simplesmente não fazem sentido em um universo evolutivo. Bahnsen afirma: "Essa indignação requer que se recorra ao caráter absoluto, imutável e bom de Deus, a fim de produzir sentido filosófico."[4]

Regra da maioria ou as regras de Deus?

Alguns evolucionistas afirmam que a moralidade é o que a maioria decide que ela seja. Isso transfere uma opinião injustificada de uma pessoa para um grupo de pessoas; é arbitrário e leva a conclusões absurdas. Bahnsen escreve:
Talvez o incrédulo considera que "bom" seja o que evoca a aprovação pública. No entanto, nesse caso, a declaração: "A grande maioria da comunidade aprovou efusivamente e se uniu na má ação", nunca poderia fazer sentido. O fato de que um grande número de pessoas encara de uma certa maneira não convence (ou não deveria racionalmente convencer) quem quer que seja de que essa percepção (sobre a bondade ou maldade de algo) esteja correta. [5]
Hitler foi capaz de convencer muitos de seu povo de que suas ações eram corretas, mas isso não faz delas realmente corretas.

Sem o Deus bíblico e o Gênesis literal, certo e errado se tornam preferências pessoais de tal forma que "o assassinato é errado" é equivalente a "azul é minha cor favorita." Ambos são opiniões pessoais e não oferecem base para argumentar com alguém que tem uma opinião diferente.
Mas a questão, logicamente falando, é como o incrédulo pode ter consciência de levar o mal a sério - e não simplesmente como algo inconveniente, ou desagradável, ou contrário aos seus desejos. Que filosofia de valor ou moralidade o incrédulo pode oferecer que irá torná-la significativa para condenar alguma atrocidade como objetivamente má? A indignação moral que é expressa pelos incrédulos quando se deparam com as coisas más que acontecem neste mundo não é compatível com as teorias de ética que os incrédulos defendem, teorias que se revelam arbitrárias ou subjetivas ou meramente utilitárias ou relativistas no caráter. Na cosmovisão do incrédulo, não há nenhuma boa razão para dizer que qualquer coisa é má na natureza, mas apenas por escolha pessoal ou sentimento.[6]
Assim, quando os evolucionistas falam sobre a moralidade como sendo um verdadeiro padrão, eles estão sendo incompatíveis com a sua própria cosmovisão.

Gênesis não somente justifica a existência do código moral, como também explica incapacidade das pessoas de viver plenamente conforme esse mesmo código. A primeira violação do código moral pela humanidade foi a desobediência de Adão e Eva a Deus por comerem da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal (Gênesis 2:17;3:6). A Bíblia ensina que a natureza rebelde (pecaminosa) é herdada; ela é passada de pais para filhos. Assim, todas as pessoas têm em sua natureza uma tendência para o pecado (a tendência a se rebelar contra Deus), porque eles são descendentes de Adão e Eva que cometeram o primeiro pecado (Romanos 5:12; Gálatas 5:17). O pecado de Adão resultou na maldição de todas as coisas e toda a Criação tem sofrido os efeitos da maldição desde aquela época (Romanos 8:22-23). Assim, um Gênesis literal pode explicar por que as pessoas são naturalmente imorais, bem como os "males naturais" que vemos no mundo.

A cosmovisão cristã sobre Gênesis como história literal é necessária para compreendermos (1) por que existe um código moral; (2) por que todo mundo sabe sobre ele; e (3) por que ninguém pode vivê-lo plenamente. Isso fornece uma base racional, lógica e coerente para a moralidade que levou às leis modernas que proíbem e punem imoralidade.

Inconsistência na Cosmovisão Evolucionista

Considere esses evolucionistas que estão preocupados com as crianças serem ensinadas sobre a Criação. O bem conhecido ateu Richard Dawkins, professor da Universidade de Oxford, diz a respeito do ensino da Criação nas escolas: "A Evolução é apoiada por montanhas de evidências científicas. Estas crianças estão a ser deliberada e arbitrariamente enganadas (sobre as origens dos seres vivos)."[7]

É louvável que Dawkins esteja preocupado com o bem-estar das crianças: que elas só devem ser ensinadas com a verdade. Mas será que essa preocupação faz sentido se as crianças são simplesmente o resultado de processos evolutivos aleatórios?

Dawkins argumenta que a Criação não deve ser ensinada uma vez que ele acredita que ela é falsa. Agora, isso levanta a questão, uma vez que a verdade ou falsidade da Criação é o ponto controverso: como criacionistas bíblicos estamos convencidos de que a Criação é verdade, e a evolução é falsa. Mas a coisa verdadeiramente absurda sobre tais argumentos evolucionistas é que eles são contrários à evolução! Ou seja, em uma cosmovisão evolucionista por que é errado mentir - particularmente se isso beneficiar a nosso garantia de sobrevivência?

Agora, certamente, em uma cosmovisão cristã é errado mentir, e o cristão tem uma razão para isso. Deus indicou em Sua Palavra que mentir é contrário à Sua natureza (Números 23:19) e que as pessoas não devem se empenhar nisso (Êxodo 20:16). Mas à parte da cosmovisão cristã, por que as pessoas dizem a verdade? Nesse caso, por que as pessoas deveriam fazer alguma coisa? Palavras como devem e deveriam só fazem sentido caso exista um padrão absoluto dado por alguém que tem autoridade sobre todos.

Se os seres humanos são apenas o resultado inevitável das leis da física e da química atuando ao longo do tempo, então como as pessoas podem ter qualquer escolha genuína no que fazem? Se as decisões que as pessoas fazem são simplesmente a conseqüência determinista de reações eletroquímicas em um cérebro - que é supostamente a conseqüência irracional de bilhões de erros de cópias aleatórios em nosso DNA -, então como é que faria sentido sustentar a responsabilidade das pessoas por suas "decisões" ?

Afinal de contas, nós não tentamos punir o planeta Vênus por girar para trás. E nós não ficamos com raiva do bicarbonato de sódio por reagir com vinagre. Isso é apenas o que necessariamente acontece no universo dadas as leis da natureza. Então, por que um evolucionista ficaria com raiva de qualquer coisa que um ser humano faz com outro (como criacionistas supostamente "mentindo" para crianças), se todos nós somos nada mais do que reações químicas complexas? Se somos simplesmente animais evoluídos, por que deveríamos manter um código de conduta neste mundo de "cobra engolindo cobra*"? Afinal, o que um animal faz a outro é moralmente irrelevante.

A cosmovisão evolucionista se utiliza da cosmovisão cristã

Quando os evolucionistas tentam ser morais, eles estão "emprestando" da cosmovisão cristã.

A cosmovisão cristã explica não somente a moralidade, mas também porque os evolucionistas se comportam dessa forma. Mesmo aqueles que não têm nenhuma base para a moralidade dentro de sua própria cosmovisão professada, no entanto, mantem a um código moral; isto porque, no fundo de seus corações eles realmente reconhecem o Deus da criação, apesar de professarem o contrário. A Escritura nos diz que todos reconhecem o Deus bíblico, mas que eles suprimem a verdade sobre Deus (Romanos 1:18-21).

Por que alguém faria isso?

Temos uma natureza pecaminosa herdada de Adão (Romanos 5:12) que se rebelou contra Deus no Jardim do Éden. João 3:19 indica que as pessoas preferem permanecer na escuridão espiritual do que ter as suas más obras expostas. Assim como Adão tentou se esconder da presença de Deus (Gênesis 3:8), seus descendentes fazem o mesmo. Mas a solução para o pecado não é a supressão; é confissão e arrependimento (1 João 1:9). Cristo é fiel para perdoar qualquer um que invocar o Seu nome (Romanos 10:13).

Quase todo mundo acredita que as pessoas devem se comportar de uma certa maneira: que existe um código moral. No entanto, para que a moralidade seja significativa, a Bíblia e um Gênesis literal devem ser verdade. Uma vez que Deus criou os seres humanos, Ele determina o que é certo e errado, e somos responsáveis perante Ele por nossas ações.

Devemos, portanto, concluir que os evolucionistas estão sendo inconsistentes (irracionais) quando falam sobre o certo e o errado, uma vez que tais conceitos são sem sentido dentro de sua cosmovisão professada. Como tantas coisas que muitas vezes presumimos, a existência da moralidade confirma que a Criação bíblica é verdade.

Resolvendo Racionalmente o Debate

Evolucionistas e criacionistas têm padrões definitivos diferentes pelos quais eles avaliam e interpretam a evidência física, como estrelas, fósseis e DNA.

O criacionista bíblico toma a Bíblia como o padrão definitivo - uma abordagem que a própria Bíblia subscreve (Provérbios 1:7; Hebreus 6:13). O evolucionista, ao invés disso, abraça uma filosofia concorrente, tal como o naturalismo (a crença de que causas e leis naturais podem explicar todos os fenômenos) ou empirismo (a crença de que a experiência, especialmente dos sentidos, é a fonte de todo o conhecimento).

Como, então, as pessoas podem racionalmente decidir qual padrão definitivo é o correto, uma vez que cada campo interpreta todas as evidências à luz de seu padrão definitivo?

Neste artigo, nós empregamos um "argumento transcendental" - uma abordagem que demonstra a verdade de uma afirmação fundamental, mostrando a impossibilidade do contrário. Com efeito, mostramos a verdade da cosmovisão da criação bíblica, ao mostrar que a alternativa é auto-destrutiva. Alternativas à criação bíblica prejudicam a experiência e o raciocínio humanos porque tais cosmovisões, em seus próprios termos, não podem explicar as coisas que nós assumimos de forma consistente e justificada.

Usamos a moralidade como uma ilustração particular do argumento transcendental (ou seja, a moralidade só faz sentido se a criação bíblica for verdade). Mas poderíamos igualmente ter usado outras coisas que as pessoas presumem, como as leis da lógica, uniformidade e ciência, a confiabilidade dos sentidos e da memória, dignidade e liberdade humanas. Tais verdades fundamentais só fazem sentido numa cosmovisão bíblica da Criação.

O filósofo cristão e teólogo Cornelius Van Til (1895-1987) argumentou que o Deus da criação bíblica é essencial para a racionalidade. Ele afirma: "Eu sustento que a crença em Deus não é meramente tão razoável quanto outra crença, ou até mesmo um pouco ou infinitamente mais provavelmente verdadeira do que outra crença; eu sustento particularmente que a menos que você acredite em Deus você não pode logicamente acreditar em qualquer outra coisa. "[8]


Traduzido livremente de:
https://answersingenesis.org/morality/morality-and-the-irrationality-of-an-evolutionary-worldview/

* O termo original era "dog eat dog world", que na cultura do autor seria literalmente "mundo de cão que come cão" mas cujo sentido é equivalente a um "mundo competitivo". Para manter a referência proposital aos animais usei um termo conhecido na nossa cultura e com significado similar (cobra engolindo cobra).

[1] Bahnsen, Greg. (1996). Always Ready. Ed. Robert Booth, Covenant Media Press: Nacogdoches, Texas, p. 168.

[2] Darwinism: Science or Naturalistic Philosophy? Origins Research 16(1), 1994.

[3] Entrevista com Steven Weinberg (PBS). http://www.counterbalance.net/transcript/wein-frame.html.

[4] Bahnsen, Always Ready, p. 170.

[5] Ibid, p. 168.

[6] Ibid, p. 169–170.

[7] Ekklesia, “Darwin Attacks Creationist Plans on Theology and Politics from a Christian Perspective,” April 29, 2003. 
http://www.ekklesia.co.uk/content/news_syndication/article_2003_04_29_dawkins.shtml.
See all footnotes

[8] Van Til, Cornelius. “Why I Believe in God.” Philadelphia: Committee on Christian Education, Orthodox Presbyterian Church, n.d.


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