sábado, 2 de abril de 2016

Ateísmo: Uma Cosmovisão Irracional (por dr. Jason Lisle)


O ateísmo materialista é uma das cosmovisões mais fáceis de refutar. Um ateu materialista acredita que a natureza é tudo o que existe. Ele acredita que não há Deus transcendente que supervisiona e mantém a criação. Muitos ateus acreditam que sua visão de mundo é racional e científica. No entanto, ao abraçar o materialismo, o ateu tem destruído a possibilidade do conhecimento, bem como da ciência e da tecnologia. Em outras palavras, se o ateísmo fosse verdade, seria impossível provar qualquer coisa!

Aqui está o porquê:

Raciocínio envolve o uso das leis da lógica. Estas incluem a lei da não-contradição que diz que você não pode ter A e não-A ao mesmo tempo e na mesma relação. Por exemplo, a declaração "Meu carro está no estacionamento, e não é o caso de que meu carro está no estacionamento" é necessariamente falsa pela lei da não-contradição. Qualquer pessoa racional aceitaria essa lei. Mas porque é que esta lei é verdade? Por que deveria haver uma lei da não-contradição, ou nesse caso, quaisquer leis de raciocínio? O cristão pode responder a esta pergunta. Para o cristão existe um padrão absoluto para o raciocínio; devemos padronizar nossos pensamentos segundo Deus. As leis da lógica são um reflexo da maneira como Deus pensa. A lei da não-contradição não é simplesmente a opinião de uma pessoa sobre como devemos pensar, mas sim decorre da natureza auto-consistente de Deus. Deus não pode negar a Si mesmo (2 Timóteo 2:13), e assim, a maneira como Deus sustenta o universo será necessariamente não-contraditória.

Leis da lógica são o padrão de Deus para o pensamento. Uma vez que Deus é um Ser soberano, imutável e imaterial, as leis da lógica são entidades abstratas, universais e invariantes. Em outras palavras, elas não são feitas de matéria - se aplicam em todos os lugares e em todos os momentos. As leis da lógica são contingentes acerca da natureza imutável de Deus. E elas são necessárias para o raciocínio lógico. Assim, o raciocínio racional seria impossível sem o Deus bíblico.

O ateu materialista não pode ter leis da lógica. Ele acredita que tudo o que existe é material - parte do mundo físico. Mas as leis da lógica não são físicas. Você não pode dar uma topada em uma lei da lógica. As leis da lógica não podem existir no mundo do ateu, mas ele as usa para tentar raciocinar. Isto é inconsistente. Ele está emprestando da cosmovisão cristã para argumentar contra a cosmovisão cristã. A visão do ateu não pode ser racional, porque ele usa coisas (leis da lógica) que não podem existir de acordo com o que professa.

O debate sobre a existência de Deus é um pouco como um debate sobre a existência de ar.[1] Você pode imaginar alguém argumentando que o ar não existe realmente? Ele iria oferecer "provas" aparentemente excelentes contra a existência de ar, enquanto respiraria simultaneamente do ar e esperaria que pudéssemos ouvir suas palavras conforme o som fosse transmitido através do ar. Para que pudéssemos ouvir e compreender a sua alegação, ele teria que estar errado. Da mesma forma, o ateu, ao argumentar que Deus não existe, deve usar leis da lógica que só fazem sentido caso Deus exista. Para que o seu argumento fizesse sentido, ele teria que estar errado.

Como o ateu pode responder?

O ateu poderia dizer: "Bem, eu posso raciocinar muito bem, e eu não acredito em Deus." Mas isso não é diferente do que o crítico do ar dizer: "Bem, eu posso respirar muito bem, e eu não acredito no ar." Isto não é uma resposta racional. Respiração requer ar, não uma profissão de fé no ar. Da mesma forma, o raciocínio lógico requer Deus, não uma profissão de fé nEle. É claro que o ateu pode raciocinar; é porque Deus fez a sua mente e lhe deu acesso às leis da lógica - e esse é o ponto. É porque Deus existe que o raciocínio é possível. O ateu pode raciocinar, mas dentro de sua própria visão de mundo que ele não pode dar conta de sua capacidade de raciocínio.

O ateu poderia responder, "As leis da lógica são convenções feitas pelo homem." Mas convenções são (por definição) convencionais. Ou seja, todos nós concordamos com elas e assim elas funcionam - como dirigir no lado direito da estrada. Mas se as leis da lógica fossem convencionais, então diferentes culturas poderiam adotar diferentes leis da lógica (como dirigir no lado esquerdo da estrada). Assim, em algumas culturas, pode ser perfeitamente excelente contradizer-se. Em algumas sociedades a verdade poderia ser auto-contraditória. Claramente que não ocorreria. Se as leis da lógica são apenas convenções, então elas não são leis universais. O debate racional seria impossível se as leis da lógica fossem convencionais, pois os dois oponentes poderiam simplesmente escolher diferentes padrões de raciocínio. Cada um estaria certo de acordo com seu próprio padrão arbitrário.

O ateu poderia responder, "As leis da lógica são materiais - elas são feitas de conexões electro-químicas no cérebro." Mas, então, as leis da lógica não são universais; elas não se estenderiam além do cérebro. Em outras palavras, não poderíamos argumentar que contradições não podem ocorrer em Marte, uma vez que o cérebro de ninguém está em Marte. Na verdade, se as leis da lógica são apenas conexões electro-químicas no cérebro, então elas difeririam um pouco de pessoa para pessoa, porque todos tem diferentes conexões em seus cérebros.

Às vezes, um ateu tentará responder com uma resposta mais pragmática: "Nós usamos as leis da lógica, porque elas funcionam." Infelizmente para ele, essa não é a questão. Estamos todos de acordo que as leis da lógica funcionam; elas trabalham porque são verdadeiras. A questão é por que elas existem naturalmente? Como o ateu pode explicar os padrões absolutos de raciocínio como as leis da lógica? Como coisas não-materiais como leis podem existir se o universo é somente material?

Como último recurso, o ateu pode desistir de uma visão estritamente materialista e concordar que há leis universais imateriais. Esta é uma enorme concessão; afinal, se uma pessoa está disposta a admitir que  entidades imutáveis, imateriais e universais ??podem existir, então ele deve considerar a possibilidade de que Deus exista. Mas esta concessão não salva a posição do ateu. Ele ainda deve justificar as leis da lógica. Por que elas existem? E qual é o ponto de contato entre o mundo físico material e o mundo imaterial da lógica? Em outras palavras, por que o universo material se sente compelido a obedecer às leis imateriais? O ateu não pode responder a estas perguntas. Sua visão de mundo não pode ser justificada; é arbitrário e, portanto, irracional.

Conclusão

Claramente, o ateísmo não é uma cosmovisão racional. É auto-refutadora, porque o ateu deve primeiro assumir o oposto do que ele está tentando provar, a fim de ser capaz de provar alguma coisa. Como o Dr. Cornelius Van Til colocou, "[A]teísmo pressupõe teísmo." As leis da lógica requerem a existência de Deus, e não um deus qualquer, mas do Deus cristão. Somente o Deus da Bíblia pode ser a base para o conhecimento (Provérbios 1:7; Colossenses 2:3). Uma vez que o Deus da Escritura é imaterial, soberano, e além do tempo, faz sentido haver leis da lógica que são imateriais, universais e imutáveis. Uma vez que Deus Se revelou ao homem, somos capazes de conhecer e usar a lógica. Uma vez que Deus criou o universo e fez as nossas mentes, faz sentido que nossas mentes tivessem uma capacidade de estudar e compreender o universo. Mas se o cérebro é simplesmente o resultado de processos evolutivos estúpidos que transmitiam algum tipo de garantia de sobrevivência no passado, por que nós confiamos nas suas conclusões? Se o universo e nossas mentes são simplesmente os resultados de tempo e acaso, como o ateu alega, porque deveríamos esperar que a mente pudesse produzir compreensão do universo? Como ciência e tecnologia poderiam ser possíveis?

O pensamento racional, a ciência e a tecnologia fazem sentido em uma cosmovisão cristã. O cristão tem uma base para estas coisas; o ateu não tem. Isso não quer dizer que os ateus não pode ser racionais sobre algumas coisas. Eles podem, porque eles também são feitos à imagem de Deus e tem acesso a leis divinas da lógica. Mas eles não têm base racional para a racionalidade dentro de sua própria cosmovisão. Da mesma forma, os ateus podem ser morais, mas eles não têm nenhuma base para que a moralidade de acordo com o que eles afirmam crer. Um ateu é um pacote ambulante de contradições. Ele raciocina e faz ciência, mas ele nega o próprio Deus que torna o raciocínio e a ciência possíveis. Por outro lado, a cosmovisão cristã é consistente e dá sentido ao raciocínio humano e á prática.



Traduzido livremente de:


[1] O filósofo cristão Dr. Greg Bahnsen geralmente usava essa analogia. Dr. Bahnsen era conhecido como o “homem que os ateus mais temiam.”


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