domingo, 3 de junho de 2018

Discernindo O Corpo de Cristo (por rev. Milton Rodrigues Júnior)


Na última quinta feira foi feriado no país para relembrar a festa de Corpus Christi (do latin: Corpo de Cristo). Esta é uma festa de tradição religiosa católica que foi instituída dentro do seu calendário eclesiástico no século XIII pelo Papa Urbano IV através da Bula “transiturus”. Ele recebeu o “segredo” das “visões” da freira agostiniana, Juliana de Mont Cornillon, que exigiam uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico. Esta festa é classificada como de “preceito” e torna obrigatória a presença do fiel católico a uma missa, neste dia, como também, é recomendado, pelo Código de Direito Canônico, que o bispo diocesano viabilize uma procissão pelas ruas com o propósito de “testemunhar publicamente a veneração para com a santíssima Eucaristia” (Cân 944 e 395). Sendo assim, até hoje a Igreja Católica tem em seu calendário esta festa móvel que celebra a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia, pois crêem na transformação dos elementos em verdadeiro corpo e sangue de Cristo, que devem ser venerados.

Certamente a Santa Ceia é tratada na Escritura como fundamental para a fé cristã. Foi instituída por Cristo e junto com o Batismo formam os verdadeiros sacramentos (ordenanças) para a Igreja (Mt 26.26-30; 28.18-20). São meios de graça para a edificação e identificação do povo de Deus. 

Em 1 Coríntios 11 Paulo diz que a indignidade do cristão na Ceia produz julgamento ("... será réu do corpo e do sangue" v.27). Esta indignidade refere-se ao não discernimento do "corpo" (v.29). A expressão "corpo" na linguagem bíblica refere-se basicamente a dois sentidos. O primeiro sentido é o corpo físico de Cristo, quanto a seu ato sacrificial vicário (substitutivo). O segundo é a igreja, que também é chamada de "corpo de Cristo". Isso aponta para a importância da participação da Ceia e o alimentar-se espiritualmente e adequadamente do corpo e sangue de Cristo.

A Confissão de Fé de Westminster afirma que o propósito de Cristo ao instituir a Santa Ceia, foi “...lembrar perpetuamente o sacrifício que em sua morte Ele fez de si mesmo; selar aos verdadeiros crentes os benefícios provenientes desse sacrifício para o seu nutrimento espiritual e crescimento nele e a sua obrigação de cumprir todos os seus deveres para com Ele; e ser um vínculo e penhor da sua comunhão com Ele e de uns com os outros, como membros do seu corpo místico” (CFW- Cap. XXIX, artigo I). No pensamento de João Calvino, a Presença de Cristo na Santa Ceia está ligada à experimentação da igreja de uma ação do Espírito Santo que ministra Cristo a ela. Calvino, também esteve disposto a defender a verdadeira alimentação através do corpo e sangue de Cristo, sem, todavia, fazer dos símbolos o verdadeiro alimento.

A Santa Ceia é a ministração de Cristo para a sua Igreja, onde já se desfruta da comunhão restaurada por Ele, contudo, aponta para a comunhão preparada por Deus, e que será plenamente experimentada na eternidade. Além de ser uma lembrança da obra realizada e da comunhão abençoadora presente, aponta para a verdadeira expectativa que deve sustentar a fé e a fidelidade a Deus.

A Santa Ceia aponta para Cristo e sua obra realizada e eficácia contínua. A benção não está restrita aos elementos da Ceia, mas no próprio Jesus que abençoa a igreja. Não podemos desviar os olhos do autor e consumador da fé para os elementos que o representam. Isso pode conduzir a uma forma não tão velada de “idolatria”.


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