quarta-feira, 19 de junho de 2013

A Perpetuidade da Lei de Deus (C. H. Spurgeon) - Parte 03 de 05


O Todo-Poderoso afirmou sobre Jesus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi.” Indique, se possível, uma linha da Lei que Cristo violou ou não cumpriu! Nunca houve em Sua alma um pensamento impuro ou um desejo revoltoso. Não houve nada para se arrepender ou se retratar, não existia a possibilidade d’Ele errar. Foi três vezes tentado no deserto e o inimigo até foi insolente ao propor-Lhe idolatria, mas Ele o derrotou num piscar de olhos. O governante deste mundo veio a Ele, mas não encontrou nada -
“Meu amado Senhor e Redentor,
Aprendo meus deveres na Sua Palavra.
Mas a Lei surge em Sua vida
Explicitada em letras vivificantes.”
Agora, se a Lei fosse muito elevada ou muito dura, Cristo não a teria manifestado em Sua vida. Mas, como nosso Modelo, teria estabelecido aquela forma mais branda da Lei na qual acreditam alguns teólogos. Ele veio para introduzi-la. Visto que nosso Líder e Modelo nos mostrou em sua vida uma obediência perfeita aos Mandamentos Sagrados em toda sua plenitude, entendo que pretende que isto molde nossa conversa.
Nosso Senhor não removeu nenhuma característica daquela imponente montanha de perfeição. Primeiro Ele disse: “Eis aqui estou no rolo do Livro está escrito a meu respeito. Agrada-me fazer a tua vontade, ó Deus meu; dentro do meu coração, está a tua lei.” E justificou corretamente as palavras no rolo do Livro.  “Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” e, vivendo sob a Lei por amor a nós, a obedeceu completamente “porque o fim da lei é Cristo, para justiça de todo aquele que crê.”
Insisto – o fato de que o Senhor não veio para modificar a Lei está claro porque, após tê-la incorporado em Sua vida, voluntariamente renunciou a Si mesmo para sofrer a penalidade e suportar o castigo por nós, embora nunca a tenha transgredido, como está escrito: “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar.” “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo caminho, mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” Teria o Senhor Jesus rendido à Lei a penalidade que resultou de suas rigorosíssimas exigências se esta tivesse exigido de nós mais do que poderia? Estou certo que não! Mas porque a Lei pediu ao transgressor só o que poderia, ou seja, a perfeita obediência, e exigiu dele apenas o que deveria, ou seja, a morte sob a ira Divina como pagamento pelo pecado, então o Salvador foi crucificado e ali suportou nossos pecados, purificando-os de uma vez por todas.
Ele foi esmagado pelo peso da nossa culpa e clamou: “A minha alma está profundamente triste até à morte”; e finalmente, após haver suportado -

“Tudo o que o Deus encarnado pode suportar,
Com força suficiente, sem nada poupar.”
Curvou Sua cabeça e disse: “Está consumado.” Nosso Senhor Jesus Cristo, ao morrer, proveu à Lei de Deus maior justificativa, pois esta havia sido transgredida, do que todos os perdidos no inferno poderiam prover através das suas dores, pois seus sofrimento nunca serão completos, suas dívidas nunca serão paga! Mas Ele pagou toda a dívida do Seu povo e a Lei não foi defraudada em coisa alguma. Através da Sua morte Ele vindicou a honra do governo moral de Deus e justificou a misericórdia do Pai!
Quando o próprio legislador submete-se à Lei; quando o próprio Soberano suporta a penalidade mais severa daquela Lei, então a justiça de Deus é colocada num trono tão gloriosamente elevado que toda a humanidade dever ficar maravilhada! Se, por consequência, está provado de maneira clara que Jesus foi obediente à Lei, mesmo em face da morte, certamente Ele não veio nem para aboli-la nem para revogá-la! E se Ele não a anulou, quem pode fazê-lo? Afirma-se que veio para estabelecê-la, quem então irá causar sua queda?
Porém, em segundo lugar, a lei de Deus deve ser eterna a partir de sua própria natureza, pois não lhe ocorre, ao pensar sobre ela, que o certo deve sempre ser certo, a verdade deve sempre ser verdadeira e a pureza deve sempre ser pura?  Antes dos Dez Mandamentos serem anunciados no Sinai, ainda havia a mesma Lei do certo e do errado dada aos homens para andarem como criaturas de Deus. Antes de um só mandamento ter sido associado às palavras, o certo sempre foi certo! Quando Adão estava no jardim, era sempre certo amar seu Criador e seria sempre errado ter objetivos contrários aos do seu Deus. E não importa o que acontece neste mundo, ou quais mudanças ocorrem no universo, nunca estará certo mentir, adulterar, assassinar, roubar ou praticar idolatria. Não direi que os princípios do certo e do errado são tão auto-existentes quanto Deus, porém eu afirmo que não posso entender a ideia do próprio Deus existindo à parte da Sua constante santidade e verdade; então esta mesma ideia do certo e errado me parece ser obrigatoriamente fixa e sem possibilidade de mudança.
Você não pode rebaixar o certo! Ele deve estar onde sempre esteve – o certo é certo eternamente – e não pode ser errado. Você não pode promover o errado e torná-lo um pouco certo – deve permanecer errado enquanto o mundo existir. Céus e terra podem passar, mas nem uma letra ou til da Lei moral pode, de forma alguma, mudar. No espírito, a Lei é eterna. Suponha, por um momento, que fosse possível suavizar e afrouxar a Lei de Deus, onde isto aconteceria? Confesso que não sei e não consigo imaginar! Se ela é perfeitamente santa, como pode ser alterada a menos que se torne imperfeita? Você rogaria por esta situação? Poderia adorar o Deus da Lei imperfeita? Pode algum dia ser verdade que Deus, para nos favorecer, nos colocou sob uma Lei imperfeita? Seria isto uma benção ou uma maldição?
Alguns dizem que o homem não é capaz de guardar a Lei perfeita e que Deus não exige isto dele. Por imprudência, assim espero, certos teólogos modernos lançam mão deste ensino. Deus nos deu uma Lei imperfeita? É a primeira ação imperfeita que já escutei a respeito de Sua feitura! Não nos leva à conclusão que, afinal de contas, o Evangelho é uma proclamação que Deus se satisfará com a obediência a uma lei mutilada? Deus proíba! Digo que é melhor perecermos ao invés de Sua perfeita Lei! Por mais terrível que seja, este fato jaz na edificação da paz universal e deve ser honrado a todo preço. Se ela falhar, tudo mais falhará! Quando o poder do Espírito Santo me convenceu do pecado, senti um temor tão solene pela lei de Deus que, lembro-me bem, apesar de ter sido humilhado como um pecador condenado, ainda assim a admirei e glorifiquei. Não poderia ter desejado que a perfeita Lei fosse alterada por minha causa. Senti que se minha alma fosse mandada para o mais baixo dos infernos, ainda assim Deus deveria ser enaltecido por Sua justiça e Sua Lei honrada por sua perfeição. Não a teria modificado nem para salvar a minha alma!
Irmãos, a Lei do Senhor deve permanecer, pois é perfeita e, por isso, não possui nenhum fator de declínio ou mudança. Ela não significa nada além do que Deus pode exigir de nós de modo justo. Se Ele estivesse na iminência de dar-nos uma lei mais tolerante, seria admitir que, de Sua parte, a princípio exigiu de nós mais do que deveria. Podemos supor algo assim? Houve, afinal de contas, alguma justificativa para a declaração do servo perverso e indolente quando afirmou: “Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso?” Não pode ser assim! Porque se Deus alterar Sua Lei, estará consentido que cometeu um erro! Estará admitindo que colocou o pobre homem imperfeito – esse dito anda bem comum – sob um regime muito rigoroso e, por isso, agora está preparado para reduzir Suas reivindicações e torná-las mais cabíveis.


>>> continua..


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