segunda-feira, 14 de abril de 2014

Discordo, e não respeito a sua opinião.

 
=============================================================
RESPEITAR
1. Dar provas de respeito. = HONRAR, VENERAR
2. Poupar.
3. Tremer, recear.
4. Observar, cumprir, tolerar. 
"respeitar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/respeitar [consultado em 08-04-2014].
=============================================================
TOLERAR
1. Sofrer o que não deveríamos permitir ou o que não nos atrevemos a impedir.
2. Consentir; permitir; deixar passar. 
"tolerar", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/tolerar [consultado em 08-04-2014].

=============================================================

Já fui criticado por dizer isso, mas insisto: não somos obrigados a respeitar opiniões.

Isso é pesado demais?? É intolerância??
Talvez seja, mas é extremamente ilógico pensar diferentemente disso..
(fui intolerante de novo?? rs)

Peço que leiam até o final para entender o que quero passar através deste texto..

Para dar início, complementando a introdução, digo que não são ideias que obrigatoriamente devem ser toleradas, nossa tolerância deve ser para com as pessoas em seus direitos. Quero dizer, devemos respeitar as pessoas quanto a seus direitos como cidadãs, mas isso não inclui demonstrar respeito a qualquer coisa que elas digam.

Muitos de nós já absorveram essa ideia de que devemos respeitar todas as opiniões e é muito comum a frase: "Discordo, mas respeito a sua opinião"
Eu acredito que essa expressão seja realmente boa em algumas situações, mas não deve ser uma regra geral para todo e qualquer caso.

Se eu sou cristão, não devo respeitar uma opinião que seja oposta ou que crie dúvidas sobre aquilo que DEUS revelou claramente através da Sua Palavra, por mais que seja natural que eu possa respeitar quem deu tal opinião. E como cristãos deveríamos inclusive nos preocupar em sempre que possível trocar os nossos "eu acho que" por "a bíblia diz que".  
Já nos casos em que o assunto possa não ser tão claro, se eu tenho determinada interpretação e alguém me apresenta uma diferente e que não fere os princípios que eu mencionei antes então creio que aí possa se aplicar o "Discordo, mas respeito a sua opinião".

Isso não é uma deixa para que como cristãos passemos a querer impor a verdade a todos e desprezar as pessoas e suas opiniões, até porque devemos ser prontos a ouvir e é um sinal de humildade nos dispormos a isso mesmo quando o que ouvimos vai contra o que cremos. E é sempre importante lembrar que, além das opiniões que dizem respeito a ideologias (que primariamente tem padrões morais como fundamento), existem os "gostos pessoais", ou seja, aquilo pelo qual uma pessoa tem afinidade. 

O que alguns rejeitam é que os gostos também devem ser julgados.
Isso parece estranho, mas não é.

É fato que individualmente temos afinidades com certas coisas que outros não, e vice-versa, mas sendo cristãos temos que entender que aquilo que gostamos também deve estar sujeito aos princípios que cremos e adotamos. Por exemplo: Sendo cristão, não posso dizer que sou fã de pornografia, justamente porque esse "gosto" seria um sinal de que meus desejos não foram transformados e portanto minha vida cristã seria no mínimo questionável.
Nesse exemplo usei algo mais fácil de se enxergar, porém temos que julgar todos nossos 'gostos' para sabermos se realmente condizem com a nova natureza de um cristão. Isso valeria para as músicas que gostamos de ouvir, filmes que gostamos de assistir, livros que gostamos de ler, o tipo de roupas que gostamos de usar, etc.. O padrão para esse julgamento deve ser: "isso glorifica a DEUS ou de alguma forma me transmite algo ou me leva a fazer algo que O desagrada??". E para sabermos o que O desagrada é preciso conhecer Sua Vontade, o que só é possível através do estudo das Escrituras.

Muitos usam a desculpa da própria personalidade para defender seus gostos com unhas e dentes, ou às vezes tentam justificar seus pecados atribuindo seu comportamento ao temperamento, porém sabemos que se somos salvos somos gradativamente moldados à imagem de Cristo e chamados não a exaltar nossas personalidades e sim para segui-Lo negando a nós mesmos e "carregando nossas cruzes" (Lucas 9:25). Isso não é uma negação das nossas individualidades, mas sim a afirmação de que Cristo deve ser tudo em nós e portanto aquilo em nós que não O agrada deve ser extirpado (Hebreus 12:1).

Por outro lado, quanto aos gostos, eu não posso condenar o que alguém gosta simplesmente porque eu não gosto. Por exemplo, mesmo eu detestando pagode não posso dizer que quem ouve esse estilo musical está errado, a não ser que ao fazê-lo, de forma geral qualquer pessoa estivesse infringindo algum princípio bíblico e pecando contra Deus. Então, não encontrando algo que fira esses princípios, se alguém me dissesse que "pagode é o melhor estilo musical que existe" aí sim eu vejo uma possibilidade de dizer "discordo, mas respeito a sua opinião" (apesar de me lamentar muito por tal gosto.. rs). Já usando o exemplo do funk (que eu também odeio), acho muito difícil dissociá-lo da sensualidade e atualmente até da incitação a crimes ou coisas semelhantes. Porém, se isso for possível, o princípio é o mesmo.

Mas voltando ao que eu disse sobre tolerância a qualquer opinião, acredito que muitos agem como deveríamos agir em relação aos gostos "lícitos"..
Penso que isso ocorre justamente devido ao relativismo, e nesse caso as pessoas tratam a própria moral e ética como relativas, como se pudessem se basear naquilo que cada indivíduo acha/gosta/prefere.
Infelizmente, cada vez mais as pessoas estão abandonando os padrões e com isso nem percebem, mas caminham em direção à própria desconstrução da possibilidade de vida em sociedade, pois o resultado prático desse relativismo pleno seria a anarquia e, filosoficamente, o niilismo..
Nas redes sociais ou em debates com grupos diversificados vemos que ainda há determinadas restrições sobre até onde a moral e a ética são relativas, mas infelizmente essas restrições são cada vez menores.

Por exemplo, se conversarmos em um grupo bastante diversificado sobre que tipo de penas devem ser dadas a determinados tipos de crimes, vamos obter muitas respostas diferentes de acordo com a tendência ideológica das pessoas. Creio que seria possível encontrar em um extremo aqueles que dariam uma pena rígida demais a algum crime que não foi de tal gravidade (e talvez dizendo que "bandido bom é bandido morto") e no outro extremo alguns poderiam querer absolver totalmente o criminoso (usando demagogia e o transformando em uma pobre vítima da sociedade).

Em um outro exemplo, se eu perguntasse a esse mesmo grupo quem é a favor da descriminalização do assassinato, penso que todos diriam "não" e provavelmente pensando ou dizendo que minha proposta é absurda.
Obs.: É mesmo, isso é só um exemplo extremo.

Sendo assim, é fácil de identificar que em alguns temas que envolvem questões éticas em um nível mais básico ainda há um consenso mais generalizado. Mas vamos supor que eu insistisse e dissesse que eu sou a favor de que qualquer um pode matar quem quiser, quando quiser e pelo motivo que quiser, sem ser punido por isso. Será que todos diriam com sinceridade: "Discordo, mas respeito a sua opinião". ???
Obs.2: Eu não defendo o que sugeri aqui, isso é só um exemplo extremo.

Acredito que seria até possível que alguns deles dissessem isso hipocritamente (ou até que bizarramente algum deles concordasse), porém está claro que essa opinião não deve ser tolerada/respeitada.
Nesse caso, alguém diria que isso é o extremo e portanto a reação deve ser essa, mas a pergunta é: "quem determina o limite do que é extremo e do que é tolerável??".

Por exemplo, se nesse grupo diversificado eu perguntasse se as pessoas concordam com a prática de aborto, creio da mesma forma que encontraria desde aqueles que seriam a favor em toda e qualquer situação em que a mulher assim decidisse até aqueles que seriam contra a prática em todo e qualquer tipo de circunstância. Mas se eu perguntasse se essas pessoas seriam a favor desse assassinato quando a criança já nasceu, acredito que quase ninguém concordaria (apesar de saber que há quem defenda).

Ou seja, em casos como esse, em que para muitos o bebê pode ser morto se estiver dentro da barriga da mãe mas depois de nascido não, fica claro o quanto a incoerência pode reinar quando não há bases morais absolutas. Se o assassinato de uma pessoa por motivos banais parece inaceitável, o que dizer do assassinato de um ser indefeso e inocente simplesmente por questão de conforto da mãe?? E então eu pergunto: "Por que eu deveria 'discordar, mas respeitar' a opinião de quem defende uma atrocidade como essa??".

Da mesma forma, além das questões morais, existe a lógica por trás do que se afirma. Por exemplo, se alguém daquele grupo me dissesse que "triângulos são redondos", "maria-moles são paralelepípedos" ou "metilcoroisotiazolinona Tevez azul", não teria qualquer sentido eu dizer: "Discordo, mas respeito a sua opinião".
Seja pela falta de sentido lógico ou, no último caso, pela impossibilidade de compreensão na forma dessa comunicação, que desrespeita as regras mais simples de concordância em nosso idioma, eu não deveria considerar essas "opiniões" como corretas nem válidas.

Eu poderia dar muitos exemplos aqui de como a ideia da tolerância a tudo é totalmente inviável e absurda, mesmo quando reduzida apenas à defensa ideológica, sem considerar a aplicação prática dessas ideologias.
Poderia ainda mencionar como é visível a contradição cometida pelos grupos e pessoas que na sua militância costumeiramente reclamam contra a intolerância alheia, já que pelo simples fato de não tolerarem os intolerantes já estão sendo intolerantes.
Poderia também falar de como é sem sentido um cristão preferir abraçar o relativismo ao invés de pagar o preço por ser cristão, mas sobre isso eu já escrevi aqui: Os "cristãos laicos".

Enfim, haveria muito a se dizer e com muitos exemplos bíblicos inclusive, mas o essencial a ser dito é:
Acaso busco eu agora a aprovação dos homens ou a de Deus? Ou estou tentando agradar a homens? Se eu ainda estivesse procurando agradar a homens, não seria servo de Cristo.
(Gálatas 1:10)

Esse era o pensamento do apóstolo Paulo, mas deve ser também o de todos nós, cristãos.

Não devemos tolerar/respeitar aquilo ao qual Deus claramente Se mostra contrário.. Devemos ter a Palavra de Deus como fonte absoluta da verdade e portanto definidora do que é certo ou errado, sem negociar essa realidade simplesmente para evitarmos problemas. Pelo contrário, isso é natural e necessário (Mateus 10:34-38; Gálatas 4:16).

A maioria das pessoas reagiria (não seria tolerante) caso alguém xingasse a sua mãe, seu pai, irmãos ou filhos (caso tenham), mas por que respeitam quando se fala mal de Deus ou da Sua Palavra se devem amar mais a Ele do que qualquer outro ser neste mundo?? (Deuteronômio 6:5, Mateus 10:37)

Devemos ser tolerantes em relação às pessoas autoras ou praticantes dessas ideias errôneas pedindo a Deus que as leve a entender Sua Palavra e mudarem de atitude além de exortá-las quando possível, sendo que nós mesmos podemos ser veículos para elas da Verdade. Mas de qualquer forma, é importante saber que quando uma Igreja excomunga de forma lícita um pecador ou quando o Estado pune também licitamente algum criminoso, estão não somente sendo intolerantes para com os ideais ou obras dessas pessoas, mas contra as próprias pessoas como causadoras de tais coisas. Seja através da disciplina da Igreja para aqueles que não se arrependem dos pecados ou da punição do Estado para aqueles que não cumprem as leis cometendo crimes, tenhamos em mente que a essas instituições é dado esse poder, mas a nós indivíduos não é permitido fazê-lo.

Por fim, não sejamos como Pilatos, relativizando a verdade mas sim defensores dela (João 18:37-38), lembrando que a Palavra de Deus é a verdade (João 17:17) e Cristo é a Palavra de Deus, o Verbo encarnado (João 1:1-5, João 14:6). 
Sendo assim, se buscamos agradar a Deus e não a homens, vivamos conforme a Sua Palavra tomando Sua forma (Romanos 8:29) e não a do mundo (Romanos 12:2). E lembrando que:
Se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, o Filho do homem se envergonhará dele quando vier na glória de seu Pai com os santos anjos.(Marcos 8:38)


QUE ELE NOS DÊ SABEDORIA E ATITUDE.


Ver o artigo ou a parte seguinte Ver o artigo ou a parte anterior Ver a página principal
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...