sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Hierarquia, submissão e a vida cristã (parte 03 de 03)



A relação entre homem e mulher é superior às demais mencionadas por alguns motivos especiais.

  • São a base de uma nova família

Disse então o homem: "Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne! Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada". Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e eles se tornarão uma só carne.
(Gênesis 2:23-24)

Quando um homem e uma mulher se casam, deixam seus lares e iniciam uma nova família. Isso significa que eles tornam prioridade o relacionamento entre si, em relação ao que havia com seus pais, irmãos, etc.
O cônjuge passa a ser prioridade.

  • São exclusivamente um do outro

A mulher não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim o marido. Da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o seu próprio corpo, mas sim a mulher.
(1 Coríntios 7:4)

Diferentemente das demais relações, aqui existe exclusividade.
Pais podem ter mais de um filho, chefes geralmente tem mais de um funcionário, mas um marido deve ter apenas uma esposa e vice-versa.
Essa relação é exclusiva entre ambos, não deve compartilhada com "terceiros", e por isso mesmo a Lei de Deus combate o adultério veementemente. (Deuteronômio 22:22)

  • A união é indissolúvel

Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe. (Mateus 19:6)
Ao combater o divórcio perante os fariseus, Jesus explicou que a união de homem é mulher é a mais íntima das relações, quando ambos se tornam uma mesma carne. E diz a eles que essa união deve ser vitalícia.

Muitos equiparam a relação entre marido e esposa à relação de pais com seus filhos, sendo muito comum até que se coloque mais prioridade e ênfase neste último por julgarem que os filhos tem o sangue dos pais e são parte deles. O que ignoram é que a relação conjugal é mais íntima, e que os filhos naturalmente não viverão todas as suas vidas com seus pais.

O apóstolo Paulo inclusive fala à igreja de Corinto sobre os deveres que tanto marido quanto esposa tem de satisfazerem sexualmente um ao outro, dizendo que eles já não tem autoridade sobre o próprio corpo, que agora pertence ao cônjuge (1 Coríntios 7:3-4). Se por um lado isso pode gerar a fúria das feministas que acham justo abortar um filho porque "o corpo é delas", o tiro sai pela culatra se tentam uma acusação de "machismo" quando encaram o fato de que o corpo do marido pertence á sua esposa..
Além disso Paulo exorta os casais a não se recusarem, seguindo o princípio acima, a não ser por uma causa maior. 
Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio.
(1 Coríntios 7:5)
Portanto a união do casal não se compara a nenhuma outra relação humana.
Essa diferença é essencial nessa questão, pois, os pais devem ter em mente que criam seus filhos para que gerem novas famílias, e lembrando-se que eles mesmos deixaram a relação com seus pais como secundária para viverem a vida de casados.
O casal deve viver o resto de suas vidas unidos, não havendo mais separação como há entre filhos e pais quando os primeiros vão gerar novas famílias.

Não que a relação entre pais e filhos se encerre com o casamento dos filhos, mas a partir desse marco (e não de maioridade penal ou qualquer outro critério) os filhos já não estão na obrigação de seguirem as ordens dos pais (mesmo que devam ouvir seus conselhos), cabendo ao homem (filho) ser o cabeça de sua nova família e à mulher ser sua auxiliadora.


Tendo em mente esses motivos, fica mais evidente a razão da exigência de honra aos pais no 5º Mandamento, já que eles geraram a família, educaram e sustentaram seus filhos.


Mas considerando tudo o que foi dito, onde entra o Estado?? A obediência às autoridades seculares deve ser tratada da mesma forma que a relação entre chefes e empregados?? E no caso das "autoridades religiosas"??

São 2 esferas diferentes e hierarquicamente não são superiores às anteriores, tendo um papel que pode ser considerado paralelo à relação entre chefes e empregados.

Vou tentar resumir:

As autoridades religiosas

E Ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristo seja edificado, até que todos alcancemos a unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, e cheguemos à maturidade, atingindo a medida da plenitude de Cristo. (Efésios 4:11-13)
Obedeçam aos seus líderes e submetam-se à autoridade deles. Eles cuidam de vocês como quem deve prestar contas. Obedeçam-lhes, para que o trabalho deles seja uma alegria e não um peso, pois isso não seria proveitoso para vocês. (Hebreus 13:17)

Apesar de atualmente haver uma tendência em que muitos queiram abandonar a ideia de hierarquia dentro da igreja porque detestam a ideia de submissão, a bíblia é clara em mostrar que Deus deu dons diferentes aos Seus eleitos, e tudo para edificação da igreja. E também ordena que obedeçamos a esses líderes.

Lembrando que na relação há obrigações para ambas as partes, e lemos:

É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher, e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão.
Por ser encarregado da obra de Deus, é necessário que o bispo seja irrepreensível: não orgulhoso, não briguento, não apegado ao vinho, não violento, nem ávido por lucro desonesto.
É preciso, porém, que ele seja hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, consagrado, tenha domínio próprio e apegue-se firmemente à mensagem fiel, da maneira como foi ensinada, para que seja capaz de encorajar outros pela sã doutrina e de refutar os que se opõem a ela.
(Tito 1:6-9)
Em I Timóteo 3 há uma lista de atribuições necessárias aos oficiais da igreja, sendo que devem ser irrepreensíveis. Isso não quer dizer que sejam sem pecado, mas simplesmente que sua conduta deve estar de acordo com aquilo que professam.
Nesse caso as igrejas confessionais possuem uma grande vantagem sobre as demais, pois, ao subscreverem uma confissão todos os oficiais podem ser julgados por estarem agindo de acordo ou contrariamente a ela. Portanto, não há pleno poder dessas pessoas como havia principalmente no período anterior à Reforma Protestante, e com isso esses oficiais devem ser corrigidos quando errarem na conduta ou no ensino:

Não aceite acusação contra um presbítero, se não for apoiada por duas ou três testemunhas. Os que pecarem deverão ser repreendidos em público, para que os demais também temam.
(1 Timóteo 5:19-20)

Havendo uma confissão que a igreja subscreve e que todos oficiais juraram que seguiriam, é mais fácil identificar e julgar esses casos.

Para entender melhor a importância da confessionalidade eu recomendo que acompanhem a página do facebook Siga o Caminho, além da seguinte leitura:

Mas concluindo, temos que ter em mente que a responsabilidade dessas autoridades eclesiásticas é grande e devemos orar por eles, para que a própria igreja seja saudável. E além disso devemos nos submeter a eles sempre que agem conforme a Palavra de Deus. A regra persiste: se houver contraste entre o que eles fazem ou ensinam e o que a bíblia informa, não devemos obedecer. A autoridade de Deus exige uma submissão maior que a de qualquer outro líder em qualquer relação.
Não temos um "papa" que comande toda a Igreja de Cristo na terra, nosso Cabeça é Cristo, então devemos nos submeter às autoridades das igrejas locais mas nunca contra a Vontade desse Cabeça.


As autoridades civis

Todos devem sujeitar-se às autoridades governamentais, pois não há autoridade que não venha de Deus; as autoridades que existem foram por Ele estabelecidas.Portanto, aquele que se rebela contra a autoridade está se colocando contra o que Deus instituiu, e aqueles que assim procedem trazem condenação sobre si mesmos.Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá.Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal.Portanto, é necessário que sejamos submissos às autoridades, não apenas por causa da possibilidade de uma punição, mas também por questão de consciência.É por isso também que vocês pagam imposto, pois as autoridades estão a serviço de Deus, sempre dedicadas a esse trabalho.Dêem a cada um o que lhe é devido: Se imposto, imposto; se tributo, tributo; se temor, temor; se honra, honra.
(Romanos 13:1-7)

Tomando esse texto isolada e descuidadamente alguém poderia inferir que as autoridades constituídas pelo Estado devem ter domínio sobre tudo e todos de forma absoluta por terem sido instituídas por Deus, mas não é bem assim.
O próprio texto mostra que o papel dessas autoridades é serem agentes da justiça punindo quem pratica o mal. Não se trata portanto de um totalitarismo com o Estado determinando tudo e os cidadãos obedecendo.

Quando Paulo escreveu essa carta, o Império Romano dominava o mundo, e uma das características desse Império era que as pessoas deviam encarar o imperador como um deus na terra (por mais que cressem que somente após a morte ele seria efetivamente uma divindade). Sendo assim, havia um abuso blasfemo quanto ao papel e o poder do Estado, por mais que houvesse certa tolerância religiosa (Pax Romana). O imperador então estava usurpando o papel de Deus como autoridade suprema, e por isso mesmo muitos cristãos foram martirizados ao se negarem a aceitar tal postura, e confessando Cristo como Senhor.

O papel do Estado é, originalmente, reduzido a julgar e punir pessoas quando preciso, quando há acusações contra elas quanto a algum crime. A base para as leis do Estado deveria ser a Lei de Deus (os princípios que ela traz), e ele deve atuar julgando justamente (imparcialmente) segundo os princípios que dão base para essas leis, e executando as penas para crimes contra tais leis. São os 3 poderes do Estado que conhecemos (Legislativo, Judiciário e Executivo) atuando conforme a Vontade de Deus.

Assim sendo, o Estado é o responsável por (e único autorizado a) praticar o "olho por olho". Nunca foi dado por Deus a um indivíduo o direito de praticar justiça com as próprias mãos, sempre houve a necessidade de realização de julgamento antes da aplicação de penas, e ambos são função do Estado.
Esse artigo explica bem isso: Olho por Olho, Dente por Dente (por Frank Brito)

Infelizmente nossa sociedade tem arraigada a ideia de que o Estado deve ser "sustentador" (por isso o assistencialismo tem bom retorno) ao invés de servo de Deus para realizar justiça, tanto que não é tão difícil ver cristãos defendendo um Estado Laico livre de influência religiosa em qualquer aspecto, e inclusive sendo simpáticos a ideias comunistas (que são originalmente anti-religiosos). Isso é triste..
Mais triste é ver cristãos reformados indo nessa direção mesmo quando isso é algo antagônico ao que a bíblia ensina, e portanto se contradizem ao dizerem que defendem o Sola Scriptura.
Esse artigo mostra como Calvino definia a função do Estado, e não há qualquer espaço para a defesa de um Estado "todo-poderoso" e "independente de Deus":
João Calvino e o Princípio Regulador do Estado (por Steve C. Halbrook)

Essa concessão que muitos crentes (principalmente) tem dado ao Estado afeta diretamente as outras relações mencionadas antes. Por exemplo, o Estado não deveria intervir diretamente na educação dos filhos obrigando que absorvam alguma ideologia que os pais não concordem. Muito menos proibir que pais disciplinem seus filhos usando força física quando preciso..
A área de atuação do Estado deveria ser apenas de aplicar a justiça, portanto a única forma dele intervir na relação familiar seria se ele precisasse punir alguma pessoa devido a algum crime cometido nessa relação.. O texto de Deuteronômio 21:18-21, mencionado anteriormente, é uma demonstração de quando o Estado deve fazer essa intervenção, e essa intervenção também poderia ocorrer em relação ao pai que de alguma forma cometesse algum crime no tratamento com os filhos, um marido contra sua esposa (ou vice-versa), etc..

Isso serve para todas as relações, o Estado deve intervir apenas no que diz respeito a garantir a justiça, e não impondo qualquer ideologia a quem quer que seja. Da mesma forma, nem a Igreja nem os empregadores tem qualquer direito de intervir nas questões familiares de um membro ou empregado.. São esferas distintas entre si, por mais que todas devam estar sujeitas a Deus.



Concluindo, pensemos na hierarquia das relações de uma forma resumida:
Então, Jesus aproximou-se deles e disse: "Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terraPortanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos".
(Mateus 28:18-20)

Jesus Cristo tem toda a autoridade sobre tudo e todos, e comissionou pessoas para que pregassem sobre Seu Reino e então conseguissem mais adeptos dele. A todos devemos mostrar que o mundo ideal é aquele que vive conforme a Vontade de Deus, por mais que aos nossos olhos pareça utópico que isso venha a se cumprir um dia.
Tendo toda a autoridade, Ele é a quem devemos servir em qualquer circunstância, acima de todas as outras autoridades terrenas.

Devemos obedecer nossos chefes ou respeitar os direitos de nossos funcionários (quem tiver) respeitando o contrato (acordo) que foi feito. 
Chefes não devem oprimir os empregados pois com isso estão rejeitando a autoridade de Cristo, que condena essa prática.
Empregados não devem cometer pecados por ordens dos seus chefes, pelo mesmo motivo acima..

Devemos honrar nossos pais acima de quaisquer outras pessoas e tratar nossos filhos amorosamente (os que tem).
Pais não podem obrigar os filhos a cometerem pecados e filhos não podem cometê-los de forem obrigados a isso. O senhorio de Cristo deve ser respeitado.

Por fim, esposas devem respeitar a autoridade de seus maridos (I Pedro 3:1-2), e esses devem cuidar delas como parte mais frágil (I Pedro 3:7).
Maridos não podem obrigar as esposas a fazer qualquer coisa que desagrade a Deus, e estas não podem fazer tal coisa porque acima do dever de submissão ao marido está o dever de obedecer a Deus.

As consequências da obediência irrestrita a Deus podem ser até fatais em alguns casos, mas certamente honrosas perante Ele. E elas já foram avisadas:
"Bem-aventurados serão vocês quando, por minha causa os insultarem, perseguirem e levantarem todo tipo de calúnia contra vocês.Alegrem-se e regozijem-se, porque grande é a recompensa de vocês nos céus, pois da mesma forma perseguiram os profetas que viveram antes de vocês".
(Mateus 5:11-12)
O irmão entregará à morte o seu irmão, e o pai o seu filho; filhos se rebelarão contra seus pais e os matarão. Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.
(Mateus 10:21-22)
Quem, pois, me confessar diante dos homens, eu também o confessarei diante do meu Pai que está nos céus. Mas aquele que me negar diante dos homens, eu também o negarei diante do meu Pai que está nos céus.Não pensem que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim para fazer que ‘o homem fique contra seu pai, a filha contra sua mãe, a nora contra sua sogra; os inimigos do homem serão os da sua própria família’.Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim;e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim.
(Mateus 10:32-38)


Lembrando então que essa desobediência é justificável SOMENTE se ela incorre em pecado. Isso não inclui, por exemplo, nos recusarmos a obedecer nossos chefes porque achamos que poderíamos agir de outra forma, que traria melhores resultados. Neste caso quando o diálogo é possível deve ser tentado, mas se não tiver outro jeito acatemos ao que discordamos, quando isso não é pecaminoso. E isso serve para todas as autoridades às quais estamos sujeitos.


Busquemos então conduzir nossos relacionamentos conforme a prescrição bíblica, pedindo sempre que Deus nos capacite a isso.

Agradeço a todos que se dispuseram a ler esse estudo e, assim como Paulo termina a sua carta à igreja de Colossos, os saúdo: A graça seja convosco. Amém.


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