sábado, 14 de julho de 2018

Como lidar com a traição??


Uma das piores sensações possíveis deve ser a de ter a confiança em alguém quebrada por um ato de traição. A intenção deste texto não é "dissecar" o tema, mas de tentar trazer à tona um leque de circunstâncias, que muitas vezes são ignoradas no tratamento descuidado e simplista dado a esse tipo de situação.

Infelizmente, qualquer relacionamento traz consigo o risco de uma traição, seja ele um relacionamento amoroso, entre amigos ou mesmo uma parceria profissional. Para que ela ocorra, basta haver algum tipo de confiança, e esta seja quebrada. 
Há um texto das Escrituras que é muito conhecido, e nos alerta sobre o cuidado com a confiança excessiva em homens: 
Assim diz o Senhor: Maldito é o homem que confia nos homens, que faz da humanidade mortal a sua força, mas cujo coração se afasta do Senhor. 
(Jeremias 17:5
O texto acima se aplica à nossa tendência à "idolatria", ao esperarmos que seres humanos sejam "inerrantes" e "salvadores da pátria". É comum que isso seja direcionado principalmente a políticos, mas também ocorre muito em outros setores, mesmo que tais "super-heróis" não arroguem para si essa responsabilidade ou até a neguem.

Sendo assim, eu diria que se tratarmos de forma "hierárquica", esse seria o primeiro ponto a ser considerado quanto à cautela na confiança: o extremo da confiança que usurpa o lugar do próprio Deus. Mas a bíblia não pára por aí.

Conhecendo a doutrina da depravação total, que é toda baseada na revelação bíblica, sabemos que a natureza pecaminosa presente no ser humano o torna corrupto. Em todo o seu ser e aptidões, pensamentos e ações, o ser humano está contaminado, tendo a imagem de Deus corrompida pela tendência "natural" (após a Queda) ao pecado. Desta forma, não é nada sábio que a nossa confiança seja depositada sobre alguém que inevitavelmente peca e falha todos dias. Ao menos não de forma plena.

As leis, vindas do próprio Deus, são uma prova clara de que é preciso regras para que a sociedade sobreviva. E isso justamente porque o homem não fará somente o bem naturalmente, e, mesmo quando tenta, muitas vezes falha. 
Isso inclui tanto as falhas involuntárias quanto aquelas que resultam da sua fraqueza moral em resistir ao mal, e que de uma forma ou de outra desagradam a Deus e prejudicam ao(s) seu(s) próximo(s).

Considerando esses fatores, é importante entender que há diferentes formas de se reagir à traição. Para começar, vejamos a definição do termo segundo o dicionário Michaelis[1]:
Traição
1) Ato ou efeito de trair(-se).

2) Quebra de fidelidade prometida e empenhada; aleivosia, deslealdade, perfídia: "Temos dois praças muleiros que vão conduzir as mulas atrás de sua indicação. Um outro praça estará grudado a suas costas para lhe estourar os miolos, se houver qualquer traição" (JU).

3) JUR Crime de indivíduo que atenta intencionalmente contra a segurança da nação e de suas instituições.

4) Infidelidade no amor: "– Safe-se daí! Quem lhe mandou pôr-se aos namoricos comigo a bordo? Isto exasperou o Leonardo; a lembrança do amor aumentou-lhe a dor da traição, e o ciúme e a raiva de que se achava possuído transbordaram em socos sobre a Maria […]" (MAA).

5) Surpresa ruim; emboscada.
Como eu disse no começo e a definição confirma, a traição pode ocorrer em diferentes tipos de relacionamentos. Em um casamento, a traição envolvendo relação sexual (adultério consumado) é algo tão grave que a Lei de Deus estipulou a pena de morte como punição (Levítico 20:10). Mas além desse tipo de aplicação, chamamos também de traição a quebra de juramento(s) e/ou promessa(s) em outros tipos de relacionamentos, pois igualmente destroem a expectativa criada, a confiança depositada no cumprimento do prometido.
A diferença de gravidade entre a traição no casamento e em outros relacionamentos se dá pela hierarquia. O casamento é o relacionamento mais íntimo entre duas pessoas, a ponto de 2 pessoas se tornarem 1. É uma união diferenciada, sem comparação com qualquer outra. Mas isso não quer dizer que a traição em outros tipos de relações não seja também algo grave.

Creio que o maior exemplo disso está no caso da traição que inclusive criou um apelido "mundial" para aqueles que são considerados traidores, e que devemos encarar como ainda mais grave por ser contra o próprio DEUS encarnado. Refiro-me à traição de Judas, até então seguidor de Cristo, mas que O entregou aos seus perseguidores com um ato dissimulado de afeto (Mateus 26:47-50Lucas 22:47-48).
Judas fazia parte do convívio de Jesus e era um de seus 12 discípulos, praticando portanto externamente os ensinos de Cristo perante os homens, mas intentando contra Ele em troca de benefícios materiais (Mateus 26:14-16).

Além de ser uma traição direta ao próprio Deus (o que torna esse um pecado muito mais grave do que qualquer traição entre um casal de pecadores), esse ato resultou na morte de Cristo, sendo portanto digno de pena de morte. Mas o próprio remorso de Judas o consumiu a tal a ponto, que ele mesmo tirou a própria vida.

Portanto devemos entender que, há sim, diferentes graus de gravidade no ato da traição, dependendo principalmente das consequências dessa traição. Mas outro ponto importantíssimo, e que finalmente toca na questão que dá o título a essa postagem, é o da reação à traição.

Nesse caso, há pelo menos 3 fontes de reações importantes a serem consideradas: 1) do próprio traidor, 2) da pessoa ou grupo traídos e 3) de terceiros (que testemunharam o ocorrido).

Sobre o "Judas"

Da parte do traidor, há uma gama de possibilidades de reações, considerando o antes e o depois da traição ser descoberta. Mas sejam antes ou depois, suas reações externas sempre são baseadas nas reações internas.
Por exemplo: O rei Davi traiu seu soldado Joabe, ao tomar a esposa deste em secreto. Suas reações externas foram uma série de decisões que começaram com tentativas de impedir amistosamente que Joabe descobrisse a gravidez da esposa (causada pelo rei) ao mantê-lo longe dela, e terminaram com o envio deste soldado à frente do exército para ser alvo do inimigo (e por isso mesmo foi morto).
Nesse exemplo, o arrependimento de Davi só veio de fato depois, diante do profeta Natã, enviado por Deus para apontar seu pecado.

A reação interna imediata de Davi passou longe de ser o reconhecimento do seu erro. Pelo contrário, ele investiu pesado para ocultar tal pecado.
Foi somente após o seu arrependimento genuíno que teve paz com Deus.

Sendo assim, da parte do traidor pode haver 1) o sentimento de satisfação quanto ao pecado cometido, 2) o arrependimento que leva à contrição e à tentativa de remediar a situação, ou 3) o remorso que indica um sentimento de culpa mas sem esperança. Como diz a Escritura:
A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.
(2 Coríntios 7:9)
Ou seja, mesmo que a reação seja parcialmente positiva pelo fato da pessoa "traidora" reconhecer seu erro, somente com o arrependimento genuíno há de fato redenção.

Mas e quanto à vítima da traição??

Sobre a Vítima

Creio que também a possíveis distintas reações, e boa parte delas pecaminosas, porém quero focar principalmente das possibilidades "positivas", que se baseiam principalmente nas reações do próprio traidor.

Para iniciar e deixar bem claro, qualquer reação da pessoa traída que seja motivada por desejo de vingança (e não de justiça) é pecaminoso e injustificável (mesmo que possa ser compreensível).
Não retribuam a ninguém mal por mal.
Procurem fazer o que é correto aos olhos de todos.

(Romanos 12:17)
Mas fazendo o caminho reverso, isso não significa que buscar a justiça seja um erro.
Lembrando que se resumirmos o que significa "fazer justiça" podemos dizer que é "retribuir os atos de alguém". Nesse sentido, se alguém fazer o bem merece ser honrado, mas se faz o mal merece punição.
Não é à toa que as autoridades civis são chamadas de "agentes da justiça", e recebem justamente essa incumbência de Deus:
Pois os governantes não devem ser temidos, a não ser pelos que praticam o mal. Você quer viver livre do medo da autoridade? Pratique o bem, e ela o enaltecerá. Pois é serva de Deus para o seu bem. Mas se você praticar o mal, tenha medo, pois ela não porta a espada sem motivo. É serva de Deus, agente da justiça para punir quem pratica o mal.
(Romanos 13:3-4)
Às autoridades foi dado o "poder da espada", que corresponde justamente a cumprir "a parte negativa" da aplicação da justiça. E digo "negativa", não por ser um erro, mas porque diz respeito a retribuir o mal. Algo infelizmente necessário para a manutenção da ordem.
Já ao "cidadão comum", é proibido o "justiçamento". Devido à natureza pecaminosa presente em cada um de nós, a desproporcionalidade na reação é mais uma corrupção da justiça que outrora havia no ser humano por ser imagem de Deus. Por isso a justiça é delegada às autoridades, que devem punir depois de julgar, e o fazer de forma imparcial.

Porém existe uma outra distorção que soa bonita e "graciosa", mas na realidade se torna um incentivo ao pecado. Trata-se do hábito comum de se exigir das vítimas que perdoem as ofensas sem requerer qualquer retribuição ao mal do ofensor.
Essa distorção pode ser fruto da ignorância e ser motivada por um sentimento nobre de prática de perdão, mas voltando ao que eu disse antes sobre a reação do traidor, é importante lembrar que sem arrependimento não há perdão de fato.

A minha última afirmação soou estranha??
Bom, deixe-me tentar melhorá-la. rs

PERDÃO SEM ARREPENDIMENTO??

As Escrituras pregam veementemente a necessidade de perdão, dando como maior exemplo o próprio Deus nos perdoando pelos nossos pecados. Há uma parábola que explicita isso de forma magistral, que é a chamada "parábola do devedor incompassivo" (Mateus 18:21-35). Nessa história, um rei resolve cobrar as dívidas de seus servos, e um desses servos lhe implora perdão, garantindo que ainda pagaria tudo no futuro. O rei decide perdoar totalmente a dívida perante o pedido do servo. Porém, posteriormente o mesmo servo encontra alguém que lhe devia uma quantia bem menor, e energicamente o cobrou e mandou puni-lo com prisão porque ele não podia pagar. Quando o rei descobriu a ingratidão do servo, reviu seu ato de misericórdia e obrigou o servo a pagar.
Jesus contou essa história como complemento à sua resposta à pergunta de Pedro:
Então Pedro aproximou-se de Jesus e perguntou:
"
Senhor, quantas vezes deverei perdoar a meu irmão quando ele pecar contra mim? Até sete vezes?"
Jesus respondeu: "Eu lhe digo: não até sete, mas até setenta vezes sete.
(Mateus 18:21,22)
A dúvida de Pedro era sobre a quantidade de vezes que alguém deveria ser perdoado, e Jesus lhe respondeu figuradamente que deveriam perdoar 'incontáveis vezes". E na sequência usou a parábola para comparar o próprio Deus a um rei compassivo, que poupa o devedor arrependido.
O ensino claro dessa passagem é que não é o "número de arrependimentos" que limita o "número de perdões", mas sim a atitude do perdoado. Havendo a demonstração externa do arrependimento, em palavras e atos, a "vítima" deve perdoar o ofensor. Do contrário, perdoar o erro seria o mesmo incentivá-lo, pois não há perspectiva de correção do mesmo.
E com isso não quero dizer que a insistência da pessoa no erro justifique a falta de amor para com ela, mas sim que manter a confiança que existia no passado seria tolice, e que dependendo da situação, a vítima tem o direito de requerer justiça em relação ao seu prejuízo.
Como eu disse antes, no caso do adultério, a punição civil na Lei de Deus era a pena de morte, logo, o casamento era dissolvido e a vítima estava livre para se casar com outra pessoa. Hoje, sem esse tipo de pena, o divórcio se torna uma possibilidade lícita, pela gravidade do ato de traição, mas cabe à vítima decidir se o casamento deve acabar ou o manterá perdoando o cônjuge traidor.
E como eu também disse, faz sentido conceder esse perdão caso o(a) adúltero(a) demonstre arrependimento, mas entendo que mesmo que a vítima não consiga insistir na manutenção do casamento, caso haja o divórcio, ela deve lutar para que pelo menos haja paz entre as partes separadas.

PAZ OU JUSTIÇA??

As Escrituras nos ensinam que devemos fazer todo o possível para termos paz com todos (Romanos 12:18) e ser embaixadores dessa paz (Mateus 5:9), mas isso não implica em abrirmos mão da justiça e principalmente da verdade. Não é à toa que o apóstolo usou os termos εἰ δυνατόν no grego, cuja tradução literal seria "se possível". O "possível" exclui tanto a falta de disposição do outro lado em querer a paz como também o abandono de princípios morais. Em outras palavras, a paz não está acima da verdade. Como disse o reformador Martinho Lutero:
A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço.
Em relação à justiça, um cristão pode sim abrir mão de seus direitos em prol da paz, e isso é altamente recomendável; porém isso não é uma obrigação moral dele perante os homens, principalmente quando isso diz respeito à sua auto-defesa. Ninguém pode subtrair direitos de outros sugerindo que eles devem aceitar para que haja paz.
Um exemplo de cristão requerendo seus direitos básicos perante julgamentos injustos é o do apóstolo Paulo perante o Sinédrio (Atos caps. 22 a 26). Mesmo sabendo que somos estrangeiros nessa terra e cidadãos de outro Reino (Hebreus 11:13; Efésios 2:19), ele não abriu mão de sua cidadania terrena para requerer sua integridade. Usou sua retórica para que houvesse um julgamento justo e fosse ouvido em suas alegações.

Mas também somos recomendados pelas Escrituras a sabermos abrir mão do que é nosso em determinadas situações. Por exemplo:
"Vocês ouviram o que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.
Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. 
Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa.Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas.
Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado".
(Mateus 5:39-42)
Nesse trecho, que faz parte do famoso "Sermão do Monte" e procede as "Bem-Aventuranças", Jesus está contrastando o entendimento popular de que o mal deveria ser vingado à altura por quem fosse prejudicado, lhes ensinando a retribuírem o mal com o bem. E usa situações possíveis para recomendar que seus ouvintes confiem na provisão de Deus quando são injustiçados.
O ensino claro é que não devemos fazer justiça com as próprias mãos, e que devemos crer que a justiça será feita por Deus. E as autoridades civis são parte desse cumprimento da justiça, quando fazem corretamente seu papel.


VIVENDO A INJUSTIÇA

Há muitos exemplos bíblicos de homens de Deus sofrendo injustiças mas confiando em Deus para lidar com elas, e isso deve nos motivar, principalmente se vivenciarmos contextos de opressão. Mas havendo recursos para recorrer contra a injustiça, em casos que julgarmos ser necessária a reparação, não há erro em fazê-lo.

Tenho um exemplo pessoal que julgo se enquadrar nesse dilema:
Eu participava de um grupo que durante 2 semestres precisava preparar o TCC para conclusão do curso. No primeiro desses semestres, tivemos poucas discordâncias, sendo a maior delas sobre uma questão ideológica (quando um membro queria fazer uma defesa ao feminismo e eu discordei). A ideia dele acabou sendo "enterrada" por uma professora, e por isso mesmo permaneci sem falar mais nisso. Porém, para minha surpresa, no fim do semestre (durante uma prova) recebi uma convocação para uma reunião do grupo com o coordenador do curso, para saber que eu estava sendo expulso dele. Fizeram um documento com essa solicitação incluindo acusações contra mim que, quando não totalmente falsas, continham distorções caluniosas a meu respeito. Tudo isso sem qualquer aviso prévio. Não tiveram a hombridade de falar comigo uma única vez sobre suas insatisfações (que eu não imaginava), e de repente me expulsaram dessa forma.
Ao saber da notícia fiquei bem irritado, mas logo pensei que não adiantaria retrucar ou gerar algum tipo de debate, então concordei em falar com o coordenador no dia seguinte. Como precaução, entrei em contato com esse coordenador pedindo que mediasse a conversa para que tanto eles quanto eu pudéssemos falar sem interrupções (um julgamento justo). No dia da conversa, cheguei no local um pouco antes do horário combinado. Como eles estavam fazendo uma prova, tive que aguardar mais de 1 hora. Para minha surpresa, vieram falar comigo como se estivesse tudo bem, mas eu preferi não dar muita trela.Ao entrarmos na sala do coordenador, o mesmo falou da situação e que esperava que resolvêssemos da melhor forma. Disse que o ideal seria nos acertarmos e continuarmos o grupo, mas que a decisão seria nossa. E deu a palavra a eles.
Ali o cinismo ficou claro. O tom amistoso de fora da sala deu lugar a uma ofensiva, com acusações falaciosas. Ouvi tudo em silêncio, apenas aguardando a minha vez. E ela veio depois que 2 deles falaram.
Quando pude falar, não me preocupei muito em rebater tudo o que disseram, mas mais em demonstrar como agiram sem nobreza, e como a falta de comunicação levou a tudo aquilo. Então, enquanto falava, um deles quis me interromper e voltar a falar. Tranquilamente eu pedi ao professor que intervisse, e ele o fez, garantindo que eu finalizasse tudo o que queria.Por fim, disse que pela falta de confiança neles depois de um ato desses, eu aceitaria sair do grupo mesmo que com isso tenha que refazer do início um novo TCC, apenas queria que aquilo que eu fiz não fosse utilizado (algo que pretendo repensar). Ou seja, mesmo sendo prejudicado, abri mão de recorrer e "brigar" para que a coisa não ficasse pior.
Deixei claro ao coordenador que a minha única intenção era reverter a mancha que tentaram colocar na minha reputação (o meu testemunho), perante o próprio coordenador e no meu histórico escolar (caso aquele documento fosse levado a sério). E depois que o coordenador me disse que eu não precisava me preocupar com isso pois ele me conhecia, fiquei satisfeito (dentro do possível) e deixei a questão de lado.
Eu não sei o que faria caso as acusações fossem mantidas "oficialmente" e me prejudicassem, mas por "buscar a paz se possível", evitei até pensar em medidas judiciais ou algo do tipo. Mas creio que em última instância seria algo a se fazer.

Fui traído nessa situação, e não houve qualquer arrependimento (ainda), portanto não penso que devo a eles perdão. Não desejo o mal a eles, mas a confiança perdida continua perdida..
Em caso futuro de arrependimento, creio estar apto a perdoar, mas repito que meu maior desejo depois de tudo foi reverter o que foi dito a meu respeito.

Isso devido à "terceira fonte de reação" (que citei no começo): a reação de terceiros.
Era importante para mim, considerando a insistência no erro por parte dos que me traíram, impedir que "testemunhas" tivessem uma versão falaciosa da história. Não para me gabar de qualquer coisa, mas que possam ver um pouco de Cristo em mim.
Foi por isso que simplesmente não ignorei a injustiça, mas fiz todo o possível para apresentar a verdade e retribuir o mal (a injustiça) com o bem (a justiça).
Creio que pela graça e misericórdia de Deus o resultado foi favorável, mesmo que eu tenha sido "condenado" a refazer o trabalho do começo ("se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa").

CONCLUSÃO

Diferentemente do simplismo com que muitos tentam tratar esse tema, há muitas nuances a serem observadas em um ato de traição. Busquemos a sabedoria em Deus (Tiago 1:5) para que saibamos sempre reagir com amor, e que a nossa sede de justiça não sobrepuje a necessidade de misericórdia. E que saibamos ser tanto amáveis quanto prudentes, em relação a quem depositamos nossa confiança.

Que Ele nos ajude.



[1] Acessado em 10 de julho de 2018: http://michaelis.uol.com.br/busca?id=4bjp3


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